30 de abril de 2016

E o que eu gosto de árvores?


A maior parte das fotos do meu telemóvel são árvores.
Esta fica por detrás da nova igreja do Santuário de Fátima, e hoje estava particularmente bonita.

Hoje acordei #4

Hoje acordei e lembrei-me da noite de ontem.
Acordar e fugir-me o pensamento para a noite anterior acontecia muito, quando era mais nova. Num sobressalto acordava e pensava: ai meu Deus! não me lembro nada!
O que se passou ontem de noite, perguntam-me os sequiosos leitores, foi uma coisa mais ou menos assim:

Fui mais uma vez apanhada nas malhas do dever cívico e social, e quando dei conta já estava num 4ª andar das Avenidas Novas a dar uni-beijocas nas senhoras da Comissão.
Era a mais nova em pelo menos 35 anos. Desproporcional na idade (e na altura), entrei muito corada numa casa ao melhor estilo Luís XV.
Receberam-me todas à porta, muito alegres, com ar de muitos anos de narizes enfiados nos livros, os cabelos impecavelmente penteados, as melenas muito loiras, os óculos de ver ao perto pendurados nos peitilhos, e o brilho suspeito dos olhos, pejados de lentes intra-oculares colocadas na Torres de Lisboa.

Eu percebo a bagunça que fazem os miúdos. O barulho, a desordem, o lixo e as quantidades industriais de mijunça que deixam nos cantos do jardim; eu entendo as senhoras, cansadas, depois de muitos anos de vida, verem-se enleadas no meio da infernal juventude que se junta para crescer, e encher dos cálices torpes da vida.

E agora vejo-me ali, e aqui, cá e lá, e percebo que afinal é isto, a inexorável passagem do tempo.
Ali sentada, num 4ª andar das Avenidas Novas, repenicando sorrisos às senhoras da Comissão, senti-me como se acordasse de repente e me fugisse o pensamento para a noite anterior, quando era (mais) nova, e num sobressalto acordasse, e pensasse: ai meu Deus! ainda me lembro de tudo!


29 de abril de 2016

Eu hoje acordei #3

Eu hoje acordei, acordo sempre, e fui testar os conselhos da minha cabeleireira preferida.
Pá, esta miúda dá-me vontade de a lamber.
Porquê? Porque sim. 
Em tempos idos, ainda a Filipa não era a minha PC [Personal Cabeleireira] e quando eu ainda não usava permanente, fui obrigada a usar um champô de alcatrão para me secar a oleosidade do cabelo e dar-lhe um pouco mais de volume. Quem me conhece sabe aquilo que passei, sobretudo porque quando entrava no recinto escolar era como se fosse Moisés a atravessar o Mar Vermelho. Aquilo era um pivete tal que as pessoas se afastavam todas, com as mãos a tapar os narizes.
Mas eu hoje deixei para trás todo um passado de desgraças, e saí de casa (pela primeira vez) com o cabelo por cima das orelhas, topem bem, por cima das orelhas, depois de experimentar um dos mais maravilhosos produtos de que há memória!!

(A paciência que tu dedicas à minha beleza, fez-me acordar Rococó).

Uber


28 de abril de 2016

Hoje acordei #2

Ontem, quando saí da boca do metro, e eu quando saio da boca do metro saio diretamente para um recreio gigante, para uma nursery school apinhada de borbulhas com miúdos na cara, vinha tão apanhada das ideias, tão acabrunhada, tão metida para dentro, que fui bater com o ombro direito no semáforo da Vilhena. Capaz de arrancar um braço!
Encontrei duas chavalas a fumar sentadas no pial do barbeiro, e pareceu-me que tinham ambas as calças ao contrário. O cós muito subido e a perna a meia canela. Pensei em mim com aquela idade. Magríssima, com uns ténis sem cor definida, e sem pensamentos ambíguos na cabeça. As decisões da vida eram apenas duas: Bairro Alto ou Cai'Sodré. Fumo continuo ou em bolinhas. Imperial ou Coca Cola.
A minha vida por dentro está Tiririca.
Mais balançada do que está não fica.


Hoje acordei #1

Ontem estive aqui duas ou três vezes.
Visitei a minha malta e toda a gente se apresentou impecável, com posts cheios de ironia (como eu gosto), o Lago (Tanga)nica continuava a arder, a Loira acabava de superar mais um desafio com um alforge mais pesado que um presunto, Mirone (e muito bem) considerou confrangedor (e eu também) as pessoas que nos confrangem com coisas confrangentes, Palmier, muito desanimada e ainda assim consegue ser a que mais nos anima, o C.N Gil apresentou-nos uma gaja de mamas ao léu a fazer-nos lembrar (o que é confrangedor) nós com aquela idade, enfim, toda a gente muito entretida com assuntos interessantes, e eu, que aqui vim duas ou três vezes para escrever uma cena qualquer, que não sei exatamente o quê; ainda pensei naquilo do Palácio do Cais do Sodré, ou na besta que atirou o cão de uma ponte, mas nada me captou tanto a atenção, e ainda estou um nadinha circunspecta, a fazer aquela boquinha à blogger, com a nova publicidade ao detergente Skip, que vi num blog dessas coisas.

Estou absolutamente confrangida, porque há por aí tanta gente, caramba, mas tanta gente capaz, gente profissional, criativa, brilhante!! gente que sabe escrever!! que saber fazer, que sabe exatamente o que significa publicidade, e depois o que vejo é uma UniLever displicente, a marimbar completamente para o públic(uzinho) alvo, a entregar os pontos, só naquela do faz lá aí uma porcaria qualquer que o que interessa é aparecer, e entrega a publicidade da sua marca, do seu melhor produto, a pessoas que escrevem kilos de roupa.

26 de abril de 2016

Ontem, 25 de Abril


Mesmo em nome do bem comum, da Liberdade de uma nação, haverá sempre Ambrósios, com saudades do Salazar.

24 de abril de 2016

23 de abril de 2016

22 de abril de 2016

Da genialidade

Há um psiquiatra, pedopsiquiatra e psicanalista que eu muito admiro, porque é um génio.
Eu, ao contrário daquelas pessoas que se perdem de amores pelos seres mais belos, mais puros ou mais cómicos, sou uma apaixonada por génios. Se há um génio cómico, se há um génio puro, ou se há um génio belo, também os admiro, mas para mim a genialidade deve ultrapassar a barreira da especialização ou o pendor profissional da genialidade. Não concordo com o engrandecimento de determinado ser humano, se à partida se mostra incapaz de dar frutos, acaso o enxertem noutro local. 
Tenho como convicção, e não largo, que quem só sabe de medicina não é bom médico.

Há na Humanidade um grande número de necessidades. 
Há necessidades que nos são comuns, prioridades básicas iguais para todos, mas não falo especificamente dessas, falo numa necessidade absoluta, que nos norteia e nos organiza; falo da necessidade de identificar as coisas e de certeiramente, e sem rodeios, lhes dar um nome.
Os génios são aqueles que dão o nome às coisas, que agrupam coisas diferentes que se ligam entre si, e as identificam como uma

Na depressão, por exemplo. 
A depressão já foi definida e redefinida por inúmeros estudiosos da psiquiatria. A depressão é isto, a depressão é aquilo. Fica deprimido quem faz isto, não faz aquilo. É uma tão grande panóplia de conceitos que a palavra se esboroa e os deprimidos ficam sem saber o que têm.
Mas o Coimbra de Matos, no seu génio usual, esclarece que a depressão acontece sempre quando estamos numa situação em que damos mais afecto do que recebemos.
E ficamos descansados, a depressão volta a reunir-se numa só palavra, e o deprimido procurará perceber, sozinho ou ajudado, onde lhe falta o retorno do afecto que aplica em demasia.