21 de novembro de 2014

Por falar em árvores...

Estou tão desolada que nem sei muito bem como é que hei-de trocar isto por miúdos.
Advirto que a maioria dos leitores vai achar este post uma tremenda estupidez, e que só uma Uva muito delirante é que pode vir ocupar um espaço tão sério e tão formal como este blog, para falar de coisas que a maioria das pessoas com certeza nem reparou.
Estive ausente por coisas cá da minha vida de mãe, e quando volto, capaz de recomeçar em grande, depois de dois dias inteirinhos numa fona inimaginável, deparo-me com a bloga em chamas.  
Árvores. 
Árvores de Natal, meu Deus, e desculpem-me esta minha horrível  e purolenta característica, mas se há coisa que não me seduz, são as árvores de Natal e tudo o que a elas diz respeito. 
E mais, sou capaz de jurar com a mão no peito e os olhos perdidos numa qualquer bandeira, perante toda uma plateia, que adoro a reunião familiar, o bacalhau e as filhós, e até me divirto com aquele desperdício demente que se faz com os presentes, mas as crianças, e porque não os adultos, serão para mim sempre merecedores de uma lembrança sentida, de alguém que acredita nesse 'tipo' de espírito natalício, vá, mais consumista, mesmo que seja por vezes (ou quase sempre) uma obrigação e um frete.
Mas, contrariamente ao que (não) sinto pelas árvores de Natal, sinto em decuplicado pelas árvores em geral, e foi isso que me fez escrever hoje este texto.
Isto anda a consumir-me porque não vejo ninguém a falar do tema (!?), que apelido de 'a maior praga que alguma vez assolou o território nacional'. A verdade é que estou desolada e ontem fartei-me de chorar.
Passo a explicar.
Eu tenho uma grande pancada por árvores. É amor.
Não sei se foi por ter passado uma grande parte da minha vida entre pinheiros e eucaliptos, se foi por ter na minha lembrança e nas melhores memórias da minha vida, as neverending trips entre Lisboa e o meu Alentejo, as árvores que ladeavam o caminho, tão mas tão bonitas, que é certo que choro só de me lembrar de as ver passar, na janela do meu carro.
Na minha vila do subúrbio, uma praga de monstruosas lagartas (que depois se transformam em escaravelhos voadores, nojentos) está a matar todas as palmeiras. Aliás, já nenhuma se encontra de pé. 
E é uma dor imensa. Todas as palmeiras que demoraram anos e anos para se porem majestosas, algumas lindas de morrer (passo a piadola), e a grande maioria um grande orgulho para todos, caramba, tudo morto.
Esta praga (Rhynchophorus ferrugineus Olivier - Escaravelho das Palmeiras), pensava eu que andava só por ali pela minha Vila e pelas cidades ali próximas, mas qual quê!
Chegou-me à Casa dos Pinheiros.
E matou-me as minhas palmeiras. 
As palmeiras que o meu avô plantou há anos sem fim.
Desculpem lá, mas isto atingiu-me com uma tal força, que ainda não estou recuperada.

Mas há alguém que ponha a mão nisto?
Vão deixar morrer todas as palmeiras?
Levamos 20 ou 30 anos para as vermos maravilhosas e vamos deixá-las morrer porque não alertámos a população convenientemente?
Isto meus amigos, é CRIME!

10 comentários:

  1. Sim, sabendo da existencia da maldita lagarta ja deviam ter tomado providencias

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    1. Há anos, pelo que fui ler agora, há anos que sabem disto e deixaram chegar a este ponto... miseráveis.

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  2. Isto é caso para dizer que literalmente o “bicho vai pegar”, porque alguém resolveu adormecer na formatura

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    1. Hibernaram, e ainda ninguém os acordou, vai para mais 40 anos.

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  3. Espero bem que travem essa praga o quanto antes, Mamãe tem uma gigante no jardim onde vivem milhares de passaritos todas as primaveras e verões, seria uma pena ser atacada...

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  4. Uma Uva Acertadinha
    É uma miúda Fixe
    Protege a arvorezinha
    É fã do Ideiafix.

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    1. Não sou fã do ideiafix mas sou de ideias fixas...

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  5. O tratamento da referida árvore custa cerca de 400/500 euros, mas nem sempre é eficaz. O corte de uma palmeira afectada custa cerca de 1500 euros (é fazer as contas...). Há depois a falta de informação. Vá pela rua e pergunte a quem quiser se já ouviu falar no referido escaravelho... Ninguém sabe, nem tão pouco quer saber. Não adianta eu tratar ou prevenir a minha palmeira se o meu vizinho não o fizer. O estado não tem dinheiro para tratar as palmeiras do domínio publico e quando tem dava jeito que os particulares da vizinhança também fizessem o tratamento para que o ataque à praga fosse eficaz e concertado. Pois... Dentro de 5, 10 anos no máximo se quisermos ver palmeiras, ou vamos aos trópicos ou compramos postais, porque a praga te-las-à exterminado a todas. Falo da praga com as pessoas que conheço e está-se tudo a cagar... É o país que temos. Só tenho uma curiosidade. Sendo que o bicharoco gosta essencialmente de uma espécie de palmeira (Phoenix canariensis), o que fará quando estas acabarem?

    Saudações de um Engenheiro Florestal

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    1. Caro Bruno Santos! É uma lufada de ar fresco, caramba!
      Ninguem sabe e os que sabem parecem não se importar minimamente.
      Mete-me dó ver as árvores totalmente podres. No meu quintal tinha duas coisa lindas, sabe, plantadas pelo meu avô. Aquilo era a menina dos nossos olhos... foram-se as duas. Nem sabíamos que aquilo tinha chegado ali. Veja, a nossa casa é na Lagoa de Albufeira.. o que via acontecer era aqui na cidade de Lisboa e nunca, nunca pensei que aquilo fosse assim tão grave, e olhe que eu sou viciada em informação, vejo tudo, leio tudo e nada...
      Mas como é que os bichos foram lá parar?
      Quando demos conta (que aquilo comeu-nos a árvore por dentro) já estava tudo podre.
      No final, talvez transmutem e ataquem outras espécies.
      É o que eu acho.
      Se não tomarem devidas providências, vai ser absolutamente terrivel.

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    2. "Mas como é que foram lá parar", diz. Vá com atenção à paisagem quando segue de Lisboa para a Lagoa de Albufeira. Dificilmente se faz mais de 1 Km sem se ver palmeiras. Ora o bicho consegue voar até 7 km, portanto... Depois há um misto de ignorância, incúria e falta de dinheiro que fazem (não fazem...)o resto. Por experiência própria o pessoal de jardinagem das Câmaras é de uma falta de preparação total. Onde moro (Belas), lembraram-se de podar 2 palmeiras aparentemente saudáveis em Setembro. Resultado, palmeiras com feridas a exalar feromónas e passados uns dias, eu que nunca tinha por aqui visto os bicharocos, todos os dias os via a passear pelas árvores recém podadas. Áinda parecem saudáveis, mas eu já lhes dei a extrema unção... A esperança está na investigação. Parece que há fungos, nemátodos e até falcões peneireiros que nos poderão ajudar. Esperemos é que já não seja tarde.

      Bem haja.

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