4 de dezembro de 2015

Da incerteza

Disseram-me no outro dia que um tal de Einstein era um burro de primeira apanha, mas afinal não o era em todas as áreas.
Este burro, mas não em todas as áreas, disse que era um erro grave substituir a vontade de olhar e pesquisar (vontade de aprender) pela obrigação e pelo sentido de dever, isto é, que os exames são prejudiciais e aprender não deve ser obrigação.
Disse ainda, este animal racional, burro mas não em todas as áreas, que até um predador animal pode ser privado da sua voracidade se lhes for exigido continuarem a comer quando não têm fome.
E o burro, era ele?



9 comentários:

  1. Está certo querida Uva. Está mesmo muito certo. Pela tua ordem de ideias, se capacidades / meios / origens / ou o que quer que seja diferentes deverão dar origem a avaliações e exigências diferentes, vamos então separar os meninos consoante o seu rendimento escolar e capacidade de apreensão de conteúdos.
    Começamos por pôr os NEE todos numa turma, assim como assim, perturbam a turma e só a atrasam.
    Os ciganos vão para turma, toda a gente sabe que só lá estão por causa do RSI, sempre será escusado ter meninos de 15 anos em turmas de 5º ano a atrasá-lo, muitas vezes a amedrontá-los.
    Por fim separamos os restantes putos, os normais, em Muito bons, médios e medíocres. As turmas dos muito bons farão o dobro dos projectos, assimilarão o dobro da matéria. E olha, nem me importo que faça, o dobro dos testes. Ou testes duplamente mais difíceis.
    Por mim encantada. Tenho a certeza de que as minhas crianças teriam o dobro do rendimento.
    Pode ser assim?

    (isso é demagogia pura, nem parece teu...)

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    1. Foi o Einstein que disse. A ordem de ideias não é minha. Do post a única coisa mesmo minha é o título: a incerteza.
      Obviamente que sabes que isto é impossível, que é demagógico, que é utópico, e explicas porquê. Mas era tão bom, Picante, mas tão bom, que as crianças não fossem para a escola só para serem formatadas e instigadas a serem todas iguais, livres para serem criativas, para gostarem de aprender.
      Não sou contra exames, mas acho que pensas que sim. Fiz exames a vida toda (fizemos) e a minha filha e os teus filhos continuam a fazer exames e farão exames a vida toda. Não há exames de final de ano na 4ª classe, mas a ML está hoje a fazer o exame de matemática e ontem fez o de português. Vê lá tu (ia dizer-te isso e aproveito agora) que vai mudar de escola, vamos aliás mudar todos de vida, uma verdadeira loucura aquilo que vamos fazer, só para a ML ir para uma escola mais exigente, com mais exames, mais disciplinas, mais rigor.
      Eu quero dizer-te que estou numa fase muito difícil da minha vida porque estou diariamente em luta contra mim própria, contra aquilo que eu considero que poderia ser o melhor para todos nós, e não consigo, porque o sistema é totalmente oposto ao sonho que fiz da vida.
      Eu não sou contra os exames, na generalidade acho-os bons preparadores, mas sou contra os TPC até à 3ª classe, sou contra a matéria imensa e desnecessária que enfiam na cabeça dos miúdos só para passar o tempo.
      Mas eu percebo o teu ponto de viste (li-te atentamente), e tens muita razão.
      Eu é que tenho ideias e ideais levados da breca, e são cada vez mais frequentes.
      Abraço.

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    2. O 'li-te atentamente referia-se' a este teu comentário e também ao teu belíssimo post do outro dia sobre esta temática.

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    3. Oh! Mas eu também tenho os meus ideais para a educação. E também concordo contigo, gostava de um ensino feito à medida, gostava de um mosto entre o método de ensino moderno e o tradicional, gostava que os programas fossem não só adequados à idade das crianças como também que não fossem além da cultura geral que todos deveríamos ter, deixando os detalhes excessivos para quem quer seguir a área. A minha filha, no 5º ano, sabe as propriedades todas das rochas, a sua cor, se são duras ou arenosas, a reacção que fazem aos ácidos ou não sei quê, em que região existe cada uma. No entanto é vem capaz de não saber que a nossa bancada da cozinha é de granito e que na casa de banho há mármore (sabe porque eu andei à procura de exemplos para lhe explicar). Estás a ver a estupidez da coisa?

      Ao contrário do que pensarás, eu também não sou pelos exames a qualquer custo, embora ache que faz falta um qualquer instrumento de aferição de desigualdades (depois convinha que as corrigissem). Apenas ,e irritou ver a maneira leviana como foi abordado o tema.

      E estou plenamente de acordo contigo, a principal função da escola deveria ser estimular a curiosidade e vontade de aprender, adaptada às necessidades do indivíduo, ainda que isso significasse uma menor inclusão (é inacreditável a mossa que dois ou três alunos de 16 anos fazem a uma turma de 5º ano, não é justo para os restantes 28 que, by the way, não deveriam ser mais de dezena e meia)

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    4. (a melhor das sortes para esta nova etapa, vai correr bem, tenho a certeza, Lisboa é linda)

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  2. Diz-se que o Einstein era autista, daí ser um génio numas áreas e noutras nem perto de burro estar... não sei se é verdade mas conto-te como é aqui em casa. Macaquito, tem muita dificuldade a matemática porque não consegue fazer pensamento abstracto, se lhe pedires que faça uma soma no papel, ele diz a resposta de cor porque a memorizou, se não sabe de cor é o cargo dos trabalhos. Perco horas da minha vida à procura de métodos, estratégias e afins para lhe explicar coisas básicas da matemática, passamos horas sentados a dois a fazer contas com bonecos, com legos, com jogos, com desenhos e ainda não consegui chegar lá, eu não consigo perceber como faz o raciocínio, porque ele faz um raciocínio diferente. Outro dia enquanto jogávamos um jogo no PC, acontece isto:
    Quantos animais ainda tenho de salvar? pergunta-me.
    Não sei, tens de salvar 16 ainda só salvaste 9.
    Então faltam 7, responde-me.
    Se lhe escreveres (16-9= ) no caderno, ele não consegue fazer a conta.
    Somos todos diferentes mas querem-nos todos formatados e isso só valerá para alguns. Certezas tenho poucas mas tenho esperança Uva!

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    1. Minha querida Be, é isso mesmo que eu defendo, mas tal como diz a Picante, julgo que era humanamente impossível. É a nossa selecção natural a funcionar.

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  3. Uva, já ouviste falar na escola da ponte?

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