2 de junho de 2014

Se houvesse uma selfie para descrever a blogos(fera) de hoje...




Era esta!


Eu já não te estou a ver bem.

Tenho um problema lá em casa.
Posso desabafar convosco, pessoas?
Depois isto passa-me e volto a amá-lo como antes, pelo menos depois da primavera.
 
De manhã, se os contar, são cerca de 2015.
Entre o quarto e a casa de banho, três passinhos portanto, vão logo 16 de cada vez.
Tchum, tchum, tchum, tchum, tchum, tchum, tchum.
Ainda nem bem acordei e já estou em transe com a barulheira que a peste me impõe.
O caminho para o trabalho, então, é um sacrifício. Tudo fechado tipo forno. Nem posso abrir a  janela do carro 'porque entram bruxas'.
Já te calavas com essa chinfrineira, não? 
Tu não entendes que isso é para cima de enervante?
Tchum, tchum, tchum, tchum, o dia inteiro??? Desde março?
Vai-te enfrascar de comprimidos pá, de sprays, vai fazer picotados nos braços, faz qualquer coisa por ti e por mim.
Quero lá saber se o que tomas para essa porcaria das alergias te faz sono, ao menos a dormir estás calado! 
 
Obrigada.
Era só mesmo isso...

Granda URSO!

Metallica’s James Hetfield

 
Vai uma pessoa gastar rios de dinheiro em bilhetes, para ir ver estes gajos, e depois é isto..

Barcos e água e remos e bolhas...

Ontem, naturalmente, o dia foi todo dela.
Tinha ideia de fazer alguma coisa que fosse, por um lado diferente para a pequena, e por outro, uma primeira experiência para todos.
A ideia (genial) que me ocorreu, era piscar o olho à feira do livro; a mãe lambia os dedos, o pai bufava de tédio e a miúda via os teatrinhos que por lá se fazem nestes dias. Além disso, estava uma ventania do caraças em Lisboa, e de certeza que nos íamos divertir imenso a ver os livreiros todos a correr de um lado para o outro a agarrar os livros no meio do vendaval.
Tudo certo até aqui, ou pelo menos tudo certo até chegarmos ao Campo Grande.
Criou-se ali uma oportunidade dos diabos. Decerto que estacionar no pacato Campo Grande, seria mais fácil do que andar às voltas no Marquês.
Há tempos que andava com uma fisgadinha. Um jardim tão bonito no meio da cidade, e nunca lá tínhamos ido os três. O miúdo crescido poderia explicar à miúda pequena o quão maravilhoso foi namorar estudar na Lusófona, e a mãezinha poderia finalmente realizar aquele desejo que lhe zunia há tempos atrás da orelha.
Vamos todos andar nos barquinhos do Campo Grande? Weeeeeeeeeee!
A miúda ficou um pouco apreensiva.
Barcos? Água?  Não achas melhor ir a casa buscar as minhas bóias?
Não. Está tudo bem. A mãe já atravessou lagoas e rios, mares e oceanos, a nado, por isso não te preocupes.
Já o pai, que viveu 28 anos na outra margem, rios é com ele. Aliás, rios é tu lá - eu cá.
Trinta minutos, cinco euros. E uma ventania do caneco...
Primeiro entra a mãe....eeeee zás! O rabo justo em cima de uma poça de água que apanhava sol em cima do banco. Lindo. Os passeios são sempre muito mais agradáveis com as cuecas encharcadas em água verde. Depois a cachopinha pequena (tesa que nem um bacalhau), e depois o pai, o grande timoneiro de barba por fazer rija qual Robinson Crusoe das Lisboas, capaz de conduzir até às madames mais obesas, daquelas que quando caiem é para os dois lados, por esses canais de Veneza a fora. E uma ventania do caneco...
Quinze minutos depois, e o barquinho que era suposto deslizar pelas águas calmas do lago, proporcionando uma tarde prazeirosa à família suburbana, ainda não tinha descolado do porto. O grande timoneiro, que havia iniciado uma luta desenfreada com os remos, e com o barco, e comigo, e com a franja, e depois com tudo o que era coisas que andavam no ar, suava a estopinhas e bufava, bufava, e o vento implacável soprava, soprava.
Quando conseguimos finalmente zarpar, já o miúdo crescido estava alagado em água, e em bolhas.
- Mãe, eu não te disse que precisava das bóias...
Resumindo: A miúda acalmou bastante, e até nos divertimos muito no resto do passeio, quando eu, a mamã frágil e tímida, me agarrei aos remos e em 5 minutos dei 10 voltas ao lago.
Está visto que deste ano não passa e é mesmo desta que compramos um barco novo lá para casa, nem que seja para o miúdo ir treinando na banheira...
 

31 de maio de 2014

"O inferno são os outros."



Às vezes é difícil entender essa coisa 'dos outros'. Os outros são um chatos, uns pirosos, só pensam em coisas sem sentido, fazem comentários estúpidos, abusam, são insolentes.
É.
Mas o que seria da minha vida sem os outros? Sem os espelhos?
Surgiu-me ontem este diálogo, é uma brincadeira (séria) que muito espelha o que é isso de ser 'o outro' em tão ilustres casas alheias, vulgo, os consagrados.
E espero, sinceramente, que na vida real as pessoas que julgam ter uma sombra maior que os 'outros', nunca tenham se se sentir ostracizadas e agredidas, por gente mais ou menos anónima, que prolifera na rede.
A crueldade é uma coisa que se paga muito caro.
E não fica nada, mas nada bem, a gente inteira e bem resolvida.

- O que eu gostava mesmo de ver, era quanto tempo duravam os blogs, sem a ´mítica' caixa de comentários. Sim. Como é que os blogs se faziam blogs de 'referência' sem a 'mítica caixa de comentários´ dos outros blogs ´consagrados'. Mas isto sou só eu a dizer, que não entendo nada disto dos blogs.
- Pois não entendes. Essa coisa de ter comentários e likes é um vício. Blog que é bom blog não gosta dessas coisas, quer é discorrer, falar, e dizer tudo o que lhe vai na alma, sem trânsitos matinais. É muito normal haver monólogos em blogs. Não sabes tu?
- Cala-te! Para mim um blog é uma companhia, melhor se for também para os outros. Se assim não fosse, lá se ia a graça disto. Então e a partilha? As outras opiniões? Como é que se fazem amigos? O objetivo disto não é a diversão com-os-outros-que-nos-lêem?
- Eu cá não acho.  Sim, porque é uma chatice imensa ter ali aquelas coisas a saltar e a fazer imenso barulho. Tou aqui, tou aqui! Ainda por cima com opiniões contrárias, sem jeiteira nenhuma?
- Barulho? Já as letras fazem barulho? Pois já eu, acho que quem não se sente não é filho de boa gente e que não tem mal nenhum fazer barulho com as letras. Querer dar a conhecer aos outros bloguers, e aos seus leitores, uma opinião diferente, ou fazer saber que há quem tenha mais a dizer, coisas, assuntos, alguns de grande interesse. E também te digo, há por aí muito comentador que se devia dedicar a isto dos blogs. Haviam de ser grandes contribuidores. Já assim o são. São a meia-alma daquilo. Mas isso às vezes não é fácil de compreender. Também há quem não goste, mas assim nunca saberá se vale a pena.
- Pois sim. Estás a falar daqueles que se metem ao pulos é? Insoburdinados, sempre a gritar. Já tenho visto alguns. Sempre a tentar que os grandes bloguers os visitem. Venha cá, ó Senhor? Olhe o que lhe trago hoje! É muito aborrecido. Os grandes bloguers também têm o seu emprego, as suas vidas. Havia de ser lindo se passassem o dia a visitar standérs de compota e de colarinhos com lacinhos.
- E que mal tem se quisermos que eles também visitem o nosso espaço, e nos digam o que pensam sobre aquilo que escrevemos? E porque não um link a piscar o olho e a dizer, estou aqui, estou aqui?
Estou aqui porra! Pois com certeza que estou.  Isto da bloga é uma coisa unidirecional, é?
- Pois, mas sabes bem que a maioria só fala da vida quotidiana (que é um tédio). Para não te falar daquelas que ganham dinheiro com o blog. Um horror.
- Ganhar dinheiro com um prazer? Que mal tem isso? Só lá vai quem quer. Eu não quero, não vou lá.
Eu até tenho uma box daquelas de gravar os programas para não levar com a publicidade, calha bem!
- Isso és tu falar, miúda, aquilo não vale nada.
- E se não valer? Ninguém pode ter um blogue de merda? Tem de ser tudo maravilhoso e lindo, e bem escrito? Tenho mesmo de seguir em modo privado aquele blog das unhas às bolinhas? Então agora já ninguém pinta as unhas, é? Há todo um público que pinta as unhas, caramba.
- Pois, passa-lhes a mão pelo pêlo. E quando aquilo muda de tom e às vezes puxam do vernáculo, as malandras?
- Ainda bem que falas nisso. Estou muito triste porque uma bloguer que eu admirava muito, disse caralho. Nunca pensei...
- Contigo não se pode falar, está visto. Sempre no gozo! Pareces aqueles que fazem bonecos!
- Bonecos? Já sei de quem falas. Para aí de TODOS, não?
- Não. A blogos(fera) é uma coisa séria. Tens que ser tu própria, tal e qual. Assim como vieste ao mundo.
- Hahahahaha. Não tinha escrito uma única linha deste blog se assim fosse. E já me divorciava, a ver pelo posts sobre o alérgico. Façam-se bonecos, porra! Que interesse podem ter as experiências da minha vida se não as posso contar por um lado à séria, com sentimento, e por outro a aldrabar, a deturpar, a exagerar, a fazer um boneco de mim própria e rir-me disso? Quem é a Uva Passa? Quem é a Loira? Quem é Pipoco? Picante? Doce?
- Assim ninguém quer saber de ti. Ninguém te visita. És mázinha, estás sempre a inventar.
- Ah, eu não gosto que me leiam, isso de ter seguidores, não gosto. Gosto mais do sossego... Também gosto imenso de cozinhar. Cozinho sempre para dez, mas como lá em casa só eu é que janto ... sobra imensa comida... Contem-me histórias.
- Histórias, histórias. Só pensas nisso. Nas histórias que te vão na cabeça.
- Queres ver que agora não podem as pessoas expressar-se livremente? Não é assim que funciona esta coisa da escrita, da literatura, da linguagem? E nascemos ou não todos com o livre arbítrio? Posso ou não escolher o que leio? Posso ou não separar o trigo do joio, mesmo que num mesmo blog, hoje seja trigo, e amanhã joio?
- Mas à que ter cuidado com isso das letras. Não achas tu? Escrever só sobre coisinhas interessantes, sem abusos.
- Concordo. Mas lá vou eu outra vez para a liberdade de expressão. Olha, agora não quero ninguém a escrever sobre sexo porque o meu marido é eunuco. Olha agora não quero ninguém a escrever sobre o marido dela que é eunuco, porque o meu tem uma grande pila. Olha agora não quero ninguém a gozar com a pila....
- Mas então resumindo. Já que tudo aceitas e tudo compreendes, como se fosses o grande mestre tibetano, o que é que aflige e te faz alergia?
- O bullying. A provocação malcriada. A falta de senso. A falta de respeito pelos leitores e por si próprio. Mas lá está, isso sou eu. Até lá, dou a todos o benefício da dúvida, porque também sei que às vezes um mau dia, é só um mau dia.
E eu farto-me de ter maus dias.
E talvez hoje seja um deles.

O significado da palavra ABUSO.

 
A história é muito antiga, tão antiga que a imagem que tenho dela é já difusa.
Talvez o meu blogue sirva sobretudo para isto, para me lembrar das histórias, para que a memória não me leve, no pardacento dos dias, as recordações que guardo da minha vida.
Assim, no dia em que as quiser contar direito, sobre quaisquer linhas retortas, poderei lembrar-me delas, pois que muitas não poderão, nunca, ser esquecidas. Como esta.
Madalena.
A história desta menina é uma história dura.
Dura para mim, que tinha acabado de me formar e fui deixada à minha sorte numa escola de intervenção prioritária (TEIP) e dura para a menina, que não vendo um fim à história, se viu para sempre nela, porque decerto ainda perdura.
A Madalena chegou a Portugal com 6 anos.
Fazia parte de um protocolo de cooperação entre Portugal e Angola, na altura muito em voga, sobretudo por ser coordenada por um conceituado cirurgião plástico e cirurgião pediatra português, e que veio acompanhada de um progenitor (vamos chamar-lhe assim, já que a palavra PAI não cabe nesta história) angolano, seu tutor, a quem foi dada a oportunidade de trabalhar no mesmo hospital em que a menina fazia tratamentos, durante o tempo que eles durassem.
A Madalena tinha, e tem, um problema físico relativamente incapacitante, que tratava num hospital da capital e que a obrigava a usar umas próteses nas pernas, que lhe pesavam na alma e lhe davam um andar estranho, e por isso, diferente.
Mas a diferença da Madalena não era só física. Com efeito, a menina era diferente de todas as meninas daquela escola. A Madalena era uma menina abusada.
Quando se fala em abuso, a maioria das pessoas pensa em violação.
Sim, há decerto uma violação, mas no sentido mais amplo da palavra, porque violação é abuso, mas abuso é muito mais do que violação.
Mas não, a Madalena não foi violada, mas sofria um imenso abuso físico, constante e brutal, que o progenitor perpetuava, para que a sua permanência em Portugal perdurasse, ou seja, era o progenitor que infligia à Madalena os danos físicos que, de certo modo, a obrigavam a manter os tratamentos que ela fazia em Portugal.
Quando conheci a Madalena, já ela cá estava há dois anos. Sem melhoras.
Lembro-me bem da forma direita como se sentava na pontinha da cadeira, e de como andava com as costas estranhamente descaídas para trás, quase como se não aguentasse a roupa no corpo. 
Não deixava ninguém tocar-lhe.
Não me lembro de quantas vezes que a vi a chorar ao portão da escola, encolhida, com malinha nas costas. Era a única menina que não queria voltar para casa.
O progenitor vinha todas as tardes, sorridente, cumprimentava a diretora, as auxiliares, e levava a menina pela mão, pelo caminho estreito de terra batida que bordejava a escola, e ela olhava para trás, uma e outra vez, dando sinais que ninguém percebia.
Eu, que tinha a meu cuidado cerca de doze crianças em risco, olhava para ela e não a via a melhorar. Escrevia coisas sobre ela, e pensava coisas dela, e sentia-me mal por ela, porque era tudo inútil. A visita domiciliária era inútil, a conversa com aquele tutor era inútil, eu era inútil, a escola era inútil, os médicos eram inúteis e tudo o que tinha, os estúpidos relatórios, as infrutíferas reuniões multidisciplinares, o apoio alimentar, não serviam para nada.
O cerne do problema da Madalena não estava nas próteses tão pesadas que usava, tão pouco nas dificuldades financeiras e materiais ou nas letras que não entendia, que lhe toldavam o futuro. Era naquele regresso a casa, aquele sofrimento infantil e constante, aquele afastamento físico que se impunha a ela própria, sem liberdade, sem culpa, nas brincadeiras que não tinha, no ser amorfo que se tornava a cada dia.
Passei então a dedicar todo o meu tempo aquela criança. A escola achava que a menina tinha um problema mental, além de físico. Em Portugal não havia, à época, grandes apoios na saúde mental para crianças, os psicólogos eram contados a dedo, ainda hoje há falta de psicólogos nas escolas, 20 anos depois. Na área do Serviço Social, que era a minha, ainda pior.
Como técnica, não podia desfraldar no meio da escola a bandeira da intervenção, ou seja, não podia dar a conhecer aos outros meninos que intervinha nesta ou naquela criança, sob pena da estigmatização e crueldade infantil, tão profícua em rotular os diferentes, ainda que inocentemente.
No início, a Madalena tinha muito medo de perguntas. A resposta pronta de 'não sei' era desculpa para um medo gigante, que se via crescer a cada dia.
Certo dia, na sala de aula, enquanto registava a condição física dos meninos na primeira hora da manhã, reparei na Madalena. Era muito comum os meninos virem fraquinhos, a abanar de fome, mas a Madalena estava visivelmente transtornada.
Ao aproximar-me da mesa dela, inclinei-me e pousei a minha mão nas costas dela.  
O que se seguiu foi de tal forma impressionante, que receio não ter as palavras certas para escrever, (que não tenho), e que não tenha ainda os sentimentos no lugar, devidamente distanciada como se quer numa técnica, para espelhar a plenitude da palavra ABUSO.
Madalena estava queimada.
Nas costas pequeninas, desenhava-se um mapa. Uma mapa sórdido. Uma mapa desenhado com pontas de cigarros, feridas abertas que lhe marcavam a pele, a infância, e toda a (nossa) vida, antes e depois daquele dia.
Abuso. Um progenitor que magoa a filha, que lhe bate e lhe retorce as pernas depois de cada tratamento, que a queima com pontas de cigarro para a fazer prometer que não conta o que lhe faz, e que a faz crer, acima de tudo, que o sofrimento dela é para um bem familiar maior, que lá onde viviam era pior, que precisavam de ficar.
Abuso. Uma sociedade que não vê, que não tem meios para resolver, parar ou enfrentar, que não é capaz de prevenir, mesmo que olhos médicos vejam todos os dias, esses mesmo maus tratos.
Abuso. Uma escola displicente, cheia de miúdos-órfãos, descrente, que encolhe os ombros e não se aflige, não se aplica, não tem meios nem os procura, que se demite, que se demitiu, deixando nas mãos de uma miúda, que era eu, a resolução de uma problema tão profundo, tão grave e tão miserável.
Abuso. Uma sociedade que não se compromete com os outros, e que no fim do seu turno, vai para casa, tomar conta da sua vidinha, como se a vidinha dos outros fosse só mais um episódio de uma série de terror, que à primeira oportunidade se pode passar para a frente.
Abuso. Madalena não foi retirada ao progenitor. O progenitor-abusador é o primeiro a beneficiar do benefício da dúvida, da redenção. A família é suprema, mesmo que a criança esteja em risco.
Abuso. Há oportunidades que nunca deveriam ser dadas.
Tenho desta história uma lembrança muito difusa.
Misturada em tantas outras, esta aparece-me sempre que oiço falar em Carolinas, Rui Pedros, Joanas, Catarinas, e em tantas, tantas outras que povoam o lado escuro da nossa sociedadezinha global, ridícula e mesquinha.
Por isto é que eu sou uma eterna preocupada com o crescimento da caridade, do povo que acolhe, que dá de comer, que cola com cuspo as feridas abertas. Não é o povo que deve ajudar estas crianças, não é o povo que tem de arcar com tamanha responsabilidade. Não tem arcaboiço para isso.
Mas é o Estado, o Estado-Providência, as instituições, que vemos desaparecer a cada dia, que deve ser o cerne da nossa LUTA, da nossa manifestação.
As Madalenas desta vida, são pessoas como nós.
Mas lá está.
É tão difícil virar um espelho como é fácil seguir em frente...
É que na vida, nem tudo passa.
E esta culpa não morre sozinha, morre comigo.

(Madalena é um nome fictício.)

30 de maio de 2014

As saudades que eu tenho disto

 

Podeís não acreditar, mas aí até aos meus 12 anos, fui atleta, e a minha posição era basicamente aquela: volante.
É tão bom ser pequenino.

E agora para uma coisa totalmente diferente desta maré negra que me assolou: PARIS!!

Da mesma forma que colecionamos os dias, colecionamos alegrias.
Nem só de nuvens se cobre o céu.
E aproveitando um post de uma rapariga muito picante, - que me deixa sempre bem disposta, porque faz uma coisa deliciosa que é ser irónica-malvada e com isso virar as pessoas do avesso, mas com os olhos da parte de fora, para conseguirem ver o estado em que ficaram, e isso, caramba, é fenomenal, é ser uma verdadeira artista, não é cá como eu, que fico logo deprimida se me aparecem visitas mal encaradas - decido deixar-vos aqui um dos momentos mais felizes da vida, só para verem que eu também tenho um momento em bom, e que a minha vida não é sempre este mesmo inferno.
Pois então:
Duas raparigas muito loucas, fartinhas de me ouvir e de me aturar as madurezas, decidiram fazer-me uma pequenina surpresa.
Levaram-me para uma tasca, enfrascaram-me de vinho e deram-me, no meio da loucura, uma caixa pequenina, fechada, e que eu ao abrir, pasmei, e ao pasmar, toldaram-se-me os olhos, e foi um mar de lágrimas tal, que o dono da tasca achou que o que ali se passava era mais um caso de violência noturna. Não era. Era só um bilhete de avião.
37 anos neste rabo, e nunca tinha ido a Paris. Saloia.
Mas isso foi só até há poucos dias, porque Paris nunca mais foi a mesma, e eu nunca mais fui a Paris, quero dizer, Paris ficou na mesma, e eu nunca mais fui a mesma desde que fui a Paris. (isto não anda bom..)
Era um sonho antigo. Demasiado.
Foram as minhas amigas de sempre.
Isto é que foi o maior afago de ego que eu tive na minha vida, depois do caso do casamento com um Designer, tão habituado à beleza, à arte e ao belo, e se encalhou à mesma por aqui, numa Uva Passa careca.
 

 
UAAAAAUUUUUU!!!!!!!!!!


 
O Pipoco Mais Salgado Parisiense...
(Tentei saltar para ali, mas elas não me deixaram, as invejosas..)
 
 
Museu D´Orsay, é lindo, lindo, lindo, etc
 
 
Estavam todos a olhar para mim, claro. No bairro dos pintores onde comprei um famoso avental ao Sr. Designer. Tudo a ver...


 
 
E era isto que eu queria comprar, mas a loja estava fechada.
No Bairro das Piiiiiiiii.

 
Galerias La Fayette, onde o dinheiro se derrete....
 
 
Atenção anónimos!!!!! Cuidado com a Uva!
(Louvre)
 
 
 I am the Lizard King I can do anything.
Até visitar um cemitério...
Jim Morrison (1965–1971) - Cimetiere du Pere-Lachaise


Há coisas que me afligem, e algumas não são palavras.




Às vezes vivo num sítio escuro.
Às vezes o que vejo são só as ondas de impacto.
Esforço-me por entender por que motivo agem as pessoas só por ver fazer.
Talvez porque ao ver fazer, se livrem da culpa de fazer primeiro.
Toda a nossa historia negra, tudo aquilo que nos envergonha, as guerras, as crises, o medo e a culpa, são só uma questão de querer  'ser o primeiro'.
Mas quando o primeiro atira uma pedra ao invés de deitar a mão, o outro que vem depois, não constroí nada.
O primeiro que atira a pedra, tem certas certezas, julga-se, toma a dianteira daquela ação, e sente-se forte por ser o primeiro, o mais audaz.
Mas é um tolo. Cheio de si mesmo.
Ser o primeiro é um fardo demasiado grande, pois que podem os outros que nos dão força, desistir de nos acompanhar.
E fica a culpa.
E a culpa ninguém partilha.
É que a vida muda a cada dia, e a cada dia nos ensina, que para sermos alguém neste mundo, precisamos primeiro de ser nós próprios. 
E não uma sombra dos outros.
 
O mundo não se fez de pedras.
Nao é com pedras que se constroiem castelos.
 
 

29 de maio de 2014

Cães na pradaria? Não, só um bando de anónimos que precisam de ser colocados no seu devido lugar.

A conclusão a que chego, é que lhes dá o cheiro.
Ninguém lhes disse que havia aqui festa, nunca por cá passaram, não tem qualquer interesse pela tasca, mas um dia, vá-se lá saber porquê, dá-lhes o cheiro e vêm cá largar o seu comentáriozinho azedo e malcriado.
Ora este espaço pessoal, discreto, para amigos (os virtuais e os outros), que é utilizado apenas para distrair, para fazer um ou outro leitor bem disposto, alegre, triste ou zangado, enfim, um espaço vulgar que me serve de afago ao ego, e sobretudo para me rir de mim própria, não é de todo um depósito de frustrações virtuais nem tão pouco é posto de trabalho de anónimos de guerrilha, que gostam de pisar as Uvas, como fazem os vinhateiros, para ver se lhe chega o bagaço ao nariz e se as faz descambar para aquilo que tanto gostam de ver: a faca na liga.
Ora descambar é coisa que eu adoro fazer, mas não aqui, meu menino.
Eu sou uma Uva paciente e compreensiva, e acredito que possa ser às vezes ultra irritante, uma perfeita anormal e estupidamente fútil, mas caramba, ser atacada por anónimos que só aqui vêm largar três ou quatro patacoadas sem jeiteira nenhuma, para destabilizar uma alma já de si inquieta, que é a minha, a da verdadeira artista, é que não.
Tenham lá paciência.
Sigam para a frente, há por aí tanto blog giro, cheio de qualidades literárias, altamente trabalhados e preparados para vos receber, a vocês e à vossa iluminada cabeça. Que querem de uma Uva Passa? Querem rir-se, riam-se, mas não sejam desagradáveis, ok?
Vem uma pessoa aqui, todos os dias, escrever sobre temas tão interessantes, com opiniões tão lúcidas, num esforço imenso para fazer rir (alguns) leitores e com isso aliviar-lhes o fardo da vida, precisa de tudo menos de farejadores de tascas, não é verdade? que só servem para levantar a perna e mijar naquilo que os outros fazem.
Foi profundamente desagradável o comentário.
Queria só fazer um grande brinde com os meus seguidores e amigos, e com todos os que me leem e gostam do vinho que aqui se produz,  e aproveitar para explicar que coloquei a minha caixa de comentários (ai que tristeza tão grande) sob vigilância cerrada, porque considero que, sendo já o que basta a pinga que vos sirvo aqui, não vejo necessidade nenhuma de levarem com a zurrapa de cão de pessoas (que até são boas pessoas, lá na aldeia delas), mas que se comportam como profundos porcalhões.
Por isso, caro anónimo: põe-te a milhas.
Na minha tasquinha não metes tu o dedinho.