Amanhã vai a plebe comunista desfilar os cravos na lapela.
Gostava muito de ouvir uma pessoa qualquer, dessas que são entrevistadas pelos jornalixos de fim de semana, escalados para fazer a cobertura das manifestações e das maratonas, responder um coisinha mais original do que que 'estou aqui para celebrar a Liberdade'.
Gostava mesmo.
Gostava que alguém fosse capaz de dizer que estava ali para celebrar a Constituição de 1976, por ter sido o documento fundador da democracia.
Mas não. A maioria das pessoas nem sabe que o Movimento dos Capitães, os tais que salvaram a pátria, só se encanitaram com o Regime Salazarento por razões corporativas, daquelas que tão bem definem a nossa mole de cidadãos: a inveja; a inveja de ser possível aos oficiais milicianos a integração na vida militar mediante um mísero cursinho intensivo na Academia Militar, onde eles, os Capitães, tinham estudado durante anos. E pronto, foi isto, uma guerra de capoeira, uma assunção de superioridade entre os pré-Bolonha e os pós-Bolonha dos militares do Antigo Regime.
E amanhã lá vai a plebe comunista desfilar na Avenida de cravo na lapela.
Eu gostava que alguém se lembrasse de dizer para 'as televisões', que o CDS, esse farol da liberdade dos direitos e garantias do mofo e da naftalina, foi o único que em 1976 votou contra a Constituição, porque empreendeu não embarcar num texto que privilegiava o 'exercício do poder pelas classes trabalhadoras', mas que afinal estava ligado pelas veias ao um acordo com o MFA [Movimento das Forças Armadas] precisamente na defesa dessa classe trabalhadora.
Isto é extraordinário.
Enquanto andávamos todos a tentar lamber as feridas do PREC da esquerda radical, a tentar apanhar os cacos da maravilhosa 'renovação na continuidade' do não menos salazarento Marcelinho do Catano, sem que eclodisse uma guerra civil, como veio a acontecer em Angola e Moçambique, houve um alguém, desses que também desfilam de cravo na lapela na Avenida, que votou contra o documento fundador da democracia em Portugal, o mesmo que em 1982 criou o Tribunal Constitucional (TC), exatamente o mesmo orgão que serviu de bengala ao CDS para travar a fundo nas barrigas de aluguer.
Vamos falar de Liberdade?
25 de abril de 2018
24 de abril de 2018
O LIXO DOS OUTROS II
Quando em 2014 resolvi escrever sobre o lixo dos outros, atirei, com ares de superioridade, um post para a cara de alguém que me pareceu realmente imundo.
A imundice é uma característica que se pega a certas pessoas, de tal modo que por vezes até pensamos que já nasceram assim, sujinhas, andrajosas, infernais.
O inferno são quase sempre os outros comparativamente ao céu que somos nós, os impolutos, os sistemáticos, os adaptados.
Mentira.
O inferno somos sempre nós, com as nossas nojices, os nosso microbiozinhos mentais incapazes de conviver com as bactérias dos outros, porque na nossa cabeça, este grande hospedeiro que é o mundo, é sempre pequeno demais para albergar a tanta porcaria que conseguimos produzir.
E se há coisa que conseguimos produzir, essa coisa é 'a porcaria'.
E o mais engraçado é que se formos muito bons nisto, também conseguimos deixar os outros feitos em merda.
Mandy Barker is an international award winning photographer whose work involving
marine plastic [http://mandy-barker.com]
[O lixo dos outros I]
21 de abril de 2018
FELICIDADE INTERNA BRUTA [FIB]
Aposto os meus dentes da frente em como a maior parte dos meus leitores nunca ouviu falar nesta temática.
Felicidade Interna Bruta é um conceito maravilhoso, usado por pessoas de verdade, para definir o que é afinal importante desenvolver num país (local), para que a Humanidade (global) seja cada vez mais completa e satisfeita.
Surge no Butão em 1972 como resposta a críticas mesquinhas e desconstrutivas de países vizinhos, acusatórias de uma economia miseravelmente sustentável por parte dos butaneses.
O Butão, o país da felicidade e dono de um misticismo único e abrangente, decide reverter a critica e criar uma nova forma de definir 'economia sustentável'.
Qualquer país materialista, que identifica pessoas com números e que se preocupa unicamente com os aspectos quantitativos do resultado do trabalho de todos, é um país longe de ser prazeroso, pelo menos não tanto como são os países que descolam as pessoas de conceitos frios e materialistas como são os 'produtos'.
As pessoas não são produtos, os recursos não são humanos, o que interessa é desenvolver [e mensurar] os aspetos qualitativos de um determinado grupo, em vez de avaliar o que determinado grupo é capaz de produzir.
Aposto os meus dentes da frente em como a maior parte dos meus leitores vive uma Felicidade Externa [muito] Bruta, que provoca uma Infelicidade Interna [ainda mais] Bruta.
Aposto mesmo todos os meus dentes em como muitos leitores pensam em si como produtos das condições adversas de uma Infelicidade Bruta e como Recurso Humano para a Felicidade Interna Total de outras pessoas vizinhas.
Confesso que toda a infelicidade que sinto é por efetivamente ainda ter os meus dentes todos.
Felicidade Interna Bruta é um conceito maravilhoso, usado por pessoas de verdade, para definir o que é afinal importante desenvolver num país (local), para que a Humanidade (global) seja cada vez mais completa e satisfeita.
Surge no Butão em 1972 como resposta a críticas mesquinhas e desconstrutivas de países vizinhos, acusatórias de uma economia miseravelmente sustentável por parte dos butaneses.
O Butão, o país da felicidade e dono de um misticismo único e abrangente, decide reverter a critica e criar uma nova forma de definir 'economia sustentável'.
Qualquer país materialista, que identifica pessoas com números e que se preocupa unicamente com os aspectos quantitativos do resultado do trabalho de todos, é um país longe de ser prazeroso, pelo menos não tanto como são os países que descolam as pessoas de conceitos frios e materialistas como são os 'produtos'.
As pessoas não são produtos, os recursos não são humanos, o que interessa é desenvolver [e mensurar] os aspetos qualitativos de um determinado grupo, em vez de avaliar o que determinado grupo é capaz de produzir.
Aposto os meus dentes da frente em como a maior parte dos meus leitores vive uma Felicidade Externa [muito] Bruta, que provoca uma Infelicidade Interna [ainda mais] Bruta.
Aposto mesmo todos os meus dentes em como muitos leitores pensam em si como produtos das condições adversas de uma Infelicidade Bruta e como Recurso Humano para a Felicidade Interna Total de outras pessoas vizinhas.
Confesso que toda a infelicidade que sinto é por efetivamente ainda ter os meus dentes todos.
23 de fevereiro de 2018
16 de fevereiro de 2018
CAPE TOWN / CIDADE DO CABO [dos trabalhos]
Nem imaginam o que consegui hoje!!
Consegui comprar água. 6 litros ao certo.
Porque raio isso me faz feliz?
Aqui em Cape Town, estamos a passar por uma dura crise. Aquilo a que chamamos o "Day Zero" aproxima-se: no dia 16 de Abril, deixará de haver água. A primeira grande cidade no mundo.. que está a ficar sem água.
Desde o inicio deste mês apenas me é permitido gastar 50 litros de água por dia (equivalente a puxar o autoclismo 5 vezes). O meu banho não pode ultrapassar os 90 segundos. Esses 90 segundos contam a partir do momento em que abro a torneira (sim.. a água vem sempre fria ao inicio!) Carrego no autoclismo uma vez por dia. Ponho o balde debaixo do duche quando tomo banho para recolher água que pode ser usada para outros fins. Passo um guardanapo em cada prato depois de comer para retirar a maior parte da gordura para depois não gastar tanta água para os lavar. O banho do bebé da minha vizinha é feito num balde, não há lugar para brinquedos flutuarem à superfície. Gostava de ter mais umas plantas por casa, mas o meu namorado relembra-me "Aurélie, vais ter que gastar mais água para as manteres." Tento reutilizar a roupa que já usei mais vezes antes de a pôr para lavar.
Estes são alguns inconvenientes, que não considero ainda como uma grande problemática para seguir com a minha vida no dia a dia. É chato, é desconfortável, mas faz-se. O pior ainda está por chegar, faltam dois meses. Não haverá água a sair do duche, nao haverá água a sair da torneira para o copo e milhares de pessoas nesta cidade já não vão ter autoclismo para puxar.
Nos últimos meses, os cidadãos foram ainda mais alertados para pouparem água através de cartazes e comunicação pelas ruas, na TV, nas revistas, nos aeroportos, nos edifícios, nos elevadores, etc. E não é que 60% dos habitantes.. não aderiram e não se quiseram esforçar. Continuaram a gastar água na mesma. E de repente, quando estamos em cima do acontecimento, tudo entra em pânico. "Mas vamos mesmo ficar sem água? Então... e agora?!"
Estou neste momento a repensar, mais do que nunca, na inteligência do Homem e no seu egoísmo e na sua dificuldade em fazer pequenos sacrifícios no presente para poder haver um bom futuro (ou simplesmente.. um futuro!).
Os lineares dos supermercados estão vazios sem garrafas de água há mais de um mês. Começou a caça. E hoje, por acaso, encontrei 4 garrafas, deixadas para trás. E não é que sinto que já ganhei um pedacinho do meu dia, com uma coisa tão simples.
É difícil.
É mesmo difícil eu idealizar que a água que vejo a sair de qualquer torneira todos os dias desde que nasci, em qualquer momento que quisesse, na quantidade que eu quisesse possa um dia acabar. Termos água a correr da torneira é um luxo e é errado acharmos que é algo de garantido. É uma lição que já me custou mais a aprender (e que continuo a aprender). Há que repensar no nosso consumo
🙂 Water is life.
E em Abril, quando deixar de haver água aqui?
Porque raio isso me faz feliz?
Aqui em Cape Town, estamos a passar por uma dura crise. Aquilo a que chamamos o "Day Zero" aproxima-se: no dia 16 de Abril, deixará de haver água. A primeira grande cidade no mundo.. que está a ficar sem água.
Desde o inicio deste mês apenas me é permitido gastar 50 litros de água por dia (equivalente a puxar o autoclismo 5 vezes). O meu banho não pode ultrapassar os 90 segundos. Esses 90 segundos contam a partir do momento em que abro a torneira (sim.. a água vem sempre fria ao inicio!) Carrego no autoclismo uma vez por dia. Ponho o balde debaixo do duche quando tomo banho para recolher água que pode ser usada para outros fins. Passo um guardanapo em cada prato depois de comer para retirar a maior parte da gordura para depois não gastar tanta água para os lavar. O banho do bebé da minha vizinha é feito num balde, não há lugar para brinquedos flutuarem à superfície. Gostava de ter mais umas plantas por casa, mas o meu namorado relembra-me "Aurélie, vais ter que gastar mais água para as manteres." Tento reutilizar a roupa que já usei mais vezes antes de a pôr para lavar.
Estes são alguns inconvenientes, que não considero ainda como uma grande problemática para seguir com a minha vida no dia a dia. É chato, é desconfortável, mas faz-se. O pior ainda está por chegar, faltam dois meses. Não haverá água a sair do duche, nao haverá água a sair da torneira para o copo e milhares de pessoas nesta cidade já não vão ter autoclismo para puxar.
Nos últimos meses, os cidadãos foram ainda mais alertados para pouparem água através de cartazes e comunicação pelas ruas, na TV, nas revistas, nos aeroportos, nos edifícios, nos elevadores, etc. E não é que 60% dos habitantes.. não aderiram e não se quiseram esforçar. Continuaram a gastar água na mesma. E de repente, quando estamos em cima do acontecimento, tudo entra em pânico. "Mas vamos mesmo ficar sem água? Então... e agora?!"
Estou neste momento a repensar, mais do que nunca, na inteligência do Homem e no seu egoísmo e na sua dificuldade em fazer pequenos sacrifícios no presente para poder haver um bom futuro (ou simplesmente.. um futuro!).
Os lineares dos supermercados estão vazios sem garrafas de água há mais de um mês. Começou a caça. E hoje, por acaso, encontrei 4 garrafas, deixadas para trás. E não é que sinto que já ganhei um pedacinho do meu dia, com uma coisa tão simples.
É difícil.
É mesmo difícil eu idealizar que a água que vejo a sair de qualquer torneira todos os dias desde que nasci, em qualquer momento que quisesse, na quantidade que eu quisesse possa um dia acabar. Termos água a correr da torneira é um luxo e é errado acharmos que é algo de garantido. É uma lição que já me custou mais a aprender (e que continuo a aprender). Há que repensar no nosso consumo
E em Abril, quando deixar de haver água aqui?
PRETO NO BRANCO
Eu sou negro, ele é negro, tu és um negro:
Lista negra
Dia negro
Magia negra
Câmbio negro
Vala negra
Mercado negro
Peste negra
Buraco negro
Ovelha negra
Humor negro
Nuvem negra
Passado negro
Futuro negro
Fome negra
Eu sou preto, ele é preto, tu és um preto:
Feijão preto
Carro preto
Café preto
Nota preta
Negro = necro = nekro = necro= sem energia de vida = corpo morto
Preto = Kem = essência do que é = da vida = origem = divindade
Aí têm.
A prova sobre a força das palavras - e de como facilmente podemos enganar-nos [tanto] na escolha das mesmas.
Lista negra
Dia negro
Magia negra
Câmbio negro
Vala negra
Mercado negro
Peste negra
Buraco negro
Ovelha negra
Humor negro
Nuvem negra
Passado negro
Futuro negro
Fome negra
Eu sou preto, ele é preto, tu és um preto:
Feijão preto
Carro preto
Café preto
Nota preta
Negro = necro = nekro = necro= sem energia de vida = corpo morto
Preto = Kem = essência do que é = da vida = origem = divindade
Aí têm.
A prova sobre a força das palavras - e de como facilmente podemos enganar-nos [tanto] na escolha das mesmas.
14 de fevereiro de 2018
13 de fevereiro de 2018
QUERO UM CÃO!
«Esta é uma época em que um filho é, acima de tudo, um objeto de consumo emocional. Os objectos de consumo servem necessidades, desejos ou impulsos do consumidor. Assim também os filhos. [...] Para desalento dos comerciantes, o mercado de bens de consumo ainda não é capaz de fornecer substitutos à altura.»
A frase, que excertei do livro 'Amor Líquido' de Zygmunt Bauman, era qualquer coisa de extraordinário, se extraordinárias não fossem todas as frases de Zygmunt Bauman.
Reparem bem no que ele argumenta: os filhos são bens de consumo que servem necessidades. É duríssimo.
Parto daqui para uma ideia em construção, sem certezas absolutas mas bastante desconfiada, de que certas pessoas - e não são tão poucas quanto isso - tendo necessidades diferentes e meios económicos diversos para satisfazer essas necessidades, podem estar a assumir o cabeçalato de uma corrente que pretende dar mais ânimo aos comerciantes e ao mercado, na descoberta de um substituto para a inquestionável sede de consumo emocional que todos temos, quase sem exceção, enquanto Humanidade.
Não é pouco comum conhecermos rapazes e raparigas completamente desligados da 'necessidade de ter filhos' ou ligados à ideia de que ter filhos é um investimento grande demais para o nível de risco que acarreta.
É uma resolução que a longo prazo elimina qualquer possibilidade de crescimento do mercado, visto que o mercado só se renova com a renovação da população, porquanto criamos serviços para pessoas de todas as idades e não só para adultos ou séniors.
O mercado tende, claro, a responder a estas novas formas de vida (ou escolhas de vida) controlando o consumidor através de auxiliares emocionais, sobretudo para os indivíduos que escolheram não procriar ou que têm resistência em fazê-lo.
O que quero dizer é que o mercado está a fazer uma grande pressão na sociedade e encontra-se neste momento a regular o impulso do consumidor através de diversas leis e regras, que nos impõem os animais como pessoas.
Duríssimo.
Vejamos: está completamente fora de questão [mas há exceções, que isto não é ciência é humanidades] um casal sem filhos não ter um cão, ou outro animal de estimação, para suprir a necessidade emocional que carrega (também em diferentes níveis) nos seus genes.
Deriva também desta premissa o facto de, como espécie, não sermos capazes de usar para sempre os recursos animais para nos alimentarmos, e vai daí, o Senhor Mercado regula para que haja consciência ambiental que promova a alimentação vegetarina ou mesmo vegan.
O Senhor Mercado sabe que nem todas as pessoas poderão ter filhos num futuro que está muito próximo e regula no sentido de substituir essa enorme fonte de desespero social.
Acredito muito que em breve - apesar de haver uma larga franja da população que se insurgirá contra isso, sobredeterminada por uma visão que é já arcaica [julgo eu] de que os animais de estimação devem ocupar um espaço totalmente diferenciado da restante população - o facto de se entrar num restaurante e dar de caras com uma matilha de cães que por ali deambulam à procura dos restos dos vários comensais presentes, será qualquer coisa de muitíssimo comum, passando depois para o muitíssimo normal, e depois para o completamente indiferente.
Assim sendo, não vale a pena discutir mais nada sobre isto, pois que não há nenhuma forma nem vontade, por parte do Senhor Mercado, em parar aquilo que ele encontrou como sendo a única maneira de suprir as necessidades emocionais das pessoas, ao mesmo tempo que determina pela regulação quais são essas necessidades.
Nem contra nem a favor, sou antes uma mera espectadora da evolução da espécie [também animal].
A frase, que excertei do livro 'Amor Líquido' de Zygmunt Bauman, era qualquer coisa de extraordinário, se extraordinárias não fossem todas as frases de Zygmunt Bauman.
Reparem bem no que ele argumenta: os filhos são bens de consumo que servem necessidades. É duríssimo.
Parto daqui para uma ideia em construção, sem certezas absolutas mas bastante desconfiada, de que certas pessoas - e não são tão poucas quanto isso - tendo necessidades diferentes e meios económicos diversos para satisfazer essas necessidades, podem estar a assumir o cabeçalato de uma corrente que pretende dar mais ânimo aos comerciantes e ao mercado, na descoberta de um substituto para a inquestionável sede de consumo emocional que todos temos, quase sem exceção, enquanto Humanidade.
Não é pouco comum conhecermos rapazes e raparigas completamente desligados da 'necessidade de ter filhos' ou ligados à ideia de que ter filhos é um investimento grande demais para o nível de risco que acarreta.
É uma resolução que a longo prazo elimina qualquer possibilidade de crescimento do mercado, visto que o mercado só se renova com a renovação da população, porquanto criamos serviços para pessoas de todas as idades e não só para adultos ou séniors.
O mercado tende, claro, a responder a estas novas formas de vida (ou escolhas de vida) controlando o consumidor através de auxiliares emocionais, sobretudo para os indivíduos que escolheram não procriar ou que têm resistência em fazê-lo.
O que quero dizer é que o mercado está a fazer uma grande pressão na sociedade e encontra-se neste momento a regular o impulso do consumidor através de diversas leis e regras, que nos impõem os animais como pessoas.
Duríssimo.
Vejamos: está completamente fora de questão [mas há exceções, que isto não é ciência é humanidades] um casal sem filhos não ter um cão, ou outro animal de estimação, para suprir a necessidade emocional que carrega (também em diferentes níveis) nos seus genes.
Deriva também desta premissa o facto de, como espécie, não sermos capazes de usar para sempre os recursos animais para nos alimentarmos, e vai daí, o Senhor Mercado regula para que haja consciência ambiental que promova a alimentação vegetarina ou mesmo vegan.
O Senhor Mercado sabe que nem todas as pessoas poderão ter filhos num futuro que está muito próximo e regula no sentido de substituir essa enorme fonte de desespero social.
Acredito muito que em breve - apesar de haver uma larga franja da população que se insurgirá contra isso, sobredeterminada por uma visão que é já arcaica [julgo eu] de que os animais de estimação devem ocupar um espaço totalmente diferenciado da restante população - o facto de se entrar num restaurante e dar de caras com uma matilha de cães que por ali deambulam à procura dos restos dos vários comensais presentes, será qualquer coisa de muitíssimo comum, passando depois para o muitíssimo normal, e depois para o completamente indiferente.
Assim sendo, não vale a pena discutir mais nada sobre isto, pois que não há nenhuma forma nem vontade, por parte do Senhor Mercado, em parar aquilo que ele encontrou como sendo a única maneira de suprir as necessidades emocionais das pessoas, ao mesmo tempo que determina pela regulação quais são essas necessidades.
Nem contra nem a favor, sou antes uma mera espectadora da evolução da espécie [também animal].
12 de fevereiro de 2018
P[ÓDIOS]
Sou uma Uva Passa, mas não sou assim tão velha, e por não ser assim tão velha é que tenho invulgar lembrança de coisas que grande parte das pessoas já se esqueceram.
Tendemos todos para a bulimia nervosa aplicada à informação cibernética, porquanto nos saciamos das polémicas virtuais tão vorazmente, que só vomitando tudo cá para fora é que conseguimos assimilar mais qualquer coisa de novo.
Na maior parte dos casos não há efetivamente nada de novo. São sempre as mesmas coisas, o longo bocejo da repetição, a mesquinhice, as inseguranças de quem se vê no pódio demasiadas vezes - por coisa nenhuma, os arrufos sacrossantos do clickbait levados ao exponente máximo da humilhação pessoal, os recadinhos de bastidores, o veneno e a displicência pela inteligência dos outros.
É triste, sobretudo porque os verdadeiros pódios da vida são concretizações pessoais e individuais e são, atrevo-me a dizer, conseguimentos íntimos que se bastam por si só e não carecem nem de aplausos e nem de dentadas em medalhas.
Tenho grande respeito por quem sobe aos pódios a pulso, lembrando sempre a velhinha expressão do self made Human, pessoas que são ao mesmo tempo brilhantes e humildes, que partilham os méritos e guardam para si as falhas [também dos outros].
Por ser uma Uva Passa, mas não ser assim tão velha, é que me lembro que em 1995 - quando renhidamente se votavam os Óscares de Hollywood - o filme «Forest Gump» e o ator Tom Hanks arrecadaram, respetivamente, melhor filme e melhor ator.
Foi realmente invejável a quantidade de fãs que o filme e o ator vieram a ter, impulsionados pela grande industria carneirófila que papa tudo o que é 'hit' do momento.
«Condenados de Shawshank» é atualmente um dos títulos mais vendidos no mercado de DVD e Blu-ray, ultrapassando em muitos milhares de milhões de cópias vendidas, o vencedor insofismável da competição de '95.
Eu confio, e espero, que todas as pessoas que assistem em primeira, segunda ou última fila os "conseguimentos" dos outros, saibam ver, e avaliar, com grande rigor, se quem ocupa atualmente certos pódios é verdadeiramente merecedor dos mesmos.
Não só por uma questão de justiça! mas para que depois não lhe venha a história dizer, na sua irremediável soberba, que passaram grande parte das suas vidas a ver o filme errado.
A Abraham Lincon é atribuída a frase:
«Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.»
Tendemos todos para a bulimia nervosa aplicada à informação cibernética, porquanto nos saciamos das polémicas virtuais tão vorazmente, que só vomitando tudo cá para fora é que conseguimos assimilar mais qualquer coisa de novo.
Na maior parte dos casos não há efetivamente nada de novo. São sempre as mesmas coisas, o longo bocejo da repetição, a mesquinhice, as inseguranças de quem se vê no pódio demasiadas vezes - por coisa nenhuma, os arrufos sacrossantos do clickbait levados ao exponente máximo da humilhação pessoal, os recadinhos de bastidores, o veneno e a displicência pela inteligência dos outros.
É triste, sobretudo porque os verdadeiros pódios da vida são concretizações pessoais e individuais e são, atrevo-me a dizer, conseguimentos íntimos que se bastam por si só e não carecem nem de aplausos e nem de dentadas em medalhas.
Tenho grande respeito por quem sobe aos pódios a pulso, lembrando sempre a velhinha expressão do self made Human, pessoas que são ao mesmo tempo brilhantes e humildes, que partilham os méritos e guardam para si as falhas [também dos outros].
Por ser uma Uva Passa, mas não ser assim tão velha, é que me lembro que em 1995 - quando renhidamente se votavam os Óscares de Hollywood - o filme «Forest Gump» e o ator Tom Hanks arrecadaram, respetivamente, melhor filme e melhor ator.
Foi realmente invejável a quantidade de fãs que o filme e o ator vieram a ter, impulsionados pela grande industria carneirófila que papa tudo o que é 'hit' do momento.
Nessa mesma competição estava o filme «Condenados de Shawshank», com Morgan Freeman no principal papel, que [é incrédulo!] não ganhou absolutamente nada.
A verdade é que a história é cruel para quem ocupa falsos pódios.«Condenados de Shawshank» é atualmente um dos títulos mais vendidos no mercado de DVD e Blu-ray, ultrapassando em muitos milhares de milhões de cópias vendidas, o vencedor insofismável da competição de '95.
Eu confio, e espero, que todas as pessoas que assistem em primeira, segunda ou última fila os "conseguimentos" dos outros, saibam ver, e avaliar, com grande rigor, se quem ocupa atualmente certos pódios é verdadeiramente merecedor dos mesmos.
Não só por uma questão de justiça! mas para que depois não lhe venha a história dizer, na sua irremediável soberba, que passaram grande parte das suas vidas a ver o filme errado.
A Abraham Lincon é atribuída a frase:
«Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.»
10 de fevereiro de 2018
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