8 de julho de 2014

Sei precisar exactamente o momento em que me tornei uma rural*

Foi hoje.
De manhã tinha um saco plástico transparente atado com um nó, em cima da minha secretária.
Lá dentro 6 "ovinhos das minhas galinhas".
Agora mesmo cai-me um e-mail na caixa de entrada, que diz: "Já nasceu o primeiro pombinho!!"
Áhhhhh, se vivesses no quintal da minha infância, eu dizia-te onde iria parar esse pombinho...
Ó se sabia!


*Inspirada nisto.

Help me! I´m arrasquinha!!!!

Tenho a casa cheia de gente.
Camas desfeitas por todo o lado, a casa a arder em febre, malas abertas no corredor, ténis e sandálias no hall de entrada, chulés na varanda, a mesa posta há 3 dias, sacos de plástico no caixote dos papeis, cheiros vagos e estranhos a sovacos estrangeiros, cinzeiros na janela, garrafas de cerveja no chão, cadeiras da sala emigradas na cozinha, 8 escovas de dentes em luta no meu copo, zombies pela manhã com as meias calçadas, encontros do 3º grau na casa de banho dos homens, o frigorífico cheio de chocolates e gomas do Haribo, massa esparguete de férias dentro de um tacho, assuntos turístico-tridimensionais resolvidos no horário de expediente conjuntamente com os assuntos tridimensionais do próprio expediente, o telemóvel a apitar o dia inteiro, uma alemã cabeleireira a olhar fixamente para os cabelos pintados por uma secretária portuguesa, copos meio cheios, copos meio vazios, cascas de caracóis com a caca de fora, cinco línguas faladas ao mesmo tempo, braços pelo ar, a televisão na RTL, crianças que dormem com os tablets, acordam com os tablets, tomam banho com os tablets.
Estou estoirada!
Então não tinhas essa ideia peregrina de montar um hostel, e que havias de ter muito jeito, e ai que giro receber pessoas, e ai que giro várias culturas, e que simpática que tu és?
 
Uvinha, escuta bem o que esta loira te diz, quando te der uma grande vontadona de receber visitas, senta-te.
Pode ser que isso te passe.

7 de julho de 2014

Ai, ai, ai, o reboliço que práqui vai...

A cama para os alemães adultos, chegou hoje cedo.
Veio na nave espacial do meu pai, uma grande nave se quereís saber, que foi com ela que me desloquei ao meu casamento, e foi um grande casamento, ó se foi, e agora não sei o que é que me deu para estar sempre a falar do meu casamento, mas deve ser por causa da Jessica Rabitt, aquela que apareceu algures entre o 4º e 5º parágrafo do post anterior, aquele da invasão dos alemães, muito engraçado por sinal, tão engraçado que ninguém comentou, agarrados que estavam à barriga, de tanto rir,  e agora que vejo, acabei de utilizar dois números de seguida no meu blog, logo eu que não gosto nada de números, porque como toda a gente sabe, sou de letras.
Bom.
Como ia dizendo, que entretanto já me perdi e tenho que voltar a trás, coisa que não se pode fazer com os casamentos, e ela a dar-lhe com a farinha, e a burra a fugir, a cama insuflável que chegou hoje cedo, que ao meu marido já não lhe bastava uma insuflável, tinha de ter agora duas, raispartam os homens com a mania de soprar para onde não lhes diz respeito, vinha muito bem acondicionada, dentro de uma saquinho azul, que ao que me pareceu, isso ou a vizinha estava a fazer carapaus, emanava umas ondas de cheiro em sentido vertical, em direção ao teto falso, esse mesmo, que me dá nervos e vertigens, sempre que quero mudar o led.
A cama insuflável, que se parece muito com um barquinho de borracha, também deve dar para atravessar a minha Lagoa de um lado ao outro, pois haveria de ser como, se as lagoas não têm pontas? Pois a cama que é de encher ou de ´assoprar' como me disse o meu pai, fazendo um biquinho com a boca para exemplificar, muito parecido com o que as galinhas têm logo a seguir às patas de trás, enfim, lá fiquei com a incumbência de esticar a cama insuflável, essa mesmo que veio numa nave, e tive a certeza que vinha diretamente dessa travessia de que vos falei, porque me cheirava a peixe podre.
Mãe, onde é que estava a cama de insuflar?
Sei lá, pergunta ao teu pai. Ele é que andou de volta disso.
Pai, esta porcaria onde vou deitar as pessoas estrangeiras com oito filhos, estava onde? Isto cheira péssimamente a peixe.
Ò filha, tu achas que isso se nota? Os alemães nem sabem nada de peixe.

Pai, aterra.
Estaciona a nave.
Estamos no ano da graça de dois mil e catorze, e desde que a mulher do Adão se foi lavar no mar do paraíso, nunca mais lhe conseguiram tirar o cheiro a bacalhau....
Pois, és capaz de ter razão, nesse caso o melhor é meteres a cama na banheira, que em calhando eles também sabem alguma coisa disso, da pesca.


E eu, se tivesse ido à pesca em vez de ficar no beca beca com uma amiga que arranjou um namorado alemão, e que acabou comigo a dizer, sim, sim, venham, venham, não estava agora metida nesta caldeirada.
Mas eu sou assim, e tenho esta cabeça gigante...
de boga!

4 de julho de 2014

Falta muito pouco para a invasão.. dos alemães!

Estou cheia de medo.
Aliás, estou apavorada.
Ando feita barata tonta, há noites sem fim, pois em que horário poderia eu andar feita barata tonta, senão nas altas horas da noite, a escarafunchar  as gavetas dos lavores, que não vejo desde há nove anos a esta parte, altura em que disse para comigo mesma, que nunca iria usar uma fronha cujo bordado são flores de laranjeira, aliás, uma coisa pecaminosa, quando toda a gente sabe que as flores de laranjeira no meu casamento, só serviram para disfarçar o bafo do vinho...
Ela, a que armou esta brincadeira toda, e vai ser tão giro, e há tanto tempo que não te vejo, já vistes que engraçado, passados quinze anos, a alegria que vai ser, então ok, combinadíssimos para julho, que tenho a pequena no Alentejo, e vens com quem, já arranjaste um namorado novo, sim, sim, vais adorá-lo, ok, isto faz-se com uma perna às costas, eles na sala, nós no quarto, e ai que bom, então chegamos os oito, no dia seis.
Quais oito?? Mas não eram só dois? Tu e ele, ele o namorado alemão e tu sozinha? Mas que raio se passou em quinze anos? Da última vez que nos encontrámos eras uma amiba unicelular e agora és um polvo gigante? Andaste metida em Chernobil, miúda? 
A vossa imaginação é igualzinha à minha, e diz-me que blogues andas a ler eeee ... bom, assim que se fala em polvo, e eu bem sei do que falo, foge-Nos logo a imaginação para a saladinha miudinha, num pratinho pequenino e dois garfinhos de roda... pois não,  o polvo que vai abancar quinze dias na minha casa, dá para fazer o maior tacho de arroz que alguma vez alguém comeu, mas que eu vou comer, ó se vou.
São enormes.
Ele, o marido dela, deve ter uns três metros de altura. Só os sapatos ocupam, penso eu que ainda não lhe vi os pés assim a olho nu, o meu hall de entrada desde a porta da sala, até à porta da rua, e são mais de 3 metros.
Os filhos dele, três ou quatro ou cinco ou seis, sei lá eu, imensos, ainda não chegaram à pré-adolescência e já medem todos juntos, para cima de oitenta metros, isto se os colocar em pirâmide, que é aliás como penso pô-los a dormir, na varanda, que de outra maneira, não estou a ver em que colchão conseguem descansar pelos menos a parte das costas.
E ela, a que me armou esta confusão radical, uma morena dengosa, que anda assim de lado,igualzinha à Jessica Rabbit, como se tivesse um problema nas costas, que se vai passarinhar com aqueles cabelos todos pela minha casa, mais as pernas e o resto a fazer pandant?
Vou tapá-la com que lençol?
Estou em transe. Não queria nada dizer aqui em público as limitações do meu loft com mezanine, mas acreditem que se não ando há mais de duas semanas a correr atrás de colchões, fronhas, lençois, camas de encher, e coisas dessas que as pessoas precisam para dormir, não é nada.
E de manhã? E as toalhas de banho, e pratos para esta gente toda, e cadeiras, e comida para os oito gigantes, e salsichas? Digam-me, onde é que eu meto as salsichas?
 
E se eu me puser no aeroporto de cu para o ar, numa nítida manifestação de inferioridade?
Será que eles pensam que ganharam a guerra, e escusam-se de vir fazer a luta das almofadas para a minha casa?
 
 
 
Estas pessoas da fotografia, a quem cortei propositamente as pernas, não fazem jus à realidade, pois como se pode ver, as crianças nas fotografias são todas uns anjinhos... não é? 

3 de julho de 2014

Sunset party´s? Tá limpoooooooooooo

Por falar em macacas... mas quem é que falou em macacas, áh espera, foi o Expresso (secção narcóticos), parece que o LIDL, anda a vender quartas de branca, ao preço da banana mijona.
Têm a tasca cheia até à testa.
Fui lá ver se me calhava uma ou outra bananinha, que tenho aí um convite para uma suset party muito interessante, e já nem consegui passar do estacionamento...

 

Áhhhhh a minha infância...

Para quem não sabe, e é bem possível que ninguém saiba, pelo menos ninguém me tem perguntado nada, é que eu tenho histórias muito interessantes para contar sobre a minha infância, e se não desistirem já, que eu bem sei da vossa preguiça para ler posts com mais de 5 linhas, sem bonecos, vão poder testemunhar com os vosso próprios olhos, pois haveria de ser com os olhos de quem, se os meus não vêm quase nada, a dura vida de uma criança, do subúrbio lisboeta.
Então é assim:
Eu, na minha doce infância coabitava com ratazanas.
É. Mas tenham lá calma.
Elas coabitavam comigo, mas tínhamos territórios distintos.
Eu não comia os pombos que elas devoravam à noitinha nos assaltos que faziam ao pombal da minha avó, e elas não comiam os bichos de contas que eu devorava logo que os apanhasse enroladinhos num buraquinho qualquer do quintal.
A familia de ratazanas, uma trupe da pior espécie, tinham mais força que um cavalo, e apesar dos sacrifícios para lhes impedir a saída pelo ralo, (situado no quintal da minha avó, logo ao lado do meu), e onde vinham a desaparecer coisas tão distintas como berlindes, abafadores, alianças de casamento, pedaços do meu pequeno almoço, folhas do caderno de matemática, pedaços do meu almoço, cabeças de bonecas carecas, olhos de peluches e pedaços do meu jantar - creio até, que foi isso que as alimentou anos sem fim - conseguiam levantar a tampa de ferro redonda, e sair para apanhar ar, para comer os pombos, os pneus da minha bicicleta, os cabos das vassouras e alguns pássaros que por ali debicavam as pontas de cigarros que os vizinhos insistiam em oferecer.
Acontece que o quintal da minha avó, e o ralo, começaram a ser pequenos demais para toda uma família de roedores gigantes. Isto sou eu a pensar.
Vai daí, numa certa noite de verão, repastava-se a minha família com uma salada de tomate com atum e tiras de bacalhau salgado, coisa fina naquele tempo, e de grande valor nutricional, uma rata magana sem vergonha, vendo a porta do meu quintal entreaberta, decidiu verificar se a casinha de duas assoalhadas com alcatifa (e televisão a duas cores), era mais confortável do que o ralo da minha avó ou talvez porque lhe apetecesse mudar a ementa, não sei, que disso da alimentação das ratas fiquei um pouco confusa, ou então, e parecendo que não, os pombos acabam por ter um sabor desenxabido....
A minha mãe míope, entretida que estava na risota, nada viu (como sempre) e o meu pai, que só a via a ela, a risada dela e os respetivos fundos de garrafa dela, nada percebeu, e eu, que adorava bacalhau salgado mas naquele dia não tinha lá muita fome, encontrava-me sentada no pial do fogão, a roer as unhas dos pés, como era meu apanágio na minha doce infância, quando dei conta da rata magana a tentar esfocinhar a porta com aquele focinho adorável cheio de bigodes pretos, que me pareciam eletrificados, ou então era dos meus olhos, já nessa altura a carecer de cuidados médicos.
Mãaaeee? Está ali a ratazana da avó!!
Taaaruzz!!
Eu não te disse já, para não chamares ratazana à tua avó?  

É.
Na minha doce infância eu coabitava com ratazanas, e sinceramente não sei de onde é que a minha mãe foi tirar aquela ideia...



* Familia de ratazanas do suburbio lisboeta.
Quem as visse, não as levava presas...

2 de julho de 2014

Ia fondo, mas não sendo.


Xisga-te!!

 
Metias a cabeça de lado e ficavas sem ela...

 
Cruzes canhoto!!
 
 

Não mostres...

... o teu peito a ninguém, pois há muito mais quem te queira mal, do que quem te queira bem.

1 de julho de 2014

Publicidade no blog da Uva Passa?

Queridos publicitários em geral, e malta que vende coisas às pessoas dos blogs, em particular:

São horas de vos receber no portaló da minha pequena cesta de frutas.
Vocês têm sido de uma constância pouco constante, e  pouco ávidos a visitá-la, que é agora preciso que me liberte do medo de parecer ufana desta minha obra que é a cesta, e venha delicadamente cumprimenta-los, uma vez ao menos, mesmo que me pareça que não tendes vindo cá nunca.
Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grata e correta.
Se antes deixava a portinhola no trinco e um buraco na porta para os gatos, agora estou em querer que tenho aqui sumo suficiente para vos dar a beber, e resolvi, muito embora contrariada com o meu ego de pobre, abrir esta porta de par em par, para que venham sem medos, porque se há coisa que a dona da cesta gosta, é de consumir maravilhosos produtos, desses que tendes para oferecer.
Entrai.
Vinde ver a desgraça alheia, essa que escondi com pudor, e de cujo pendor não me orgulho, de gostar de pintar os cabelos com água oxigenada. Não tendes por vossas ilustres casas uma tinta que se pegue ao cabelo sem que caia pela raiz? E que dizeis se vos apresentar, tantas dessas, que como eu, perdem cabelos como respiram?
E cremes? Desses que fazem as feias bonitas, as velhas novas e as cabras princesas? 
Não se acanhem se não vos trago no regaço um batalhão de ilustres leitores assíduos, mas a verdade é que todos os que aqui se achegam, prevendo que a cesta não tem mais do que três ou quatro azeitonas pisadas, se vão, pois que outra razão poderão ter para ficar se nada tenho para lhes oferecer, além de letras velhas e frases murchas?
Carece pois, esta cesta básica, de produtos vários, produtos maravilhosos, belas maçãs e frescas uvas, para que  ilustres leitores fiquem e se sentem, e depois, com a barriguinha cheia, e doces memórias, voltem, porque sozinhos não são capazes de distinguir se uma uva passa é ou não melhor do que uma chouriça de Alpalhão.
Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grata e correta, para ilustres leitores.


Queridos publicitários em geral, e malta que vende coisas às pessoas dos blogs, em particular:
Entrai.
Vinde sem pejo e sem dolo, pois que mesmo que não se venda nada à clientela careca carente, sempre podem rir e conversar sobre técnicas ancestrais de fazer humor negócios.
Esta cesta pequenina, que parafraseando Torga e outros andantes, é um nicho de grande qualidade.
Trazei medronho de Monchique, e prometo-vos que não se vão arrepender.



Até onde nos levará a liberdade de expressão?

Ontem, cumprindo os rituais de segunda feira, que incluíram chegar cansada do trabalho, como se fosse meio da semana,  (absolutamente convencida que alguém, por qualquer sinistra distração, me tinha colocado dentro de uma máquina de lavar, juntamente com a roupa branca),  abri a porta de casa, já a gata que trazia pelo rabo vinha caminhando sozinha, e atirei-me para cima de uma cadeira da cozinha, ainda com a mala a tiracolo.
Deveria, ao invés de ficar com os olhos presos numa luz fosforescente, com pena de mim própria, deitar-me na cama e dormir.
Mas não.
Fui-me pespegar em frente ao computador, como se não tivesse lá estado já o dia inteiro.
Abri em primeiro lugar, e fiz mal, o Público.
Como é óbvio, eu também sei que o André Bessa, filho da jornalista Judite de Sousa, faleceu, e que a mãe sofre, desmesuradamente e infinitamente, a morte daquele filho.
Também sou mãe. Também sou filha.
Mas o que eu não achei óbvio, nem sequer aceitável, nos colegas de profissão da mãe enlutada, que lá do fundo buraco negro onde se encontra, ainda teve a capacidade de lhes dirigir um pedido de recato para os tempos do futuro, logo às primeiras horas da morte do seu único filho, (elevando-os assim ao máximo da importância, no atualíssimo drama nacional), foi a atitude indecente e de brutal aproveitamento, desses que se dizem jornalistas, colegas. 
Mas os jornalistas, pertencem já a uma 5ª dimensão, e com a mão no peito e punho fechado, calcando sem pejo a dor dos que sofrem, tinindo de soberba agora que se acha findo o monopólio da opinião, cumprem o pesado dever de divulgar e dar a conhecer no seu jornal online, o filme do velório do rapaz.
Enterrei-me na cadeira do escritório.
A minha cabeça rodopiou na força da corda.
Os jornalistas estão virados do avesso com os olhos de fora, esganados, digo-vos eu, escrutinando a dor, a morte, o acidente, o drama, a infelicidade, como hienas que se riem enquanto comem o sangue putrefacto dos animais 'seus amigos'.
Numa frase absurda, pude ler que tudo não passa de aproveitamento da própria mãe para fazer subir as audiências do canal, agora que o Mundial acabou (para nós) e descem as audiências.
Onde estão com a cabeça?
Onde os levará a liberdade de expressão?
Onde querem chegar?
 
Ontem, cumprindo os rituais de segunda feira, que incluíram chegar cansada do trabalho, como se fosse meio da semana, fiquei absolutamente convencida que alguém, por qualquer sinistra distração, me tinha colocado dentro de uma máquina de lavar a roupa, juntamente com qualquer roupa negra.
Como a noite.