16 de novembro de 2015

Vocês conhecem o Cabo Espichel?

Eu conheço o Cabo Espichel desde que me conheço a mim própria.
Ao longo dos anos, e já foram muitos, visitei aquele lugar inúmeras vezes, em diferentes estações do ano e por diferentes motivos.
É o meu ex-libris sazonal. Não há nenhuma estação em que não vá espreitar a escarpa, que não ponha a moeda na capelinha, que não passe pela feira de corais.
O Cabo Espichel traz-me primeiro à memória o meu pai, que me levava ali a passear, umas vezes só nós dois, outras vezes com o carro cheio de primas e sobrinhas. Depois a minha mãe, toda em nervos, encolhida e cheia de medo, a rir-se no meio da perplexidade dos seus próprios devaneios e a dizer: que horror, que horror! se alguma vez me atirava daqui abaixo. E depois sozinha, quando finalmente pude meter as mãos num carro só meu, e me conduzia até lá, passava o túnel da igreja e estacionava corajosamente naquele terreiro, muitas vezes dando razão à pouca razão da juventude, com o vento quase a levantar-me no ar, e eu ali, fumando um cigarro-cometa, remoendo em pensamentos bravios, quase todos sem sentido.
Muito anos depois, embalada pelas melancólicas memórias, arrebatei com um beijo, ali mesmo, no terreiro ventoso, a pessoa que ainda hoje me acompanha, como eu tenho acompanhado aquelas escarpas. Corajosamente. E de braços abertos ao mar.

Foi assim que saímos no domingo. A casa silenciosa e a Lagoa envolta na neblina.
Quando o sol irrompeu, já dois destemidos se faziam ao caminho.









Fizemos juntos 45 km.
Lagoa de Albufeira - Meco (Praia da Foz) - Cabo Espichel - Farol, e regresso.
Recortámos a falésia, felicíssimos por nos vermos em aventuras, por nos vermos juntos, por termos entendido que o nosso casamento é e será sempre um constante desafio à rotina, à burocracia impositiva das tarefas, aos laços frágeis que se fazem e desfazem constantemente entre nós, e que a conquista diária do amor e da amizade que temos um pelo outro só vingará se continuarmos fazendo juntos aquilo que, em qualquer caso, faríamos sozinhos.
Corajosamente. E de braços abertos ao mar.
Obrigada miúdo, por termos conquistado isto juntos.
Bora pedalar para sempre?

13 de novembro de 2015

Festa de aniversário da ML

Macacos me mordam se este ano a coisa não vai ser diferente!
Eu estou diferente, a miúda está diferente, o V. só quer que tudo corra bem e que sejamos felizes, a minha mãe é a pessoa mais zen do mundo e universos paralelos, e por isso um pastel de nata com um fósforo já é uma grande festa, o meu pai é o marido da minha mãe vai para mais de 35 anos, e por isso desde que haja mousse está tuuuuuudo bem. O meu sogro anda à azeitona empoleirado nas oliveiras, e a minha sogra, pois a minha sogra anda lá nas coisas dela, sobretudo a ver se não lhe cai o marido em cima, qual azeitona desequilibrada.
Vai dai que eu este ano estou mortinha para me escapulir a festas cheias de gaiatada lá em casa.
Bem sei.
Sou uma péssima mãe que sonega à criança o acontecimento do ano.
Não sou perfeita.
Não estou com paciência nenhuma para encher a casa suburbana de temáticas comerciais matchy-matchy, bolos com massa-pão, e pãezinhos-de-leite entremeados de fiambre processado. 
A ideia da miúda era fazer uma festa de arromba no McDonald´s. Coisinha mais suburbana ML, não tens uma ideia melhor? Sim, fazer uma grande festa num salão, só para crianças. Sim, ML, um salão de baile cheio de crianças suadas e descalças, a correr desenfreadas com gomas na mão, durante 4 horas, sem vigilância. Outra. Então e se nos deixasses ir todos para a Casa dos Pinheiros, assar coisas, mas sem adultos? Sim ML, essa é boa. Crianças de 9 anos a assar coisas no meio dos pinheiros é uma excelente ideia. Chamo já os bombeiros ou ajeitas-te com o regador do avô?

Entretanto passei os olhos por uma quinta em Sintra que tem póneis e faz coisa giras com as crianças ao ar livre.
Passeio de pónei, limpeza dos póneis, alimentação dos animais, interagir com outros animais (ovelhas, galinhas, cabras anãs, porcos vietnamitas, galinhas, burros, cavalos, perus, gansos, patos mudos e cães), e cuidar da horta, parece-me muito bem para uma festa de aniversário.

Alguém aí desse lado que já tenha feito algo parecido?
Aquilo dá uma imensa alegria às crianças ou depois de 10 minutos é coisa para me estar a pedir o tablet para fazer um joguinho?

E o Passos conseguiu o que queria!

Eleições antecipadas é aqui!

*** Palmier, uma blogger muito à frente do seu tempo - e do tempo dos outros todos :))

12 de novembro de 2015

Aquela coisa do Google Alerts


Acho que a grande maioria das pessoas que têm blogs usam a funcionalidade do Google Alerts.
Metes lá o nome do teu blog e sempre que alguém comentar o teu canto, escrever o teu nome, falar sobre ti, aquilo apita na caixa de entrada, tu direccionas a tua mira para lá, vês o que disseram, se for bom agradeces, se for mau, pois se for mau chamas os tribunais e metes um processo em cima daquela gente desocupada e infame.
Agora experimentem meter o nome do meu blog lá, só naquela de saber se ....e suem, mas suem muito as estopinhas para filtrar trezentos mil emails diários, de receitas de bolos, nutrição, homeopatia, comida para animais, vinhos, cremes, shampoos, sabonetes, cremes para micoses de unhas, seborreia, ardor genital, inflamação do ânus, e merdas de todos os tipos que são fabricadas com uvas, uvas passas e gente passada.
Nunca saberei quem fala mal de mim na blogosfera.
Há todo um gang a preparar-me uma emboscada e eu aqui, sem saber de nada.

DIVULGAÇÃO


É uma chiqueza!!
E vale muito a pena.


11 de novembro de 2015

DIVULGAÇÃO

Como não ir?
12 de Novembro às 18.30, na Bertrand do Chiado.



Anabela Mota Ribeiro no seu blog - "Há muito tempo que um autor não me fascinava como Elena Ferrante. Sou uma de muitos no mundo inteiro, e saber que não estou sozinha no terramoto é bom. 
Tomei como pretexto o 3º volume d' A Amiga Genial para promover um Ler no Chiado sobre a escritora italiana.Convidei a tradutora, Margarida Periquito, a crítica literária Isabel Lucas, que lhe fez uma raríssima e maravilhosa entrevista por escrito (mistério oblige),uma notável leitora da Ferrante e não só, a Ana Dias Silva, o jornalista cultural da Antena 2 Paulo Alves Guerra e um napolitano que vive em Lisboa e lê a Ferrante desde que ela publica, o Carlo Bifulco. Estou muito entusiasmada com esta sessão!
Será no dia 12 de Novembro às 18.30, na Bertrand do Chiado. 
Juntem-se a nós!"

E o Presidente? Quer?

10 de novembro de 2015

O teatro

Ainda há pouco tempo falei sobre isto num diálogo que acabou por ser mudo. Um monólogo. Tanto faz. 
Da necessidade que todos temos de pertencer a alguém, a algo, de nos identificarmos, de nos refugiarmos dentro de grupos amigos, onde nos possamos sentir apaziguados.
Não costumo meter a foice em seara alheia, mas esta é também a minha seara. É também aqui que ceifo, é também aqui que alimento os meus dias, é aqui que escrevo a minha história, as minhas teimas, é aqui que me entrego, que me desblogo, que me findo, e que me fundo.
Porque eu pertenço.
Das coisas que mais desgosto de ver nos outros é o comportamento infantil do bate-e-foge. 
Ohh quantas vezes vemos isso nos covardes? 
Vão lá, atiçam, rosnam, metem toda a gente ao barulho - e toda a gente é assim uma gente que decidiram adotar para aquela bulha, apesar de não os conhecerem de lado algum, porque apenas lhes parecem bons tipos, gente inteligente, que dá gosto ler e contratar -, envolvem-nos numa luta desenfreada de palavras, sobre um tema que desconhecem, mas bora lá, atingem com os seus estilhaços quem quer que esteja ali à volta, mas sempre protegidos (pensam eles) pelas tais pessoas que eles próprios criaram nas suas cabeças, os tipos bonzinhos, os tipos solidários, os eruditos das lutas, das letras e do debate, ahhh o saudável debate, os que valem mesmo, mesmo, mesmo, mesmo! a pena nisto dos blogs, e assim que têm a melhor oportunidade, zás! dão um valente pontapé no rabo do inimigo ------- só que não -------- riem-se muito de o terem feito pelas costas, e depois fogem, desaparecendo na bruma, deixando todos, os contratados, os bonzinhos, os solidários, os eruditos e os outros, a olhar em volta e a perguntar: então? agora que estávamos aqui todos prontos para a luta corpo a corpo ... o que foi isto?

Foi um teatrinho.
Era para ser uma grande peça, era um futuro tão promissor aquele que ali se via, havia de se falar naquilo dias e dias, havia de se encontrar um final mesmo em grande para aquilo tudo, um grande final, grandes ovações, tudo de pé, conclusões fantásticas, mudanças profundas no sistema, heróis e condecorados, o elenco era muito bom, que era, o texto tinha letras das boas, aquilo é que era texto, e depois... o manto negro.
Da infantilidade.


O grande artista abandona o palco, qual Elton John amuado, diz que não brinca mais, agarra no seu aviãozinho e vai para outro país. 

9 de novembro de 2015

Sobre o texto da Clara Ferreira Alves

 Imagem/Escultura: Adam Martinakis

Ainda estou toda a tremer.
Do choque!
Suspeito que toda a gente já o leu, mas deixo-o aqui para o revisitar a modos que... só naquela de me auto-beliscar.

Isto aconteceu?

6 de novembro de 2015

Tudo lhe fede, nada lhe cheira

“Mas vocês são só cretinos por desporto, ou realmente não têm qualquer espécie de vida digna de cronologia e ocupam-se apenas da vida não-burocrática, não-vidinha-fadinho, dos demais? Eu considero a Nonô – a minha cachorrinha – e as minhas meninas gatas e o bebé Benny meus filhos. Vocês vivem em minha casa, cretinos? Vocês têm a fortuna de fazer parte da minha família? Não. Resumam-se à vossa exiguidade"

Cara Marta Rebelo,

Não é meu apanágio resumir-me a exiguidades, e não faço da minha cronologia virtual o apanágio da minha vida real.
Além disso a dignidade do ser humano não se mostra por aí, nas redes sociais, como está bom de ver.
Se o Jornal-i lhe permite chamar de cretinos, de escassos e poucochinhos aos leitores que naturalmente são livres de ter uma opinião sobre aquilo que a Marta publica on-line, sobre aquilo que decide partilhar sobre a sua pessoa, e sobre o que sente sobre as situações que na sua vida acontecem, lamento dizer-lhe Marta, mas também eu, que naturalmente sou livre de ter uma opinião sobre aquilo que partilha, lhe posso devolver o elogio.
Cretino é este Carnaval.
Não pense que lhe chamo cretina (que nome feio) a si pessoalmente, só porque acho cretino que goste desmesuradamente e arrebatadamente do seu animal doméstico, ou que o eleve acima de um qualquer namorado que teve a má sorte de escolher, não, não é isso que eu acho cretino Marta, pois sou capaz de perceber perfeitamente que goste mais dos seus animais do que de certas pessoas. O que acho realmente cretino é a forma infantil e desprotegida com que expõe, mais uma vez, a sua vida pessoal, os seus maus fígados, esperando granjear a condescendência dos outros, mostrando numa qualquer página jornaleira uma gigantesca fraqueza quando o feedback não lhe cheira.
A Marta é uma mulher inteligente, é uma mulher das letras, pertencente a uma sociedade supostamente mais evoluída, já foi deputada, já foi até capa de revista, endeusada, e mesmo assim sujeita-se a uma situação absolutamente inenarrável do ponto de vista social.
A situação inenarrável não é o seu post com as suas idiossincrasias e extravagancias, porque desses também tenho aqui de sobra, mas é a forma como se apresenta na defesa da sua própria extravagancia.
Considero que deveria agarrar nas poucas forças que lhe restam, depois deste infeliz episódio, apanhar os cacos da sua própria atitude, e fazer uma instrospeção séria. Seria talvez mais ajuizado recolher-se, fortalecer-se, ao invés de usar o Jornal-i para nos atacar a todos, ou pelo menos, pareceu-me, os que a consideraram um tanto ou quanto excêntrica porque escreveu uma carta a um gato, e ainda a publicou no seu blog.
Ao contrário do que pensa, talvez engolida por um ego demasiado inchado, ninguém estava preocupado com o seu ex-namorado, nem consigo, nem com o seu gato, a Marta é que empreendeu em mostrar-se de uma forma esdrúxula, e desculpe dizer-lhe, totalmente desconcertante.
Eu bem sei que nos tem a todos, os maus, como uma espécie de bezerros cuja 'mioleira' fede de poucos escrúpulos, que acha que todos lhe queremos mal e que todos detestamos animais, mas oiça Marta, não é nada disso.
Lembrar-se-á daquilo que escreveu sobre a Joana Amaral Dias certo? Ela despir-se grávida em vésperas de eleições foi para si, como você mesma lhe chamou, um crime de lesa-majestade. Foi a gota de água para a sua dignidade, despoletando um sem número de acusações muito feias, que também publicou.
Considera a Joana Amaral Dias infame? Que quer que pensem de si quando considera um animal superior a um ser humano? Não acha normal que haja quem considere isso ainda mais infame? O animal acima do Homem? O animal superior ao namorado? O gato superior a um filho?
Será essa mesma miséria umbiguista, termo através do qual acusou a Joana Amaral Dias de prostituta partidária, a mesma que a levou a escrever o seu post? Não será umbiguismo seu sobrepor o seu animal doméstico ao ser humano-namorado?
E nesta altura em que escreveu estas coisas sobre a Joana Amaral Dias não estava deprimida? E a Joana? Acha que ela no estado frágil da gravidez (todos sabem como as mulheres ficam nessas alturas, não é?), lhe merecia tamanho ataque virtual, assim, à queima roupa, tudo espalhado pela internet? Aliás, como lhe fazem agora?
O que esperava? Uma devolução pacífica do Universo do que dá ao Universo?
A doença do Ego Marta, que na verdade é a única que tem, costuma curar-se quando fazemos realmente alguma coisa de louvor, alguma coisa mesmo bem feita. Não é partir a loiça, cacos por todo o lado, vitimização, para darem por si, agora que se apagou socialmente.
Por outro lado, e usando as suas próprias palavras Marta, se venho a terreiro opinar é por entender que existe voz, acção e mudança, e por entender que tenho exatamente o mesmo direito que vocência para me insurgir contra aquilo que considero o mais deplorável ataque aos leitores do i (e até aos seus leitores que não partilham dessa sua excentricidade de chamar filho a um gato), que considero uma baixeza, uma autêntica possidonisse, que, e como já lhe disse ali em cima, não calo por não ser meu apanágio resumir-me a exiguidades.

If you can't stand the heat get out of the kitchen.