15 de julho de 2016

Je ne sais plus qui je suis



 Igor Morski || Polish graphic designer, illustrator and set designer.


A Europa parece-me agora muito mais difícil de amar.
Espera-nos uma guerra muito difícil de matar, talvez das mais fortes e violentas de todas, talvez das mais difíceis de esquecer. É uma guerra auto-imune, que nos mata de dentro.
Os vermes que agora se escondem atrás de pessoas comuns, pois que são com efeito pessoas comuns, ainda que incomuns, vão perceber tarde o terrível erro que foi amar a morte mais do que a própria vida, reivindicando orgulhosamente para si todos estes terríveis atentados, gritando orgulhosamente o amor que sentem pela morte, pelos mortos e pelo céu, este último desde sempre e para sempre o maior cemitério da humanidade religiosa.

Há uma frase maravilhosa de Emily Jane Brontë, que explica tudo ao referir-se a um defunto que supostamente vagueava pela casa: "o espectro mostrou-se caprichoso, como costuma ser apanágio dos espectros: não deu sinais de existir."


Um dia sereis espectros.
A morte sequer existe caso a vida lhe negue essa esperança.
Um dia a Europa voltará a ser amada.
Um dia seremos vivos.

Je ne sais plus qui je suis, mais je sais que je suis vivant!

7 comentários:

  1. Fomos nós que criámos os monstros. Isso é o que mais magoa!

    Beijos, Uvinha

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    1. Nem mais. Criámos e continuamos a alimentar...

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    2. Abraço apertado. O momento é de dor.

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  2. gostava de ter um quarto dessa esperança... muito bom.

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  3. Só nos resta continuar a amar a vida.
    :)

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