12 de janeiro de 2016

Ainda não temos os roupeiros

Tenho a impressão que enquanto não tiver a minha roupa toda arrumada, as peúgas fora da gaveta dos cintos, os cintos desenleados das escovas do cabelo, as cuecas na gaveta dos panos da loiça, vou-me sentir-me tão em casa como se estivesse temporariamente a viver num apartotel ranhoso do Algarve, numas ridículas férias de inverno.

Hoje em dia as minhas manhãs são uma autêntica caça ao ovo da Páscoa, só que o ovo são as meias pretas, a camisola verde de botões, o vestido azul-escuro de malha, os sapatos cinzentos com os berloques, ou o cinto prata da fivela quadrada.
Viste a minha, viste o meu, é a frase favorita do casal, sendo que hoje mudei de roupa duas vezes porque no primeiro outfit não consegui encontrar o casaquinho roxo de malhinha, e no segundo corri tudo à procura das camisolas interiores de decote em V, e nada.
Ora, tudo isto é triste e tudo isto é tempo perdido, e que eu saiba, o preço por metro quadrado de tempo está mais caro do que o barril de petróleo no tempo em que emigrou toda a gente para Angola.
Não fui ainda capaz, apesar de apregoar aos 7 ventos que me mudei quase para dentro do escritório, de me despachar a tempo e horas, por um lado para usufruir do prazer inigualável de ir trabalhar nas calmas, sem o coração a bater na boca, o telefone desalmado a tocar,  uma sala cheia de marmanjos à minha espera para a reunião inútil da praxe, e eu sempre a última a chegar; ainda não fui ainda capaz de ir caminhando calmamente, abanicando a mala de mão como uma alegre e despreocupada juvenil, parando aqui e ali ao longo da Avenida, ora para ver os transeuntes mal vestidos, as velhas a fumar cigarrilhas, ou os arrumadores a fazer carteiras.
Estou tão, mas tão desaustinada com o facto de ainda não ter os roupeiros prontos, para acabar de uma vez com estes nervos matinais por não encontrar metade da minha indumentária para ir trabalhar, que estou prestes a cometer uma loucura.
E por Deus!, acabar com aquele eco insuportável no quarto, que me faz parecer que tenho dois maridos em vez de um.
Help me, que eu estou capaz de mudar outra vez para o subúrbio. 

11 comentários:

  1. E que tal arranjar a indumentária de véspera?
    digo eu...
    :))

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    1. Isso então ainda era perder mais tempo. E o mood??? É que a pessoa acorda com um certo mood que combina com a roupa. Hoje apetece verde amanhã amarelo.
      (Nunca consegui fazer isso, nem para a roupa da minha filha. De manhã escolho a minha e a dela, tudo em cima do joelho.)

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    2. a noname roubou-me o comentário das pontas dos dedos! :D
      Fáxabôr de preparar a roupinha no dia anterior, ok?

      Beijocas, Uvinha :)

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    3. Ai, que no dia anterior tenho de preparar a marmitaaaaaaaa.

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    4. Pois pelo medo de acordar com o mood errado é que sempre preparei as roupas de véspera.
      Vá que se acorda irritada ou deprimida por uma noite mal dormida?...

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  2. Como te entendo. Morei numa casa que só tinha um roupeiro. Tinhamos a roupa espalhada por vários sítios. Tínhamos assim um quarto género de arrumações. Era um caos. Felizmente nesta casa tenho roupeiros para dar e vender, claro que a abarrotar e a precisar de ser destralhados porque de vez em quando também perco o rasto às peças do outfit no meio de tanta confusão.

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    1. Estou mesmo desorientada. Nunca pensei que um roupeiro desse cabo da vida de uma pessoa.

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  3. Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah, não te apoquentes, piquena, isso vai com o tempo. Mas cuidado, não devolvas os roupeiros quando eles chegarem, Ok????

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  4. Não desesperes que tudo se compõe, separa as coisas em montinhos, cuecas, cintos, casacos, etc, depois é só ir aos montinhos e quando tiveres os roupeiros é só arrumar, num instante.
    Sou como tu, a roupa é escolhida no próprio dia conforme o "mood" matinal :)) Boa sorte

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    1. Os montinhos funcionaram muito bem no inicio...

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