8 de abril de 2015

Aos que viajam e se dizem mais sábios, duas palavrinhas.

O saber comparado, aquele que muitos atribuem aos viajantes, aos que se deslocam fisicamente para outros locais, quanto mais longe melhor, mesmo que seja um hotel perdido e aborrecido nas Caraíbas, onde só existem Gin e baratas voadoras, é algo que busco incessantemente adquirir - apesar de não concordar nada com a teoria acima descrita - por saber que é de facto na comparação que se descobre o erro e que adquirir saberes e sabedoria se pode perfeitamente igualar, e até ultrapassar, por quem nunca viajou, ao imensamente viajado. Há por isso uma forma de viajar no saber, comparando-o apenas com a intelectualidade de outros, sem necessidade de grandes viagens físicas, porquanto ainda é possível através dos sentidos, mormente da visão, ler e apreender, desformatar ideias, arquétipos, pré-conceitos, traumas e soberbas, que vimos colecionando através do nosso consentido e incomparável comodismo.
Sou pouco viajada e no entanto viajo muito. 
Costumo perguntar aos amigos que viajam, quantos livros compraram. Quase nunca compram livros, essa agora, sair para visitar um país e regressar com a mala atravancada em papel. Trazem antes as memórias e as selfies, que mais precisam de trazer de uma viagem?
Pergunto eu, que quase nunca viajo, franzindo o cenho aos senhores das teorias, decerto muito viajados, tentando (em bom português do Brasil), tirar sarro do pobre, que saber é esse dos viajantes, que comparado ao outro saber, ao meu por exemplo, dos livros e da globalização, se agiganta ou se denota mais, perante a minha atestada e consentida saloiice de moça queda e segura em terra?
Quantos são? São mais que nós? Não sabem, viajar não serve para contar locals. Vivem de quê, plantam batatas, exportam tomate? Não sabem, viajar serve para comer e descansar, não serve para andar de volta da agricultura e do mapa de exportações.
Mas tu não sabes, dir-me-iam perdidos no 4ª parágrafo da teoria que vem dizer que quem viaja volta mais esperto, 'nunca provaste um soberbo caril na Índia, ou o mais saboroso caranguejo em Moçambique'. E eu talvez retorquísse que sim, que nunca fui à Índia mas que já provei o melhor caril de caranguejo de que há notícia neste mundo. O tal viajante que comeu caril na Índia sabe mais de caril que eu? Dificilmente. Sei tudo sobre caril. Não é a mesma coisa, diz-me. Pois não. Rio-me da parvoíce que acabo de escrever, e continuo na minha.
Não considero maior o saber de quem viaja, digo eu da minha experiência, do que aquele que nos é trazido por outras formas.
A pessoa que viaja, quero eu dizer, não é obrigatoriamente mais sábia, mais intelectual, mais inteligente só porque se transporta.
Em suma, não entendo a teoria. Passemos à prática.
Lembrei-me de falar disto porque sem tirar os olhos de um bocadinho de prosa, lida de perna traçada na varanda da minha casa, aqui perto de Lisboa, viajei nas minhas reminiscências e comparei o meu saber, o meu dogma, e a minha ignorância, sem sentir necessidade de deslocações.

Perguntava então a nossa Anabela Mota Ribeiro numa das suas belíssimas entrevistas - e desculpem-me esta minha insistência (e interesse) nas narrativas que as pessoas fazem de si próprias e das suas vidas através das entrevistas - ao psiquiatra José Gameiro, especialista em terapia de casal vai para mais de 30 anos fora de Portugal, se as vivências familiares, o mau exemplo da relação dos pais e a história com/e na nossa família de origem, dita de alguma forma o modelo apreendido e o faz reproduzir-se.
E ele responde assim, de forma tão imensamente controversa às minhas mais profundas crenças, que versam que a família tudo dita na construção social futura:

Sou um filho de pais separados. A relação conjugal que vi foi sempre de tensão e conflito. No entanto, o meu modelo de relação conjugal não é de modo nenhum esse. Vivo muito mal numa relação conjugal conflitual. Não tenho dúvidas de que a história pessoal influencia, mas com a idade e a experiência clínica acho cada vez mais que as pessoas se podem libertar da sua história passada.

Viajei. Comparei um saber e saí mais sábia.
Nem sequer fui longe.
Se tivesse ido a cem países talvez não me encontrasse com José Gameiro.
 

34 comentários:

  1. Onde é que eu carrego para fazer um like?

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  2. Já cá volto. Tem tempo para discutir o tema comigo?

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    1. Olá caro Pipoco. Volte sim, e sente-se, ponha-se à vontade.
      Café, chá ou laranjada?

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    2. "Café, chá ou laranjada"? Ah, afinal já viajaste.
      Bom texto.

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    3. Viajei pouco mas viajei. De resto viajo muitíssimo. E é com cada viagem que nem te conto.

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  3. Adoro viajar (de ambas as formas :)). Gostava de poder viajar mais, mas não me posso queixar.
    Não considero, de forma alguma, que seja mais intelectual pq já fiz algumas viagens. Mas sinto sp que venho um bocadinho mais rica (culturalmente falando), de cada vez que regresso :)

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    1. Concordo, mas se fosses naturalmente pouco sábia, ou curiosa, de nada te serviriam as viagens.

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  4. O problema, Uva Passa, é que há aqui várias coisas com que não concordo, a começar pelo título (quem se diz mais sábio nunca é mais sábio, que tenha viajado muito ou pouco).

    Depois, viajar não é ficar uma semana nesses hotéis de "tudo incluído". Isso é outra coisa.

    Finalmente, viajar vira-nos mesmo do avesso. Aprendemos mesmo sobre os outros e sobre nós. E sim, torna-nos mas sábios do que quando partimos, o que é diferente de nos tornar mais sábios que os que não partiram.

    (eu gosto de comprar livros que me falem sobre o que estou a ver)

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    1. O problema Pipoco, é que há uma soberba instituída. É lei. Eu sei de leis, e essa lei de quem viaja ser mais sábio não me convence.
      Já viajei, fui longe, regressei diferente, porque mais cheia de experiências, mais cheia de novidades, mas não mais sábia no sentido de mais sabedora.
      Não estou virada do avesso por ter ido a Paris ver o Louvre. Conhecia o Louvre do avesso antes de ter lá ido. Sou uma miúda de contrários.
      Vejamos Verne.
      Sabe, Verne, o tal das "Cinco Semanas em um Balão", "Viagem ao Centro da Terra" , "Da Terra à Lua", "Vinte Mil Léguas Submarinas" e "A Volta ao Mundo em 80 Dias" nunca saiu do seu país além de fugazes viagens aqui e ali. Deu a volta ao mundo nos seus livros, nunca saindo do mesmo lugar. Era um sábio. Era na verdade um génio.
      Viajar é talvez o que de melhor se leva desta vida. Não quero é dizer que quem viaja se torna mais sábio. Conheço muitos jumentos que passam a vida em aviões que por mais que viajem não passam de jumentos.
      A sabedoria caro Pipoco não se aprende nas viagens, aprende-se nos livros.
      Posso até dizer que a sabedoria se aprende nos livros que escrevem os que viajam. Posso até dizer que os viajantes são semente, mas Pessoa, que nunca viajou além dos seus pensamentos, sabia mais, muito mais, do saber, do que alguma vez o maior viajante, que se arrasta em aeroportos na ânsia só de ir.
      A sabedoria de que falo é outra.

      (O que quis no fundo foi dizer é que não se considerem superiores os que viajam em detrimento dos que não viajam. Obviamente que se fizermos a comparação, ganha o que viaja, mas pouco, ou nada, se considerarmos que um Homem pode superar-se sem sequer sair da sua casa.)

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    2. Uva Passa, faz mesmo diferença estar diante de Guernica, faz mesmo diferença escalar nos Alpes, faz mesmo diferença nadar no Índico. Se isso nos faz mais sábios do que aqueles que conhecem Guernica das gravuras? Talvez não, Se voltamos mais sábios do que quando partimos? Certamente.

      ( e acredito que não sair de casa não é grande superação)

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    3. Diz o viajante ao nu, porque não viajas tu.
      Faz diferença mas não faz A diferença.
      O tal de guitarrista melhor do mundo, não saiu de casa até aprender a tocar, autoditaticamente, a melhor guitarrada de sempre.
      Superou tudo e todos.
      Não saiu de casa.
      Era um anormal? Não, era um sedentário.

      Faz diferença, claro que faz, viajar é conhecer, caramba, viajar é ver, é sentir, é evoluir, é superar, é aprender.
      Mas viajar não confina em si todo o saber.
      É aí que quero chegar.
      Não atribuo maior saber a quem viaja só porque viaja.
      Olhar Guernica de frente é o mesmo que ver a Mona Lisa ali na parede cheia de chineses à volta. A pessoa fica absolutamente na mesma.
      Escalar os Alpes, talvez nos torne mais sábios, sobretudo se tivermos percalços com ossos e isso. Ensina-nos a não voltar lá. Isso já eu sei, que nunca lá fui. Saberia que iria partir uma perna e ter muito frio. Ahhh e a experiência de partir uma perna nos Alpes? Pois. Não sei nada disso. Sou ignorante, mas não sou menos sábia.

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  5. Eu compro livros. Nem que seja um livro baratinho e levezinho, mas compro. Ou então uma agenda. Ou então guias das cidades nas línguas da casa ou numa que eu entenda, quase nunca em Português - acho que nunca mesmo, a não ser cá. Manias.

    Quando viajo, não me sinto sábia, sinto-me uma mistura de «o meu reino pela minha cama» e «vamos a elas, rapaziada». Pelo menos sentia, que ando a viajar quase nada.

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    1. Vou várias vezes a Lisboa, viajo Calçada Carriche acima todo o santo dia. Os lisboetas são diferentes dos saloios.
      Não aprendo nada por lá ir, se não me esforçar por saber.
      A minha biza que nunca foi a Lisboa, era a mulher mais sábia da minha família.

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    2. Acho que a sabedoria adquirida nas viagens se manifesta mais tarde e, talvez, sem se prestar grande atenção. São coisas que saem no que se diz, no que se faz. Digo eu, que às vezes tenho a sabedoria de um guloso em frente a um prato de bolos. (:

      A tua bisa não ia a Lisboa mas viajava bastante no universo da natureza humana.

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  6. Querida Uva Passa,
    Conheci, vai para trinta anos, um dos meus melhores amigos. Filósofo e sábio, dizia que não entendia o meu gosto pelas viagens. Pois se podia apreciar a Mona Lisa num livro, no sossego de sua casa, porque haveria de a procurar entre hordas de turistas? Também não gostava de concertos, preferindo o conforto do sofá e a qualidade das gravações à confusão dos espetáculos.
    Depois começou a viajar.
    Talvez a pedra de toque esteja na diferença entre viajar e "fazer férias lá fora".
    Beijos,
    Outro Ente.

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    1. Não conheço vivalma que não tenha gosto pelas viagens. A Humanidade fez-se viajando, indo, avançando. Isso tornou-nos sábios. Depois, vieram as selfies e os livros de viagens. Vieram os jornais e as televisões. Somos sábios por natureza. Somos sábios, profundos sábios, profusamente sábios, alguns de nós sem sequer sabermos.
      Não sei se estou certa na minha conclusão, Pipoco acha que não, creio que a maioria concorda em discordar comigo, mas para mim a pedra de toque não é viajar para ser sábio. É ser sábio para saber viajar.
      Já disse, sou uma miúda de contrários.
      A maioria faz férias lá fora, nem sequer sabe o que é viajar.
      O LSD é grande sábio e anda só às voltas na cabeça.

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    2. O LSD é um potente alucinógeno, lá nisso tem razão.
      "Somos sábios por natureza"? Bela visão.
      Beijo,
      Outro Ente.

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  7. Há vários tipos de sábios. Os que viajam e os que não viajam à excepção de nos livros. Os que fazem as duas coisas.
    Há vários tipos de burros. Os que viajam e os que não viajam, nem nos livros.Os que não viajam de todo.

    Beijos, Uva. :)

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    1. Isso. Isso mesmo.
      Beijos minha querida Maria.

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  8. Acho que consigo entender o ponto de vista da Uva e até posso concordar na questão da soberba. Mas depois vou e concordo mais com a visão do Pipoco. O viajar de que fala a Uva, é o do alapar num resort e passar uns dias a ir à praia mesmo à frente do hotel! Esse é o viajar da selfie. Mas depois há "o" Viajar! Sozinho, por exemplo, ao encontro daquilo que somos. E para mim não há maior conhecimento que esse. O sair da zona de conforto, ir à descoberta, sem preconceitos, de outras formas de estar e de viver. O conhecimento que se "apreende" é diferente do que se "aprende" e não é necessariamente maior ou melhor. Mas é muito mais profundo e mais vasto. Não é só intelectual mas sensorial.
    Viajar sem deslocação geográfica, com LSD ou não, também não é para todos. Não é! É preciso predisposição, sensibilidade, criatividade, etc.. Os formatados não o sabem fazer. Mas vai sempre faltar-lhe a sensação.
    O saber dos livros, basta querer, adquirimo-lo em qualquer lado, não obstante da sua importância. Gosto muito de livros.
    Quem sabe um dia, se puder fazer todas as minhas viagens, escreva um pois conteúdo certamente não me faltará. Podem é faltar as palavras!

    Beijos viajantes :)

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    1. Olá magrinha! Quantos quilos já perdeste tu? ;)))
      Sim a tudo o que dizes, sim, sim, sim. Concordo mesmo que quem viaja fico mais rico, não porque viaja, mas talvez (usando o teu exemplo) se encontre sozinho. A viajem em si, o ir ali à Tailândia andar nos elefantes, o ir ali ao Brasil ver o mundial, ou a Barcelona arrancar um dente, é ir à descoberta. Mas isso também o podemos fazer meditando. Descobrimos imenso meditando.
      A sabedoria que falo é erudição. A cultura geral que também é sabedoria sai muito altaneira e de barriga cheia de uma grande viajem, aquilo que acho é que 'o homem muda', 'fez uma viagem e veio diferente', 'desde que esteve aqueles meses em Erasmus cresceu', isto para mim é natural, todos os dias crescemos, todos os dias aprendemos e amadurecemos e essas descobertas, esse crescimento, essa 'grande mudança' normalmente atribuída às viagens pode dar-se de qualquer modo, ou indo só ali ao Alentejo.
      Não me considero menos rica intelectualmente, menos feliz, menos sábia por não (ainda) dado a volta ao mundo.
      Talvez eu esteja errada e me esteja a comparar com viajantes da treta que para mim estão iguais ao que sempre foram. Talvez preciso de conversar com viajantes que retirem das viagens a verdadeira sabedoria que para mim tem o maior encanto: quem viaja tem mais histórias para contar. Aqui reside a única fraqueza entre quem viaja e que não viaja.
      Agora se as sabe contar ou escrever, isso são outros 500.

      Abraço magrinha.

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    2. Uvinha desculpa mas é-me importante fazer uma ressalva: a minha "dieta" é de Facebook! Qual magrinha, qual quê! Eu gosto munto munto de comidinha! :D

      Abraço redondinho!

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    3. Também ando nessa dieta. Um descanso.

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    4. Aqui discordo eu. O meu avô, fonte de inspiração a toda a gente que com ele se cruzou, "role-model" para mim e sábio na sua capacidade de viver, vivenciar, conversar, escutar, partilhar e mais uns quanto verbos que me escuso de listar, viajou muito. De barco, de avião, de comboio e a cavalo. Nunca leu um livro do princípio ao fim. Sabia escrever e contar, mas sem a eloquência e riqueza de síntaxe de muitos e muitas. Nunca teve um blogue. Nunca escreveu um livro. Mas sabia mais que muitos "bookworms" que vivem de teorias plagiadas de manuais e romances, e muito mais que "yuppies" que colecionam milhas aéreas. Portanto, o texto é bom sim senhora, apesar de não concordar nem discordar com tudo o que lá vem, reconheço-o como bom. Mas a relatividade, Uva, é mais que uma teoria do Albert. É algo que devemos sempre considerar quando tentamos analisar as partes como um todo.

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    5. 'O texto é bom sim senhora' gosto :)
      Mas...

      Concordo que tudo é relativo. Generalizar é mau, não é meu apanágio. Refuto veemente quem se tenta colocar acima do pobre coitado que não sai do lugar baseado apenas no facto de transportar o corpo para outros locais.

      O saber faz o sábio, neste ponto quem viaja mais presumivelmente saberá mais, de acordo com o meu querido Pés. Pois aqui uso eu a teoria do sábio Albert. Quem viaja mais não é naturalmente mais sábio só porque viaja mais.
      Um gajo como o Stephen Hawking, físico e cosmólogo, um dos mais consagrados cientistas da atualidade, doutor em cosmologia, professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge, um posto que foi ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage, nem da cadeira sai.
      Creio que a conversa tem pano para mangas, mas ainda assim não houve uma razão totalmente credível para que eu me convença que viajar torna os viajantes mais sábios que os não viajantes.
      Estou na fase do pode tornar ou não, mas quase sempre-não.
      Um abraço Pés!


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    6. "(...) neste ponto quem viaja mais presumivelmente saberá mais, de acordo com o meu querido Pés."

      Nada disso. Nem o disse, nem o escrevi. Aliás falei de "bookworms" com milhas de páginas lidas e de "yuppies" com milhas aéreas voadas exatamente no mesmo tom.

      A soberba que se apodera de quem viaja e que calca quem não viaja, é a mesma soberba que se apodera de quem lê e que calca quem não lê.

      Foi isso que quis dizer e disse.

      Pessoalmente não acho que os viajantes sejam necessariamente mais sábios que os não viajantes. Como também não acho que os que lêem sejam necessariamente mais sábios dos que não o fazem.

      A sabedoria é mais do que conhecimento. Seja ele conhecimento por viajar ou por livros. Sabedoria inclui capacidade de introspeção, senso comum, compreensão, capacidade analítica, para além dos já mencionados conhecimento e experência. E isso tudo não vem só de uma coisa, sejam eles livros ou cartões de embarque.

      Acho importante não confundir sabedoria com conhecimento.

      Abraço Uva.

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    7. Presumi, o que é um erro, quando falou do seu avô e disse que ele era um sábio e que viajou muito, que queria dizer isso mesmo. Desculpe a errada presunção. Estamos esclarecidos.

      Não me sinto nada calcada por não viajar. Posso viajar, já viajei, mas não sou papa milhas e sou até um bocadinho acomodada e fona. Já interiorizei.
      Calca-me muitíssimo mais quem não lê livros. Neste ponto sou ao contrário.

      Concordo totalmente com o último parágrafo. Resume muito o que disse no post inicial. Só viajar por viajar não traz sabedoria a mais a ninguém. É preciso muito mais coisas para se ser sábio.
      Belíssimas palavras.
      Outro abraço.

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  9. Uva, concordo plenamente contigo. Sim, existe essa ideia, essa relação entre viagens e mais sabedoria. Mas, também por muitos casos que conheço, a regra é mesmo, fazer "férias lá fora". Claro que, como em tudo, existem as excepções e a maioria dos que constituem as excepções, são aqueles que se fartam de viajar de todas as outras maneiras que mencionas e que continuam a viajar pela vida fora, destas duas maneiras, estes, acredito que aproveitam as viagens de outra forma e regressam a saber ainda mais, são os que se enquadram nesta frase que utilizaste numa resposta, "É ser sábio para saber viajar", aprecia-se muito mais uma coisa, quando já se tem algum conhecimento sobre ela, ou então será só mais uma coisa.
    Os que só viajam quando apanham o avião e vão para um sítio qualquer, muitas vezes só para dizer que também lá estiveram e são muito viajados, vêm de lá na mesma.

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    1. Olá Clau.
      Existe mesmo uma teoria da conspiração contra quem não viaja. Numa mesa de 10, 3 foram à China, dois ao Egipto. Os que viajaram falam com os outros que foram ao mesmo sítio para compararem o que viram e se viram a mesma coisa. Viste aquilo e ahhh foste lá, foste ali. Foram todos e eu que não fui a lado algum, fico a saber onde foram e já estou em pé de igualdade.
      Por oposição, tenho um amigo que viaja quase todos os meses para sítios diferentes, e às vezes anda cá e lá, cá e lá. Está um trapo. A vida dele é só jet lag, insónias, cansaços, nem ler consegue no avião, anda com a mala às costas, depois faz um cruzeiro para dormir uma semana. É espertíssimo de sábio, um homem culto, um ser maior? Não. Não dá uma para a caixa. Tenho pena dele e até já lhe perguntei se não antes partir uma perna para aterrar em casa.

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    2. E agora fiquei assim :DDDDDDDDD, com, "...não antes partir uma perna para aterrar em casa."

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  10. Uva, não ponhas as coisas assim.
    A todos sítios onde já fui fisicamente, já tinha ido em livro, em imagem, e em imaginação. Não é a mesma coisa, seguramente. Os olhos com que tu vês as coisas não são iguais aos dos que escreveram os livros ou tiraram as fotos, nãos são os mesmos da tua imaginação.....

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    1. Não é a mesma coisa não, nisso estamos de acordo, mas não é obrigatoriamente melhor ver ao vivo e a cores do que ver na televisão ou ler em livros.
      Eu tenho horror a alturas, era incapaz de subir ao último nível da Torre Eiffel, incapaz mesmo, e no entanto delicio-me com as paisagens fotografadas que os destemidos tiram lá de cima.
      Neste caso prefiro não ir, não vou, e gosto muito mais assim.
      O mesmo com o nadar com tubarões. Adoro-os de paixão, sei tudo deles, já ir para lá nadar nunquinha.

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