3 de outubro de 2015

Caro Pipoco Mais Azedo, olhe aqui esta Uva atrás da moita


Ahah!
Julgava Vocência que o deixava ali a boiar numa esconsa caixa de comentários?
Não. Decidi responder-lhe comme il faut.
Uma coisa mesmo em grande, uma coisa que não ficasse ali acabrunhada numa caixa de comentários, com poucas palavras (e pouco espaço) para dizer tudo o que me apraz dizer sobre a simpatia que teve de me vir visitar, e pasmem-se os deuses da blogosfera, deixar um comentário com mais de 2 linhas.
Foi uma pequena lisonja, uma brisa, que a Uva Passa não é um figo seco, e ademais, fica sempre surpreendida quando lhe responde.
Atente-se ao facto de já lhe ter dedicado outros posts, igualmente largueiros, mas este foi ficando cada vez maior à medida que me ia crescendo a fúria das palavras, razão pela qual decidi dedicar-lhe, uma vez mais, este espaço sempre à pinha, de coisas sem interesse nenhum.
Tanto faz.
Afastemos as brumas.

Ontem tinha-lhe escrito umas linhas sobre liberdade. Vou aproveitá-las aqui para este post.
Temos uma noção de liberdade totalmente diferente, embora não me tenha explicado a sua.
Tanto faz outra vez.

Tinha escrito assim para justificar que escrever um blog não é um tremendo exercício de liberdade, mas o seu contrário:

Quando me diz que exerceu a liberdade de moderar comentários, de escolher quais os que publicava e não publicava, quais os que respondia e não respondia, isto é, aquilo que chama de ´livro arbítrio da sua caixa de comentários', isso não é nada mais do que o seu filtro moral a trabalhar em pleno, totalmente refém do que acha e não acha bem, resultando este comportamento numa liberdade nula. A cordialidade é um comportamento ensaiado, com regras, imposto socialmente, não convive nada bem com a 'liberdade' que nada mais é do que um comportamento primário, destituído de razão, ou se quiser da razão dos outros. Ninguém é livre porque é racional, e sendo racional conhece os limites, os seus e os dos outros. Ora se há limites não há liberdade. 
Só o pensamento é livre.

A Liberdade era um tema para 4 páginas, mas achei que se iria aborrecer com as minhas palavras. Guardei por isso o rascunho, e prossegui cá na minha vidinha.
Depois lembrei-me que aflorou 'clubes' e vieram-me à garganta ainda mais palavras.
E quis dizer-lhe isto:

Todas as pessoas sentem uma grande necessidade de pertença. Necessitamos de estar integrados, de ver iguais, da mesma cor, com os mesmos ideais. O tempo das planícies alentejanas polvilhadas com casinhas muito distantes entre si, há muito que acabou para mim.
Luto por me integrar. Gosto muito de pessoas.
Lutamos todos os dias para sermos aceites e alguns fazem ainda um esforço adicional, e quiçá o mais difícil: o de aceitar.
Faz parte do nosso ADN. Não somos diferentes da manada de Gnus que atravessa a savana.
Não sou uma badass, nem aqui no Uva e nem na vida. Preciso de todos, da interação de todos, da leitura de todos, dos comentários de todos.
Vinde!
Quero pertencer ao 'clube' dos blogs que escolhi seguir, e pertenço-lhes porque me identifico com eles; quero agradecer à Loira todos os dias por ter sido a primeira a colocar-me ali na listinha dela, para que eu tivesse a minha oportunidade. Ela é do meu clube, mas tenho outros e gosto deles e do mundo deles.
É isso que se critica?
Pois eu não vejo mal algum em colocar ali na minha lista alguém que anda à procura de um espaço para crescer, caro Pipoco, na escrita e como blogger. É um clube?, são as blogo-amigas? e os blog-amigos?, são as nossas companhias, são aquilo que nós quisermos, são o que gostamos de ali ter para ler.
Puxamos muito uns pelos outros, sabe Pipoco (claro que sabe - também puxa alguns), a vida é tão dura, e há tanta gente que só tem isto, esta janela de comunicação, como lhe chamou a Cuca, esta oportunidade.
Acha que para essas pessoas isto são só blogs? Se tocamos a vida das pessoas porque raio serão os blogs só blogs?
E os livros, também são só livros? E O Caminho, é só um caminho?
Há responsabilidade aqui. Há gente que se sente com o que escrevemos.
E nos comentários ao seu post é fácil perceber que há efetivamente gente que se sente. Ou talvez seja só eu a dar demasiada importância às palavras.
Sou simples e complexa, mas não tenho medo de mostrar os meus sentimentos a ninguém.
Simplesmente não posso (nem quero) abarcar toda a blogosfera, tenho mesmo de seguir blogs em número limitado, tenho de escolher, tenho de acompanhar blogs de gente que sabe escrever, que gosta da escrita, de livros, de bicicletas, dos filhos, da Lagoa, da praia, que casca nas gajas que expõem os filhos, que atormenta as que fazem solidariedade em troca de visitas, que sabem rir-se de si próprias, que sejam pessoas de verdade por detrás do boneco.
E o humor é essencial. A ironia é essencial. E a frontalidade é essencial.
Até o ego é essencial.

Deixe-me terminar.
Não me vejo nada agrilhoada a coisa nenhuma, além do bom senso que acho devo manter.
Se as pessoas que não têm nada para dizer de engraçado sobre elas próprias, quiserem falar dos outros, então força. Eu já fiz isso carradões de vezes, que o diga o JMT, o Cavaco e os demais.
Sobre cada tipo de blog pensaremos todos de forma livre e escolheremos também, de forma livre, segui-las ou não, abandona-los ou não. As consequências não serão assim tão difíceis de curar.
O que não podemos é convencer-nos e quase que obrigar-nos a acreditar que ferir deliberadamente os outros e deturpar o sentido das palavras também faz parte da liberdade.


E é isto.
Julgo que ficou aqui com uma boa resposta.
Um abraço, bom fim de semana, e enfim, que mais posso dizer, boa continuação?

Daqui.

15 comentários:

  1. Ó Uva, tu com o calor do momento não te terás enganado no título, mulher, e baralhado nos nomes?
    Então um senhor tão distinto, garboso, arrancador de suspiro, cordial e educado, ser chamado dessa maneira tão....tão....olha, tão ahahahahahahhaha?

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    1. Não me enganei não. PMA que os tempos são de mudança à esquerda.
      ;)

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  2. Com todas as consequências que possam daqui advir — ou não, que a pequenez pode ser uma grande defesa —, estou contigo e não abro, Uvy. Muito bem dizido.
    Também tu me deste a mão, fazendo-me tua vizinha, assim como a Loira, agora há pouco (será um sinal, duas loiras ciclistas que me hospedam?), e essas cenas têm valor, sim senhor.
    Repito e repito, até que a voz me roa: não, isto não são só blogues.
    Je suis Raisin!

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    1. Não vêm consequências nenhumas. Garanto-te. A única consequência é que as pessoas podem ir descobrindo blogs que de outra maneira não saberiam que existia. Uns pelos outros, não faz mal a ninguém.

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  3. Uva fala certeira e humano nenhum pode negar isto em verdade. Nem um homem com tão larga experiência de vida - e setenta e tal anos de blogs.

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  4. Olá, Uva.

    Venho cá muito, mas sempre caladinha.

    Não por snobismo, não por 'chiqueza'; por feitio, simplesmente.

    E o que vale para este blog vale para tantos outros, que gosto de ler (tantos deles estão ali na barra lateral), sendo um deles o do destinatário deste post, que sigo desde os primórdios disto dos blogs.

    Hoje está a apetecer-me dizer que, acreditando que a blogosfera não passa de apenas mais uma das infinitas manifestações de humanidade e que, portanto, todas as interpretações do fenómeno são possíveis / aceitáveis, esta tua visão é aquela em que gosto de acreditar.

    Gosto muito daquela tua metáfora de dançar nos sapatos dos outros. Acho que quem consegue fazer esse exercício acaba por ter uma perspectiva muito mais desafogada do salão de baile.

    ProntEs, já me calei. :D

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    1. Olá MC! Olá miúda!
      Obrigada por participares. Gostei da imagem de sermos todos dançarinos num salão de baile. Dá espaço para albergar todos. Os que dançam, os que olham, os que bebem e se estatelam, os que saltam de repente para o palco, descamisados e dizem umas cenas cómicas, os DJ´s, os mirones. Tudo.

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  5. "Ninguém é livre porque é racional, e sendo racional conhece os limites, os seus e os dos outros. Ora se há limites não há liberdade.
    Só o pensamento é livre."
    Não percebi nada. Não compreendo o que têm os limites a ver com a liberdade, nem como, na tua visão, pode ser livre o pensamento (que é tão limitado quanto a racionalidade)...

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    1. Vou tentar explicar a minha visão.
      Para mim não existe liberdade porque estamos condicionados uns aos outros e a nós próprios. O nosso corpo é também um limite à nossa liberdade. Eu posso caminhar até ali porque sou livre de o fazer. Sim? E os que não podem caminhar? Os comportamentos estão 'ensaiados' para funcionarem de acordo com as regras da sociedade. O sistema garante que nos decepam a liberdade. Tu queres andar nua na cidade, mas não podes. Há limites ao teu comportamento livre de roupas. A tua liberdade tem limites impostos pelo sistema de regras e convenções. Podes no entanto isolar-te e despires a roupa ai numa mata qualquer. Se pressentires que lá está alguém a ver-te vais logo vestir-te. Não és livre na presença dos outros. Só és livre no pensamento porque ninguém te pode julgar o pensamento. Ele é apenas e só teu. Podes estar em frente a uma pessoa e chamar-lhe filha da puta que nada acontece. Tu sorris e a outra pessoa sorri-te de volta. É livre o teu pensamento. Sobre a racionalidade sem limitada, pois não entendo o que queres dizer com isso. Nem sequer entendo o que queres dizer com o pensamento ser limitado.
      A racionalidade não se mede. Podes quantificar o QI, que apesar de ser uma 'consequência' de seres racional, logo inteligente, agora que o pensamento é limitado, só se for limitado por alguma doença mental, caso contrário ele é mesmo infinito.
      (Há quem defenda que o pensamento é limitado porque ele é apenas aquilo que temos na memória (finita) como a experiência, mas eu não concordo.

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  6. Uva, é claro que não somos livres no sentido animalesco do termo, somos animais, mas diz-se de nós, e parece que se confirma muitas vezes, que somos racionais, e então podemos até discutir que completamente livre será um animal dos irracionais porque não tem o fator racionalidade que é treinado desde que nasce para que possa viver o melhor possível em sociedade, balizado entre as suas regras, podemos até talvez dizer que, nós os seres humanos, dotados à partida de racionalidade, somos praticamente todos desde que nascemos amestrados para que possamos viver na tal sociedade. Então, podemos filosofar que isso de ser-se livre é uma ilusão, pois podemos, acontece que, e ultrapassada esta questão, mesmo no âmbito da nossa liberdade, se quiseres, condicionada, podemos ter graus diferentes de liberdade, como sei que sabes, e somos uns, mais livres que outros, como também saberás. O desejo de pertencer, olha excelente exemplo, pode ser precisamente um dos factores limitantes da nossa liberdade, se nós entendermos que para pertencer temos sempre de dizer amém a tudo o que se passa no grupo ao qual queremos pertencer não vá passarmos a ser vistos de lado, e lá se vai a pertença, é um dos tais exemplos em que podemos coartar a nossa própria liberdade no âmbito da que nos é possível. Se eu tivesse um blog, podes crer que daria a minha opinião livremente sobre o que entendesse e sim com cordialidade, porque o facto de eu não concordar em determinada altura com determinada pessoa não implica que eu a trate como uma besta e com não sei quantas pedras na mão, seriam sempre para mim duas pessoas a terem uma opinião diferente sobre um mesmo assunto, só isto, para além do facto de eu poder estar convencida que tinha muita razão e não ter razão nenhuma, é um risco que se corre frequentemente nisto de manifestar opiniões. Uva, para mim, liberdade (dentro das tais condicionantes de sermos educados para não sermos só umas bestas, claro) e cordialidade é mesmo a coisa mais autêntica na relação entre as pessoas, nos blogs tal como na vida. Não me interessava nada pertencer a gente que levasse a mal que, eu, às vezes, discordasse do seu ponto de vista, de determinadas atitudes, agora, há formas de se dizerem as coisas, precisamente porque não há necessidade nenhuma de magoar, discordar não é magoar e aí entra a cordialidade que, sim, acho fundamental, já dizer a tudo que sim, não vá os outros se chatearem connosco, para mim tem um nome, cobardia, coisa que detesto. Então Uva, para concluir, vou exercer a minha liberdade de te dizer, a ti, que és uma das minhas pessoas preferidas dos blogs, que desta vez, acho que o PMS falou em alhos e tu percebeste bugalhos e que esta resposta é aos bugalhos e não aos alhos.
    Beijinhos e até já, Uva.

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    1. O problema do Pipoco é falar em cordialidade enquanto fere deliberadamente os sentimentos dos outros.

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    2. Estava mortinha de saudades tuas Clau. Estás boa miúda?
      Concordo contigo e fico aqui a pensar se terei lido mal as entrelinhas do PMS.
      Percebi uma critica feia e rótulos a quem pertence a grupos de blogo-amigos e a quem dá importância aos blogs e não é assim badass como ele, um despegado, que nem fala da vida, qué lá isso falar da vida nos blogs? Córror!
      Se calhar até meti os pés pelas mãos (ele falava de quê afinal?), mas daquilo que percebi do que me escreveu, quis responder-lhe e respondi e julgava ter-lhe respondido bem, mas lá está, Pipoco é um imenso silvado. Nem sempre dá para lá meter a mão e sacar uma amora. ;) Um abraço, minha querida Cláudia.

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  7. Eu diria que este foi um post perfeitamente desnecessário, já que o alvo não é frequentador cá da xafarica, mas isso sou eu...

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    1. Eu diria que não, mas isto sou eu. Uma crente.

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