27 de março de 2015

A grande Joana Vasconcelos ou a Joana Vasconcelos grande?

Pois é, mes amis, será esta uma grande questão, ou uma questão grande?
Será a obra da nossa Joana Vasconcelos uma grande obra, ou fica-se por uma obra grande?
Muito se tem debatido o assunto, e claro está, que os 'críticos especializados' se dividem e se degladiam, como se dividem e degladiam as opiniões de qualquer comum mortal - às vezes não percebo que interesse tem, ouvir o que dizem os críticos de arte e da criação artísticas de cada um, mas enfim, parece que é chique a valer - e se há uns que dizem que o que a Joaninha faz é maravilhosa arte, coisa de grande mérito e de elevação artística inigualável, outros são os que vêm com pedras e pedrinhas, dizer que um candeeiro cheio de tampões, um Galo de Barcelos (coisa horrenda essa, o galo, mesmo em miniatura) com a altura da torre Eiffel, ou mesmo tudo o que ela faz enorme, gigante, que ocupa com uma só peça tanto espaço que só ela lá pode expor, espertinha, é horrendo, e é apenas uma derivação das costureiras de trazer por casa, que vestem bibelots com renda de bilros e fazem almofadas XL, muito parecidas com as que se vendem no Gato Preto.

A verdade é que uma artista que tem peças suas à venda na Christie’s, atinge em cheio os peitos de galo dos invejosos profissionais, que questionam, logo muito conhecedores da poda, se o facto de estar representada nesta empresa de leilões faz de Joana Vasconcelos uma artista de um valor artístico excepcional ou apenas de um excepcional valor comercial. O que a bem dizer não é a mesma coisa.
E se a Joaninha grande, ou a grande Joaninha, tiver apenas o poder de nos pôr a olhar para nós próprios, portugueses, com um sorriso amarelo?
 
Ela pode muito bem odiar o Galo de Barcelos tanto como eu, pensar ironicamente e agir em conformidade: 'deixa cá ampliar isto para todos verem como é horrível'.
E às vezes é preciso lentes de aumentar a realidade senão as coisas pequenas, horrendas, que se enleiam nos nosso pés, vão continuar por ali até alguém dizer: olhem estes leões tão horríveis ali à porta da Assembleia da República! E zás, espeta-nos com aquilo vestido com um naperon, ainda mais horrível, que nos faz lembrar aquele que nos jaz em cima do televisor desde o México' 96.


E como a nossa Joana não se fica por galináceos, nem sequer por sapos, cabeças de cavalo ou outros animais da quinta, foi logo re(pescar) a ideia que tem vendido milhares ao turismo, e vá de se dedicar à pesca.
E assim  anda a nossa Grande Joana, sempre na crista da onda, já pronta para mais um lançamento desta feita um magnífico centro de mesa, com lindas sardinhas e sapinhos, chamado Surf que promete fazer as delícias da estação.
Bordallo Pinheiro, como está bom de ver.


Ele há gente que tem muito olho para o negócio.
Mas espreitem lá a ARTISTA, Grande Artista ou só Grande.
Eu ainda não me decidi.

26 comentários:

  1. A Grande Joana será assim como que um ovo de Colombo ;)

    Aprecio, bastante, o trabalho da artista plástica Joana Vasconcelos.

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    1. Olá Té!

      Eu ando aqui na dúvida, porque não aprecio a arte contemporânea em geral, especialmente aquela que fazem com lixo e 'instalações' de caixotes amontoados em cima de cadeiras velhas.
      A Joana tem um lampejo, que tem, mas não consegui ainda dizer se é cá da malta.
      Há coisas que ela faz que eu não gosto de todo, muito foclóricas para encher o olho e usa muito isso como ponto de partida.
      Tenho de a ver melhor. Mas isto na arte é como tudo. Vai muito da sensibilidade de cada um.

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    2. Eu fui à exposição que esteve no Palácio da Ajuda e não me senti de todo arrecadada pelas peças dela, são peças mais lúdicas que outra coisa, mas estamos na época do encantamento pelo lúdico, portanto vem a calhar. Algumas até me enfadaram um bocado, como as do crochet. O que achei mais interessante na exposição foi o próprio palácio e o contraste inegável que as peças da Joana Vasconcelos faziam com o mobiliário e a decoração. No entanto, reconheço que é um tipo de arte inovador, merece o meu respeito.

      Bom fim de semana, Uva.

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    3. O Palácio é absolutamente lindo. Não fui ver a exposição mas já vi várias peças dela de perto. Conheço uma que está pendurada numa parede minha conhecida e que custou 150 mil aéreos. É a cabeça de uma cavalo toda vestida de bilros. Outra que está nas termas de Nisa, pendurada qual aranhiço e que custou uma pipa. Aquilo está falido, talvez vendam a peça e safem os alentejanos.

      Também a escrita da Margarida Rebelo Pinto foi inovadora, e é o que se vê, quer dizer, o que não se vê ;))

      Vai ficar calorzinho, estou impante.

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  2. Eu sou daquelas que não aprecio (folclórico demais para mim) e que para além disso acho que há muito boa gente que não apreciando vai atrás do sururu.

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    1. Podes ver o quanto foclórico pode ser aqui se deres uma vista de olhos na nova exposição em Macau 'Valkyrie Octopus', patente na Grande Praça do MGM MACAU.
      http://julianaloh.com/site/2015/03/macao-art-joana-vasconcelos-valkyrie-octopus/

      CABUM! Uma coisa gigante que nem dá para apreciar em condições.
      Mas há quem lhe chame arte. Neste caso, chamo-lhe arte grande.

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  3. Uma arte de merda, é o que é.

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    1. eu diria, obra obrada
      pois isso fazer
      é obrar
      como ao povo soa dizer

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  4. Assim, também não sei.
    Gostei muito do sapato de salto alto feito de tachos, e dos corações de Viana, feitos de talheres de plástico (que, aliás, estiveram em exposição no C. C. Colombo uns dias). A partir daí, acho que se escoaram as ideias à JV. Basicamente, tudo o que veio a seguir a essas grandes e grandiosas primeiras peças, foram derivações mais ou menos bem conseguidas dessa enorme originalidade.
    Vi a exposição na Ajuda e vim de lá um bocado à toa. Tudo gigante, tudo kitsch, tudo desgarrado. Não há um fio condutor - é preciso é fazer tudo para amblíopes. Mas acho que vale o que vale, também mais ninguém se chega à frente e a JV, ao menos, faz cenas :)

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    1. Enorme originalidade ou originalidade grande.
      Tudo para amblíopes também acho.
      Less is more.

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  5. Por acaso n aprecio mto as obras. E, honestamente, acho q eatá assim um bocadito overrated, mas atenção q eu tb n percebo da da poda.

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    1. A mim, que percebo ainda menos, acho que a partir de certa altura foi sempre a mesma peça, mas tem muito cor e isso enche muito o olho.

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  6. A primeira exposição do trabalho da Joana V. que vi foi no CCB há coisa de 5 anos. E adorei. Já na Ajuda, não gostei nada. O trabalho dela competia com o recheio do Palácio e era informação a mais. no CCB, sendo o espaço clean, as peças brilhavam por si. Gosto dumas coisas, não gosto de outras... Mas acontece-me o mesmo com Picasso ;-)

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    1. A Joana em Serralves anima muito a festa. A arte contemporânea que lá se expõe não é nada o meu tipo. Não fossem aqueles maravilhosos jardins e a (espetacular) arquitetura do Siza e diria que vinha de Serralves de lagriminha no olho.

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  7. Uma obra
    obrada pela joana grande
    só pode enorme
    seja qual for a forma
    que a obra obrada tome

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  8. Reconheço o valor, a criatividade e acima de tudo a coragem de ser diferente. Gosto apenas de algumas peças, para ver, não sei até que ponto investiria em alguma delas...

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    1. E são caríssimas. Todas elas. Ela faz coisas grandes e depois faz o mesmo com a avaliação.

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  9. Tem um modo muito próprio de fazer arte, a Joana. Gosto de algumas coisas. De outras não. Mas não sou conhecedora de arte, apenas uma curiosa apreciadora. De repente, lembrei-me do urinol de Marcel Duchamp ou do telefone lagosta do Salvador Dali e...
    O centro Bordalo é lindo, raios! Eu acho!

    Beijos, Uva. :)

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    1. Vários artistas já passaram pela casa Bordallo, como também já passaram pela casa da Vista Alegre. Peças de loiça desta última têm coisas maravilhosas, por exemplo do Eduardo Nery, recentemente desaparecido. A Joana também já contribuiu. Não deve ser má em tudo, aliás como todos os artistas.
      A Joana deve muito ao dadaismo, sem dúvida.
      Abracinho.

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  10. Eu gosto muito e digo-te porquê, porque acho que a Joana Vasconcelos nos enfrenta e pergunta, não gostam disto, mas porquê? porque se começou a dizer que certas coisas são horríveis e agora todos dizem que são horríveis?, pois eu já vos digo, vou pegar em tudo aquilo que vocês acham ou dizem porque é moda dizer que é horrível, ampliar todos os clichés do vosso horror, juntar às vezes vários clichés numa mesma peça, torná-la bem grande e transformá-la em arte e depois de ser reconhecida como arte e transformar-se em peça valiosa, já está tudo desconstruído e hei-de ver, deleitada, as vossas caras de admiração, de aprovação, as vossas filas à porta para irem ver e hão-de ficar encantados com aquilo que dantes achavam só um horror, quando ainda não tinha merecido o nome de arte e hei-de dar emprego a muita gente, muita renda de bilros se há-de fazer e sem ser de bilros também e a loiça Bordalo Pinheiro que é uma instituição não há-de morrer (adoro a loiça Bordalo Pinheiro) e lá está ela, hoje bem viva, já ultrapassados os tempos em que esteve de morte anunciada. É assim que entendo a obra da Joana Vasconcelos e por isso para mim o que a Joana Vasconcelos faz tem um grande valor e as suas obras grandes são também grandes obras. Para mim, ela limita-se a desconstruir, a dizer que isso do bonito e do feio é relativo e que muitas vezes olhamos para as coisas com olhos de preconceito, em vez de as olharmos, simplesmente.

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    1. Ela tem efetivamente esse poder. Algumas coisas são só mamarrachos, ainda assim faz reviver muita da nossa arte perdida. É contudo inegável que a Joana é neste momento um nome incontornável da arte portuguesa. Como só tem 38 anos e uma capacidade imensa de trabalho, tem muito caminho pela frente.
      Isso do bonito e do feio é altamente subjetivo, mas andam aí uns críticos que vivem disso, de nos 'ensinarem' o que é bonito e feio, e não concordo nada.

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