19 de dezembro de 2014

COMPRAR OU ADOTAR UM ANIMAL?

Antes de começar a desenvolver o tema, e para quem não acompanha a Uva há tempo suficiente, julgo que há-de gostar de saber que sou desde sempre uma grande amante de animais, domésticos e selvagens, e que durante toda a vida convivi com todo o tipo de bichara, tanto no monte da minha bisavó, onde conheci a importância e o respeito de/por todos os animais da quinta, como no nosso quintal no subúrbio sempre povoado por animais de vários tipos, e estou aqui a lembrar-me dos ouriços que o meu pai encontrava na estrada, das galinhas e coelhos que trazíamos do Alentejo para a canja ou cabidela mas que ninguém conseguia matar, dos ratos e ratazanas que connosco conviviam em amena e saudável harmonia, dos gatos que se iam reproduzindo aos magotes, alguns lá se encaminhavam mas a maioria por ali se quedava ao sol, enfim, toda uma panóplia de amiguinhos que comigo cresceram e conviveram até ao último animal que tive (e o primeiro que comprei) um gato Siberiano com 14 anos, que se foi no fim dos dias,  depois de muitas alegrias e outros tantos quilos.

Parece que o estendal é mais do que suficiente para afastar qualquer tipo de extremismo que possa aflorar na caixa de comentários, porquanto na minha casa nunca se viu qualquer desinteresse ou animosidade por quaisquer animais, muito por culpa da minha mãe que me educou assim, no meio das suas adoções (sem freio de qualquer espécie) em que alimentava todos os animais da rua, mormente pombos, gatos e cães abandonados, formigas, escaravelhos, moscas e até abelhas.
Vai daí que estou perfeitamente à vontade para falar sobre o tema-quente.

Acontece que tenho uma opinião muito sui-géneris sobre comprar animais
E tenho outra, também muito sui-géneris, sobre adotar animais.
Sou totalmente a favor de quem compra animais (há vários e plausíveis motivos para isto) e totalmente a favor de quem adota animais.
Não posso no entanto concordar de quem desdenha dos que preferem comprar os seus animais por considerarem a compra uma afronta aos animais que estão para adoção.
Não entendo esta determinação e nem sequer esta associação. Então as pessoas que compram animais tornam-se monstros, porque não adotam os animais abandonados por outras pessoas (essas sim monstros)? Como é que é isto? Quer então dizer que eu sou responsável, em qualquer das formas, pelas monstruosidades dos outros e tenho, no limite, que ser responsabilizado por elas? 
Então o sujeito mata e sou eu que tenho de esconder o cadáver?

Estas opiniões lembram-me que, no limite, e em havendo crianças para adoptar, ninguém se devia permitir a ter crianças 'novas'. Claro que esta associação é tão (ou mais) bizarra do que a anterior, mas há quem a defenda, e aqui o extremismo é quase sempre vagal, e com muito poucas pernas para andar.
Para mim, o sujeito que quer adotar um animal não é superior em nada ao sujeito que quer comprar um animal, porque convenhamos, toda a vida se compraram e venderam animais, aliás, só quem nunca conviveu de perto com a bichara é que se indigna com tal situação. Todos os animais que a minha avó teve, ou foram comprados ou foram vendidos. Cavalos, cabras, ovelhas, galinhas, patos, éguas...
Qual é o drama? É por ser um cachorro ou um gato que os alarmes apitam?
Foi porque a Time Out se lembrou de colocar na wishlist de natal um cachorro à venda por 600,00€? Mas que hipocrisia é esta, senhores?
Então vamos lá degolar a TimeOut, quando a internet está cheia de animais à venda, para não falar nas lojas de animais onde TODOS vão, contentes e felizes, comprar peixinhos (ahhhh os peixinhos não contam), hamsters, pássaros em gaiolas (ahhhh os passarinhos não contam), e não conta nenhum até um Labrador patusco aparecer numa revista?
Porque não vão antes apanhar peixes ao Tejo, coitadinhos, na imensa poluição, ao invés de andarem a gastar dinheiro com esses das lojas que passam a vida a morrer? 
Mas são os cães de raça os mais atacados, esses que custam 300,00€ ou 600,00€.
Esses é que não se podem comprar porque são vendidos por inescrupulosos criadores (criadeiros como dizem os mais assanhados) que comem criançinhas ao pequeno almoço e blá, blá, blá, maltratam as crias, obrigam cadelas a parir sem parar.
Já passou pela cabeça desta gente, que o negócio dos animais, os criadores de animais de raça, nutrem sentimentos sinceros pelos seus bichos? Pela raça?

Somos então obrigados a adotar um animal que não conhecemos, cheio de traumas, que não sabemos se vai crescer até ficar do tamanho do guarda-fatos, se ladra, se morde, e etc, somos então obrigados a ficar com todos os animais que as pessoas inconcientes deitam à rua?
A adoção é uma obrigação?
Não posso então escolher a melhor raça, a mais bonita, a que mais se adapta à minha casa e à minha família? A raça que mais me encanta? Porquê? Porque sou monstruosa e não quero saber dos animais que os outros abandonaram?
Uma inverdade que querem transformar num ataque mais uma vez sem tineta.
Eu percebo que se revoltem contra lojas que mantém animais nas montras, mas isso é outra luta pela qual dou a cara. Isso sim, deveria ser proibido. Fiscalizado. Deveria haver fiscais a indagar junto das lojas de animais a proveniência dos animais. Isso sim era trabalho.
Já a venda e criação de animais de raça, em condições de higiene extremadas, não julgo que seja o cerne desta questão.
O que na verdade importa não é se o animal é comprado ou adotado, o que importa é transmitir às crianças (e se possível a alguns adultos) o verdadeiro respeito por todos eles.
Julgo que a revolta contra as pessoas que compram animais de raça é ignorante e invejosa.
Não me levem a mal.


17 comentários:

  1. Estou completamente de acordo com este post (a minha irmã queria adoptar um cão mas depois não resistiu ao que viu numa loja).
    um beijinho e bom fim-de-semana
    Gábi

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    1. Bom fim de semana Redondinha! Vai começar época. Tu vê lá!! Já és redonda que chegue!!!!!
      E eu estou na mesma...

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    2. Já tinha pensado nisso - vou ter cuidado para não ficar mesmo redonda :)
      um beijinho e uma boa semana
      Gábi

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  2. Bem eu também não percebo o drama. Comprei 2 cães de raça há anos, uns 11 anos talvez, e que já tiveram várias ninhadas. Aqui os pequeninos babys foram tratados com muito amor e carinho e vendidos a quem os quis comprar.
    Bjos

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    1. Não é um drama Maggie, é toda uma revolução! Entupiram o FB da revista. Está tudo doidinho...

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  3. Cá beijinho.
    É que é sem tirar nem pôr.

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    1. As pessoas perderam totalmente a tineta. Misturam alhos com bugalhos.

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  4. Cada um sabe de si. Incomoda-me mais o abandono e os maus-tratos do que a compra de animais. Os meus foram adoptados, mas não é isso que me faz ser boa ou má. Conheço quem tenha comprado e são boas pessoas, são pessoas que gostam de animais.

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  5. Há quem diga que não se deve, mas como resistir aqueles fofuchos????

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    1. Esses que dizem que não se deve estão cheios de esqueletos no armário...

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  6. Não podia estar mais de acordo. Eu que sou doida por animais já os tive comprados, adotados, oferecidos e etc, juro que nõ entendo qual é o drama...

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  7. Adorei! Eu tenho uma labrador comprada diretamente a um criador, criada num ambiente fantástico e é a rainha da casa. Uma colega de trabalho disse ser um crime ter comprado e não adotado e na terceira vez que mo disse eu respondi "espero então que adotes uma criança e não engravides, também há para adoção sabes?!"
    Não sou de todo contra a adoção de animais, acho que quem adota é corajoso porque lá está, podem ladrar, vir com traumas, etc. Mas eu queria uma labrador e foi uma escolha. Comprar e adotar um animal é uma escolha que tem de ser pensada porque um animal de estimação é para a vida!

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    1. E é isso que interessa. O amor que temos pelos animais. Não é crime nenhum adotar um animal, não é crime nenhum gostar de raças. Isso só reforça a nossa estima por eles! E um Labrador, caramba, é o mais maravilhoso de todos. Pelo menos para a Uva é. Logo a seguir a todo um mundo de gatos, claro.

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  8. Adorei o seu post, estava mesmo procurando algo que fosse de encontro a minha opinião. Eu já tive animais adotados, e hoje tenho dois (amores da minha vida) que comprei. Tomei a liberdade e coloquei seu link na minha publicação do facebook, para que mais pessoas tenham acesso a esse seu post :) .

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