31 de março de 2016

Alerta Vermelho!!!!

Eu já não tenho nem idade, nem estatuto social para estas merdas.
É uma frase prepotente, e potente, para quem se assume humilde, e tem uma resiliência a tascas a cheirar a vinho podre que é qualquer coisa de surreal. Mas isto é demais.
Eu já vivi muitos anos na minha curta vida. Já naveguei em muitos barcos e já estive envolvida em diversas tormentas, mas uma coisa que eu nunca tinha feito, até ontem, foi ter reclamado de um serviço num restaurante. Assim, à cara podre.
Já comi azeitonas murchas e secas, pão de há três quinze dias, comida a saber a sabão, e cerveja moribunda, mas evitei sempre a reclamação, desculpando o serviço, tendo pena das pessoas, e sobretudo, por não querer ser mais um prego no caixão dos restaurantes que morrem por essa Lisboa fora aos magotes.
Mas ontem chegou-me a mostarda à narina esquerda, a que foi sempre mais fustigada, e teve mesmo de ser.
Os dias têm sido maus, estou cansadíssima, cheia de trabalho, e há dias em que simplesmente preciso mesmo de ir a qualquer lado beber uma imperial, deitar conversa fora, gastar uns tostões.
Ontem foi um desses dias e porque fomos à Worten, decidimos aproveitar para comer uma coisa diferente, um petisquinho.
A escolha recaiu sobre um restaurante novo, de seu nome Kitchen by Monte Mar.
Peço desculpa aos visados, mas foda-se, aprendam a servir pessoas.
O Kitchen by Monte Mar é uma pseudo-marisqueira armada em sonb-chic. À entrada uma miúda de pernas muito roliças mas muito simpática acolheu-nos bem, e convidou-nos a sentar.
Eu pedi sapateira recheada e salada de polvo. Não havia sapateira. Uau. Não há sapateira na marisqueira. Ok. Pode acontecer, é um grande gap mas passa-se à frente. Então traga-me umas 'gambas à Guilho' e um pica-pau do lombo. O V. achou caro o Pica-Pau (20.00€), mas eu pensei logo numa travessa daquelas que há no Florbela do Olival Basto, e achei que com batatinhas e mais os camarõzinhos, dava para matar o bicho.
20m. Nada. Nem a cerveja, nem as azeitonas, nem o pão torrado. Rien. Desculpe, não me leve a mal, mas estou faminta, traga-me por favor qualquer coisa que se coma, o pão, as manteigas, qualquer coisa. Ok. Trouxeram o que pedi.
Primeiro embate: 'gambas à Guilho'.
Atentem.
Não é dizer mal, mas em 40 anos (quase) de vida nunca me tinham vendido uma sopa de caldo knorr com gambas congeladas e super sensaboranas, a boiar, como 'gambas à Guilho'. 
Tive de meter os olhos para dentro e engolir mais uma azeitona.
Fui ver e vói lá: a sopa do dia era creme de gambas. Foi o que nos serviram. Uma merda.


Reclamei.
Oiça, isto é tudo menos 'gambas à Guilho'. Pois, tem razão, são as gambas que são pequenas não é? Não, não é o tamanho, é a forma. 'Gambas à Guilho' são fritas ao alho. Desculpe, vou transmitir ao Chef. Sim, reporte, por favor. Isto não é maneira de servir ninguém, desculpe.
Bom, traga lá o pica-pauzinho do lombo, 20,00€, deve pelo menos lavar a honra da casa.


Qual quê. 
O pica-pau vinha num pratinho de sobremesa minúsculo, com 4 pedaços de carne de aspeto duvidoso, e num prato maior (que já não está na fotografia porque foi para trás) umas batatas pala-pala frias, pá, geladas mesmo, a pingar gordura.
Desculpem, isto é inadmissível e eu não posso ser enganada desta maneira. Exijo um mínimo de decência. Não posso compactuar com restaurantes que me fazem passar por este tipo de experiência degustativa, quando as mortes de porco da minha avó, há 500 anos atrás, em que se assistia ao corte dos tomates do bicho, ao guinchar o bicho, ao morrer o bicho às mãos dum facalhão, eram muito mais decentes do que isto.
Bardamerda pá. Processem-me. Mas isto não se faz a ninguém.
Aldrabões.


36 comentários:

  1. Respostas
    1. Paguei Filipa. Paguei 37.00€. Sou uma grande anormal, mas tenho andado cansada, estou sem pachorra para nada, o V. é um gentlement, nem me deixaria fazer uma coisa dessas. Eu armava o barraco, que armava,mas é como te digo, já não tenho nem idade, nem estatuto social para isso.

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    2. Os homens, com essa cena de serem muito polidinhos, nem curtem a vida, o meu é a mesma coisa!

      Não pagava era nada e nem era preciso barraco nenhum.

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    3. Pois são todos iguais não Fi. O teu agora também é ciclista como o meu 'né'?

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    4. Pronto.
      Já me aborreceste.
      Não estou para isto!

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    5. Não, não somos todos iguais. Não admito que me peçam € 20 por esse prato ridículo. E não era preciso armar barraco. Basta usar firmeza, objectividade e mais uns pózinhos.

      Que restaurante mais ridículo. Que vá à falência.

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    6. Fi, não vás, não vás... olha.. foi-se.

      POC meu menino, saudadinhas pá. Pois que estava cheio, mas é uma valente merda.

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  2. Estive lá no sábado passado e também não gostei. No nosso caso a comida nem estava (muito) má, mas esqueceram-se do pedido, pura e simplesmente. Mais de 1h à espera por umas simples gambas com arroz de alho, sem sabor nenhum. No fim lá ofereceram as bebidas como desculpa para "a confusão com os pedidos"...

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    1. Os miúdos que andam a servir são uns garotos. Nem sabem bem o que lá andam a fazer. Uma valente porcaria. Nunca mais lá ponho os pés.

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  3. Logo ao 1º prato mandava para trás, levantava-me e vinha embora. Se todos fizessem assim eles mudavam de atitude.

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    1. Totalmente de acordo. Mas olha, estava faminta, dei o benefício da dúvida e lixei-me.

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  4. Já lá fui e não tenho má experiência. Nem demorou muito, mas fomos os primeiros clientes do restaurante, naquele dia. No entanto, T. voltou lá com a mãe para fazer um brilharete e levou foi um grande barrete e riscou-o da lista. Eu, sempre disponível para segundas hipóteses, desafiei-a duas vezes para irmos lá e levei sempre nega. Está visto o motivo, né?

    Fechou para mim...

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    1. Pois não vale a pena, no fim a rapariga ainda me disse: desculpe mas 'o gerente já nem mete cá os pés e estamos um bocadinho ao abandono'.
      E nós clientes também.

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  5. Essas "gambas à guilho" causam-me lágrimas. De tristeza mesmo. Não se faz isso a um prato de respeito.

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    1. Aquilo eram papas de camarão congelado, regado ao Knorr.

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    2. Podemos chamar as coisas pelos nomes e dizer Gambas Al Ajillo (gambas ao alho)?

      Já me dói o suficiente ver mal escrito nos restaurantes... Em blogs de gente culta faz-me ainda mais confusão! Desculpem a correcção...

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    3. Não sei se percebeu que o meti sempre entre aspas. Não fui eu que o escrevi, estava na ementa.

      Obrigada pela correção. Eu até lá ia, mas dá-me cá uma preguiça.

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    4. Ups... Bela oportunidade que perdi... Sorry...

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  6. Eu reclamava e ainda lá deixava a receita...

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  7. Já me aconteceu uma coisa do género e saí sem pagar. Quanto ao livro de reclamações...passo a vida a escrever nele.

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    1. Nunca escrevi num livro de reclamações. Simplesmente porque unca reclamei de um serviço.

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  8. É.. devem estar em crise na cozinha!
    Opá, dizias alguma coisa e vinhas almoçar aqui em casa, que na sexta fiz uma coisa «a despachar» camarões com massa e só o gosto do molho estava de morrer por mais. Sinceramente... até na cor tem mau aspeto.

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    1. Diz-me onde moras que vou logo que me convides!

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  9. Aldrabões não. Uns grandes ladrões!!!

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  10. «A escolha recaiu sobre um restaurante novo, de seu nome Kitchen by Monte Mar.»

    Nada tenho contra um restaurante
    que abre a porta
    enquanto milhentos fecham, sem que disso demos nota
    O desemprego e o empreendedorismo
    geram isso

    Mas duvido que tivesse entrado
    num com nome tão sofisticado

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  11. Foi efectuado o registo no respectivo livro de reclamações?
    Vi "reclamei", mas entendi se foi apenas oralmente.
    Armar barraco nunca é solução para nenhuma das partes, apenas perda de energias. É o meu entendimento. O que pode ter algum efeito é accionar os meios legais.

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    1. Não foi Isabel. Reclamei oralmente.
      Eu trabalho no Rule of Law, passo 8 a 12 horas por dia enfiada nos ´meios legais' e é bem como dizem: em casa de ferreiro, espeto de pau.

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  12. O mal deste país é as coisas não se resolverem na hora e virem-se fazer posts deste género. Nada contra! Aliás folgo muito em saber o feedback para nunca lá meter os pés, mas enquanto isto não for escrito num livro de reclamações e oficializado, vale zero. O mal dos portugueses é que gostam muito de reclamar na internet mas tomar as medidas correctas dá imenso trabalho...

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    1. Bem vistas as coisas, o mal deste país são as pessoas como eu.

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    2. Desculpa a agressividade Uva mas realmente é preciso tomar medidas. Não é necessário ser rude nem mal educado, eu penso que nunca o fui e já conto com algumas inscrições em alguns livros de reclamações. Mas é necessário explicar o problema (geralmente quando se pede o livro de reclamações, aparece logo o gerente a correr) e oficializar a queixa porque infelizmente não somos uma sociedade civilizada e só uma queixa verbal não chega para mudar nada.

      Não sei o problema são pessoas como tu, eu diria que o problema são pessoas como os donos/gestores desses estabelecimentos.

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  13. Bem,...
    ...há alturas em que me sinto mesmo bem por preferir tascas com serradura no chão que servem petiscos de comer e chorar por mais e pseudo restaurantes/marisqueiras snob-chick que levam 20 paus por um pica-pau!

    Aqui há uns tempos, na Portugália do Colombo, pedi um bife mal passado. Trouxeram-me uma sola de sapato. Mandei de volta. à segunda trouxeram um médio!
    Foi então que eu perguntei "mas sabem o que é um bife mal passado?"
    À terceira foi de vez!
    Quando pago sinto-me no direito de ser bem servido. Se não o sou...
    ...existem livros de reclamações!

    :)

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    1. A Portugália do Colombo peca muito por ser uma porcaria. Também já não vou lá. Esta pensava que poderia ser melhor e afinal, era pior.
      Gosto de tascas mas é dificil comer marisco em tascas e eu entrei com os olhinhos na sapateira que afinal não havia.

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