10 de maio de 2016

Proposta para a substituição da estátua de D. Sebastião

A gaitada do nosso tempo não vê nada nem ninguém.
Assim mesmo é que é, sem medos, sem fronteiras, sem nada.
Só eu sei o que sofri por ter partido a janela do meu vizinho com uma pedrada certeira.
Armou-se em inclíto cavaleiro e foi dizer à minha mãe que me tinha visto com as botas novas da Bamby a patinhar nas poças da rua. Até parece que era ele que andava a pagar as minhas botas a prestações. Assim de repente fez-me lembrar o D. Manuel Clemente com aquela conversa mole de que o pais que têm os filhos no colégio também pagam as escolas públicas. Como se o meu vizinho fosse também ele responsável pelas botas que a minha mãe me comprou, só porque pagava impostos ao Estado para o Estado emitir as licenças de produção das botas Bamby.
Que grande palerma.
Acho muitíssimo bem que a juventude de hoje tenha uma atitude iconoclasta, de demérito perante ícones que abandonam os seus deveres. O dever do meu vizinho era o de fazer queixa à Junta de Freguesia sobre os buracos na rua, não o de fazer queixa à minha mãe, armado em palerma.
Foi tão bem metida a pedrada, como a queda da estátua.
Abaixo com os palermas. Abaixo com o betão.

Mas o que vinha aqui fazer, não era queixa do meu vizinho, que em última instância ficou uns meses sem a janela da sala - para não ser palerma - mas para propor uma alternativa artística para o síndroma de ninho vazio com que se debate atualmente o nicho da Estação de Comboio do Rossio, onde jazia morto e petrificado, o palerma do D. Sebastião.

Trabalho da dupla italiana:Antonello Serra Sara Renzetti

Duvi-de-ó-dó que houvesse algum palerma que se fosse agarrar a isto.

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Parvalhão, já viste? Os meus vizinhos passavam a vida a fazer queixinhas à minha mãe. Aquele foi longe demais porque por causa dele apanhei das boas. Pumba. Pedrada na janela. Nunca mais disse nada.

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    2. Ahahahahahahahah tão bom!!
      Terrorista ;)

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