24 de setembro de 2016

Dos Estudos

O ano passado deixei de beber leite. Depois do estudo lançado pelo Dr. David Ludwig, médico em Harvard, resolvi afastar para sempre o consumo de leite. Antes vivia apavorada com o facto de não beber 3 copos de leite por dia, julgando que se me desmoronavam os ossos, mas afinal não. O leite foi banido e desde a semana passada que o queijo também se finou. Parece impossível, mas é verdade. Um estudo da Univ. da Califórnia atribui ao queijo as mesmas consequências nocivas das drogas duras. Credo! Não tenho nada a ver com drogas duras, e resolvi comer só o queijo Filadélfia, em creme. Mas outro estudo veio dizer que queijo é queijo, mesmo de países diferentes, e que se engolires uma bolota rija de cocaína, em vez de a consumires em pó, estás a dar-lhe à mesma forte e feio.

Foi mais ou menos por essa altura que deixei de comer bolotas. Um estudo recente indica grandes perigos na ingestão desse fruto. Ora a bolota nasce dos sobreiros alentejanos, o que provoca uma digestão muito lenta. Ora eu já faço mal a digestão, se ficar ainda mais lenta sou capaz de ter problemas com atrasos. Logo eu, que sou tão pontual. Resolvi então deixar os frutos secos e comer só azeitonas. Fiz mal. Um estudo divulgado há dias refere que comer azeitonas faz pior que beber cerveja. São especialmente engordativas e distendem a zona abdominal Ora eu que bebia cerveja à cadência de duas por dia, desconhecia este estudo e acabei logo com isto.

Menos mal, pensei eu, se beber um vinho tinto mal não fará, até porque há semanas vinha um um estudo numa revista conceituada que dizia: um copo de vinho tinto ao deitar emagrece e melhora a agilidade sexual. Infelizmente foi sol de pouca dura, um estudo preliminar afirma que o vinho tinto está todo martelado, e uma brigada da ASAE limpou tudo das prateleiras. Ainda bem que temos a ASAE senão estávamos todos internados, ligados ao soro.

Bem sei que devemos ter muita atenção aos estudos que lançam, caso contrário podemos morrer de repente, sem saber bem porquê. Eu costumava beber uma água das pedras quando a digestão era lenta, isto na altura em que comia bolotas, mas um estudo veio afirmar que o gás sobe à cabeça e pode reduzir a massa cinzenta. Fiquei logo agoniada, devo ter perdido 5/4 da minha massa quando ainda bebia cerveja, e pensei: vou beber um chá de camomila para me acalmar - mas não pude. Um estudo de um médico muito conhecido veiculou que beber chá era o mesmo que beber leite.

Andava eu cheia de fome quando li um estudo que dizia que a melhor coisa que se podia fazer para matar a fome era comer ovos. Desde então tenho comido ovos de manhã à noite. Não sei se é de não comer queijo, não beber leite, não comer bolotas, nem beber vinho, mas ando sempre esganada.
Qual não foi o meu espanto quando um estudo veio desdizer completamente esta teoria, e afinal os ovos são um veneno. Vejam bem.. os ovos!

Resolvi passar no pingo doce para ver se avistava alguma coisa para trincar, mas a minha vizinha veio logo ter comigo para me falar do estudo novo sobre os enlatados. Parece que tudo o que vem em latas mata, mas mata a sério. As pessoas que comem enlatados ainda ficam piores do as que bebem vinho tinto, que afinal de contas têm um soro misturado que faz pessimamente mal. Parece que o soro dos hospitais também está contaminado. Houve até um estudo que recomendou acabar com os hospitais.

E por falar em hospitais, tenho ido a umas consultas para controlar a fome. Um estudo diz que o melhor para controlar os distúrbios alimentares é consultar os médicos da especialidade, e foi o que fiz. Numa das vezes esperei tantas horas pelo médico da especialidade que quando dei conta estava há 3 semanas no hospital sem comer. Tinha tanta sede que nem reparei que a máquina me devolveu uma coca cola em vez duma água mineral. Salvou-me a senhora enfermeira, benzadeus, que me disse ter lido um estudo que dizia que em 55 latas de coca cola, 50 tinham ratos mortos lá dentro.

Não sabia já o que fazer, cheia de sede, a cantina do hospital fechada, quando me lembrei que dentro da mala tinha uma lata de sardinhas que tinha comprado no pingo doce antes de ler o estudo sobre os enlatados.

Não queiram acreditar no que vi.
  


23 de setembro de 2016

40 anos e um assalto

'Na vida tudo passa', e o meu header que o diga, ali pespegado, inerte, mostrando-se numa fotografia com mais de 500 anos.
Não voltei a Paris, não voltei aquele peso, ou mesmo aquela vida.
Mais valia trocar a célebre frase por qualquer coisa como 'Na vida tudo acontece antes dos 40', e depois fechava isto, despedia-me com um breve aceno de mão, dobrava os cantos da boca para cima e desaparecia tão misteriosamente como apareci.

A vida das pessoas é muito engraçada, mas a minha dava um blog.
Foi este motivo, essencialmente este e não outro, que me convenceu a escrever um blog. Antes dos 40 tudo nos acontece, é para isso que estamos formatados, a carreira, os filhos, as plásticas.
Mas se bem sei, e muita gente me conta, é agora que a vida começa.
Comecemos então pelo melhor.
No meu primeiro post de quarentona, nada pode ser menos do que isto: um estrondo!
Fui assaltada!

Não que me tomassem de assalto todos os anos que já passei, loucos, como se repentinamente fossem miúdos incontroláveis, aos saltos em cima das minhas costas, pesando-me, despenteando-me, aborrecendo-me.
Não.
Foi um assalto muito sério.
Entraram mesmo por mim adentro, e assaltaram-me a casa.

Nunca tinha sido assaltada assim, quer dizer, não assim desta maneira tão intima - a única maneira que existe, na verdade. Entraram pela janela do meu quarto, uma janelinha miserável com 40 anos, tantos como os meus, e tomaram de assalto a Casa dos Pinheiros, revolvendo a minha vida de dentro para fora, soltando os quadros das paredes, deixando os artistas todos tortos, as camisas de dormir num desassossego, os colchões com o inverno virado para cima, quando ainda estamos num tempo tão quente. Não percebo. Tudo lhes foi particularmente risível, penso eu. Imagino que pegaram nas nossas intimidades e com elas dançaram na sala. Experimentaram biquínis velhos, camisas de quadrados de grandes golas, sapatos bicudos desirmanados. Depois saíram pela porta, tiveram todo o tempo do mundo, e dançaram na varanda assim vestidos, rindo e pulando, gozando de mim. Os pulhas! Acercaram-se das nossas coisas e levaram-nas como se lhes pertencessem. Burros. Não sabem que deixaram ficar o melhor. A minha Lagoa e a minha vida, que apesar de tudo se consegui esconder nos fundilhos das gavetas.

Foram uns ladrões famintos. A festa dos 40 anos, que se realizava no dia seguinte, levava mais comida que o meu próprio casamento. Para não falar na bebida. Levaram tudo. Quilos de febras, de piano, de chouriços, de queijos, de manteigas, atum, azeite, farinha, café. 2 frigoríficos vazios, uma porta arrombada e duas máquinas de cortar a relva desaparecidas.
Que engraçado. Não me levaram a televisão das telenovelas. Foi um grande alívio, pelo menos para aqueles artistas, que são sempre tão mal tratados.

Tirando as decisões dos outros que nos afetam - e por isso pouco ou nada podemos fazer com elas - são as nossas decisões que acabam por nos tramar.
Por acaso a decisão de levar as bicicletas para Lisboa no fim de semana anterior não me tramou.
Teria sido um golpe duríssimo, daqueles que nos dão pelas costas, à traição. Como se uma pessoa que gostamos muito fosse falar mal de nós a uma outra. Aquilo é irreparável. Ficar sem as bicicletas teria sido mais ou menos isso. Mas em pior.

Foi um assalto limpinho. Desarrumaram-me a casa toda, é certo, mas deixaram a máquina do café, o microondas, e o meu barco novo que estava meio cheio na casa de baixo. A mesma sorte não logrou a secção da higiene, porque levaram o nosso esquentador, as toalhas do WC e muita roupa de cama.
Desarrumados e pobres, coitados, ao menos isso, que o assalto que me fizeram possa ter minimizado os estragos que a vida lhes fez.

'Na vida tudo passa', diz o meu header, ali pespegado, inerte, mostrando-se numa fotografia minha com mais de 500 anos.
Talvez. Talvez me passe esta sensação de espanto, de perplexidade, igual à relva que recebeu despenteada os convidados, igual à que fiz quando entrei na minha casa virada ao contrário.
Que quererão de mim, estes desconhecidos invasores?
Que querem de nós, se não temos nada?

É importante reter este solavanco da vida.
No dia dos meus anos ninguém me foi roubado. Todos os amigos estiveram presentes e foi uma grande alegria tê-los comigo.
Sou uma quarentona mais pobre, mas sou infinitamente mais rica.
E no final tudo isto vai passar.
Porque na vida tudo passa.
Até a Uva Passa.

9 de setembro de 2016

Da organização

Tenho uma certa forma de me organizar no mundo.
Não gosto de acordar tarde, detesto quando me deixam os toalheiros todos enrodilhados no varão, tenho fobia ao caixote do lixo cheio, é imprescindível que os ovos estejam na prateleira do frigorifico e não na caixa de papelão, e não saio de casa sem ter as camas feitas e as almofadas do sofá lisinhas como a minha barriga.
Nos blogs é exatamente a mesma coisa.
Gosto de ler primeiro os mais madrugadores, depois os cómicos, e só à tarde é que me arrasto pelos de poesia, sempre muito tensa e muito pequenina por ser absolutamente analfabeta no ponto mais a norte da literatura.

Ontem verifiquei que o Dúvidas estava na minha última posição, a Anabela Mota Ribeiro logo antes, depois a Gaffe, a Alexandra que não escreve há séculos ali nos meios e, que raio, uma organização que não foi escolhida por mim, uma descriminação feita pela plataforma Blogger que muito me aborreceu.

Em tempos o Blogger levou uma corrida em osso porque se empenhou em acabar com as maminhas ao léu, mesmo as das estátuas, e agora isto?
Então agora, já depois de velha, mas não tão velha que não possa decidir o que quero ver primeiro na minha lista, quem decide decidir das minhas leituras é o Blogger?
Não me lixem.
Eu já tenho a barrisa lisa. Não sei se já tinha dito.

8 de setembro de 2016

E depois há umas pessoas que fazem umas coisas

... com crianças, que vai muito além daquilo que eu consigo fazer com as letras.
E porque a vida é linda mas implacável, e porque eu sou sinistra e intragável, acrescento: há diversas maneiras de se ganhar dinheiro expondo crianças quase nuas em blogs.
E não precisa de ser imoral.

http://www.zenaholloway.com/blog/
Zena Holloway











A imoralidade pregando a moral


Em 2015, um comprador que desejou manter o anonimato, comprou este [Amedeo] Modigliani por 158,3 milhões de euros na conhecida Christie's de Manhattan.
O escândalo não foi tão grande como o de 1918, quando o exibiram pela primeira em Paris.
"Reclining Nude", que parece ter nascido para causar escândalo atrás de escândalo, surge agora numa perspectiva diferente, mas que abala os cânones de uma certa 'moralidade imoral'.
É perfeita, a ironia daquela que está prestes a ser considerada a fotografia do ano.
A imoralidade pregando a moral.

O que é imoral? 

O preço do óleo sobre a tela, o anonimato do comprador, a cidade de Manhattan, Paris em 1918, raparigas de cabeças cobertas observando raparigas nuas, raparigas nuas em frente de artistas, artistas que olham raparigas nuas, a arte do artista, o conceito de arte, a arte?

Se te identificaste com uma ou mais das supra justificações, não és imoral.
És um invejoso.
E quem inveja não medra.
E quem não medra não vive.

7 de setembro de 2016

As piruetas que o sono dá

Não percebo nada de insónias.
Tenho falta de dinheiro, de paciência, tenho até falta de cabelo, mas de sono não tenho.
Sei, porque em terra de cegos quem tem sono olho é rei, que apenas podemos confiar um problema de sono a uma pessoa. À Teresa Paiva.

Foi neste enquadramento que recebi no meu gabinete uma superior que vinha muito preocupada com os seus problemas de sono. Há anos que andava a comprimidos para dormir, e apesar de dormir, e dormir uma média de 6 horas por dia, tantas quantas lhe durava o efeito, se sentia-se cansada, dorida, sem explosão de vida, sem ignição matinal.

Disse-me, à queima roupa, que os resultados dos testes de sono tinham revelado algo de novo, algo que era necessário perceber, e que, resumindo, tinham concluído que o comportamento do seu cérebro a dormir era muito similar ao estado do seu cérebro acordado, e que isso, em curtas e leigas palavras, indicava que apesar de adormecer todas as noites, estava na realidade 'acordada'.

Isto deixou-me num estado muito estranho de desassossego.
É certo que a Teresa Paiva, a médica que a segue, irá estudar a melhor forma de a colocar verdadeiramente a dormir; ninguém melhor que ela sabe como fazê-lo, há formas de reeducar o sono, de conspirar com sucesso contra a insónia, de combater os demónios que lutam e se debatem noites inteiras, tudo para nos manter acordados.

Depois perguntei ao meu intelecto, estupidamente irónico, num apanágio que por vezes me irrita, a quem devemos entregar aqueles casos em que se vê perfeitamente que a pessoa está acordada, mas que sabemos, sem sombra de dúvida, que ela anda a completamente a dormir...

6 de setembro de 2016

O regresso ... e o êxtase!

Estaria aqui a pensar para os meus botões, se os tivesse, que ao contrário de muitos saudosistas que por aí proliferam, não tenho saudades de nada, nisto dos blogs.
Constato, chego agora a esta conclusão, que na minha visão do futuro, as pessoas que têm saudades do passado nisto dos blogs, não têm futuro.

De cada vez que oiço dizer aos saudosistas as saudades que têm deste ou daquele registo, nesta ou naquela pessoa, lembro-me sempre dos bons artistas, que mudaram de registo e se foram desta para pior, no cenário artístico. Não há complacências para quem muda, mas Deus ajuda, e isto é cómico, dada a ironia.
Os artistas que somos, eu e outros como eu, que partilham em blogs, têm, a certa altura, uma absoluta vontade - e necessidade - de mudar de registo, de falar alto, de se envolver numa luta, ou na disputa por algo que acreditam valer a pena, não deixando de ser [por isto] eles próprios, genuínos e interessantes.
Pelo que sei ainda não nos é possível trocar de alma, a não ser depois de mortos.

Ora o êxtase é que nenhum bloguer que partilha diferentes registos de si próprio está morto.
Nada se perde, tudo se transforma.
Quanto a mim, e a esta esdrúxula visão de futuro, morre a cada dia quem não viaja nos delírios dos outros.
Preferia que me fuzilassem contra uma parede.
Ficaria muito mais satisfeita.

10 de agosto de 2016

Mas enfim, eu também ando a treinar para ser a maior ...




... a que tem o nalguedo maior.
Mas alguém entende isto? Quanto mais pedalo, mais cuzuda fico?


Bom, meus amigos, entro de férias amanhã.
Aproveito para vos desejar bons momentos em família, ótimos dias com amigos, e um bom livro.
A uva vai pedalar, ler e remar para longe.
Mas levo-vos perto do coração!

Até breve!
Um abraço.

Vamos lá falar de coisas realmente espantosas




E ontem, juro-vos, até chorei ao ver esta miúda a fazer ginástica.
Não sei como se faz tão bem o que ela faz, mas sei que ela é sem dúvida a melhor no que faz!
E só isto já é caso suficiente para me debulhar em lágrimas.

Simone Biles rio 2016

9 de agosto de 2016

Mais um post sobre anónimos mauzões #2

As pessoas pensam que aqui a Uva é uma espécie de máquina agrícola que debulha palavras como quem debulha milho. Enganam-se, porque a única máquina que aqui encontram está-me no peito e chama-se coração.
Julgam certas pessoas que quem escreve em blogs é uma espécie blindada, sem vida, e que nenhuma bala os atinge. Somos de ferro, de aço e de fogo.
Pensam que podem chegar aqui e dizer a primeira coisa que lhes passa pela cabeça doente, muito à laia do maluco que gosta de ver a floresta a arder, mas que nós aqui é que não, não podemos dizer um alho! que somos logo chacinados, e que 'olha, saltou-lhe o verniz', e que 'afinal não és assim tão fina'.
Tenho muita pena mas não sou de Agronomia, sou de Serviço Social, e tenho ainda mais pena que ainda haja neste mundo que me vê e me segue, gente capaz de pensar que a Uva é fina e se veste de soberba, que poste aqui alguma coisa com a qual não se identifica, defenda aqui (por uma questão partidária) a merda que os nossos governantes fazem à esquerda e à direita.

Não tenho de me justificar, é certo, mas acho indecente que me venham aqui atacar como se tivesse sido eu, com o meu punho, a assinar a revisão da lei do IMI, ou como se tivesse sido eu, com a minha maldade e a minha ganância, a pessoa que esteve na frente das tropas do Fisco aquando da guerra sempre atual (infelizmente) do aumento escandaloso de impostos que todos os governos nos obrigam a pagar.
A geringonça não fui eu que a fiz, a geringonça não se elegeu sozinha, a geringonça é feita de pessoas iguais e diferentes de mim.
A geringonça é um termo preconceituoso que não me assiste, e é apanágio dos ressabiados que não sabem perder e entender os erros de quem apoiam.

Sou defensora dos direitos, liberdades e garantias das pessoas, consagrados na Constituição da  República Portuguesa, e mesmo esta já foi revista 7 vezes! ainda assim está lá consagrada a liberdade de pensamento e de livre expressão e divulgação do pensamento, pelo que enquanto tiver pensamento, pensarei alto, e serei digna e verdadeira pelo menos para mim própria.
Espero por isso o respeito dos meus pares, cuja falta me parece muito mais grave do que qualquer alhada que me possa sair dos dedos.

8 de agosto de 2016

Mais um post sobre anónimos mauzões

Ó que cara&%//%$#o!
Uma pessoa está praticamente ausente daqui, faz um post a cada 15 dias (porque o tempo é escasso e o sol é forte), e mesmo assim, mesmo nesta masmorrice horrenda, mesmo nesta ausência imensa, faz um esforçado post-fotografia com uma piada sobre o IMI, caramba, e ainda tem de levar com um tipo que não tem mais nadinha para fazer (lamber sabão, não?) do que vir aqui à Uva Passa cagar postas de pescada, chamar-lhe comunista, e toma lá que já levaste, huhu comuna!, dizer que a pessoa que sou eu, hum?, lá porque defende os direitos das pessoas, SEMPRE! mas que tem uma casa ou duas, que nem são minhas, atenção, são do banco e da minha avó, já é aqui apelidada de esquerda caviar ha-ha-ha-ha, vai-te mais é curar ó maluco, tu nem sabes bem de que terra és quando mais o que é esquerda caviar, e ainda tem de ler um remate fenomenal no excremento dos comentários que aqui deixou, que o melhor é eu ir mamar na geringonça??
Mamar na geringonça?
Mas tu comes merda às pazadas ó quê?

Vai lá cagar postas de pescada mazé para a tua casa, mas tem cuidado, que as espinhas ainda de tão cabo do olho do cu.

2 de agosto de 2016

Fury

Há muitos anos, ainda eu não era nascida - e tardei - chegou, assim como quem vem para ficar, à margem norte da Lagoa, um senhor de bigode hirsuto e olhar circunspecto.
Sentado no capot do seu Vauxhall Victor, onde costumava sentar-se languidamente para fumar um cigarro sensual, terá decidido que sim, que viria para ficar, que havendo pescaria tudo se arranjaria, e que se tivesse a sorte de lhe venderem o Fury I, um potente barco a motor que rasgava as águas como papel, por preço justo e que se adequasse à vida daqueles tempos, havia de ser ali feliz, como nunca antes pudera ser.
Hoje, volvidos que estão 42 anos sobre esse dia, sentada na duna quente que olha a calma e extraordinária Lagoa, para tirar uma fotografia ao Fury II, uma potente barqueta a remos, que não rasga as águas mas faz uma excelente travessia, decidi que sim, que tudo isto sou eu, que tudo isto está em mim, e que não poderei ser feliz se não puder olhar a Lagoa, pensando e agradecendo todos os dias ao homem de bigode hirsuto e olhar circunspecto, que estendeu a sua felicidade a tantas gerações depois dele.


28 de julho de 2016

Arco do Cego ou daquele que não quer ver?

 A minha cidade é Lisboa, e é esta Lisboa que eu amo.


Bom, não será assim um amor tão avassalador porquanto a cidade foi tomada, também pelo coração, por estrangeiros e salteadores, que teimam em fazê-la sua, e ela, lisonjeada porque vaidosa, como o são todas as mulheres bonitas, está de certa forma indecisa.
Não sei se coma se marisque, e andamos nisto, ela e nós, no não sei se me internacionalizo ou se fico de vez no Sporting a florir em verde.
Já a morte se apresenta da mesma maneira, indecisa, quando quer ser pungente, quando quer cravar o arado na terra seca, que não dá em nada, deixando-a toda revoltada. A indecisão da morte, o nem o pai morre nem agente almoça, é sem dúvida o pior desta cidade.
Os homens importantes cá da terra reúnem imenso com os munícipes, pelo menos com aqueles que conseguem ir às reuniões de Câmara às duas da tarde e no meio da semana de trabalho, e estão para ali todos no palanque, imensos, a falar bonito, mas só a dizer merda.
Moram todos em Carcavelos e não frequentam as esplanadas com vista para o desatino que vai nesta cidade.
Esta conversa não faz sentido absolutamente nenhum se não vos contar que na 4ª feira passada se votou o novo Regulamento para o Funcionamento dos Horários da cidade de Lisboa, com 40 marmanjos a debitar parvidades e a aprovar relatividades, e os 'Aqui Mora Gente' desta vida, a postar postas de Facebook, na respetiva rede, mas bom senso que é bonito, nada.
Veio tudo à rede, mas nada daquilo era peixe, pelo que ficou a cidade mais esfomeada, e nós que por aqui moramos, cá ficámos com os despojos da grande pescaria.
Esplanadas que podem estar abertas até às 3 e 4 da manhã, com o argumento que assim se controla melhor o espaço público, foram algumas das tiradas mais líricas.
Uma esplanaducha ali na sobre-loja do meu prédio, a bombar cerveja até às três da matina, fora o tempo que levam a sair dali depois do fecho, é muito mau para quem trabalha, mas ótimo para os que sofrem de insónia. Jardins maravilhosos onde os cães rasgam patas diariamente nas garrafas partidas, é mau para o cão e respetivo dono, mas ótimo para o negócio veterinário.
E é assim, com esta ligeireza paternalista que se decide o destino da menina e moça.
 
As imagens infra podem ser muito duras para pessoas sensíveis.
É o Jardim do Arco do Cego todas as manhãs, depois da euforia da cerveja a 0.50€.
Os estabelecimentos que vendem as cervejas eram obrigados a fechar à 21h, não tinham esplanada, e isto ficava assim.  Agora vão fechar às 03h da manhã, com esplanada!

Fotos daqui!!

A minha cidade é Lisboa, e é esta Lisboa que eu amo.
Se esta merda é Lisboa, vou ali e já não venho.

26 de julho de 2016

Da maternidade (ou da miopia)


Sim.
É uma burra a olhar para um palácio.
Fora isto, que é evidente, sou eu, em Nisa, a olhar para uma maternidade.
De aranhas!
São milhares de pequenas teias de aranha, cagulo de bebés-aranha, cada berço contendo em média duas pequeninas moscas e três mosquitos, um silêncio de morte, pequeninas mas mortíferas, tudo de tocaia à espera de outros seres voadores miopes como eu, que lá foram meter o nariz, e olha, ficaram lá para sempre.
A curiosidade não mata só os gatos.
Há outros animais igualmente inteligentes...

25 de julho de 2016

Então e esse fim de semana de calor, hum?



Numa boa!
Saíamos antes das 8h para apanhar algum 'fresco', e ainda a Vila de Nisa não tinha acordado para o inferno que se pôs no sábado, com o termómetro a apitar nos 42º,  e já a Uva pedalava pela Circular Multidesportiva daquela vila alentejana, cumprindo a totalidade dos 32 km que se lhe impuseram, qual Dante defronte dos infiéis.
E que Dante!
Pedalar em Nisa era um objetivo antigo, que se previa de máxima dureza, mas que se impunha sobremaneira, não só pelas paisagens belíssimas do Alto Alentejo mas principalmente porque perdi 2163 calorias em 3 horas de exercício, e isto foi importante para este início de época balnear, sobretudo na zona do nalguedo que já avantajava para lá de Bagdad.

Então e esse fim de semana de calor, hum?
Muita praia, muito gelado, muita bola de berlim?
Suas gordas!

22 de julho de 2016

Espelho meu, espelho meu

Qual destes dois equipamentos hei de escolher eu?!
É que vou fazer um percurso cheio de beldades e não quero fazer má figura.
Hum, que dizeis?

Claro que é tudo daqui! Da equipa das campeãs das 5 Quinas!!

Uma zebra entre cavalos

Há muitas razões para a diferença.
Não se é diferente apenas porque a cor é diferente, a forma de andar é diferente, a capacidade intelectual é diferente, o emprego é diferente e a classe social é diferente.
A diferença (ou fazer a diferença) é das coisas mais difíceis de alcançar quando nos encontramos no meio de tantos iguais.
Pus-me a pensar neste tema, aí num dia qualquer, em que uma pessoa com a mania que é diferente, e que não pode estar mais enganada, se atravessou à minha frente como se fosse uma zebra entre cavalos.
Toda a gente sabe, ou pelos menos eu sei, que as zebras têm um belíssimo aspeto, são tremendamente sexy, bamboleiam os largos quadris de listas pretas pela savana, mas não servem absolutamente para nada. São no entanto de famílias ricas, de famílias que cumprimentam com um só urro, de famílias que se habituaram desde cedo a uma certa superioridade que julgam como diferença. Este complexo sistema social que vemos nas zebras, permite-lhes olharem para os cavalos, esses sim com verdadeiras competências, de forma altiva e, no meu entender, ridícula.
Custa-me ver assim as zebras, tão penosamente pedantes, tão enganadamente diferentes.
Percebo que se julguem superiores por nunca se terem deixado domesticar, apesar das várias tentativas. Elas não se submetem à doma, ao cabresto, à arreata, e logo que pressentem o perigo, dão um coice para ar.


Barão de Rothschild, o inglês Lionel Walter Rothschild (1868-1937)

Há muitos caminhos para a diferença.
Ser-se uma zebra entre cavalos é o caminho mais fácil.
O difícil é ser-se um excelente cavalo entre tantos bons cavalos.

18 de julho de 2016

Canal Caveira

A primeira lembrança que tenho de Canal Caveira é de me apear de um Mini-Morris vermelho esbugalhado (onde vinha aninhada entre as pernas da minha avó no banco da frente), ver o meu pai em tronco nu, cabelo muito amarelo, olhos azuis muito alegres, a tabaquear o caso e a dizer: 'almoçamos aqui e ainda vamos a tempo de jantar na Corte Brique'.
Dentro daquele carro ainda viajavam a minha mãe, a Fátima e o Zé - dois retornados enormes e barulhentos - o filho deles, que vinha ao colo da mãe que ia ao colo do pai, e o nosso Banana, completamente grog depois de umas pastilhas para gatos assanhados que a minha mãe arranjava na fábrica mas que nunca falhava a 1ª viagem de verão ao Alentejo.
Canal Caveira foi onde me apeei muitos anos seguidos e durante um longuíssimo tempo da minha vida, com as pessoas que mais me disseram até hoje. Foram os melhores tempos de todos, foram os tempos em que demorávamos um dia inteiro para ir de Lisboa a Santa-Clara-a-Velha, onde as veredas cheias de silvas e amoras, fontes de água fresca e serras a cheirar a pão, me fazem agora chorar.
A paragem em Canal Caveira era um compasso do coração; era ali que o meu pai em pé e de mãos no quadril para esticar a barriga para a frente, me comprava um Capri-Sonne e me dizia.
- Estamos quase a chegar.
E chegávamos noite cerrada, e eu sem medo do caminho escuro que ia dar ao monte, deixava explodir o coração nos braços da minha avó pequenina, a espantava-a muito por estar cada vez mais alta, mais magra e mais parecida com a minha mãe.

Depois o meu pai vendeu o nosso Mini por 15 contos.
Depois uns senhores não trataram bem da minha avó, e ela morreu-nos numa maca de hospital.
Depois a vida levou-nos por auto-estradas que iam dar diretamente ao Algarve.
Depois começámos a matar as saudades do Alentejo por Facebook.
Depois apareceram os blogs e descobrimos que os melhores anos da nossa vida são de somenos, que somos de uma estirpe muito perigosa e de uma dimensão planetária inferior, porque parávamos em Canal Caveira para almoçar, a caminho do Alentejo.

"Olhei para trás, chorando,
 Minha terra da minh'alma
Tão longe me vais ficando."

15 de julho de 2016

Je ne sais plus qui je suis



 Igor Morski || Polish graphic designer, illustrator and set designer.


A Europa parece-me agora muito mais difícil de amar.
Espera-nos uma guerra muito difícil de matar, talvez das mais fortes e violentas de todas, talvez das mais difíceis de esquecer. É uma guerra auto-imune, que nos mata de dentro.
Os vermes que agora se escondem atrás de pessoas comuns, pois que são com efeito pessoas comuns, ainda que incomuns, vão perceber tarde o terrível erro que foi amar a morte mais do que a própria vida, reivindicando orgulhosamente para si todos estes terríveis atentados, gritando orgulhosamente o amor que sentem pela morte, pelos mortos e pelo céu, este último desde sempre e para sempre o maior cemitério da humanidade religiosa.

Há uma frase maravilhosa de Emily Jane Brontë, que explica tudo ao referir-se a um defunto que supostamente vagueava pela casa: "o espectro mostrou-se caprichoso, como costuma ser apanágio dos espectros: não deu sinais de existir."


Um dia sereis espectros.
A morte sequer existe caso a vida lhe negue essa esperança.
Um dia a Europa voltará a ser amada.
Um dia seremos vivos.

Je ne sais plus qui je suis, mais je sais que je suis vivant!

E aquela cena sinistra à porta do Ramiro?

E sou daquelas pessoas que prevaricam.
Prevaricar está entre as coisas que melhor sabemos fazer enquanto povo. Há quem lhe chame chique-espertisse, filha da putisse, eu chamo-lhe falta de paciência.
Quando está uma fila gigante para a casa de banho das meninas, eu vou à dos meninos. Temos pena. Não sou de famílias, pelo que posso ter comportamentos desviantes.
Nunca por nunca me apanham feliz e contente numa fila seja do que for, muito menos se for para as necessidades básicas, menos ainda se for para comer.
Isto para vos contar que ontem, depois de ter ido comprar 3 coletes salva-vidas (para aquilo que mais cedo ou mais tarde vou escarrapachar aqui no blog), deu-me uma súbita necessidade básica de beber uma imperial e mergulhar os dedos na água choca dos caracóis.
Pois que não consigo comer caracóis sem que me apeteça logo de seguida uma saladinha de polvo, mexilhões à espanhola, ou ameijoas à bulhão pato, pelo que se estás em Roma sê romano, e eu estando em Lisboa, no pino do verão, estou (naturalmente) enfiada numa marisqueira.

Marisqueiras em Lisboa há milhentas, mas as pessoas gostam mesmo é de ir todas ao Ramiro.
Ahh que é muito bom, vale a pena ficar ali 3 horas de pé, com sorte à sombra, com azar ao sol, chegar pelas três da tarde para ir a tempo de jantar, só para ir comer um qualquer diz-que-disse que é muito bom, sobretudo a torrada com manteiga, uma especialidade que quase ninguém tem a perícia de fazer como eles a fazem, que é feita pelo método ancestral de torrar o pão e meter-lhe manteiga por cima.
Enfim, metem dó.

Não sejam tóinos, não percam tempo em filas parvas (mesmo que à vossa frente sopre uma brisa que mostre a badana do rabo de uma sueca) quando há uma marisqueira e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r mesmo ao lado do Ramiro. É só entrar e pedir. Há uns 10 rapazes com ótimo ar a servir, ótimo marisco, bom ambiente, imenso espaço.
Tudo fresquíssimo.
De nada.




14 de julho de 2016

Maria José Portugal Portugal

Meus ricos meninos!

"Quase todos os alunos do Colégio Rainha D. Leonor têm 20 na disciplina de Direito" é o titulo que diz quase tudo na Gazeta das Caldas.

Não admira que houvesse mais amarelos na Avenida da Liberdade do que quando ganhou a nossa Seleção. No fundo esta é também uma espécie de seleção, mas enquanto a outra é natural, feita com base no trabalho e na dedicação dos atletas, estoutra é anti-natura, contra natura e indecente. Eu também quero entrar para a Universidade sem estudar, sem fazer testes na disciplinas opcionais, que são na verdade as mais me custam intelectualmente.
São tão retorcidos, tão imensamente inteligentes, decerto com uma aprendizagem feita também no mesmo colégio, que resolveram estoirar com as médias das disciplinas opcionais (as que não necessitam de exame nacional) e fazer coisas assim, de um nível intelectual superior: "casos em que alunos com notas negativas a disciplinas como Português e História (sujeitas a exame nacional) obtiveram entre 17 a 20 valores a Direito ou Sociologia.
Uau!
Este alunos são os maiores, são os melhores 193 alunos que o ensino português pariu, são tão bons, mas tão bons, que as médias de química, sociologia, inglês, biologia, e física nunca foram inferiores a 17,4 valores.

Ai ai ai, que só me apetece é ganir!

Se eu fosse a dona da 'Gazeta das Caldas' teria optado por esta parangona:

"E um bem grande das Caldas para este estabelecimento de ensino, hum?"

13 de julho de 2016

Ahh, os maridos...

Ao jantar, eu em frente dum prato com uma lata inteira de Minerva e um traçalhão de pão, ele a comer um terço de uma melancia marreca, sem acompanhamento à vista. Eu com um copázio até ao cagulo de vinho tinto, ele sem copo à vista.

- Estou furiosa!
- Atão?
- Esqueci-me do meu livro em cima da secretária. Que estupidez tão grande, credo! Estou a ler um livro tão lindo, mas tão lindo, lindo lindo lindo...
- Porque é que não te casas com o livro?
- (...)!!???
- Então, qual é o mal? Houve um gajo que se casou com um Iphone.

Os homens com fome são um bocadinho coiso, não é?

Falta de jeito para crianças, ou o cúmulo do fartanço

Anteontem, por educação, ou por querer matar a última hora que tinha pela frente antes de ver o escritório por trás, e, aproveitando que a pequena ML me eclodiu à porta do escritório qual visita inusitada, pelas mãos de um pai que mais parecia um adolescente antes do concerto dos Iron Maiden, resolvi correr com ela os vários andares do Rule of Law para que conhecesse algumas pessoas e para, como disse, abandonar sobre bom pretexto o filha da puta do telefone, do mail e do caralhinho mais velho das conversas sobre a selecção.


Podem não acreditar, que até eu pensava que estava a ver as coisas em repeat, tipo aquelas pessoas que acordam e estão sempre no mesmo dia, o que não deixa de ser o caso, mas toda a gente, tooooda a gente, depois de lhe dizerem muito espantadas (...) ai estás tão parecida com a tua mãe, lhe perguntaram: então? e gostaste do jogo da seleção? e do Ronaldo gostas? é giraço não é?
Todas, não sei se já disse.

Entretanto, num volte-face que muito me espantou, houve um causídico (instalado há pouco tempo no último gabinete junto à porta, e que vem a ser um novo sócio cá do sítio), que contra todas as minhas expetativas, resolveu fazer diferente.

- Então? e gostaste do jogo de ontem?
- Sim..
- E gostas aqui do trabalho da mãe?
- Hummmm.....
(olha para mim, buscando alguma coisa entre aprovação e desculpa-me por isto que vou dizer, e sai-se com esta pérola):
- Nem por isso. Gosto mais do trabalho do pai. Aqui é tudo muito... acho... assim... repetitivo.
- Hahahaha, estás tão parecida com a tua mãe!!

12 de julho de 2016

Eu também continuo a gostar dos franceses


Reality Show

Devido a um comportamento descarado, julgo que nascido de uma intempérie constante entre mim e a autoridade institucional - esta de difícil reconhecimento por ter sido impositiva durante uma grande parte da minha infância - é que tenho grandes discussões com quem amiúde me acompanha.
Sou tão observadora, e ao mesmo tempo tão distraída, que é muito comum que me apanhem de olhos fitos nas pessoas, observando-as, como se estivesse escondida atrás do grosso pano que separa a plateia da cena, ou como se  estivesse na posse de grandes óculos de lentes negras.
Este inocente comportamento, que faço sem perceber, é o que se pode chamar de cúmulo da não timidez, isto é, enfrento com um olhar curioso qualquer fulano que passe, sem me importar de ser apanhada.
'Não olhes assim para as pessoas!' é uma frase que já ouvi tantas vezes que, ao fim de tantos anos, resolvi dar-lhe uma certa importância.

Não pensem [que se enganam] que descurar a educação das crianças ou submetê-las a certos ambientes de forma continuada, não as marca para a vida. A melhor maneira de tornarem uma criança num adulto estúpido, muito estúpido, é não lhes explicarem porque raio precisam de se submeter a uma autoridade forjada nos canudos académicos, ou nas vozes afetadas ou cheias de dinheiro, que certas classes as submetem.
A ideia deste trecho, aqui meio perdido no meio do post, é para tentar explicar que quando uma criança não entende a autoridade, raramente se submete, e vulgarmente se revolta. Isto cura a timidez, conotada desde sempre com o medo, mas pode trazer problemas no futuro.
Foi exatamente o que me aconteceu.
Não me revoltei, mas perdi-lhes o medo, ou antes, perdi o medo de as olhar.

Percebo no entanto que é um comportamento incomodativo, malcriado, e invasivo. Há qualquer coisa de sinistro, dizem-me, em ter alguém a olhar-nos pensativamente, curiosamente, como se fossemos animais de laboratório. A maior parte das pessoas vai agora manear a cabeça, colocando-se no alvo dos meus olhos.
Que descaramento!
Está olhar para onde? Nunca viu?
Peço desculpa, distraí-me, há muito que perdi o medo.

Urge pois recolher os olhos.
Mas como é que nos conhecemos a nós, se não nos vemos no espelho dos outros?
Ahh, também já te aconteceu?

E porque toda a gente o faz, mais ou menos dissimuladamente, mais ou menos descaradamente, é que os reality shows têm tanto susexo.

11 de julho de 2016

A (t)Raça Portugal

O festim foi longo, barulhento e bem regado.
Regado de um estóico, augusto e extraordinário sentimento de pátria, nobreza, e valentia.
Assim reza o hino. Assim rezamos nós.
Amém.

6 de julho de 2016

O que seria de uma Uva se não falasse de vinhos?



Eu assumo-me uma Uva de casta Moscatel, derivado da minha doçura como pessoa.
Mas isso agora não interessa nada.
Este vinho que custa 2 euros e pico nos locais habituais, é muitíssimo bom, e digo-vos já, para aquelas ocasiões em que querem fazer brilharete (até podem fazer dois brilharetes e levar duas garrafas), experimentem levar este bem geladinho.
Depois venham cá dizer se não é bom ter uma amiga Uva.

Do aborrecimento (ou da ironia?)

" Pois não era verdade que um homem devia, pelo contrário, conhecer tudo, ser expedito em atividades multiplas, iniciar uma mulher nas energias da paixão, nos refinamentos da vida, em todos os mistérios? Mas aquele não ensinava nada, não sabia nada, não desejava nada. Julgava-a feliz; e ela ressentia-se daquela calma tão permanente, aquela gravidade serena, até da felicidade que ela própria lhe proporcionava." 

Gustave Flaubert, in Madame Bovary

Em 1856, Flaubert, um homem do tempo em que a imoralidade ainda sentava os escritores na cadeira dos réus, escreveu este pedacinho de texto, que veio a ser impresso na página 58 de um livro que comprei em Lisboa, 160 anos depois.
E que atual meus senhores.
Pois não é verdade que a emancipação das mulheres, o nível de instrução, a energia que resulta da capacidade de ser tantas numa só, a luta pela independência, também dos filhos, a preocupação com os pais, com a casa, as prestações, a depilação, as férias, as cabras das colegas, o mestrado tardio, quiçá uma gravidez idosa, os mil braços e pernas, um coração grande e assassino (se isso não comprometer a beleza), deixou a ala masculina aborrecida, mole e tristonha?
Que é feito dos cavaleiros, ou como cantava Paula Cove "Where Have All the Cowboys Gone"

I will do the laundry
If you pay all the bills
Where is my John Wayne
Where is my prairie song
Where is my happy ending
Where have all the cowboys gone

Não são, no entanto, os homens de agora mais felizes, libertos das tarefas que nunca assumiram por completo, e também das outras que iam fazendo por obrigação?

5 de julho de 2016

Daquilo que me dá nos nervos

Então, estás a gostar? Estás a reler? Já li esse há anos sem fim, chiii, já nem me lembro quantos anos tinha! Ahh esse é muito bom, mas li-o na adolescência... Ainda nos clássicos? Esse Dostoievski é um bocadinho maçudo, li-o com 6 anos e não gostei muito...

Descobri um novo tipo de pessoas. Os pós-leitores.
Os pós-leitores são uma espécie que saiu muito adiantada em relação aos outros leitores; são aqueles que aos 6 anos de idade já tinham devorado meia lista dos melhores 100 livros para ler na vida, incluindo aquela porcaria indecifrável do James Joyce. São leitores com uma voragem tal, que não há um único livro com mais de 100 anos que não tenham lido seguramente 3 vezes.
Não me interpretem mal. Não me sinto inferiorizada por ter quase 40 anos e estar a ler a Madame Bovary pela primeira vez, logo depois de ter terminado o Grande Gatsby. Sinto-me aliás muito bem. Há muito que venho assumindo que tenho grandes falhas na cultura literária, porque sou uma leitora bastante tardia dos bons (e maus) livros, vulgo, grandes clássicos, porque para se ler bons livros numa certa altura da vida, é preciso ter quem lhos indique, e eu não tive.
A minha filha de 9 anos já leu mais livros do que eu com 20. Porque a obrigo, porque lhos compro, porque lhe faço esperas à porta do quarto e pergunto: então filhinha, quantas páginas leste hoje? e é um jogo, uma tarefa, um objetivo, que tenho e faço por vencer, de passar hábitos bons e arreigados de leitura à ML, porque sei a falta que nos faz a cultura literária, o saber ler bem, falar bem, pensar bem.
Não me aborrecem tanto as pessoas aborrecidas como me aborrecem as pessoas que me olham com uma certa sobranceria, com uma espécie de altivez que as coloca num patamar elevadíssimo, só porque leram o Guerra e Paz nos primeiros anos de vida.
É como se fossemos os coitadinhos da leitura, os que só agora, em velhos, conseguem perceber, coitadinhos, que há livros incontornáveis, e que coitadinhos, têm de andar a estudar as cadeiras atrasadas, como um fardo, coitadinhos, quando já podiam ser seres superiores, de canudo literário nas mãos, detentores de um conhecimento especial que os coloca acima de qualquer outro ser humano.

Há uma frase muito linda, muito eu, do Almada Negreiros (e que está na estação de Metro do Saldanha), que diz assim:

“Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão… estou perdido."

Julgo que diz tudo - sobre todos.

4 de julho de 2016

Eu tenho porras, não sei se já vos tinha dito...


Sim. É um cão a pilhas, uma ratazana, uma doninha.
Mas está na short list para meter a Meca nos eixos.


1 de julho de 2016

Que bonitinho

Uma das pessoas que mais admiro nisto dos blogs é simultâneamente a miúda que melhor domina a difícil técnica literária 'fluxo de consciência', e a que me deixou o comentário mais desassossegado quando resolvi atirar-me do comboio.
Dizia ela que sou das pessoas que têm coisas a dizer ao mundo e que por isso não me deveria calar.
Concordo. Se tenho coisas para dizer a minha urgência é dizê-las, mas assim sendo o que fazer às horas e horas, ao tempo e tempo de meditação e reflexão que me levaram sempre à mesma conclusão? Se quem mantém em cativeiro todos os seus juízos é o mais inteligente, então devo entregar-me à mediocridade? Ou devo antes lançar-me aos leões e desatar a ajuizar como se não houvesse amanhã?
É este o colossal problema que referia dois posts mais abaixo.
Parece-me óbvio que somos todos medíocres porque apesar de sermos muito sensíveis às opiniões desbragadas dos outros, não dispensamos uma boa alfinetada vodu.
Que se lixe. Isto não é nenhum concurso de QI e vou seguir em frente com as letras, aventurando-me no tema que não fui capaz de exprimir na rede social da família, onde pretendo manter uma aura mítica de supra inteligência.
Se é que me faço entender.

Então é isto: o que é que deu nas mãezinhas para desatarem a postar as notas da miudagem no Facebook? É alguma promessa que fizeram a N.ª (Vossa) Senhora de Fátima?, aos peixinhos do Padre António Vieira?, é uma espécie de medalha pela vossa própria mediocridade enquanto estudantes, que faziam de tudo para esconder essas mesmas notas de toda a gente?, é para dizerem ao mundo que têm ali um carro desportivo cheio de cavalos na cabeça? é para humilharem os que têm filhos com dificuldades de aprendizagem?, é porque são gordas, magras, divorciadas ou mal casadas mas os vossos filhos conseguiram ultrapassar esse pequeno pormenor e ainda vos enchem o coração de orgulho? é um troféu que só a eles (e só a eles) interessa mas como são vossos filhos podem tudo até usurpar-lhe o mérito como se ele fosse vosso?
O que é não sei, mas é feio, feio, feio, e é estúpido, é sinistro, é aberrante, é pior do que dizer na cara de uma gorda que a acha um bocadinho mais gorda, é mais violento do que dar uma chapada na cara do filho no dia dos anos, à frente de todos os amigos que vieram para a festa.

Peço desculpa por não conseguir guardar mais tempo este esdrúxulo pensamento, peço desculpa por não ter guardado para mim este juízo, esta moral, mas JE SUIS NIILISTA, para mim, como para Nietzsche, "a moral não tem importância e os valores morais não têm qualquer validade, só são úteis ou inúteis consoante a situação".


E vou mais longe abusando do filósofo.
Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar.

30 de junho de 2016

Roman-fleuve

Outra das razões porque deixei de escrever foi precisamente a minha queda para o título. O roman-fleuve.
Ninguém gosta de chegar a um virtual-sítio e dar de caras com um post-rio, um post onde se denota que o escritor está totalmente enfeitiçado pela sua escrita, pela sua capacidade de meter nas letras o estado hipnótico, o estado lastimável de overdose de feitiço literário, o ego inflamado com as frases maravilhosas que se desprendem do tacto, em última análise, o romance que ali vai entre quem escreve e o escritor.
Ninguém tem respeito por quem escreve, sejamos pragmáticos. As pessoas buscam quem as faz rir, quem imprime um humor desmedido e uma ironia fina ao seu rio de letras. Se encontram pela frente alguém que era capaz de fazer como Proust, que riquíssimo forrou uma sala a cortiça só para não ouvir mais nada senão os seus pensamentos, clicam na opção chato e desarvoram, desaparecem, e às vezes vão fazer queixinhas a outros, que igualmente sedentos de trivialidades, concordam e denigrem.
Por isso é que concordo totalmente com a Picante, quando ela me diz que quem tem bons blogs tem a casa vazia; por isso é que eu meneio a cabeça quando oiço dizer que a Guidinha já vai no seu 23º livro, e que espanto de sala cheia foi o lançamento.
Obviamente que a minha linha editorial é maçadora e massacrante. Sou viciada em perfeição, demoro horas para fazer uma merda de um requerimento ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e quando vou dar aquilo a reler, as pessoas perguntam-me se estou apaixonada por ele. Faço de tudo um romance, escrevo para mim, para me convencer que posso e sei escrever, e que só não o faço à séria porque não sou rica como Proust, não posso forrar nada a cortiça, não tenho sobreiros, não tenho terras, já não vivo no Alentejo.
Também porque quando começo a escrever não sei sequer com que finalidade o faço. Nas aulas de escrita criativa, onde fui muitas vezes aplaudida, sobretudo nos dias em que ia sair à noite e vestia mais qualquer coisa em cima de um dia merdoso de trabalho, o professor ensinava que nunca se deve começar a escrever sem ter a história na cabeça. Estou condenada, não há cortiça, sobreiro ou Proust que me salve.
Não tenho nada na cabeça.
E como reparam - quem teve a paciência (e o amor) para me seguir até aqui -, fiz outra vez um rio de letras e não disse nada. Fiz um roman-fleuve.
Continuo no entanto sem perceber, agora só para despistar, como é que Proust (que está a 10,00€ na Relógio D'Água) consegui fazer aquilo que fez, fechado numa sala, em silêncio, sem ouvir a vida, sem ver correr rio algum.
É um dom.
Que infelizmente não tenho.
Porque sou pobre.
De espírito.


28 de junho de 2016

E o que dizer sobre aquilo que não nos mata?

Escrevi em tempos idos, num post que me ficou, que a inteligência de um ser humano se conseguia medir através da capacidade que este tem (ou não) de se colocar no lugar do outro. Não seria apenas trocar de sapatos, escrevi eu, seria antes trocar de pele e entender que as razões que os outros têm são razões que a nossa razão amiúde desconhece.
É por isso é que há tanta gente medíocre, humanamente falando, e é também por isso que cada vez mais tento compreender o que está para lá das razões dos outros, fazendo o difícil exercício de tentar compreender as atitudes humanas sem colocar a minha experiência pessoal nelas, isto é, apagar do meu vocabulário mental o caminho da mediocridade e que é este: se fosse comigo havia de fazer diferente.
É urgente aprender a pensar.
E por pensar demais, faço vários caminhos diferentes e chego a variadas conclusões.
A última conclusão a que cheguei foi que talvez a inteligência humana tenha várias formas de se medir. Cheguei a esta conclusão porque me fui matando aos poucos com as minhas burrices e nem por isso fiquei mais forte. Aliás, fui ficando cada vez mais fraca, excluída, insistindo num exercício de ingenuidade perante os outros, submetendo-me, submergindo.
A conclusão é tão banal que me envergonha.
Descobri que se mantivermos certos juízos em cativeiro, não, se mantivermos todos os juízos em cativeiro, somos muito mais inteligentes.
Tomar posições radicais é hoje um erro crasso de inteligência para aqueles que procuram a paz de espírito. Claro que há os que se estão cagando para paz e querem apenas viver em guerra, mas esses são brutos como as casas e não os quero considerar.
Então como é que eu vou resolver esta situação colossal?
A minha vida foi toda ela uma enxurrada diária de juízos, de achos, de consideros, de presumos. Achei sempre mal, considerei erradamente e presumi cada vez pior. Por causa disso cometi enganos irreparáveis, escrevi coisas inomináveis, fui uma cabra para mim própria.
E o bizarro é que ainda há pouco tempo, por conta de um homem sinistro, que foi extraordinariamente inteligente, eu aprendi a última lição da minha vida.
Trocou de pele com o outro, guardou para si (e de mim) o seu mau juízo, o seu presumismo e o seu achismo, e inteligentemente fez a sua escolha.

Para a maior parte das pessoas ele foi um grande cabrão covarde, que escolheu diferentemente do que queria porque teve medo do lobo mau.
Para mim foi das poucas pessoas que conseguiu um exercício pleno de humanidade.
E digo-vos que esteve na sua mão salvar-me a vida.
E não o fez.
Salvou a dele.

E fez bem, que eu agora já estou morta.

27 de junho de 2016

Sinto-me bastante cínica a respeito de tudo

Talvez por isso tenha parado de escrever.
Tornei-me cínica até comigo, o que é bastante mais gravoso.
Não, pior, acontecia-me imenso escrever, dedicar um certo tempo à construção da coisa, dar mais volume às pestanas daquilo, pois que sei, cinicamente, que um texto que pestaneja como uma puta atrai se não os melhores leitores, pelo menos os mais carentes, e depois muito cansada, achando tudo uma pasmaceira, um filme Manoel(-ino) impenetrável e absolutamente intragável, dispersava-me por atividades físicas, que não levavam mais de mim do que a atenção que dispenso à pele quando lhe meto o bronzeador.
Os meus escritos tornaram-se pouco mais do que mortos, que eu velava com igual alegria.
Depois um dia lembrei-me de fumar um cigarro.
Lembro-me vagamente de associar o blog a um sapo que fuma, e fuma e fuma, e claro, o final é um espasmo de trampa, e um súbito vazio.
A verdade é que para se ser cínico a respeito de tudo, para manter a posição na melhor mesa do salão, olhando com altivez até para as próprias meias, é preciso ter o mesmo nível de coragem na escrita.
Uma pessoa canina, que perde o respeito, que diz tudo sem filtros, é cínico e é horrível, mas tem uma sala cheia de gente, com relativa notoriedade.
Agora olho para tudo, cheia de falta de paciência, e cinicamente calo-me.
Não quero ser cínica e malcriada.
Prefiro, como dizia o Grande Gatsby*, ir a uma festa maior para ter mais intimidade.
É que ao contrário do que se pensa, nas festas pequenas não se tem privacidade nenhuma.

*F. Sscott Fitgerald - a quem roubei o (excelente) título.

23 de junho de 2016

Cucu!







Ahh que saudades deste intermitente pisca-pisca, no vácuo mental dos meus dias.
Saudades [minhas]? Afinidades? Não me digam que também vocês me abandonaram, incrédulos, desfalecidos, com esta inopinada ausência?
Relevemos, que a vida são dois dias, e já se passaram 33.

Poderia relatar-vos agora, massacrante, as peripécias deste tempo que passou desde a fatídica manhã que decidi, qual ser de grandes asas, atirar-me deste comboio em andamento. Poderia ainda dizer-vos, como é comum a quem se atira dos comboios, que me esbardalhei ao comprido e fui aterrar à margem de mim mesma, com a boca cheia de terra, rasgada apenas nos cantos, por dois regatos muito pequeninos, de lágrimas.
Mas não direi nada disso.
Direi antes que aqui estou eu, alevantada do chão como Saramago, para vos dizer que estou bem, pese embora as mazelas naturais que nos deixa a vida de sempre.
Escrevo de Barcelona.
Retirei-me dos meus dias para pedalar na metrópole, para inundar os meus olhos de poesia, de arte e serrania... e as carnes de músculos! que isto em chegando (quase) aos 40 dá-nos assim um ar decrépito de vampiro cheio de fome.
Aqui estou como vedes, de rabo bem espetado, ao contrário do senhor lá de cima, que de tanto esperar sentado, ficou com o dito quadrado.
As fotografias tirei-as no Museu Nacional D'Art de Catalunha, com o meu andrajoso Blackberry Q10, que ainda possui teclas, sendo por isso uma notável relíquia, uma obra de arte, que não posso aventar.

Bom, não me posso alongar mais porque por falta de prática já me doem os nervos.
Queria apenas deixar-vos um imenso abraço, e agradecer as inúmeras mensagens que aqui me chegaram todos os dias.

A Uva Passa, mas ainda não é desta que se vai, nem para melhor. Cruzes canhoto!