6 de outubro de 2016

MAAT, o novo bode expiatório dos invejosos

Se há coisas que tenho para dizer, a minha urgência é dizê-las.

O dia de ontem merecia-me vários posts. Nenhum deles sobre a República, mas em muitos sentidos indistinguíveis dela.
Houve a questão da inauguração do MAAT, cujo evento se espraiou por todos os cantos do mundo; houve a questão do feriado, que a esquerda recuperou numa violenta batalha campal, houve a questão do verão, que teimou em ficar, e houve a questão do rancor e da inveja, que infelizmente nasceu no meio disto tudo para estragar as muitas coisas que nós, os 'paupérrimos e incultos' portugueses temos vindo a conquistar.
Há capacidades várias no ser humano, há capacidades extraordinárias que não sendo de âmbito intrínseco, como os dons da voz ou da arte, podem ser desenvolvidas com trabalho, com capacidade de encaixe, com calma, e perseverança. Pois a minha capacidade de entender os invejosos é nula, e sou pessoa para dizer aqui, que, de todas as capacidades que detenho, a de me calar perante a injustiça escarninha e pútrida de um invejoso, é a única que não possuo.

O que aconteceu ontem em Lisboa, não é novidade para ninguém. Uma mole de gente encheu a cidade, convergindo (ou divergindo - ainda não sei) para aquilo que julgo ser, ao nível cultural, o acontecimento do ano. A inauguração do mais moderno museu português, que a EDP deu à luz, acendeu nas mentes de muita gente o desejo de ver como é, um desejo genuíno e natural, um desejo que denota um alarme, um despertar evolutivo no país, uma consciência para a arte nunca antes vista, uma oportunidade que muitos nunca tiveram de ver algo realmente futurista e belo, emotivo até, mas que as bocas sujas, enchendo-se de moscas para aventar teorias rocambolescas,  tiveram como única e mesquinha finalidade, a de vaiar o nobre povo, e chamar-lhe inculto.
As primeiras imagens da manhã lancinavam os olhos dos desprevenidos. Nunca se viu tanta gente na inauguração de um museu.
'Ha-ha-ha, gosto de ver os portugueses com tanta sensibilidade para a arte', ou 'claro, era de borla!', ou ainda 'um nojo ver uma empresa como a EDP que cobra a electricidade mais cara da Europa, gastar dinheiro nesta porcaria enquanto os velhotes morrem de frio no inverno.'
Invejosos!
Quantos destes é que se preocupam com os que passam fome, enquanto chupam uma pata de sapateira?
Não sabem, e nem querem saber, turvados que estão contra tudo e contra todos.
O MAAT é a vanguarda da cultura em Portugal, é um museu criado com o dinheiro da eletricidade, sim, cara, sim, mas também do trabalho da uma Fundação e de todos os que com ela colaboram.
O MAAT, é um sinal inequívoco que Portugal está nos trilhos certos, que Lisboa se quer impor como uma metrópole europeia do mais alto gabarito, que não somos e nunca mais seremos o povo inculto e desinformado que fomos, que aquilo é para TODOS, mesmo que tenhamos lá ido todos no mesmo dia, acontece, que apesar de sermos pobres, sem industria, e muitas vezes mal governados, há uma centelha que nos arde nos olhos. Somos criativos, imaginativos e audazes.

Fui efetivamente uma das pessoas que levantou o rabo da cama muito cedo para conseguir entrar, não porque era de borla, não porque sou inculta, não porque sou uma pacóvia que nunca viu nada, ou porque a entrada de 5,00€ (que irá ser futuramente cobrada) me choca nas finanças. Fui porque quis, porque queria mostrar à ML o que é, porque quero fazer parte daquilo, porque aquilo me diz coisas.
Não entrei. Era demasiada gente, mesmo nas horas mais madrugadoras.
Mas tive o privilégio de usufruir do feriado agora recuperado, da companhia da minha família, unida, do rio Tejo, do calor, do meu vestido novo, e de ver Lisboa de um ângulo completamente novo - da belíssima pala do MAAT.

E aqui estou eu, numa das fotos que deixei ontem no meu Instagram, a festejar a República.
A única que nos permite ser livres.
E até de sermos invejosos.

Viva a República!



21 comentários:

  1. Olha outra de vestido :)
    Vai haver invejosos, vai. Não sei é se serão bodes :D

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    1. Os invejoso já se despiram e acabam de chegar aqui ao blog, Linda. Estão nus. Já os apanhei.

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  2. Não vai ver a luz do dia não, que eu não quero cegar os meus leitores com essa escrita absolutamente risível. Credo rapariga, andas pior não andas? Este blog é só para iluminados. Olha ali eu cheia de luz, linda só para ti! Pacóvia.

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  3. O Português é muito opinativo, porque sim, porque não, porque talvez, porque porque... enfim
    Estive lá também, mas uns tempos antes na construção :D ainda não fui lá, mas lá irei, quando calhar.

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    1. É. Diz que é trendy ir só aos sítios quando não for trendy ir a esses sítios, tipo, voltar a agricultura quando já toda a gente se dedica aos serviços é trendy. Por isso é que os trendy andam a fugir do que é trendy, só para serem .... trendy.
      Pronto, e andamos nisto.
      Quando for o próximo concerto dos Xutos, a ver se só lá vou no dia seguinte, aquando da desmontagem do palco, para ver se consigo ser trendy. As pessoas que ontem não foram a Belém mas que foram ver concertos com milhares de pessoas, de artistas que voltam todos os verões, são mais trendy do que as outras.
      Cruzes!

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    2. Não se arranja nenhum estudo para isso :D

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  4. Ah... já sei quem tu és!
    Vi-te no ... há dias.
    (...será?...)

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    1. Viste-me no quê? Se ainda por cima estreei este vestido ontem, só para ir à inauguração do ano!
      (É natural que me tenhas visto, apareço imenso na televisão...)

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  5. Do MAAT não sei que sou da Província e não gosto de multidões, talvez quando passar a febre, mas ó loiraça, estás toda gira :)

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    1. :) Faço imenso desporto! E não sou assim tão gira.

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  6. As pessoas não têm noção do que é ter para desfrutar. Sem ser obrigatório, sem ser proibido. Apenas ter a liberdade de escolher.
    (Gira que tu és!!)

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    1. (Parece que não gostaram das sandálias... acharam-nas 'pavorosas', vê tua a minha vida. Umas sandálias de 19 euros pá, como é que é possível arrasarem assim uma pessoa!)

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    2. Dissesses tu 190 que já eram espectaculares... Nem tinha reparado nisso mas eu não sou pipoca gosto mesmo é de te ler ;)

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  7. Gabo a coragem de te expores completamente e, ainda assim, sem nunca vacilares na tua opinião.

    (e tens uma figura invejável e és gira, sim)

    Quando ao MAAT não fui porque estou demasiado a norte mas mesmo que fosse a abertura no Porto dificilmente iria. Não porque me ache toda culta ou trendy ou seja lá o que for mas porque não gosto de confusões e evito-as sempre que possível nos meus dias livres :)

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  8. Invejosos?!!!
    Invejosos?!!!

    Raramente lhe vi uma tão distorcida lógica de argumentação.
    O Maat como centelha no sentido da salvação da República?!!!

    Mas por favor esclareça-me,

    serei também invejoso por sentir o vómito a chegar à faringe mental sempre que ouço a prepotência do Dr. Mexia na televisão?

    ... ou por pagar 40% da factura da electricidade para que a EDP possa fazer os investimentos que bem entender e ser privatizada ao desbarato pela súcia de bandidos que tem desgovernado este país, uma empresa que foi construída com o dinheiro de gerações de contribuintes ...

    ... ou por ter de berrar ao telefone com a merda de um qualquer arrogante engenheiro da EDP Distribuição porque já há três semanas que faço pedidos urgentes para desligarem a energia a um cliente que tem de substituir um transformador de potência que está a verter óleo nocivo para o ambiente ...

    ... ou porque berrar com o sujeito resolveu a questão ...

    ... ou porque me parece que ainda há pacóvios que seguem como os carneiros em rebanho e rebolam e tiram selfies só porque lhes disseram que a coisa era interactiva e têm de ir no dia de abertura porque gostam de manadas ...

    ... ou porque é elitismo ver todos os dias a mesquinhez aliada à docilidade parola com que as pessoas falam para os telejornais, com que as pessoas se atropelam no trânsito, trepam umas sobre as outras nos empregos, confundem a lei com a moral, o que é imposto com o que é arbítrio ...

    ... ou porque estamos tão no limiar no abismo que mesmo que duplicassem todos os salários ficaríamos com a balança comercial completamente destruída, só porque vivemos num país (A República) onde não há empresas, não há agricultura, não há pescas, que cheguem porque os visionários que nos governam há 30 anos são escandalosamente desonestos e invejosos de quem quer ter qualquer coisa sua ...

    ... porque nada se faz sem comissões ou amizades partidárias.

    É isso?!!!

    O Maat é o primeiro passo para resolver isto?


    Sim, se for isso então pode chamar-me invejoso.
    Invejoso de ser ignorante e não olhar para trás, numa vida desafogada num país cor de rosa.

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  9. Minha cara, a data da visita ao Maat é irrelevante. O que é curioso é observar a sua reacção.

    Não tem qualquer pudor em apelidar de invejosos aqueles que não partilham a sua opinião esfuziante sobre o Maat mas aborrece-se quando alguém lhe responde com a mesma intensidade.

    Que seja A Arte. Mas não a qualquer preço.

    ... e em diálogo público não há vítimas.


    Pode acreditar que fico desiludido.

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    1. Fique desiludido. Esse também é um direito que lhe assiste.
      Não escrevo para provocar a indiferença nos outros.

      Se considera um atentado à pobreza a criação do MAAT por uma empresa pouco digna, e se considera que a Arte tem um preço, que só pode ser feita pela mais perfeita pessoa e pela mais perfeita instituição, pois digo-lhe, caro onónimo, que nesse caso a Arte não existiria.
      No meu caso importa-me mais o facto de haver um MAAT do que o mesmo ser obra de um MEXIA. O Mexia vai-se, o Museu fica.
      Sobre a questão da incompetência dos trabalhadores da EDP, pois concordo que sim, mas não os considero nesta equação quando avalio o novo museu. Na EDP não trabalham só incompetentes. O museu está belíssimo. A EDP chegou ao monte da minha bisavó, a 200 km da civilização.

      A minha reação é espatafurdia? Que seja. Não é a primeira. Eu própria sou espatafurdia em muitas das minhas ideias sobre a vida.
      O onónimo também é. E eu gosto que assim seja.

      Sinto-me por minha parte também desiludida consigo.
      Disse que eu era pacóvia como os carneiros em rebanho, que rebolam e tiram selfies só porque lhes disseram que a coisa era interactiva e têm de ir no dia de abertura porque gostam de manadas.
      E eu sou isso, mas não dessa maneira.


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  10. Cara Uva, a sua reacção nada tem de estapafúrdia. Foi isso que implicitamente lhe pretendi dizer.

    Se reler o seu post é capaz de compreender? "Invejosos, pútrida, moscas, não sou uma pacóvia que nunca viu nada,...“. Compreende? Compreende que tem tantos motivos para se sentir indignada quanto as pessoas que não vêem no Maat uma obra de concepção nacional nem lhe dão grande valor artístico?

    Sobre a origem de uma obra: é claro que tem um valor intrínseco independente da sua origem. Mas não lhe ocorre, a cara Uva que tem para si tão caro o contexto, a vida de um autor, que há algo de errado numa sociedade que permitiu monopólios privados que vêm depois trazer a luz ao Povo. Não lhe parece um contrassenso monumental? Considera que o Maat vale tudo isso? Quanto daquilo que lá está e por lá passou é, como diz, "nosso"?

    Não compreendo a sua resposta emocional a este respeito.
    O Maat vai mudar tanto este sistema quanto o Mac mudou. Mas isso é uma outra história de um génio do norte a quem é permitido desrespeitar impunemente qualquer regra de segurança, ter extintores da cor que quiser, escadas de inclinação excessiva que "não são para velhos". Sim, é este o país inho em que vivemos. É isto que não pode acontecer "a qualquer preço".

    Sincero abraço.

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