28 de junho de 2014

Oh Nikita you will never know....

Nikita, Nikita.
Hoje, quando te vi ali sentadinha na caixinha dos amigos da Uva, viajei no tempo.
Tu hoje fizeste-me regressar à bonita idade de 7 anos.
Naquele tempo, no verão, os miúdos brincavam nas escadas dos prédios. É. Uma rua sem carros não é a mesma coisa, e nós, crianças do antigamente, só víamos um carro no carnaval de Loures.
Mas isso agora não interessa nada.
Eu, miúda apaixonada, tinha um namorado que me ficava aí pela cintura, mas ele era tão engraçado que acabei por o adotar. Ele adorava dançar. Eu achava-o parecido com o homem da música, mas ele nessa altura ainda não sabia.
Brincávamos nesse dia ao festival da canção. Ele colocou então uma barba postiça, para ser mais moderno, sentou-me no terceiro degrau da escada e começou a dançar e a cantar. Que tempos aqueles...
Mas, por motivos óbvios, ele quis ir um pouco mais além, e começou a fazer uma dança maluca que incluía tirar a roupa, nada de estranho, tínhamos 7 anos, era normal as crianças despirem-se nas escadas, pelo menos os meus namorados.
Vai daí, começou a fazer uns movimentos com a cintura, sempre ao som da Nikita, e no exato momento em que a música subia, ele sentindo o ar quente que vinha da rua, achou fixe fechar a porta com uma cuzada valente, eeeeeeeeeeee zás!
O vidro da porta partiu-se em 50 cacos e o meu namorado anão, e tu nunca queiras namorar com um miúdo anão que dança nu nas escadas, saiu disparado de cu pela porta e ficou todo escaqueirado de perna aberta, uma visão interessante para uma miúda de 7 anos, na parte de fora do prédio, envolto na música, nos cacos e na vergonha.
É.
Fizeste muito bem em aparecer por aqui.
Já eu, nunca mais me livrei da culpa de andar a despir rapazes nas escadas e de os obrigar a fazer malabarismos com o rabo.
Na verdade, o meu namorado anão, continuou a fazer malabarismos com o rabo, mas isso agora também não interessa nada. 
Bem vinda Nikita.
My home is your home!

27 de junho de 2014

Loira sem travões, senta-te aqui ao pé desta Uva. Vamos pedalar um pouco na história da minha vida.

Bina para Uvas Passas **
Houve um tempo, ali por voltas do Natal, em que eu caminhava sozinha na blogo-savana.
Não tinha uma bicicleta nem nada, e por isso caminhava a pé, com os pés retorcidos e a alma lavada em lágrimas (sim, a Uva também sabe fazer hipálages).
Havia um homem de barba branca, que me aparecia por vezes, sentado no sofá da sala ao cimo de uma montanha rochosa, e me dizia: Uva, tu és um ser de luz. Procura outras loiras como tu e faz uma seita.
Mas os dias eram inclementes, a vastidão era inclemente, a originalidade era inclemente, a graça, a técnica, tudo me parecia inalcançável na blogo-savana. E eu continuava caminhando, tristemente, sozinha.
Mas o homem de barba branca, nunca deixou de me infernizar transmitir que loiras há muitas algures na blogo-savana inclemente, eu haveria de encontrar um lugar, para ali descansar as pernas e enxugar as lágrimas.
Caminho há 7 meses, Loira sem travões, e muita embora eu saiba que tu vais muito mais rápido do que eu, em cima da tua bina, fico muito contente que, entre corridas e caminhos, te sentes a tempos por aqui, para que eu possa admirar de perto as tuas meias, e tu possas comigo aprender a arte dos caracóis.
O futuro faz-se pedalando.
Pedalemos.
 
 
** Tu sabes que eu estou velhota, e que já não aguento o selim no rabo.

De repente esta imagem teve 5 000 comentários no facebook num só dia (hoje).


Muito obrigada pela vossa visita. Adeus e até mais logo.

Venho aqui agradecer às 16 pessoas que tiveram a gentileza de me visitar hoje, e porque não quero parecer mal educada por deixar aqui azedar um post de ontem, e não ter feito ainda a ronda matinal, picando aqui e ali os posts novos que todos têm menos eu, arrastando assim para a lama, o meu bom nome e o meu stand up virtual.
Mas a verdade é que não tenho aqui estado.
Desde cedo que me encontro retida nos calabouços, enfiada nos armários, a sacudir ratas-queijas dos braços, a encher-me de pó e bichos da madeira, na tentativa insana de encontrar um dossier (que inferno!) onde pudesse estar um tal de contrato redigido em 1938.
Já o encontrei, raispartam. Demorei três horas menos um quarto.
Agora que volto para aqui, e tento escrever um post que me traga de volta os meus outros 23 leitores diários, para assim me sentir mais aconchegada, mas afagada neste meu ego enorme e tão difícil de contentar, descubro, porque me veio um ventinho estranho à traseira,  que enquanto subia e descia degraus de escadote, cadeiras e secretárias, me empinei mais do que devia ali no armário dos falecidos, findos ou lá como lhes chamam aos assuntos que já não se mexem, que a calcinhas de linho beije, que dá com tudo o que é camisolinha de verão, (e que tinha comprado para um batizado onde acabei por não ir porque a miúda se encheu de varicela),  deram de si o mesmo que eu dei de mim, e acabámos ambas as duas, estoiradas, eu nas pernas, e elas no rabo.

26 de junho de 2014

Professores, uma comunidade (in)satisfeita... as usual.

Não tardará muito para ter manifestação na Avenida.
Depois da notícia de ontem, que dá conta do fecho de mais trezentas escolinhas da aldeia, e porque o Governo é a causa do decréscimo demográfico do interior, que patrocina a desertificação e que desemprega todos os anos quatro mil professores, é mais que certo que os bastidores sindicalistas já se agitam na feitura dos catrapázios.
Agora eu pergunto:
Tu achas mesmo que há uma cabala gizada pelo Governo, para que os casais só tenham um (ou nenhum) filho e que por isso não há alunos suficientes para a imensa comunidade (que se agiganta há demasiado tempo) de professores em Portugal?
Tu achas que qualquer papoila saltitante que sai da faculdade de letras, na área da filosofia, ou da geografia, com média de 11 valores, é capaz de ser professor de alguém? Tu gostavas que esta papoiola saltitante fosse professora do teu filho?
Fecharam 300 escolas. Um horror. Concordo. Mas...
Tu gostavas de dar aulas numa escola, com 7 crianças, todas na mesma sala, duas na 1ª classe, uma na 3ª e quatro na 4ª? A tremer de frio, sem colegas professores com que possas conversar e trocar ideias, durante um ano letivo completo, às vezes 20 anos letivos?
Não era bem melhor dares aulas numa escola cheia de vida, miúdas, miúdos, condições, normalidade? Não crês tu que crianças pequenas ganham mais em levantar-se cedo, ou percorrer a pé um caminho (às vezes lixado), mas que no longo prazo os preparará melhor para a vida e os fará ver que há vida para além dos montes e do curral do porcos lá da quinta?
Tu achas que o Governo tem capacidade para pagar o fundo de desemprego aos mais de quatro mil professores que todos os anos ficam sem colocação? Todos os anos e às vezes vários anos de seguida?
 
Às vezes acho que os professores não querem mesmo é largar mão dos direitos antigos (impossíveis agora de concretizar) e não são capazes de entender, que por mais que queiram ser professores, o país já não tem, nem nunca mais vai ter, condições para transformar num professor, todos aqueles que por motivos vários, não conseguiram encaminhar a sua carreira profissional para aquilo que realmente estudaram.

Não há putos pá!
Querem ir dar aulas a quem?
 

25 de junho de 2014

Às vezes, quando passa da tua hora e ainda não conseguiste sair, o que deves fazer?

 
Finge-te de morto! 
 
 
 

 
Desculpem este ultimo gift totalmente descabido,
mas achei que era também uma espécie de morte..........
 
 
 
 
cerebral.

Este homem tira-me do sério!

Ontem, dia de 3ª feira, deu-me para ficar a trabalhar até às 21.30h.
É.
Não tinha nada para fazer em casa, o meu jantar tinha instruções precisas para se fazer sozinho, a minha filha de 7 anos ficou agarrada ao tablet e por isso não precisava da mãe para nada - já que também o tablet tinha instruções precisas para a meter na caminha - tinha chegado às 9:00h da manhã ao Rule of Law e ainda não tinha feito nada o dia inteiro, e por isso, quando aparquei o carro na garagem que não tenho, e galguei o passeio para enfiar a roda dentro de um lindo canteiro da Junta de Freguesia, deduzi logo que o serão prometia, e que só me faltava chegar ao loft com mezanine, ligar o plasma tri-dimensional, e ouvir um desgraçado qualquer falar da selecção de Portugal.
E como o Universo é inteligente e conspira sempre a meu favor, liguei então a TV, que me ocupa a sala toda há quase 1 mês com os matulões do futebol, e logo aparece o meu grande amigo Rui Santos, esse gurú do desporto rei.
Como podem ver na imagem abaixo, este meu grande amigo, cuja sombra é maior que a própria baliza, o que não há de ser difícil, já que o homem além de carecer (desesperadamente) de uns ombros enchumaços, é perito em destilar mais veneno que uma cobra - aproveitando sempre para cuspir  gafanhotos verdes para cima dos jornalista -  falava no grande, imenso e gigante drama da nossa seleção, esborrachando com pouca tranquilidade o nosso Paulo Bento contra o tampo da mesa, como se fosse um burrié.
Chamava-lhe o selecionador da equipa dos cuidados continuados.
Dizia ele que a equipa era a única do mundial em que só 2 é que não usavam muletas.
E Portugal, ferido de morte, nunca mais se havia de levantar, veria o seu nome arrastado pela lama do futebol anos sem fim, os jogadores nunca mais iriam jogar na vida, e ai Jesus, que desgraça, tudo lesionado, e onde é que já se viu, uma vergonha, um selecionador demente, lesionado do cérebro, e como é que ele foi capaz de tal coisa, levar para o mundial de futebol uma equipa composta pelas mesmíssimas pessoas que aplaudem anualmente o Natal dos Hospitais.
Por isso eu disse-lhe, ao Rui Santos, através das ondas televisivas, que sim, que o Paulo Bento deveria o quanto antes dar um tiro na cabeça, ou saltar de um dos arranha céus de Brasília, ou enfiar-se numa favela aos tiros a ele próprio, para se redimir.
E ele ria-se para mim, o Rui Santos.
Os jogadores, esses aleijados de merda, que nunca deveriam ter pisado os relvados do Brasil, deveriam enforcar-se já! com as meias ou talvez envenenarem-se com cicuta, tipo seita americana (e olha, até era giro!), para que o Rui Santos pudesse finalmente descansar aquela cabecinha doente, e seguir em frente com a sua vida, espalhando o futebolês ao fieis que ainda vão tendo alguma pachorra para o aturar.
Até quando meu Deus, até quando?
Calhando até o uruguaio te dar uma dentada.

24 de junho de 2014

Modernices da pesada

Depois DISTO para quando um chuto de cavalo electrónico,  totalmente legal, para a malta curtir sem ficar com os dentes pretos?

Dúvidas.
A minha vida é isto.
Dúvidas e apoquentações.

Firewalking

 
Cada vez mais me convenço que nasci para ter um blog.
É.
E afastem de mim esse cálice, se acham que vos digo isto só para me armar ao pingarelho.
Não. Eu digo isto, porque se calha não ter um blog, vocês ficavam sem saber as pérolas que me passam em frente dozólhos, que se não fossem tão sérias, diria que eram só.... estúpidas.
Desta feita temos um Sr. Eng. com elevado QI (dizem-me que é dos melhores), que presta serviços complexíssimos numa conhecida empresa farmacêutica, e que entra a matar com uma queixa crime no Rule of Law, alegando que foi enganado. Vem pedir, pasme-se, uma indemnização condizente com o lucro anual da entidade patronal.
Chiiiii, deve ter sido feio. Conta lá o que aconteceu a tão ilustre Engenheiro?
Firewalking!
Fire quê?
Fire-walking-a-big- stupidity!
Temos então, para enquadrar o momento, que está muito na moda essa coisa (sinistra) do teambuilding, não é verdade? Maravilha.
Desta vez a empresa abastada, decidiu ir para as Ilhas Phi Phi, e ai que lindas, e ai que belas, e temos índios, e temos índias, e temos danças à volta da fogueira, e tudo coisas muito à frente, como está mesmo bom de ver.
Entre a programação prevista para a viagem, surgem com grande realce, as atividades para a malta do laboratório, entre as quais, uma espetacular e que saltou logo à vista dos convivas.
Andar descalço em cima das brasas, vulgo, firewalking.
Vai daí que um engenhocas muito entusiasmado, ainda a noite ia no adro, lembrou-se de perguntar à moça da organização se aquilo era perigoso, e ela, já agarrada a dois índios, disse-lhe que não. Acontece que o rádio dos dois convivas estava sintonizado num posto completamente diferente e o engraçadinho com elevado QI (dizem-me que é dos melhores), não foi de modas: arregaçou a calcinha, sacodiu a havaiana, lá foi ele pela verdura... vai formoso e não se segura.. eeeeeeeeeeeeeee
tchssssssss tchssssssssss. (isto é a carne a assar no espeto)
Tás a gozar!
Eu não, mas o Engenheiro, gozou à brava.
Resumindo:
Aquilo não era para ele fazer. Era só para ele ver... Mas como é super esperto, foi lá experimentar, e como queimou os pés todos, coisa feia,  vem do alto do seu QI, pedir uma indemnização brutal à farmacêutica, por esta o ter 'levado ao engano', tendo-lhe causado, ainda que indiretamente, meses e meses sem andar, tratamentos caríssimos, e grandes cicatrizes nos pés.
E eu agora pergunto: para que serve um QI tão grande, se nem lhe cabe dentro da cabeça?
Que coima vamos nós aplicar a este gajo, pá?
Nenhuma, porque estupidez não paga imposto...

Socorro! O meu pai é loiro!

Primeiro eu era 100% loira.
Uma menina, como um anjinho, que passeava altiva pela mão de uma mãe morena de barba rija, e um pai camone, quase sempre aramado ao pingarelho.
Desde pequena que me lembro de competir com o meu pai. Ou porque ele cantava melhor o fado, ou porque dançava melhor o tango. No entanto, era a cor do cabelo que me deixava de nervos em franja e me fazia danar à séria.
- Tu, loira? Nunca. Tu não vês que as tuas sobrancelhas não são como as minhas.
E depois passava os dedos grosso nas sobrancelhas loiras, quase brancas, e mostrava-me um cabelo loiro capaz de cegar uma lebre no caminho.
E eu berrava tardes inteiras a fio.
Depois de anos nesta luta desigual, acabei por entrar numa competição desenfreada, e se ficava muito tempo sem o ver, a primeira coisa que fazíamos os dois, quando ele chegava da viagem e se assomava à porta, era colocarmos as duas cabeças em frente ao espelho, para ver quem era o mais loiro.
Ele ganhava sempre, raispartam, e eu berrava tardes inteiras a fio.
Foi então que conheci uma jovem cabeleireira muito simpática... a água oxigenada.
E gizei todo um plano.
Esta cabeleireira, que não fazia perguntas, prometeu-me maravilhas, mundos e fundos, o loiro dos anjos, a vitória e a glória definitiva, sobre os cabelos loiros do meu pai.
Numa tarde soalheira, sozinha em casa, as usual, despejei um frasco inteiro dentro de um baldinho da praia. Transpirava de alegria.
À chegada, o gigante loiro não só iria testemunhar um progresso imenso nos meus fios de cabelo, como iria poder verificar que as minhas sobrancelhas, essas traidoras negras, seriam o meu maior trunfo e a sua maior surpresa.
Comecei então pelas sobrancelhas.
Molhava o dedinho, e zás. Mais um bocadinho, aqui e ali, e a coisa parecia correr às mil. No meio do tratamento tive uma epifania. E se...... caramba, (que o mundo está cheio de ses que nos fodem a vida), colocasse também nas pestanas? O resultado foi demolidor.
Passados 20 minutos, a pele começou a ficar vermelha, e vermelha, e vermelha e as sobrancelhas a ficar laranja, depois amarelo, depois branco, depois....
Zás!
Agarrei na gilete da minha mãe do meu pai, e cortei o mal pela raiz.
Além de não ter ficado loira, de ter rapado as sobrancelhas e de ter acabado com as pestanas, voltei a perder mais uma vez, no encontro de cabeças frente ao espelho.
E berrei tardes inteiras a fio.
Não só porque o meu pai continua loiro até ao tutano, com aquelas sobrancelhas terrivelmente brancas, mas porque me passou a chamar-me Niki (Lauda).
E a minha vida é isto.
Traumas de infância.
E muita tinta no cabelo.

 

23 de junho de 2014

Responsabilidade penal para políticos? Sim! Para quando? Para ontem...


Esta fotografia mostra na perfeição o que é (e como está) a Lagoa de Albufeira (Sesimbra).
Está muito bom de ver (e só não vê quem não quer) que a situação é para cima de muito grave.
E nem é preciso ser muito esperto ou versado nas lides marítimas, para constatar isso mesmo.
Temos portanto, uma Lagoa totalmente assoreada, ou seja, obstruída com areia, onde a entrada de água do mar salgado (abertura), que alimenta toda a zona lagunar, onde se incluiem os peixes, os moluscos, a flora, fauna e comerciantes que por ali fazem a sua vida, tentado sobreviver como podem, está completamente comprometida.
Aliás, está a Lagoa fechada vai para 3 semanas, e agora o que temos é isto, esta maravilhosa notícia. O delegado de saúde interditou a Lagoa a banhos, coisa nunca antes vista. 
A água do mar não entra, a água da lagoa não é renovada, os peixes que lá foram desovar o ano passado, coitados, quase a pedir boleia os pescadores para os levarem lá para dentro, este ano não conseguem de lá sair. E morre tudo, porque o que entra tem de sair e fazer-se à vida. A Lagoa é só uma maternidade, não tem liceu nem 12º ano.
Para além deste atentado à natureza, as pessoas chegam à Lagoa com os miúdos, e o que vêm é uma água mijona, com peixes mortos por todo o lado, espuma amarela e a guerra dos cagalhotos.
Mas as pessoas não sabem e não percebem (porque não estão lá todos os dias), que a maré não enche e nem vaza, e continuam de rabo para o ar a retirar da Lagoa aquilo que tem de melhor. As amêijoas. E depois? Depois vão agarradas à barriga e ao estômago, chatear os médicos do Garcia de Horta, com grandes intoxicações alimentares derivadas da incompetência destes nossos amigos do governo. 
E perguntam os meus caros leitores, porquê, porque é que se mata assim a natureza e a vida de tanta gente? E eu, amiga, com a minha serenidade habitual, respondo: porque os senhores que mandam nestas coisas do país, nomeadamente os presidentes das Câmaras e quejandos, estão-se nas tintas para os peixinhos, os moluscos, os comerciantes, e para tudo o que diga respeito à Lagoa, porque os manganos dos turistas, essa gentinha execrável cheia de ideias naturistas sem interesse algum, podem no limite, preferir ir para a Lagoa natural, calma, e sem confusões, ao invés de se irem encafurnar em Sesimbra, onde só há lugar para três toalhas e dois chapéus de sol. E eles, os senhores de Sesimbra, não gostam nem um pouco disso, porque em Sesimbra é que se aposta o tudo por tudo, é que se fazem hotéis nas escarpas mais perigosos desta vida, é que se fazem plataformas de mergulhos ao largo, é que se vendem bolinha de berlim certificada no areal, e que se lixem as aves migratórias, os pescadores, a costa marítima, a orla costeia, o POC, a REN e estas coisas que só servem para lixar os pobres da Lagoa, danados que estão para roubar o turismo à Vila-magna de Sesimbra, coisa-mai-linda da mamã.
Pois então que não se abra a Lagoa, e se calha abrir, vá, hoje até estamos bem dispostinhos, é só por dois dias, porque não há maneira de dragarem aquilo, de desassorear, de limpar, de tratar.
Havia de ser eu a mandar, caramba.
É que nem importava de ir contar os peixinhos mortos e os cagalhotos que se vão encontrando na margem, mais as garrafas de vidro, os pregos, as cordas, os barcos de voltados de borco há mais de 20 anos a apodrecer, para aplicar a mesma multa que querem agora aplicar às pessoas que forem apanhadas a nadar na lagoa, por cada presente dos atrás referidos.
Fazem a merda, e depois multam as pessoas para as fazer pagar pela merda que eles fazem.
Multas entre os 400,00€ e os 2 500,00€.
Não se afogam em pouca água.
Cambada de anormais, indecentes.


 

22 de junho de 2014

A festa.

Em chegando o momento, sublime, em que te serves de uma garrafa de cerveja, para cantar,  saberás, muito embora não o reconheças, que a (tua) festa acabou, e que de nada te serve, 
beber mais um copo.


Chico Buarque, 1975

21 de junho de 2014

Para Xilre

Caro amigo:

A minha mãe, esse grande farol dos meus olhos, quando quer rir-se de mim, daquela maneira profunda e sábia, que só as pessoas com grande conhecimento d(a) causa podem fazer, chama-me Sra. Telejornal, por nunca me conseguir dar uma única novidade que seja.
Discordo.
O que eu sou, na verdade, é um poço sem fundo de ignorância cultural.
Eu bem tento encontrar o tempo de qualidade para que este meu poço tenha cada vez mais água, mas parece que a minha vida, como o telejornal, por alguma razão que desconheço, julgo, encontra diariamente várias formas de secar os lençóis freáticos abundantes em etéreos poemas, lindas prosas e textos sublimes, que de tão profundos, não chegam para dar de beber à minha sede.
O meu poço, é o meu maior desgosto.

Mas, aqui e ali, entre notícias, aparecem outros faróis, que por misteriosos desígnios encontram os meus olhos, e me ensinam que para beber da cultura dos cultos, só temos de saber onde procurar as águas.

Muito obrigada, caro amigo.
Mataste a minha sede, por me ensinares, precisamente, onde fazer um novo furo.

20 de junho de 2014

Quase 14 anos... num minuto.

Foi ao final da manhã.
Tinha ainda o cabelo molhado.
Pessoas incertas, cujas caras não recordo, talvez três ou quatro, todas mulheres, despiram-me, lavaram-me, e levaram-me.
O que passou?
As bocas fechadas, sem palavras, sem respostas, às perguntas urgentes dos meus olhos, inchados, perdidos, nas duvidas e no desgosto de não saber, ali, de nada.
Não me lembro o que me vestiram, nem o tempo que demorei a chegar.
Não vi o caminho, nem percebi o tempo. Com os olhos perdidos na janela, vi passar a rua, como se subitamente viajasse num vagão solitário, sem portas, silencioso, oprimido, só eu, cheia de medo, de ansiedade, de frio e terror.
Parámos.
Saíram do carro pessoas incertas. Graves.
Na rua, um mar de gente sem rosto, curvadas, algumas desenhando com as pontas dos pés riscos poeirentos na terra, outras olhando, espiando, sussurrando o que sabiam e não me queriam contar, e ainda outras que choravam para fora o que eu já chorava, há muito, para dentro.
Não sei se cambaleei, ou se tinha em mim uma incerteza pungente, que me despia a força de caminhar.
O prédio alto, que tantas vezes foi nossa testemunha, surgiu-me em frente. Alguém segurava a porta pesada.
Entrei no cubículo apertado e deprimido do elevador. Vi-me? no espelho.
O cabelo molhado que descia pelas costas quentes, fazia-me frio.
O elevador subiu trôpego. O coração descontrolado latejava, batia, gritava, na cabeça e no peito e nos ouvidos. Os meus dentes cerrados faziam tanta força que quase os partia.
A boca contraída e seca, testemunhava uma língua raspando frenética nos dentes de baixo, para a direita e para a esquerda, sem parar.
Não sabia já onde estava quando parei. Tensa e hirta, virei as costas ao espelho e saí para a escada fria.
O som do meu coração envolveu o espaço que me separava da porta.
Dei três passos lentos e mecânicos. Olhei as paredes pejadas de pequeninas pedras brilhantes e apertei-me num abraço.
Vozes baixas e o arrastar de cadeiras despertaram-me levemente. Não dei mais um passo.
Petrifico ali, como se a distância que me separava daquela porta, pudesse devolver-me aquilo que não sabia ainda perdido.
Subitamente a porta abre-se. Um halo amarelo junta-se a mim, um cheiro a madeira doce, e os estores ao fundo fechados, tentando afugentar a luz, desprendem-se da imagem.
Uma figura parada, que se encosta levemente ao umbral, olha-me, de mão esquerda ao peito, agarrando a vida num lenço molhado.
Foi ao final da manhã.
Tinha ainda nas costas quentes, o cabelo molhado, os olhos molhados, e a cabeça perdida.
Às vezes penso em ti, como hoje, porque o tempo passou, mas entre nós ficou esta porta aberta...
De saudades.




"Eu sei meu amor,
que não chegaste a partir,
pois tudo em meu redor me diz que estás sempre
comigo."
 
Barco Negro, David Mourão-Ferreira, 1954

19 de junho de 2014

Herberto Hélder, achega-te aqui à minha beira e explica-me... como se eu fosse muito loira.

Com uma pêra, dou-lhe um nome de erro
entre mim e tudo, na mão, amadureço
enquanto ela se torna propícia,
amarela ao influxo do vento de estrela para estrela.
O sangue da mão ensombra a fruta na sua volta
de átomos, abala
imagem, arquitectura.
E o espaço que isto cria: a noite
aparece no ar. E dura, leve, tersa, curva,
a linha
do fogo entrecruza
os pontos paralelos: a pêra desde o esplendor,
a mão desde
o equilíbrio, os centros
do sistema geral do corpo, o buraco negro.
Morro?
Escrevo apenas, e o hausto aspira
dedos e pêra, enigma e sentido, ordem, peso, o papel onde assenta
a constelação do mundo com esse buraco
negro e as palavras em torno.
No instante extremo de
desaparecerem.
Se morro, é por exemplo.

Herberto helder
Do Mundo
Assírio & Alvim, 1994
 
 
 
Bertinho, o que é que queres dizer com isto?
É que pela tua saudinha... se há pessoas que me fazem sentir aquela loira do Grabriel, és tu, rapaz.
Olha o teu filho, por exemplo, tão bem explicado, tão escorreito...
Já lhe pedias uma ajudinha, hem?
 
NB: Parece-me uma coisa maravilhosa, esta pêra amarela, e só por ser assim amarela é que eu gostei dela.
 
 


De Espanha...

Aquela cena ali ao lado foi um bocado sinistra.
No dia em que dizem adeus ao mundial, esses reis da bola, trocam de rei, num clima de evidente pendor para a República.
Mais um bocadinho e calhava tudo no dia 13.

18 de junho de 2014

Agarra que é grávida!

Eu já nem sei o que hei-de fazer à minha vidinha.
Não sei se leve um blog, se leve um pau, ou se leve toda uma equipa de Pepes, armados de bastão e bazuca, para fazer frente a este ataque.
Mas tal é isto, hem?!
Então cada dia que passa encontro um novo ataque à minha estrutura mental?
Não fui criada para isto, que não sei se é um ataque às mulheres, um ataque aos bebés, ou aos dois, a nós portugueses, ou a toda a natalidade humana, e consequentemente à própria da civilização?
É que esta porcaria apanha-me aqui forte e feio as veias do pescoço.
Tomar o precioso tempo de antena de um jornal on line (o futuro da comunicação social... é o que dizem os gajos da Controlinvest) e áh e tal, barrigas de aluguer é que não, que isto de ter filhos biológicos é para quem pode e não para quem quer?
Um filho não é um rim, ó ignorante, mas se toda gente pode ter um rim, porque raio julgas tu que só algumas é que podem ter um filho. Escuta lá, agora que insistes,  se precisasses de um transplante de coração para o teu filho ias pedi-lo a quem? Com certeza que também acharias que o dador morto era assim uma espécie de humano de aluguer, logo não consideravas a hipótese, pois não? 
Dou-te um pequeníssimo conselho. Não tenhas mais filhos caramba, carregas um gene muito mau.
Como se não bastasse,  levo com esta notícia que vem dar conta, claro, daquilo que já toda  agente sabe, mas agora em crescendo, levando já todos nesta onda bizarra e monstra.  
Realy? As mulheres assinam contratos que comprometem a sua reprodução durante 2 anos? Ok, ok, durante dois anos não há pinanço lá em casa, para continuares a enriquecer com o ordenado miserável que me pagas?
Então mas esta gente quer acabar com a raça lusitana?
Agarra que é grávida?!
Mas está tudo doido ou andam a comer palha?
Esta gentinha pensa que nasceu de onde?
Vieram todos numa nave foi?
 
Diz assim um excerto da notícia:
“O que era importante era que o país assumisse o compromisso e que mais ninguém tirasse o pé do acelerador nos próximos 20 anos”.
 
Apoiado! Era passar as rodinhas por cima do lombo deste gentinha toda, que era um descanso.
Alienados de merda.

17 de junho de 2014

Rule of Law e o trânsito.

Hoje, pela primeira vez na minha vida, cheguei atrasada 45 m.
Fui a primeira a chegar.

Um tanto de mar... para tão poucos que o sabem nadar.

Às vezes acho que somos só... um povo falho.
Preocupado com as coisinhas miúdas, perdidos num entediante e amorfo durar.
Somos grandes a vencer barreiras, concursos, recordes. Somos os primeiros a transpor o cabo mais difícil, a montanha mais alta, a bactéria mais resistente, e depois somos profícuos a esquecer, num vagal encolher de ombros, a tanta história feita de heróis, por esses mares nunca dantes navegados.
Perdeu-se o olho do poeta em vão?
Já não somos marinheiros?
Será que foi esta proximidade, esta familiaridade que temos com o mar, que nos fez perder o medo, que nos distraiu do seu marulhar? Porque será que nos esquecemos de ensinar, agora como então, as manhas tão complexas da nossa natureza?
Saber parar, não ir espreitar para fotografar, respeitar, olhar e escutar, aprender a nadar, não voltar as costas à rebentação, saber contar as sete e mais uma, saber o que é a vazante, a enchente, os agueiros, o mar picado, usar colete na lide, dois coletes na lide, três coletes na lide, não andar a mariscar como gatos pendurados em finos ramos, com 70 anos, acabados de beber, de almoçar.... a dormir, a ver passar, sem ter em mente, que o mar é dormente, até acordar.

Às vezes acho que somos só, um povo falho.
Tal como as árvores inertes que dançam displiscentes ao sabor do vento, assim é o meu povo, à beira mar plantado... culpado, complacente, com este mar tão ausente, e de súbito tão presente, que nos vai afogando as vidas.
É criminoso não haver no nosso país uma disciplina obrigatória nas escolas, transversal a qualquer tipo de ensino e até constitucional!, e na criação de outras tantas leis, das mais ousadas, das mais pesadas e instransponíveis, e que se assuma de uma vez por todas a importância do mar nas nossas vidas, e nos acorde para o peso do mar, nas nossas mortes.
Tenho a certeza de que se de pequeninos nos mostrarem o mar, vamos saber muito melhor como nos safar... na mais ampla acessão da palavra safar...

Se o mar est-nostrum e está feito cão, então há que meter-lhe o açaime.

Ó mar salgado...... até quando! o teu sal, serão lágrimas de Portugal (clique)?

16 de junho de 2014

É que viver, às vezes dói.

É.
Às vezes o pau só vai e não nos folga as costas.
Às vezes nem sabe onde bate, na ansia só de bater, e quando damos conta e pensamos que basta lamber as feridas... vamos a ver e estamos completamente partidos.
Partidos nos olhos que não enxugam, nas mãos que não sossegam, e cá dentro, no peito, que não respira e não se acalma, custa.
Dói.
Dói quando percebemos que deixámos de nos ver há muito.
Dói, depois, quando percebemos que afinal nos perdemos no caminho, e dói quando sabemos que por mais dias que passem e por mais desculpas que arranjemos para disfarçar esta nossa ausência, não nos voltaremos a ver.
É.
Às vezes a morte vem e não nos folga as costas.
Às vezes nem sabemos que bate, na ansia que temos  só de viver, e quando damos conta, e pensamos que basta passar lá na rua e apitar ao portão... vamos a ver e já não estás.
Porque morreste, e eu não sabia.
E isso dói.
Áh! se eu pudesse matar a morte e agarrar em mil paus...
 
 
Em homenagem a João Ângelo (Fresco)
L.A. Forever
 
 

Parece que querem (outra vez) dar cabo do Jardim do Príncipe Real.

Esta gente não tem pejo!
É que não desistem de destruir o jardim: ora com uma ação, ora com outra.
Andam endemoninhados.
Para todos os que amam Lisboa, vivam ou não aqui, por favor, assinem a petição.
A nossa cidade não pode continuar a estar a saque!
 
 
"Quando todos pensávamos que nunca mais ouviríamos falar da construção de parques de estacionamento subterrâneo em redor do Jardim do Príncipe Real, desde que, há cerca de 13 anos a população repudiou semelhante construção, eis que fomos surpreendidos por sondagens ao subsolo, com vista ao arranque das obras de construção de um parque em tudo semelhante ao que fora então chumbado pelos moradores, pelo IPPAR e por vários especialistas em património, em ambiente e, não menos importante, em mobilidade e tráfego". Ler mais...

E no (doloroso) regresso à cidade, a primeira coisa que vejo é?

A Cátia!
Essa mesmo. A algarvia mais ignorante da TV.
Pois atão nã havéra de ser ignoranti, se a moça nã deu aprendido N-A-D-A lá na escolinha que frequentou? como é que havéra de ser inteligenti?
Em 2 minutos disse logo 2 bardas das grandes.
A primeira é que 'era disléxia com os números' e depois quando num jogo em que o carro andava às voltas com a tontinha lá dentro, o namorado lhe pediu para somar os anos de namoro com outra parvoíce qualquer, a rapariga sai-se com esta:
- Môriiii? O que é somar????

Ai SIC, tu pões-me SICK!

1ª decisão depois das mini férias? Correr.

- Então Uva, o que vês da tua varanda?

 

- Vejo uns ténes..
- Hum... uns ténes. E então? Vais correr?
- Vou.



- Vou correr um livro.

13 de junho de 2014

As marcas da minha pele.

Há marcas que nos acompanham desde sempre.
Ainda ontem, olhando a cadência inexorável do rebentar das ondas, me lembrei de ser ali menina.
O lugar era o mesmo, a menina era a mesma, e passando as mãos pelos ombros, como que aconchegando ambas num abraço cúmplice e apaziguador, pude confirmar que afinal há marcas que nos acompanham desde sempre.
Não falo da marca que carrego na pele, e que descubro neste abraço, mais uma vez, por debaixo da mão que desliza no ombro. Falo tão somente nas marcas, que as diferenças na pele, nos deixam sulcadas na alma.
A menina brincava ali, naquele mesmo lugar, no rebentar das ondas.
Mas estava diferente.
A menina brincava vestida...
Naqueles dias, a minha marca na pele era um gigante intransponível, que tudo açambarcava. Como se a marca fosse o meu corpo todo, e o meu corpo todo fosse só, a minha marca.
Compreendo bem aquela menina, despontando para a vida, desejando uma igualdade que não tinha.
Todos os anos, quando chega o verão,  passo por este esquema mental. Está instalado um buzz na minha cabeça que me informa que sim, que carrego a marca e que tenho de a enfrentar, a ela e a todos os olhares, todas as perguntas, agora, como então.
- Isso quase nem se vê.
- Isso já faz parte de ti.
É engraçado como a maioria das pessoas não consegue perceber que 'isto' não é só uma questão de perspectiva visual, de vaidade ou pertença...
Não vale a pena dizerem-me que não se vê. Claro que se vê. Eu vejo. Já não sou menina, já não a posso esconder.
Não posso dizer que a minha marca ocupe agora o mesmo espaço que ocupava no corpo daquela menina, que não ocupa, mas ainda assim gostava muito de não a ter.
E este assumir que não quero mais esta coisa estranha, que se entranha, foi uma coisa nova, foi um passo que nunca tinha dado, verdadeiramente.
Ontem, na praia, despida mas não liberta, entendendo a cadência inexorável do passar dos anos, descobri, subitamente, que se calhar...  talvez.... possa fazer desaparecer isto para sempre.
Ainda ontem lia qualquer coisa sobre borboletas na barriga...
E se fossem no meu ombro?


Há marcas que nos acompanham desde sempre...
... mas não para sempre.

12 de junho de 2014

Enquanto a Palmier pensa cortar o pescoço...

... eu ando aqui com a mão na testa, há cerca de quê, duas horas, a olhar para cima e a pensar que havia de mandar  cortar o pinheiro mais alto do quintal, de entre os 50 que (ainda) cá tenho, para fazer uma mesa nature-design.
- Púnhamos ali um tampo, hum, e as sobras à volta do coto? Que dizes, ficava bem engraçado? O gajo tá todo torto, não tarda cai em cima da casa.
- Então e a sombrinha?
- Quero lá saber da sombrinha. Ainda ontem ia levando (mais uma vez) com uma pinha em cima da cabeça, e que eu saiba, fica-te muito bem o boné.

Uva Passa, a fazer amigos entre os pinheiros mansos, há 837 anos.
Depois ainda te admiras que eles te acertem com as pinhas...

E como estava a praia Uva?

É sempre bom regressar, e inaugurar a melhor época do ano.
A época da praia.
E estava boa?
Same as usual, que é o mesmo que dizer: as pessoas são como são, e já estamos todos habituados a estas figurinhas.

A saber:
As pessoas continuam a utilizar o extenso areal (a maioria a léguas da água - que é onde faz mais calor), para colocar o sono em dia, às vezes duas horas de seguida, sem uma gota de protetor na pele.
Os pais dos bebés recém-nascidos, continuam a chegar à praia no pico do calor, porque o solinho faz bem à pele do bebé, e despem os pequeninos, que ainda não precisam de usar fraldinha, nem calção, porque é muito saudável andar com o rabinho na areia, onde toda a gente passa com todo o tipo de porcarias agarradas aos pés.
Os fumadores continuam a enterrar as beatas na areia, (como se por baixo da primeira camada do areal, existissem complexos canais-chupadores-de-beatas), para evitar a canseira de levantarem o rabo, em direção aos quase 80 caixotes do lixo existentes.
Os homens barrigudos continuam a superar-se a si próprios, e a nadar em mariposa, crawl, bruços ou qualquer coisa de grande dificuldade técnica, quase sempre em direção ao Brasil, e até os perdermos de vista, para depois se verem em papos de aranha para regressar à costa, e obrigarem toda a família a gritar e a fazer figuras tristes à beira mar, como se com isso resolvessem a estupidez natural do familiar nadador.
Os pais-reis, os seus filhos-príncipes, e às vezes toda a família em união, continuam a (in)utilizar toda uma zona de rebentação, para fazer interessantes castelos de areia e enormes muralhas da china, para impedir que as ondas cheguem às toalhas, especialmente quando a maré está a encher, para depois descobrirem que não vale a pena lutar contra os elementos... com uma pá e um baldinho.

É sempre bom regressar, e inaugurar a melhor época do ano.
E estava boa?
Estava ótima.
Amanhã a ver se não me esqueço de levar o chapéu de sol, que aquilo é bem capaz de aquecer...

 

11 de junho de 2014

Entrevista no blog da Arrumadinha? Oi, ces' t moi!

Olá, olá!
Hoje tive o previlégio de ser entrevistada pela rainha dos poemas!
É verdade.
Para conhecerem um pouco do que há por detrás duma Uva Passa, não deixem de visitar o blog da Pipoca Arrumadinha, a nossa jornalista (e poeta) de serviço!




Sou eu, sem pele, sem graínhas e sem medos, a mostar tudo o que tenho, no alta definição da bloga portuguesa!

Espero que gostem!
Foi um prazer.

10 de junho de 2014

A reação vagal

A vaga reação que me provocou o episódio já denominado de  'reação vagal' do nosso Presidente Anibal Ca(vago) Silva, confirma: 
Até no desmaio o homem é vago. 
Um vago e aborrecido bocejo...

Disto de um amor (roubado) e uma cabana...

Há 45 anos atrás, o meu avô (emprestado) roubou a minha avó a sério, ao meu avô de sangue.
Aquilo foi um frenesim sem fim... duas famílias de pantanas, todo um bairro incrédulo, e muito caminho pela frente.
Como tudo na vida, há coisas que têm mesmo de ser, e esta decisão difícil, tomada por amor, por dois fugitivos apaixonados, numa época em que nada era permitido às mulheres, além da lida da casa e três ou quatro bofetadas à hora do jantar, ditou em muito, aquilo que sou hoje e aquilo que realmente acredito valer a pena.
Soube desde cedo, por culpa desta decisão tão diferente (e tão à frente), da minha avó verdadeira e do meu avô emprestado, que não há nada, nem ninguém, que nos possa decepar a vida, muito menos os ciúmes, os dogmas e os préconceitos de uma sociedade mesquinha e invejosa.
Foi daqui de onde escrevo, com os olhos postos num lago de água serena, só agitada a tempos por gansos selvagens que nela pousam, que os dois apaixonados decidiram também pousar e começar a sua enorme viagem.
Lagoa de Albufeira. Sem uma única casa, sem caminhos, sem vizinhos, foi no entanto mãe, amiga,  ar puro, amor, um lago e esta cabana.
Depois da tempestade, a bonança, o regresso dos filhos já crescidos, os netos, os amigos, tantos, as festas. Nós.
O meu avô emprestado, que roubou a minha avó ao bairro e à fadiga de uma vida vazia, que comigo se sentou tantos dias nesta mesa onde aterram agora os meus pensamentos, já cá não está. Estando.
Se eu lhe pudesse dizer agora, alinhando os pensamentos na maturidade da idade, aquilo que lhe disse sempre em silêncio, ele havia de me interromper, chamar-me outra vez palito de lá réne, e dizer-me, largando uma longa baforada da sua inseparável piteira, que tudo isto foi por ela, e por ninguém mais do que ela, a sua menina pequenina e franzina, que em (bom) tempo roubou.
Obrigada avô, por esta casinha e por todos os momentos que aqui vamos passando.
Foi uma viagem e peras!

A história sinistra da FERA BRANCA!

Estou furiosa!
Em primeiro lugar está um frio dos diabos.
Hoje, numa primeira tentativa de ir ´para a praia' levantou-se ali uma ventania tal, que não fossem os meus olhos treinados para isto do windsurf, e podia jurar que a malta que se aventurava hoje na Lagoa, não estava na prática de windsurf mas num qualquer desporto motorizado, tal era  bisga que levavam.
O que me vale é que aqui onde me encontro, o que não me falta são coisinhas para fazer...
- Vamos então aproveitar para caiar?
- Hoje? Não queres esperar pela tua avó?
Não, eu sei fazer. A Uva tudo sabe, tudo faz e tudo resolve. Tragam uma traineira que até faneca sei apanhar!
A minha família, que tem uma fenomenal panca por casas caiadas, preparava uma grande empreitada para o fim de semana. Mas eu, que não podia deixar de lhes dar essa alegria, resolvi agarrar no senhor meu marido e fazer as honras à casa.
E a minha avó havia de ficar contente de lhe pouparmos tanto trabalho.
- A cal? - Está ali no saco. - Sabes preparar aquilo? - Claro que sei. É misturar na água e mexer.
A cal é daquelas coisas que chega a ser angeli(cal). Por mais perigoso que seja, a pessoa nunca está à espera que aquilo chegue mesmo a morder.
Mas morde. Ó se morde.
Um baldinho de água, e vá cal lá para dentro.
- Então? Já está? - Está quase. Tens aí alguma coisa para mexer isso?
Foi só virar as costas, quê, um segundo. A cal, qual fera indomável, aprisionada durante anos dentro de uma gaiola, começou a borbulhar, a borbulhar, a crescer, a crescer, e eu, completamente atónita a olhar para aquilo e a pensar que afinal a mentira tem perna curta, e que ideia peregrina foi esta de ser eu a preparar a cal, e ai que está viva, e ai que vai saltar, e ai que isto não é cal, e ó da casa, ó da casa, e acode aqui, acode aqui, eeeeeeeeeeeeeeeeeeeee zás, sai um valente pontapé no balde, cheia de medo que aquilo me explodisse com a casa, com o marido, com as férias, e está tudo bem, a mamã já resolveu, e era uma vez um baldinho de cal, que escorrendo escada abaixo, impossibilitou o brilharete do jovem casal, de apresentar à família alentejana uma casinha caiada, e pior, deixando-me novamente sem nada para me entreter, no meio deste pinhal sem fim, além de ter de lavar à mangueirada, o que restou da fera branca.
A vida às vezes é madrasta.
Não consegui embarcar a bicicleta porque com a quantidade de tralha que 'algumas pessoas' trazem para caiar casas, fiquei sem espaço para 'a roda da frente'.
Pelos mesmíssimos motivos, não consegui trazer a máquina de costura do IKEA, agora que tinha resolvido fazer os meus próprios calções de ganga com as  calças apertadas velhas.
Ou seja, com as atividades manuais totalmente comprometidas, só me resta meditar, meditar muito..
Gostava muito de vos mostrar a casa caiada, as barrinhas azuis, mas sem essa possibilidade, mostro coisas.
- Que coisas?
- As coisas que se passaram ontem no céu e que fotografei da minha varanda.
Vale muito a pena, e no fundo, é só isto que vale a pena.
As coisas que vejo da minha varanda.
- O que é?
- Poesia.






 
 

9 de junho de 2014

A Uva também tem poesia. Obrigada Pipoca Arrumadinha. A Uva agradece a sua gentileza.


«É loira»

É loira e tem umas mamas,
E gosta de carne picada,
Deve ter umas boas pernas,
O resto é coisa escusada.

Coloca todas as uvas,
Diz que uma delas é passa,
Nem precisa de luvas,
Para ficar uma graça.

O blog é um ver se te havias,
Com gente a entrar e sair,
São sempre grandes massas,
Enquanto um vai está outro a ir.

Anónimos muita atenção,
Quando lá vão comentar,
Nunca percam a razão,
Quanto ao resto é visitar.


in: http://apipocaarrumadinha.blogspot.pt/
A rainha dos poemas.

8 de junho de 2014

Por coisas cá da minha vida...

Mais vale uma família sem história, do que uma história sem família.

Focas, esse grande exemplo...

Há um ilha rochosa ao largo da Africa Central, onde numa determinada época do ano, existe a maior concentração de sardinhas do mundo.
Nas rochas dessa ilha, vivem há milhares de anos, a maior população de focas do mundo.
As focas adoram sardinhas.
Mas, por um medo instintivo, elas ficam a olhar para as sardinhas e não se aventuram para além das rochas.
Ao final de 7 dias, as focas começam a morrer de fome, mas sabem que ao entrarem na água, serão imediatamente devoradas por enormes tubarões brancos, que ali chegam para o repasto anual.
Mas... algumas têm de se sacrificar para que outras possam sobreviver comendo as sardinhas.
A foca que tem mais fome... é a primeira a entrar no mar.
Depois daquela, as outras todas, mais tarde, entram também dentro da água para se alimentarem das sardinhas.
Sabes quem és nesta história?
És a primeira foca a entrar na água.
O sangue que deixas no mar, serve apenas para mostrar às outras focas, que há consequências a retirar dos erros.
Não queiras ser o mal que vem por bem.
Antes de dares o primeiro passo, verifica se estás bem calçada.

7 de junho de 2014

A Uva já se faz ao caminho.

Vim só dizer que o trânsito na ponte estava igual a si próprio, com muito citadino de chapéu de palha, muita mala na bagageira, muita bina no tejadilho, t-shirts com frases divertidas, do tipo 'vou para o sol da Caparica... ups, hoje não está sol', muito SUV na faixa do meio com as crianças a espreitar pelas frechas de metal que zunem nos pneus, e a dizer: mãeeeee olha ali água!, muita relógio waterproof-da-banheira a apanhar sol à camionista, para mostrar aos cabeludos do escritório que vão trabalhar no facebook na 2ª feira, carradas a virar à direita para as praias (carecas) da Costa, e os mais chiques a seguir em frente para as praias da Lagoa (como eu), Sesimbra, e Portinho da Arrábida, estes últimos, com uma imensa esperança de encontrar um lugar para estacionar antes das 15h, altura em que a areia da praia é praticamente inexistente, mas que se dane, vamos mas é ao choco frito encher a blusa, e enfim, same as usual, que é como quem diz, 'as coisas são como são'.
- Trouxeste a pasta dos dentes?
- Não. Não temos lá essas coisas?
Cenas dos próximos capítulos: os dentes da Uva Passa a fazer pandant com o verde da natureza....
E viva as miniférias!
Viva!

6 de junho de 2014

Armada em mete nojo.

Vou de férias.
Não é que não vos adore a todos, a todas, família e amigos, que adoro, mas tem mesmo de ser. Estou estafada. A miúda já se despachou, falta praticamente uma semana para matar a 2ª classe e para zarpar para o Alentejo, onde será durante 2 meses muito mais feliz do que em Lisboa a aturar a neura da mãe, os episódios criativos do pai, e no fundo dar algum descanso às avós e avô maternos, que coitados já gastaram os 11º, 12º e 13º mês, em milhões de pulseiras elásticas infernais.
Há que os deixar poisar, para que equilibrem as finanças. 
E vais para donde, ó possidónia.
Para a Lagoa de Albufeira. Sim. Essa mesmo. Aquela que fica mesmo ali ao lado de Sesimbra onde o Modesto me serve as melhores lapas de Setúbal, ao lado do Meco onde há maravilhosos homens sem cuecas onde uma Maria Adelina bomba músicol e do Bar do Peixe onde o sunset é assim, qualquer coisa de extraordinário. E do Domingos, claro, que serve comida de guerra e no fim até nos deixa fazer as contas.
Sim, essa mesmo, onde se pode andar calmamente a pé, de bina, de canoa, de barquinho, de windsurf, de padle e tudo e tudo, até apanhar amêijoas com o rabo espetado, sem que nenhum maluquinho das motas de água e dos barcos a motor nos atropele o descanso.
A próxima semana será de tempo quente. Ainda cá venho dar um pulinho aos Santos Populares, talvez à Vila Berta, sempre tão animada, mas os dias serão todos lá, no jardim, esticada, a ler e a apanhar sol.
Vou dando notícias, entre mergulhos e caracóis, alguma gota há de haver, para vos molhar a garganta.
Beijos e abraços.
Apareçam.
 
Barco do Caetano que fazia a travessia da Lagoa para o 'lado de lá'.
O barco está fundeado na Lagoa da Estacada e serve para mergulhadores matarem as saudades dos tempos em que éramos tudos uvas raínhas.
 
 
(Tenho é muita pena de não receber um fee pela publicidade, mas em calhando ainda me pagam algum copo. E já não é nada mau.)

Imposto(res).

Celebra-se hoje o dia em que TODOS os portugueses se livram dos seu impostos. Hahahahahaha.
Simbolicamente.
Por forma a equiparar-me a esta afirmação tão engraçada e divertida, que prolifera por todos os órgão de comunicação social, resolvi ser também engraçada e divertida e postar coisas giras que os nosso futuros governantes, ou seja, as nossa estimadas crianças, o nosso futuro, andam a fazer nos exames, que os levarão (um dia) à gloria.
Ora vejam. É um fartote.


História
  • Quando os egípcios viam a morte a chegar, disfarçavam-se de múmia.
  • O pai de D. Pedro II era D. Pedro I, e de D. Pedro I era D. Pedro 0.
  • O Convento dos Capuchos foi construído no céculo 16 mas só no céculo 17 foi levado definitivamente para o alto do monte.
  • A História divide-se em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje.
  • Na segunda guerra mundial, toda a Europa foi vítima da barbie nazi.
  • Na Idade Média os tratores eram puxados por bois, pois não tinham gasolina.
  • A fundação do Titanic serve para mostrar a agressividade dos icebergs.
  • A luta greco-romana causou a guerra entre esses dois países.
  • A idade da pedra começa com a invenção do Bronze.
  • Nas olimpíadas a competição é tanta que só cinco atletas chegam entre os dez primeiros.

Biologia, Geologia, Ciências Naturais, Psicologia

  • O cérebro humano tem dois lados, um para vigiar o outro.
  • O cérebro tem uma capacidade tão grande que hoje em dia praticamente toda a gente tem um.
  • Quando o olho vê, não sabe o que está a ver, então ele amanda uma foto elétrica para o cérebro que lhe explica o que está a ver.
  • O verme conhecido como solitária é um molusco que mora no interior, mas que está muito sozinho.
  • O hipopótamo comanda o sistema digestivo e o hipotálamo é um bicho muito perigoso.
  • O porco é assim chamado porque é nojento.
  • O tabaco é uma planta carnívora que se alimenta de pulmões.
  • Parasitismo é o facto de um gajo não trabalhar e viver à ‘pala’ dos outros, de dinheiro, cigarros e outros bens materiais.
  • Ecologia é o estudo dos ecos, isto é, da ida e vinda dos sons.
  • As aves têm na boca um dente chamado bico.
  • A homossexualidade, ao contrário do que todos imaginam, não é uma doença, mas ninguém quer tê-la.
  • A Bigamia era uma espécie de carroça dos gladiadores, puchada por dois cavalos.

Geografia

  • A Terra vira-se nela mesma, e esse difícil movimento chama-se arrotação.
  • O sul foi posto debaixo do norte por ser mais cómodo.
  • A Terra é um dos planetas mais conhecidos e habitados do mundo.

Matemática, Física e Química, Economia

  • O metro é a décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre e para o cálculo dar certo arredondaram a Terra!
  • Uma tonelada pesa pelo menos 100Kg de chumbo.
  • Para fazer uma divisão basta multiplicar subtraindo.
  • Princípio de Arquimedes: qualquer corpo mergulhado na água, sai molhado.
  • Uma linha reta deixa de ser reta quando encontra uma curva.
  • O piloto que atravessa a barreira do som nem percebe, porque não ouve mais nada.
  • Em 2020 a caixa de previdência já não tem dinheiro para pagar aos reformados, graças à quantidade de velhos que não querem morrer.


Parabéns crianças! Estão todos num ótimo caminho!

Isto ontem foi um fartote! Óh Pai, anda cá ver isto!!!!!


5 de junho de 2014

Há uma explicação lógica para tudo isto. O meu shoefie tem um porquê.

Desde que trabalho com advogados que a minha vida tem sido... interessante.
É verdade. A pessoa, quando se mete por caminhos apertados, ou sai esganada ou encolhe-se, e há um ditado muito antigo para isto: se não te juntas a eles, vence-os. É o que tenho tentado fazer, mas o contencioso não tem sido fácil de gerir.
Vai daí que para conseguir sobreviver dentro do covil, passei por várias fases.
Primeiro andava sempre de saltos muito altos.
Os saltos eram uma forma de me evidenciar, mais pela elegância que pela altura, já que consigo (mesmo de sabrinas) ver a careca a quase todos os Rule of Law que por aqui se cruzam comigo, nos corredores.
Foi de tal maneira violento, que o meu chefe me chamou ao gabinet, para me dizer que tinha o dep. financeiro todo em baixa médica, por força de olharem para cima e me pedirem cafés. Dizia ele que os meus 1.74m + saltos agulha, não só picavam o magnífico chão de carvalho, como me elevava a uma posição que eu, naturalmente, não tinha.
Sem grande expetativa, tentei a saia travada, camisa branca e óculos pretos de massa. Dificilmente me tomavam por profissional do Rule of Law nestes preparos, e quem é que eu quero enganar, as advogadas das boutiques de advogados, usam tudo, menos saia travada e saltos agulha.
O resultado foi um desastre. Amiúde me chamavam à sala para lhes servir cafés e torradas com marmelada, e às vezes aqui no restaurante do Zé, havia clientes que me entregavam gorjetas, confundindo-me com o empregado de mesa. Foi bom, mas depois caí no ridículo de andar às gorjas só para escapar às marmitas intragáveis, que eu própria perparava para mim
Foi por esta altura que tive uma epifania. Estudei todo um código de ética fashion, e tudo apontava para as tendências masculinas.
Ou os homens me viam como um(a) da mesma espécie, ou então a coisa não progredia cá como eu queria (e não vale a pena falar aqui de mamas e essas coisas, que esse assunto foi dado como arquivo morto, creio que ontem).
E assim foi. Desde que uso os mocassins do meu pai, que as coisas têm mudado muito para mim.
Especialmente porque tenho conseguido fazer uma coisa muito difícil para a maioria das pessoas.
Meter-me nos sapatos do 'outro'.
Quem diria...

Estou aqui! Estou AQUI! Estou Aq....

Não estou nada.
Fui almoçar.

É. Às vezes é preciso mudar a agulha, senão a coisa começa a complicar-se.


E foi do 3º anel!!!

Só eu sei, porque não saio de casa...

Tic tac tic tac

Hora de entrada do chefe: 9:00h
Horário de entrada da secretária que entra às 10:00h: 10:00h
Horário de entrada da funcionária que abre às 9:00h: 9:45h - 10:00h
Horário de entrada dos advogados: 12:30h - 13:00h às vezes 14:00h
Horário de saída da funcionária que (supostamente) abre às 9:00h: 18:00h (em ponto)
Horário de saída da secretária: 20:00h - 20.30h (...)
Horário de saída dos advogados: Depende muito do tempo. Se estiver sol,  às 17:00h já se encontram em 'diligências no exterior'. Se chover, às 19:00h
Hora de saída do chefe: 21:00h

- Já visto o carro dele? Chiiii deve ganhar rios de dinheiro. Outra vez no Brasil? Comprou o quê? Uma casa onde? Aquilo é nova namorada? Vê tu bem onde ele almoçou ontem. Patrões....

Resumo:
"Toda a gente vê as bebedeiras que eu apanho, mas ninguém vês os tombos que eu dou."

Karma is a bitch!

Quando era adolescente fazia a vida negra a 3 miúdas que viviam no mesmo prédio. Curiosamente é o mesmo prédio onde hoje também vivo.

Tendências

Gosto muito de as ouvir dizer que têm tendência para engordar, quando toda a gente vê que o que têm é tendência para comer.

4 de junho de 2014

Disto de vender carros a um cigano...

A pessoa passa por aquela fase louca do ´tá-se bem, a malta é fixe, o pai resolve, não há puto caroço, choca aí, tens uns trocos, dá-me uma passa, e but para a night que isto, mô, é só curtir!
É.
Ai estes jovens, dizia o meu avô,  não fazem puto de ideia o que andam a fazer. Ó avô, a mim? a mim ninguém me engana, achas? Pensas que sou doidinha ou quê?
E para mim eles tanto faz se assinas, se não assinas, contratos? isso já nem se usa que agora é tudo pela net, ainda para mais no aspeto do guito a coisa ficou na boa, era dinheiro vivo, o material até nem estava em condições, e tudo se resolveu com um choca aí, não assinas agora, assinas depois. Como é mesmo o teu nome?
Pois.
Aquilo parecia-me tudo espetacular. O carro estava uma lástima, todo batido, cheio de nights riscos e já com o radiador a querer explodir. A ventoinha já só funcionava se lhe assoprasse, e para aquilo andar dois km de seguida, tinha de andar com um garrafão de 5 litros atrás.
O meu pai foi peremptório: estou fartinho dos problemas do teu carro, mas pai, podias ao menos ajudar-me. Arregalou-me os olhos para mais uma sessão de, temos pena, um carrinho tão bom, espatifaste aquilo tudo. Pois foi pai, mas agora não me serve para nada.
E eu, que já tinha o vizinho à perna, e que não tardava tinha a trupe da Câmara para levar o bólide para a sucata, e mais multas e o caneco, tinha de me desfazer da viatura antes que ela se desfizesse no meio da rua.
E foi o que fiz: Vende-se barato!
Aiiiiiiííí, meninaaaa, entãããão nãããã me vende o sê carrinhoooooo baratiiiiiinho?
Zás! Quando dei conta tinha um senhor de chapéu preto a dar-me 500 euros no meio da rua.
Só faltava dar pulos de alegria. Livrei-me do chaço e fiquei com guito suficiente para, vá, 1 mês de borga. Cópias de BI´s para a frente,  e pegue lá o livrete para trás, assine aqui a cópia, hahahahaha uma cópia, assine aqui hahahahahaa, e aquilo pegou e nem aqueceu, e a verdade é que nunca mais o vi. Nem a ele nem à alteração do registo de propriedade.
E passaram-se 15 anos sobre o acontecimento. Mas lá está, há coisas da juventude, caramba, que nos perseguem como os doidos da gabardina.
O ciganito desapareceu há precisamente 77 assaltos à mão armada, 80 roubos por esticão, 300 toneladas de roupa contrafeita e 568,00 € atrás, no meu automóvel alado.
Só ontem é que eu deixei finalmente de pagar o selo do carro, as multas porque não paguei o selo do carro, o solicitador que andou às voltas no IMTT para me livrar do cigano, do carro e muita dor de cabeça depois, venho aqui para vos pedir:
Se virem um cigano num Fiat Punto todo esganado, digam-lhe que me deve 68 paus.
Aiiiiiii mê paiiiiiiiiii!
Aiiiiiiiiiiiiii pai delaaaaaaaaa!

Era igualzinho a este.... quando era novo....
 

2 de junho de 2014

Se houvesse uma selfie para descrever a blogos(fera) de hoje...




Era esta!


Eu já não te estou a ver bem.

Tenho um problema lá em casa.
Posso desabafar convosco, pessoas?
Depois isto passa-me e volto a amá-lo como antes, pelo menos depois da primavera.
 
De manhã, se os contar, são cerca de 2015.
Entre o quarto e a casa de banho, três passinhos portanto, vão logo 16 de cada vez.
Tchum, tchum, tchum, tchum, tchum, tchum, tchum.
Ainda nem bem acordei e já estou em transe com a barulheira que a peste me impõe.
O caminho para o trabalho, então, é um sacrifício. Tudo fechado tipo forno. Nem posso abrir a  janela do carro 'porque entram bruxas'.
Já te calavas com essa chinfrineira, não? 
Tu não entendes que isso é para cima de enervante?
Tchum, tchum, tchum, tchum, o dia inteiro??? Desde março?
Vai-te enfrascar de comprimidos pá, de sprays, vai fazer picotados nos braços, faz qualquer coisa por ti e por mim.
Quero lá saber se o que tomas para essa porcaria das alergias te faz sono, ao menos a dormir estás calado! 
 
Obrigada.
Era só mesmo isso...

Granda URSO!

Metallica’s James Hetfield

 
Vai uma pessoa gastar rios de dinheiro em bilhetes, para ir ver estes gajos, e depois é isto..

Barcos e água e remos e bolhas...

Ontem, naturalmente, o dia foi todo dela.
Tinha ideia de fazer alguma coisa que fosse, por um lado diferente para a pequena, e por outro, uma primeira experiência para todos.
A ideia (genial) que me ocorreu, era piscar o olho à feira do livro; a mãe lambia os dedos, o pai bufava de tédio e a miúda via os teatrinhos que por lá se fazem nestes dias. Além disso, estava uma ventania do caraças em Lisboa, e de certeza que nos íamos divertir imenso a ver os livreiros todos a correr de um lado para o outro a agarrar os livros no meio do vendaval.
Tudo certo até aqui, ou pelo menos tudo certo até chegarmos ao Campo Grande.
Criou-se ali uma oportunidade dos diabos. Decerto que estacionar no pacato Campo Grande, seria mais fácil do que andar às voltas no Marquês.
Há tempos que andava com uma fisgadinha. Um jardim tão bonito no meio da cidade, e nunca lá tínhamos ido os três. O miúdo crescido poderia explicar à miúda pequena o quão maravilhoso foi namorar estudar na Lusófona, e a mãezinha poderia finalmente realizar aquele desejo que lhe zunia há tempos atrás da orelha.
Vamos todos andar nos barquinhos do Campo Grande? Weeeeeeeeeee!
A miúda ficou um pouco apreensiva.
Barcos? Água?  Não achas melhor ir a casa buscar as minhas bóias?
Não. Está tudo bem. A mãe já atravessou lagoas e rios, mares e oceanos, a nado, por isso não te preocupes.
Já o pai, que viveu 28 anos na outra margem, rios é com ele. Aliás, rios é tu lá - eu cá.
Trinta minutos, cinco euros. E uma ventania do caneco...
Primeiro entra a mãe....eeeee zás! O rabo justo em cima de uma poça de água que apanhava sol em cima do banco. Lindo. Os passeios são sempre muito mais agradáveis com as cuecas encharcadas em água verde. Depois a cachopinha pequena (tesa que nem um bacalhau), e depois o pai, o grande timoneiro de barba por fazer rija qual Robinson Crusoe das Lisboas, capaz de conduzir até às madames mais obesas, daquelas que quando caiem é para os dois lados, por esses canais de Veneza a fora. E uma ventania do caneco...
Quinze minutos depois, e o barquinho que era suposto deslizar pelas águas calmas do lago, proporcionando uma tarde prazeirosa à família suburbana, ainda não tinha descolado do porto. O grande timoneiro, que havia iniciado uma luta desenfreada com os remos, e com o barco, e comigo, e com a franja, e depois com tudo o que era coisas que andavam no ar, suava a estopinhas e bufava, bufava, e o vento implacável soprava, soprava.
Quando conseguimos finalmente zarpar, já o miúdo crescido estava alagado em água, e em bolhas.
- Mãe, eu não te disse que precisava das bóias...
Resumindo: A miúda acalmou bastante, e até nos divertimos muito no resto do passeio, quando eu, a mamã frágil e tímida, me agarrei aos remos e em 5 minutos dei 10 voltas ao lago.
Está visto que deste ano não passa e é mesmo desta que compramos um barco novo lá para casa, nem que seja para o miúdo ir treinando na banheira...