1 de fevereiro de 2016

Da invasão

Já escrevi um longo texto, e vários comentários afins, aqui no blog e no local onde o publiquei originalmente, sobre a teia enorme e fortíssima que envolve cada vez mais (e com mais força) os miúdos ao sistema escolar.
É inevitável.
Os pais, seres amorfos no que diz respeito às exigências galopantes da escola, sem qualquer arbítrio para conseguir uma folga que seja na carga de trabalhos, regras e tarefas que o sistema impõe, desde tenra idade, aos seus filhos, debatem-se violentamente contra aquilo que eles próprios fizeram em crianças, e que foi tão bom, e que deixou tantas e tantas memórias positivas, como sejam a liberdade, a aventura, e a descoberta per si de uma vida onde o verde e o azul eram as cores dominantes.
As crianças de hoje são troféus numa mesa de amigos onde se joga o sucesso do casal.
Quem tem o melhor emprego, quem tem o filho mais inteligente, na melhor escola, ou quem sucumbe aos problemas da dislexia, da hiperatividade, da ritalina, e dos centros de estudos caríssimos, são as cartas que são posta em cima da mesa.
E é uma luta sem tréguas, um jogo perigoso e de regras esdrúxulas, cujo denominador comum é o medo.
E eu também vou a jogo.
A medo.

A minha filha não nasceu um génio, não tem tudo muito bom, tem aliás dificuldades várias, algumas de atenção, outras de preguiça, e engasga-se um pouco na leitura, e também é capaz de ficar vários minutos a olhar para uma conta de dividir de 2 ou 3 algarismos e no fim esquece-se que lá foi um, e sai-lhe aquilo tudo errado.
Mas isto não é errado. Isto é o certo. Errar conduz-nos à tentativa, e esta à perfeição.
A vida é feita de múltiplas escolhas que começam logo na infância.
Se escolhi subir a uma árvore de ramos finos, se calhar caí. Isto acontecia-me imensas vezes quando era criança, quando escolhia por mim própria subir à árvore, trepar ao muro. As decisões que tomava sozinha, só a mim me interessavam e só a mim me diziam respeito. A natureza das coisas só se alterava se acaso partisse algum pé e tivesse de aborrecer a minha mãe com mais essa chatice.
Já no que respeita à minha filha, sou eu que decido sempre por ela, porque me tornei numa mãe amorfa para me libertar da teia fortíssima do medo, do medo de ser responsável e responsabilizada por tudo o que lhe acontece.
Entendo que quanto menos liberdade der à minha filha, mais responsável sou por ela. Se tomar todas as decisões que deveriam ser dela, sou eu que lhe estou a viver a vida, sou eu que estou a invadi-la com a minha maturidade de adulta, num mundo de criança que deveria ser o dela, vivido por ela, decidido, também, porque não?, por ela.
E isto magoa-me muito.
A partir de certa altura comecei a perguntar-me se levar a vida da miúda de forma tão austera, sempre na linha, não seria roubá-la dela própria, privá-la da sua infância, e cheguei a uma espécie de fase em que tento fazer de outro jeito, de outra forma, como faria a minha mãe, talvez.

O meu primeiro exercício de libertação [do sistema] tomou forma este fim de semana.
Tinha no sábado um almoço demorado e uma inauguração com amigos, isto é, o sábado todo dedicado ao casal, embora partilhado pelas diversas crianças, no domingo de manhã o São Luíz para nós e para ela, e à tarde o Pet festival na FIL, igualmente para todos, mas mais para ela.
Dia 04, próxima 5ª feira, a ML tem teste de Português, e precisava estudar.
Depois de teorizar sobre isto, de escrever tantas vezes sobre isto, de afirmar e compreender a tremenda invasão do sistema escolar que teima em submeter a criança a mais dois dias de escola além da semana inteira na escola, constantemente, com TPC, testes e trabalhos de grupo, e dizia eu, depois de tudo isto, acreditam que estou aqui aflita a pensar que deveríamos ter ficado todos em casa a estudar sábado e domingo, como aliás fizeram todos os pais conscientes e responsáveis, preocupados com o futuro das suas crianças?

Neste momento, sou sincera.
Invadem-me pensamentos contrários.
Estou baralhada, e no entanto só o futuro dirá, se subir a esta árvore de ramos finos, e provavelmente cair, será melhor do que nunca ver o céu do cimo de uma árvore.

O que é a Maluquice?  no Teatro São Luíz, com o Nuno Artur Silva

   Pintar Paredes, no Teatro São Luíz, com o Ilustrador João Fazenda


27 comentários:

  1. Ah, Uva, como concordo contigo!
    Sabes, o meu rapaz caiu muitas vezes, não era o melhor embora puxesse sê-lo... Hoje é um homem muito responsável e os que o rodeiam reconhecem-lhe o(s) valor(es).

    Beijos :)

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    1. Fico muito feliz por ele, e por ti.
      Ser pai e mãe nos dias de hoje é uma frustração muito grande. Ou andamos completamente contra o sistema e somos uns outsiders, ou enveredamos pela linha, sempre na linha, e passa-nos o comboio por cima.

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  2. Ninguém fica os dois dias do fim de semana a estudar. Isso é o que dizem os paizinhos enquanto se sentam em frente à televisão e papam tudo quanto é série e filme.
    Na verdade, vale muito mais levá-los a sair e conviver com os outros. Essas actividades é que lhes darão sentido critico. O estar com outras pessoas sem ser os do costume, de casa e da escola fará eles afirmarem-se e desejar superar-se.
    Claro que é preciso fazê-los estudar, mas sem a escravatura dos livros, onde eles apenas passarão os olhos para os odiar em seguida se nada mais virem para além de letras e números.

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    1. Fica, fica, caro anónimo.
      Há crianças que não conhecem mais nada senão o mundo da escola. Há pais que investem tudo nisso, que fazem dos filhos os depósitos dos seus sonhos não concretizados. Obrigam os filhos a serem números da estatística cruel da competitividade.
      Há muita coisa má no mundo.
      Privar uma criança de ser criança é talvez a pior.
      Mas isso veremos, à nossa custa.

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    2. Claro q há pais parvos. Já os havia na nossa altura, pxa lá pela memória. (Ok, admito q hoje haja mais, mas por mtas e diversas outras razões)

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  3. Uva, sinto, instintivamente, que uma criança de nove anos de idade (vou supor que a ML tem nove anos) aprendeu muito mais com o Nuno Artur Silva e na FIL, etc, do que se tivesse passado o fim de semana a lutar sozinha contra a falta de vontade de estudar e pouco produzir nesse sentido.
    Não nos podemos esquecer de que as crianças têm de brincar. E brincar também é isso que tu descreves que ela fez. Acho eu.
    Assusta-me muito ver crianças ou jovens sem alegria, sem entusiasmo, a encolher os ombros em resposta às perguntas e sempre agarrados aos dispositivos electrónicos ou à televisão. Isso parecem-me ser sinais claros de que o caminho está errado.
    Desejo que o teste de português corra bem. :-)

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    1. A ML tem nove anos e apreendeu imenso com NAS e com tudo o que lhe damos a conhecer fora do mundo da escola. Mas em última análise a nota do teste de português poderá ser mais importante para ela, porque também ela já faz parte do sistema.
      A mim também me assusta e tento muito contrariar. Muito mesmo. Mas nem sempre sou capaz. Às vezes não consigo mesmo. Não sou perfeita.
      Abraços Su!

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    2. É isso mesmo, Uva! Tudo o que aprendem "lá fora" é tão importante como na escola. São complementares! E hoje em dia os miúdos têm coisas tão giras para fazer... e aí reside a grande ironia! Tantas coisas disponíveis (com que nós nem sonhávamos) e no entanto eles e nós amordaçados em casa, presos às fichas, às contas, aos TPC's...
      Porque obviamente todos vamos a jogo... mesmo aquilo que considero como quase outsider já é muito além daquilo que equacionava fazer quando não tinha filhos e não sabiam como as coisas se passavam! Porque quer queiramos quer não, este sistema é muito perverso; neste sistema não há lugar para fracos ou para medianos! No nosso tempo os alunos de 3 podiam equacionar chegar a uma faculdade; hoje em dia parece-me difícil... e eu que tenho cá um da suposta :) idade da ML que se irá ficar sempre pelos 3, eventualmente 4, sofro desses complexos todos de culpa... o outro dia até disse ao miúdo que não, não podia ir andar de bicicleta...toca mas é a ir fazer umas fichas que os testes estão à porta! Há dias que nem me reconheço!

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  4. Como te entendo mas no fim opto sempre por deixá-los subir a árvore.

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    1. Acredita que levar essa avante é de mestre. A minha mãe foi muito boa nisso! Adoro muito a minha mãe, também por isso.

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  5. Uva, estou contigo. Ainda não estou nessa fase mas o meu instinto diz-me que não conseguirei entrar nessa roda viva, que não vou querer fazer isso aos meus filhos. O certo é aquilo que nos parece certo hoje, agora, sem garantias no futuro. Segue o teu coração :) Beijinhos

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    1. Que belíssimas palavras. É por aí mesmo. Obrigada.

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  6. Deixa cá ver se eu no telemóvel consigo dizer o que quero sem me perder muito.

    Sou uma pessoa muito stressada, daquelas que grita facilmente e consegue imaginar todos os piores cenários nas situações.

    Este ano o meu filho, de 8 anos, foi para o CE2 (3o ano), esta mãe aqui, após muitos pesadelos acordada, resolveu começar a responsabilizar mais o filho.
    Começou a vir sozinho da escola às 18:00 após o estudo, 2as, 3as, 5as e 6as, e às 4as vem às 11:30 após as aulas. Começou a ficar às quartas feiras sozinho em casa 3/4 horas.

    En meados do primeiro trimestre começou a estudar sozinho em casa (na escola ficam +- 30 alunos com um professor que os manda estudar e fazer os deveres, muito raramente os ajuda realmente).
    O miúdo normalmente chega um pouco antes de mim, eu chego e pergunto: fizeste os deveres? Sim... Percebeste? Sim... Precisas de ajuda?, quase sempre a resposta é não, lá uma vez por outra pede ajuda.

    Digo-to o miúdo anda inchado de feliz desta independência toda.

    Agora tu perguntas, e tu deixas assim o miúdo andar à vontade?
    Olha sempre que ele se atrasa mais 3/4 minutos eu fico com uma dor de barriga que nem te falo.
    Os estudos? Espero que ele durma para or ver os cadernos todos, envio recados à professora a perguntar como ele vai e vou a reuniões.
    Que ele podia estar ainda melhor se nós estivéssemos em cima dele? Sim podia, ele é muito inteligente, já tem boas notas, mais um pouquinho e podia ser o melhor... mas assim não tinha esta independência que eu adoro, apesar de me aterrorizar.

    Normalmente o fim de semana é para brincar, quase nunca o faço estudar, estuda mais na sexta e chega.

    Bem sei que tenho o privilégio de morar num óptimo sítio com uma óptima escola. No entanto sei que a maior partes dos pais fica chocado com a independência que dou ao meu filho, há 3 anos que nas férias grandes é enfiado no avião a caminho de Portugal para os avós. Só não o faço nas outras férias porque ainda não lhe posso comprar bilhetes pela net.

    Luto contra mim mesma todos os dias para lhe dar mais espaço e responsabilidade. Só não o consegui na semana após os atentados, moramos a 20kms, andei uma semana inteira a ir pó lo e busca lo ao portão da escola...

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    1. Só tenho a dizer uma coisa relativamente ao teu comentário: Parabéns!
      Só podes estar certa, caramba.
      Dar independência e responsabilizar os filhos é na verdade aquilo que todos os outros lhe estão a retirar.
      Deixo a minha filha sair de casa da avó e vir sozinha no elevador e é só.
      Sou uma autêntica anormal.

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  7. Querida Uva,

    Como a entendo, a pressão que é exercida sob os miúdos e consequentemente sob os pais é tremenda. A minha filha (8 anos) passa o dia na escola (08h30 às 18h30/19h00) e ainda trás trabalhos para casa, tem piscina uma vez por semana ao fim do dia e futebol ao sábado de manhã. Também sinto um peso enorme com os resultados, tento não a pressionar, gostaria que ela fosse a criança livre que fui, a criança que subiu e caiu das árvores, que se sujou de lama, que comeu fruta diretamente da árvore, que caiu e esfolou os joelhos. Felizmente os avós têm uma pequena quinta e este fim de semana lá fomos cortar, carregar e arrumar, lenha, ver as galinhas os patos, comer tangerinas diretamente da árvore, sentir o cheiro da terra molhada pela manhã e ela foi feliz, já me disse que nas "férias do carnaval" quer ficar com os avós, enquanto puder este será o nosso escape, eles têm tanto, mas tanto tempo para sentir o peso, a pressão dos dias que enquanto puderem devem ser crianças.

    Um beijinho
    Carla Almeida

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    1. Seremos a geração que ficará a dever o mais importante aos filhos.
      Seremos muito culpabilizados por isso.
      E eles serão o espelho disso.
      Não duvido.

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  8. É um equilíbrio tão difícil... Eu também gosto de deixar subir à árvore, mas o meu filho mais velho tem uma visão tão mas tão descontraída da vida que eu embora tenha a perfeita noção que é e vai ser uma mais valia para ele, tenho, por vezes, de fazer o papel contrário.
    Mas também acho que ganham imenso com esses programas culturais, mas a verdade é que muitas vezes o sistema escolar não deixa... também ouço pais nos fins de semana antes dos testes a dizer: “ estivemos o fim de semana todo a estudar”, eu encolho-me e às vezes sinto-me culpada porque o meu filho nunca esteve o fim de semana todo a estudar..., mas na verdade as coisas vão-lhe correndo razoavelmente bem, mas não deixo de pensar, secalhar se eu o obrigasse corriam melhor...
    Um beijinho

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    1. Tu percebes o que eu digo. Somos nós que vivemos a vida dos miúdos, o sucesso deles deixou de ser o sucesso deles para ser o nosso sucesso como pais. Usurpamos a vida e os feitos deles. Impingimos aquilo que queremos e que pensamos que é o melhor para eles, quando na verdade todo o problema jaz na nossa cabeça condicionada pelo sistema e pelo medo. Se eles falham, o falhanço é só nosso.
      Devemos iniciar um processo doloroso, que o é, de libertar as nossas crianças do nosso medo!

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  9. Ok Uva eu estou consigo, também sou uma mãe galinha com muitas culpas na consciência, com pena do pimpolho que não tem uma casa grande com terraço e quaintal como eu tive e primos para brincar sempre que apetece e ruas com poucos carros. Mas que diabos passaram-se 30 anos e tal como nós diferimos em muito dos nossos pais eles diferem muito de nós. Quantas vezes já desafiei aquele miudo a brincar ao ar livre e ele preferiu ficar em casa e quando o levei à mesma houve alturas em que ele adorou e outras em que veio com umas trombas de elefante. O que eu não faço é sobrecarrega-lo de atividades extras, nem pressiona-lo na obtenção de resultados. Digo-lhe muitas vezes que ainda estamos no inicio da escola e que há muito tempo para se preocupar seriamente com as notas. Tenho a sorte de ter um sogro que o vai buscar à escola e vem com ele a pé para casa depois das aulas. Faz os TPC (que ora são quase nulos para no dia seguinte serem uma catrefada deles) e depois brinca ao que bem entender. Penso em deixa-lo ir sozinho a partir do 5º ano, mas não antes disso, até porque considero que o convivio com os avós lhe faz muito bem (apesar de se queixar que são uns chatos, mas andar sempre agarrado a eles). Não se aflija muio com essa saída que me parece ter sido bem importante para sua filha, porque uma vez não são vezes. já o meu estudou 1 hora no Sabado e 2h no Domingo que esta semana também tem testes e eu quis ver com ele as três disciplinas. Se me quisesse armar também diria que ele estudou o fim de semana todinho. :-) Bjinhos

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  10. Ando a tentar compreender o problema q expões. o meu ainda n vai p a escola, mas os relatos q ouço dos meus colegas...Credo! Aquilo parece-me mto mais nazi do q era na nossa altura. E por isso percebo o teu dilema, sim claro q aquilo q foi fazer, mto provavelmente, a vai enrriquecer mto mais, mas a verdade é q se no final do período (n sei se ainda se chama assim) as notas dos testes n forem boas...há nega garantida.
    Mas a anarca q habita em mim (hoje foi dia de vir à rua) diz q fizeste a escolha acertada ;)

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  11. Gosto muito de ler o teu blog - só a parte das bicicletas é que me transcende ;) - especialmente quando escreves como hoje. O meu peixinho faz 3 anos e vai para a escolinha em Setembro. Inscrevemo-lo agora. E já me identifiquei com tanto do que escreveste... O sucesso em vez de ser dele, ser nosso. O tempo, em vez de livre, é espartilhado por nós. A escolinha, boa, cara, porque ele há-de ter "coisas" que nós não tivemos. Que grande merde, é o que me ocorre. Obrigada pelo abrir de olhos. Pode ser que vá conseguindo emendar a mão.

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  12. Já toda a gente opinou. Só posso dizer que teria feito o mesmo, mas sentir-me ia como tu.

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  13. não fiques angustiada. tomaste uma boa decisão. sei do que falo. quando uma criança trabalha durante a semana, está atenta nas aulas, um teste não significa aflição acrescida. tenho a certeza que sabes o que fazes. e a ML só beneficia desse equilíbrio.

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  14. Duvidas que sempre tive na educação dos meus filhos quando via as minhas amigas a debitar as notas maravilhosas de seus filhos e a contarem as horas que passavam a estudar com eles. Eu, embora a medo, optei sempre por deixá-los "subir ás árvores" sozinhos, mesmo sendo apelidada de mãe desnaturada. Nunca foram os melhores, mas posso dizer que me surpreenderam muito pela positiva. Ainda tenho algumas dúvidas sobre se o que fiz foi o acertado e vou sempre supervisionando, mas a mim o que mais me importa é que sejam felizes com as escolhas deles e que tal como os meus pais me deixaram a mim, eu também os deixei serem crianças.

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  15. "Se eles falham, o falhanço é só nosso."

    Eu não sei se concordo a 100% com isto. Não é uma questão do falhanço ser nosso, é mais o receio do que isso possa significar no futuro deles: falta de oportunidades? Falta de emprego? Será que terão de se sujeitar a trabalhos precários? Difíceis? Perigosos?

    Eu também tenho pena de ele não ter tanto tempo livre e também não acho que estejamos a seguir um bom caminho. Estamos a seguir as passadas dos países asiáticos onde estão a concluir que este não é o caminho (e está a levar inúmeros jovens ao suicídio) em vez de seguirmos as passadas dos países como a Finlândia, Suiça, etc onde as horas de trabalho são menores e se traduzem em melhores resultados.
    A questão é que para isso ser possível cá exigiria uma grande "limpeza" no que diz respeito aos professores, na Finlândia eles têm a politica de que só entra para professor quem tem as melhores notas e quem mais dá provas de competência pedagógica - só aceitam os melhores para ensinar as suas crianças - e na Suiça os professores de alunos com maus resultados são responsabilizados. Se um aluno tiver más notas e não for claramente por falta de capacidade dos alunos é exigido aos professores que expliquem muito bem aqueles resultados... é que além de ensinar, cabe ao professor motivar.

    Por outro lado, acho que era óptimo fazerem cá essa limpeza mas também dando a estabilidade aos nossos professores (que lhes faz muita falta) e ordenados decentes.

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