6 de julho de 2015

Fica a dica

Abrir actividade nas Finanças devia ter no formulário imagens chocantes de pessoas falidas por penhoras.

Vamos lá contar bem esta história

Por um lado temos a razão.

A razão diz-nos que há um país dentro da União Europeia que foi levado ao colo, ajudado, apoiado por todos, logo que a crise lhe estalou nas mãos.
A Grécia, sem capacidade para cumprir as suas responsabilidades, muito por sua responsabilidade, foi forçada ao pedido de ajuda externa, ao qual acederam TODOS os países unidos. 
Essa ajuda monetária foi dada por cada um dos países em função do seu nível de riqueza, baseada em fatores que se assemelham muito à quota de condomínio, isto é, se a minha casa tem uma permilagem maior que a tua, eu pago mais de quota porque parte-se do principio que na minha casa (que é maior) vive mais gente e somos por isso mais pessoas a fazer despesa, a sujar a escada, a utilizar mais vezes o elevador. A Grécia recebeu esse dinheiro emprestado, sendo que esse dinheiro foi emprestado com juros muito melhores do que foi por exemplo emprestado a Portugal.
Tudo bem. 
Uns são filhos outros são enteados, nada de novo para a vulgar família, afinal aquele filho é que está mal, necessitado, e já se sabe que a mãe gosta de todos de igual maneira, mas ajuda sempre o que mais padece. A Grécia recebeu dinheiro dos contribuintes dos países da União Europeia, dos empresários, das empresas, das famílias, de todos os elementos constituintes dos países, mesmo os que são, ou eram, mais pobres que a Grécia. A solidariedade é isto mesmo. Até os pobres são chamados a dar.
A Grécia foi abraçada, perdoada.
Não chegou. O dinheiro nunca chega quando a gestão é danosa e a corrupção um modo de vida.
O perdão da divida grega, coisa que foi de uma elevação só vista nos bons samaritanos, foi um altruísmo bonito. Toda a gente gostou de saber que a União faz a força e a força foi humanitária. Os irmãos viram-se gregos para pagar o empréstimo e grande família unida perdoou parte da divida.
Mas nem só o bom filho à casa torna. O mau filho também torna, e torna doente, outra vez e sempre doente, quando se acaba o dinheiro, qual karma familiar. 
E entretanto, enquanto o mau filho anda desorientado, a dormir na rua, a fazer manifestações, os outros continuam a trabalhar, a pagar os seus empréstimos, a apertar o cinto, a ceder a exigências. Porque a igualdade não se verifica entre irmãos, o que se verifica é a máxima familiar - afinal somos todos uma grande família -, de que gostamos de todos os filhos com o mesmo amor, mas aquele precisa mais, aquele é doente, aquele é monetáriodependente.
Mas é tempo de dizer 'basta'! Ou te recompões e te tratas ou então nada feito.
E nada feito. 
Nem a ´mãe' acredita que ele faça as reformas que justifiquem uma nova reestruturação voluntária da dívida [e que tem para com todos os irmãos], nem os irmãos estão dispostos a abdicar de uma vida melhor por ele. Afinal há anos que o mano se demite de as fazer, e deixá-lo morrer intoxicado parece ser a única saída. É um cancro maligno. Antes que se dê a metástase vamos acabar com ele.
O Syriza (mano doente) quer implementar a teoria do comunismo com o dinheiro dos outros (mesmo daqueles países ainda mais pobres que a Grécia), quer receber o mesmo que os manos, viver como os manos, redistribuindo a riqueza de todos igualitariamente, mas sem fazer absolutamente nada para tal. Compra a casa a crédito, o carro a crédito, as férias a crédito, mas depois não paga porque não tem dinheiro. Mas a culpa é dos manos muito invejosos e da 'mãe' que é muito austera, que não lhe dá dinheiro para ele ir de férias como os outros meninos e que o repreende em frente a toda a gente. Quer pô-lo fora de casa, para bem e para descanso dos restantes manos e da estabilidade da família.

Por outro lado temos a emoção.

A emoção diz-nos que há um país em dificuldades, manco, doente, sem capacidade para se reerguer, com pessoas a sofrer, com famílias inteiras sem emprego, com capitais a fugir dos bancos, com uma bancarrota à porta.
É preciso ajudar aquela gente, é preciso arranjar dinheiro para as pensões, para os funcionários públicos, para os hospitais, para que tudo funcione bem oleado, com o dinheiro a cair por uma telha, comme il faut.  
A Grécia é um exemplo de bravura, a casa da Democracia, onde os seus habitantes não se submetem à escravatura monetária da 'mãe', à austeridade que mata e mói e debilita e enfraquece.
Não cederá, e não cederemos, ao Estado-Comum!
A Grécia quer pagar, mas não há-de ser como os seus credores entendem, há-de ser como ela quer, como é justo, como é melhor!
O  monetáriodependente, foi novamente para o casino, e estoirou com tudo o que a mãe e os manos lhe deram para o ajudarem. Já nada resulta. Está completamente agarrado, a comer as pedras da calçada. Já fragilizado, teve uma recaída, e como a família resolveu fazer-lhe um ultimato, ele resolveu por seu lado revoltar-se com a família e deitar a toalha ao chão. É atualmente um animal acossado, que não distingue a mão que o quer ajudar, da mão que lhe quer apertar o pescoço.
Fez uma espécie de greve de fome, arranjou amigos, foi para as ruas, emocionou meio mundo que se uniu numa onda solidária capaz até de se juntar num gigantesco crowdfunding para o meter novamente nos carris e quem sabe, regressar ao Casino só para cumprimentar a malta.  
E todas as vozes se levantaram contra os credores, contra a mãe tirana, contra a mãe que abandona o filho doente.
A Grécia precisa de todos nós, a Grécia é o mano doente, a Grécia precisa de ajuda.
A Grécia precisa agora e para sempre, de ajuda humanitária.
Vamos todos salvar a Grécia.
Não à ditadura económica.
Um por todos e todos por um.
Quem emprestou o dinheiro é que teve a culpa da situação.
Toda a gente sabe que não se deve dar dinheiro a drogados.

E no fim a realidade.

Entretanto, farto de andar à míngua, e zangado com os manos que já não lhe emprestam nem mais um tusto, o mano doente, o senhor do grande motão, da não gravata, do sentar no chão, do fixe meu, do pá, tu cá tu lá, resolveu fazer um referendo para decidir se continuava lá em casa sem pagar as dívidas aos manos, ou se se rendia definitivamente às regras familiares, impostas naturalmente a todos os membros da família, de que empréstimos são para se pagar, mesmo que a contrapartida seja deixar de ir gastar dinheiro para o casino.  Foram chamados às urnas para se pronunciarem numa das mais importantes decisões da sua vida, e mesmo assim 40% não foram lá.
Depois de ter o apoio de todos, da comunidade, do mundo, o principal instigador desta revolta virou as costas e demitiu-se. Nova recaída. Sai de fininho e diz: quero lá saber se a vida está cara! Eu quero é barato.

E agora eu.

As pessoas, os cidadãos, que em nada decidem, ou influenciam, sobre o destino do dinheiro que os estados membros emprestam à Grécia (e tão pouco o que os sucessivos e corruptos governos gregos gastaram alarvemente antes da crise), que em última instância nada sabem sobre as bolhas do imobiliário, a crise, o default, o FMI, a TROIKA, sobre a corrupção do poder e tudo o que levou a Grécia a esta triste situação, andam, como marionetas trôpegas, a votar referendos emocionados e incoerentes (e caros) e a ondular nas avenidas, enganadas, traumatizadas, desesperadas, sem saber, agora, ou tão cedo, quem afinal as pode salvar desta grande, grande miséria, porque de um lado têm os credores sem ressarcimento, com as suas razões, e do outro lado o devedor sem sentimento com as suas emoções.
Foram no fundo abandonados por todos.
A Grécia precisa de ajuda humanitária.
A Grécia precisa sobretudo de alguém que não lhes vire as costas.  
Eu não viro as costas à Grécia.
Apesar de considerar uma afronta aquilo que a ditadura financeira neoliberal nos quer impor à força toda, que é empurrar a divida dos bancos para os cidadãos, e considerar que a Grécia deve fazer de tudo para se recompor, mesmo que isso implique mais austeridade, cá estarei para responder à quota solidária que me couber.
Cá estarei SE a quota for efetivamente para salvar pessoas, SE a transparência da utilização dos fundos for total, e SE as pessoas encarregues de administrar as divisas humanitárias forem não-gregas-ligadas-aos-partidos-e-aos-cartéis.  
Caso contrário a quota de solidariedade servirá só para o monetáriodependente continuar a viver no casino.
E eu tenho muito azar ao jogo.

4 de julho de 2015

Blogo-Batota

(No DESblogue D´Elite de hoje)


Proibido não é! 
Na blogosfera como na vida não há proibições, mas tens de pagar um preço pornográfico que não permita, jamais, que o encantamento se quebre.
Este preço é o que te dá, entre milhões de blogs comezinhos, de má literatura, de má e inverosímil publicidade, a bóia, ou se quiseres, a superação, de todos os teus percalços, de todos os teus 'maus dias, 'maus posts' e 'respostas defensivas a perguntas simples' que põe a descoberto a tua batota.
É a qualidade e a verosimilhança que imprimes aquilo que vendes, que dizes, que apregoas, que publicitas, que finalmente te colocará acima de qualquer suspeita, de qualquer testa franzida, de qualquer desconfiança, livrando-te da culpa de que foste mesmo tu que cortaste a cabeça ao pobre cliente malvado, e que o colocaste dentro do rio, sem complacências,  com uma pedra presa na canela.
Onde é que isso se vende? Em que armazém posso eu encomendar a qualidade avassaladora que me permite seguir caminhando por cima das águas, enquanto os outros se afundam num mar de mentiras e batotas baratas?
Depende muito dos cúmplices que entendes contratar para manteres o álibi de te colocar dali para fora, de fora do crime que na verdade andas a cometer todos os dias, sobre a capa da qualidade que sabes bem que não tens.
Mas proibido não é!
A verosimilhança que tentas imprimir às coisas que diariamente te propões a partilhar, essa vontade cega que tens, e deves ter - afinal é um negócio - de persuadir quem te lê, e que somos nós todos, os do outro lado, os bons e os maus, tens de contar com isso, os leitores exigentes e os banais, os informados e os ignorantes, os curiosos e sábios e as debulhadoras que tudo engolem; tens de a saber merecer, porque de uma forma geral nós, os maus, desconfiamos muito das coincidências da batota encapotada, mesmo que a aceitemos como garantida em certos espaços, alguns até bastante competentes.
Acontece que toda a gente, pelo menos os minimamente evoluídos, sabe, não te iludas, quando vai ao teu espetáculo de marionetas, abstrair-se dos fios. 
Sabemos todos muito bem o que são marionetas e que estão presas por fios.
Proibido não é! 
Um espetáculo de marionetas é sem dúvida de grande perícia.
Não queiras é fazer das marionetas gente de verdade, não queiras é enganar o teu público dizendo que aquilo que vemos, os fios e aquela parafernália toda que tão bem montaste, são reais, porque se souberes imprimir uma qualidade, uma beleza, um cunho, ao teu Espetáculo de Marionetas, terás pessoas que embora saibam que aquilo não é real, saibam também com o que podem contar.
E o encantamento não se quebra.
Mas a blogo-batota está-te no sangue. Está no sangue de todos nós, na bloga como na vida. 
Mas se calhar já estava mais do que na hora de assumires que muito daquilo que apregoas está mesmo, mesmo, preso por fios.
E rematando metaforicamente, a boa literatura é disso um grande exemplo. Toda a gente sabe que a história não é real, que é totalmente ficcionada, que não há maneira de fazer corresponder aquilo à realidade, mas o livro é um best seller, vendido em todos os países, uma coisa muito boa.
Blogo-batota sim, mas com qualidade.
E onde é que isso se vende?


3 de julho de 2015

Diz-me que filho tens, dir-te-ei quem és!







Peripécias de uma bicicleta

Corriam os idos de 2006.
Pois que já lá vão 9 anos, não é verdade?
Naquela altura a vida corria sem sobressaltos, eu ainda usava saltos e a ML ainda estava por nascer.
Não sei quem é que se lembrou de nos inscrever na  World Bike Tour Lisboa, mas na altura pareceu-me uma excelente ideia. Uma bicicleta pelo preço da inscrição, se não me engano 50,00€, fazer a ponte Vasco da Gama de bicicleta e aproveitar para dar ao pedal, muito embora as minhas canetas estivessem bastante enguiçadas, foi uma experiência que pensei que iria gostar de ter.
Mas não gostei.
Logo para inicio de conversa a minha percepção do percurso era de quem ia (e ainda vai) com o rabo muito sentado num confortável automóvel (se é que se pode chamar à burra de automóvel), normalmente a caminho do almoço da minha sogra, chélp, chlép, com as minha marquises na cara, grande sonzaço a bombar e um solinho de meio dia mesmo em cheio no meio da testa. O mesmo percurso em cima de um selim quase de pau, instalado numa bicicleta de ferro super pesadona, meus amigos, é para rebentar com qualquer rabo; então ali naquela parte da subida, caramba que aquela merda não parece mas é íngreme como o caneco!,  já eu tinha as nádegas em sangue e os pulmões derretidos.
Aquilo é muito giro, que é, mas é para quem quer sentir-se humilhado por ser ultrapassado por pessoas que vão a pé, ou por crianças de 5 anos que já andam naqueles cavalos sem rodinhas.
A turba avançava sedenda de vitória, zac zac zac, todos profissionais, cheios de músculos e o cacete,  e eu ia fazendo o que podia, encostada à berma, e agarrando-me ao corrimão.
Uma lástima.
Nem sequer consegui fazer amigos nenhuns de jeito porque assim que começávamos uma conversa, rapidamente os perdíamos de vista porque eu, claro, estava sempre a ver se metia o rabo ao fresco.
E foi um suplício tão imenso chegar à meta, e foi um suplício tão maior chegar a casa, primeiro carregando o menir pelas escadas do Metro, e depois até à minha casa que fica no cimo da freguesia, que assim que cheguei, enfiei a bicicleta na arrecadação, dei-lhe um pontapé, tapei-a com um plástico e nunca mais a vi.
Até ontem.
Passados 9 anos daquela que foi a experiência mais desgastante da minha vida de atleta-aramada-ao-pingarelho, lembrei-me da bicicleta e que talvez fosse boa ideia desamparar a arrecadação para guardar a coleção de sapatos de inverno. Umas botas e uns ténis.
E cá está ela, novinha em folha, pneus impecáveis, corrente superlativa, uma bonequinha.
Passados 9 anos, alguma coisa tem de mudar.
Agora é que vai ser.
Vou vendê-la.


2 de julho de 2015

Vivo uma paixão platónica com uma mulher casada.

Anónima Maria, é uma  mulher romântica e intensamente apaixonada por Uva Passa, esta última, uma mulher casada (e fiel ao seu lindíssimo, sensual, alto, magro, inteligente e multimilionário marido), que leva um blog generalista ronhonhó. 
Para complicar ainda mais a situação, as duas frequentam a mesma blogosfera, apesar de terem funções diferentes - a Uva Passa é a dona do blog ronhonhó, cada vez pior, diz, uma porcaria de blog, uma blogo-tasca, que nem fontes põe nas imagens que costuma partilhar, uma falta de generosidade atroz, capaz de ir presa com a brincadeira, mas que ela gosta de muito frequentar, ui se gosta, por lhe fazer lembrar as blogo-tascas da sua infância, quando ainda não sabia ler as legendas. 
E tendo tempo livre e 5 dedos em cada mão, desconhecendo-se quantos terá na testa, visita o blog da Uva Passa, aberto a toda a gente, mesmo aos que são radicalmente contra ao logon, e fá-lo amiúde, umas vezes à hora do almoço, outras vezes no intervalo para a bica.
Ao início, a Anónima Maria deixava bilhetes na caixinha das esmolas e a Uva Passa, enternecida, publicava com todo o gosto (no placard dos 'anónimos contribuidores para a causa do blog') as ternurentas palavrinhas que a Anónima Maria lá deixava.
E tudo corria muito bem, a causa era uma boa causa, o blog é o que se vê, um sucesso de blog, uma granda malha, e lá foram seguindo cada uma o seu caminho, cada uma ciente do seu lugar. 
Mas as coisas são como são, e a Uva Passa fazendo jus à sua condição de blogo-tasca, deu em postar zurrapa - que isto gregos e troianos é muita gente para agradar - e em escrever hediondos erros ortográficos que ofenderam muito a Anónima Maria, criatura detentora de uma perfeição linguística de bradar aos céus das palavras, moça sempre defensora da sua língua materna, capaz de se matar por uma palavra mal escrita, mesmo que o erro seja de mera simpatia.
E isto eu até compreendo, que para blogs analfabetos já bem bastam os que bastam.
Mas há mar e mar, e a repreensão aqui à amiga Uva deu em ser aborrecida, desdenhosa e depreciativa, colocando a tónica numa questão pertinentíssima, de que a Uva andava totalmente enganada e que a elevada erudição e o grande interesse blogosférico que Uva pensava ter (cuidado! há pessoas que conseguem ler os nossos pensamentos), infelizmente não lhe assistia.
E ria-se muito por isso, talvez fruto da sua paixão assolapada, que dá assim um nervoso miudinho.
E a Anónima Maria, também ela muito ronhonhó, muito sensível, coisas de gajas, já se sabe, resolveu intentar uma ação contra a Uva Passa, e todos os dias, logo na alvorada, vinha aqui deixar um cagalhão à porta, quem sabe se para estrumar as raízes desta videira, quem sabe se para fazer um statement do tipo: vês, eu também sei cagar... postas de pescada.
Mas como o assunto já cheira mal, faço questão de o apresentar aqui na minha tasca, para verdes o amor que para aqui vai.
Mas dizia eu, que do ódiozinho à fervorosa paixão, é um passinho, e a Anónima Maria, e já se sabe que o desprezo inflama muitos corações, apaixonou-se mesmo perdidamente e agora não me desampara a loja.
A paixão platónica já dura há um ror de tempo, e agora as declarações de amor são coisa diária.
Diz que conhece muito bem a Uva Passa, ó-ó, porque ela não lhe publica os comentários azedos (que são meras opiniões que não ofendem ninguém) e que isso não se faz em virtude das regras e protocolos dos blogs que obrigam à publicação de comentários do género: esse livro que andas a ler é uma merda, vê lá se aprendes a ler literatura de verdade ou ainda que piroseira ir para a Alemanha Nazi, vê-se logo que és da plebe!!!!
E a Uva ri-se desta abécula de sangue azul, que nem sabe o que é literatura (quanto mais boa literatura) e nem sequer o que significa Alemanha Nazi. Mas vamos deixá-la na sua pacata ignorância, de volta da telenovela, agarrada ao 760 760 760.
E assim vai o blog da Uva Passa, dia após dia, recebendo a visita da Anónima Maria, mas entendendo bem as suas dores e a profunda tristeza que deve ser viver uma grande paixão não correspondida.
Uma paixão platónica com uma mulher casada.

Anónima Maria, deixo-te aqui (uma vez sem exemplo e com letra normal - para não me acusares de ter um blog anti-amblíopes) uma notinha de rodapé, porque eu sou muito ronhonhó mas não sou totalmente analfabruta.
Obrigada por me corrigires as gralhas do blog, és uma eficientíssima secretária - a ver se me mandas o CV aqui para o Rule of Law que estou precisada de alguém ali no economato para rasgar papel.
Agradecida também por me dares tema de conversa para hoje, porque se não fosses tu, Anónima Maria, não saberia do que falar.
Agora vai lá, Maria, a correr, a correr, morder nas beatas das igrejas por onde passas, a ver se te aceitam as esmolinhas, que aqui (apesar de achar a maioria das mulheres com quem me cruzo, boas como o milho), pois aqui já sabes como elas te mordem.


FIM




Toy Story

Mas digam-me, para que serve aquela parafernália de fios e cola e fita-cola e pregos, que agora deram em meter nos brinquedos das crianças??
Desconfio muito, desde que apareceu o Toy Story, que os fabricantes passaram literalmente a amarrar todos os brinquedos com medo que eles fujam das caixas.
Coisa mais parva.
A criança naquela ansiedade e a pessoa tem de se munir de uma verdadeira caixa de ferramentas para libertar os prisioneiros.
Segurança, sim, compreendo, mas Alta-Segurança?
Credo!

1 de julho de 2015

Ainda sobre os quartos das crianças

Ai ninguém ligou ao post das bolachas?

Ninguém quer saber que uma bolacha de água e sal, daquelas quadradas, vale meia carcaça e duas equivalem a uma carcaça, pois não?
Ninguém quer saber que uma fatia de pão de mistura ou uma carcaça têm cerca de 100 calorias e que é o mesmo que um copo de leite, pois não? Dois copos de leite = duas carcaças, e ninguém se importa pois não?
Ninguém quer saber que beber meio whisky é o mesmo que emborcar três copadas de vinho tinto, pois não? Um whisky normal, seis copázios de vinho, e está tudo numa nice não é?
Ninguém saber que um simples Corneto vale 300 ou 400 calorias, o mesmo que três ou quatro carcaças, pois não? Um geladinho ao almoço e outro ao jantar, são 8 papo-secos pó bucho, e tudo na paz do Senhor não é?
 
Ninguém ligou ao post das bolachas.
Depois não digam que não vos avisei.

Ó aqui para eu.... magrérrima!
 
(Eu sou o gatinho amarelo, ok?)

Bolachas de água e sal? Fujam!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Não é segredo para ninguém que a Uva se perde com as entrevistas.
Para além de ser o processo fundamental e de excelência na comunicação, é, se corretamente utilizado e conduzido,  um dos mais poderosos elementos de reflexão, tanto para o próprio entrevistado como para quem se destina a entrevista.
Gosto de entrevistas de todos os tipos e a todo o género de pessoas. 
Seguindo um princípio muito cultivado pelas pessoas da minha seita religiosa, vulgo, os curiosos-abelhudos, o mítico 'perguntar não ofende' é lei, e está implementadíssimo, desde que a pergunta seja bem feita.
A Anabela Mota Ribeiro, uma das melhores entrevistadores da atualidade, faz perguntas bem feitas e transcreve de forma soberba aquilo que é importante reter do entrevistado.
Hoje, nos mais lidos do blog que leva com tremendo sucesso, li duas entrevistas. Uma à Maria de Jesus Barroso (Publicada originalmente no DN em 2004) e outra à imensa Isabel do Carmo, que julgo dispensar tanto as apresentações como a primeira.
É sobre esta [Isabel do Carmo] que vos venho falar.
Obviamente que as entrevistas estão à disposição de quem as quiser ler [há duas à Isabel, uma sobre ela e outra sobre o profissão dela, e é desta que falo], sobretudo se houver interesse na temática da perda de peso, coisa que julgo ser do interesse da maioria dos seres viventes.
Para não maçar, que a entrevista é bastante extensa, vou só deixar-vos as partes da entrevista que julgo serem mais alarmantes.