5 de agosto de 2015

Inquieta

Ando há tempos inquieta.
Inquieta porque não satisfeita, porque não totalmente calma, porque não de-bem-com-a-vida.
Poderia lembrar-me de fazer imensas coisas giras, sei lá, fazer um curso qualquer de escrita ou de guionismo, envolver-me num voluntariado com malta entradota, sentar-me a escrever mais uma página do meu 'livro', fazer uma viagem a Londres, ir conhecer Fernando Noronha, aprender a sossegar, a meditar, a fazer o melhor que sei por mim.
Mas não.
Só penso em mudar, e isso implica gastar, outro verbo que me encanita, sobremaneira.
E isso inquieta-me.
E porque não tenho mais nada para me entreter sozinha, além de aguardar serenamente os dois dias que me faltam para me pirar daqui, decidi decidir o que deverei fazer para mudar esta inquietação, este desassossego.
Dizem que é de família, mas eu acho que não.
Mudar de casa faz parte da herança genética de todo um povo, não é só minha a inquietude.
Gostava muito de subir definitivamente a Calçada Carriche e abrir uma janela cheia de luz no centro de Lisboa, num bairro quieto, com jardim e livraria, com esplanada e padaria, com eléctrico, metro ou tuk-tuk, tanto faz, qualquer coisinha onde pudesse pendurar os meus cortinados de linho branco, e onde eu pudesse inspirar-me à janela.
Na verdade estou terrivelmente cansada de perder tempo e tempo para vir trabalhar, terrivelmente cansada de fazer compras no Continente (onde de resto odeio estar), terrivelmente cansada de não ter luz natural praticamente nenhuma, fartinha da lareira que não fuma mas que faz um zumbido incrível e medonho no inverno, farta das paredes, farta da cozinha aos quadradinhos, farta da rua, farta do bairro, farta de me ver ali há quase 40 anos como se fosse obrigada a pagar uma promessa que de resto não fiz.
Quero mudar de casa.
Quero que a ML frequente um liceu mais perto do meu trabalho.
Quero andar a pé, quero ver o rio.

É que andei a ver casinhas viradas a sul, com jardim, livraria, esplanada e padaria... e é tudo caríssimo, velho e degradado.
E caro.
Ai!
Que inquietação.

14 comentários:

  1. Respostas
    1. Procuro e procuro e os preços são de cair para o lado.
      Anda tudo na média de 200 000,00€ por 3 quartos de 10m2.
      Um horror.

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  2. Ser inquieta é bom, está bem que pode ser frustrante por outro lado, mas é bom. Nada pior que gente acostumada.

    Beijinho

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    1. O que eu queria era uma casa com jardim como a tua. Isso é que era!
      Tenho uma mas é na Lagoa e não dá para trazê-la aqui para a Estrela. Uma pena...
      Abraço!

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  3. Inquieta
    é uma quieta muito in

    gostava mais que vivesse desassossegada
    porque o que há mais é gente na sossega
    apesar da segarrega :)

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    1. Inquieta é uma quieta muito in.

      Hahahahahahahahahahha


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  4. E eu queria afastar-me o mais possível da calçada da carriche, no sentido contrário tás a ver, mas depois trabalho no centro e tenho de a atravessar, ao mesmo tempo que não quero viver no centro porque estou a ficar farta da cidade e ficava depenada, ao mesmo tempo que quero colocar o meu filho numa escola logo a seguir à calçada da carriche porque não gosto das que tenho por perto. Então, por isso tudo, mais vale ficar quieta :) Mas tu vai mulher!

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    1. Há sítios na cidade tão bons. Ali na zona da Estrela, de Campo de Ourique, de Alvalade, Calçada de Sant' Ana, Belém, tantos.
      Mas é tudo caro e está tudo super degradado. Querem vender casas a cair de podres caríssimas, e depois temos de investir mais 20 ou 30 mil euros para conseguir viver lá dentro.
      E para nós menos de 4 assoalhadas é impensável, não tinha onde meter os meus livros que ocupam uma divisão inteira.
      Estou preocupada sobretudo com as escolas e eu própria estou bastante cansada do bairro e da minha casa.
      O Lumiar é fixolas e Telheiras também.
      Inquietação é o meu nome do meio.

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  5. Talvez começar por mudar a parte de dentro, não? Aquietar, quero dizer. Na medida do que é possível.

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    1. Pois, talvez a parte de dentro esteja mais degradada do que as casas em Lisboa.
      Lá isso...

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  6. Inquieta é bom, desde que com peso e medida.
    Conheço a sensação.

    Beijos, Uvinha. :)

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    1. E mudaste de casa?
      Eu mudava já hoje, mas tinha de preparar a ML e saber se ela ficava bem com a decisão (minimizar o sofrimento dela) porque com 8 anos fica assustadíssima quando lhe digo que o mais certo é mudar de escola no 5º ano e de casa.
      Tem os colegas e pensar que pode ficar sem eles é O drama.

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  7. E não é esse o mal de todos nós?
    Queremos mudar.
    Mas implica gastar.
    Não há para gastar.

    Nada acaba por mudar.
    Mudar de casa é um desejo natural, a rotina tem de ser quebrada algures. Por mim mudava de casa a casa 7 a 10 anos. Ou saltaria de uma para outra, à medida da necessidade espiritual. Mas ainda não foi desta que fui contemplada com o 1º do euromilhoes

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  8. Esse tipo de inquietações e mudanças trazem os seus riscos mas muitas vezes também trazem lufadas de ar fresco às nossas vidas e os miúdos adaptam-se melhor do que pensamos. Se achas que chego a hora, força nisso. Eu cá sou a favor das mudanças :))

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