3 de novembro de 2015

As coisas que a Uva descobre Inusitadamente

Ora bolas!
Só o descobri na sexta feira passada quando andava com as antenas no ar à procura de um livro para oferecer a uma amiguinha da ML.
E digo ora bolas porque hoje é terça feira e a miúda leu as últimas páginas ontem à noite, ou seja, devorou o livro em 4 dias.
Não calhou, mas com a 1ª edição de 2009 já o devia ter visto antes e assim escusava de lhe ter comprado o último volume (10º) quando há mais 9 para ler, ainda por cima esgotados na Buchholz.
Segundo a Wook esta coleção infantojuvenil é a mais vendida em Portugal, e a faixa etária é para miúdos a partir dos 9 anos.
Assim que abri o livro gostei logo dos textos iniciais e do formato com imagens. Às vezes não é fácil escolher os livros certos para dar aos filhos depois daquela fase dos livros fininhos, muito infantis, cheios de mentirinhas 'inocentes'.
A ML cresceu de repente e queria comprar-lhe uma coisa mais 'adulta', mas sem ser maçadora, para não dar aso a abandonos precoces.
Mas estou muito contente, acho que fiz um bom trabalho e o meu esforço foi compensado. Todas as histórias que lhe contei em pequena aguçaram-lhe o interesse para a leitura e pelo que vejo será uma leitora mais voraz do eu, que comecei tardiamente nos livros a sério.
Para quem não conhece o livro, o autor tem um blog que é este e que vale a pena visitar.

Entretanto, em letras miudinhas, conto-vos que já lhe comprei a triologia da Neblina do Carlos Ruiz Zafón (“As Luzes de Setembro”, “O Palácio da Meia Noite” e “Marina”) mas talvez seja melhor deixá-la crescer... quê? mais dois anos?

Da passagem do tempo e outros calendários

Não gosto que tratem os velhotes como se fossem crianças.
Detesto. É uma coisa que me causa a mais profunda náusea.
Ao longo da minha vida profissional tive inúmeras oportunidades de ver como são tratados os velhotes e de como é apanágio dos cuidadores, sejam familiares ou profissionais, elevarem, ou neste caso, rebaixarem, um ancião à sua condição primária, imberbe, de criança.
O velho, assim o trato porque não sou hipócrita e nem cínica, é um ser humano repleto de experiências e sabedoria, mesmo aquele que por qualquer desígnio forreta ficou sem a memória desses tantos de dias que constituem a sua longa vida. É pérfido e injusto obrigar o irmão mais velho a tomar conta dos mais pequenos, dando-lhe responsabilidades de adulto que não é, pesando-lhe nas costas uma experiência que é obrigado a inventar, envelhecendo-o. Mais ridículo será tratar um ser humano que carrega nas costas todos os anos da sua vida e fazer-lhe aviõezinhos para o fazer engolir a sopa.
Muitos dos profissionais que trabalham com velhotes adotam uma postura paternalista e de falsa condescendência que me incomoda, porque tomam a ingenuidade de quem se sente desprotegido pela idade, a carência de quem não se pode bastar sozinho, com a necessidade infantil que vimos nos filhos pequenos.
É falso e feio. É desrespeitoso e ridículo, e por isso é que de vez em quando vemos situações que nos parecem surreais, como esta, em que senhoras muito idosas se prestam 'de livre vontade' a certas 'atividades' que apesar de estarem fora da sua realidade pessoal, da sua conduta, fazem parte do Plano de Ação da instituição para aquele ano, mas que, tenho a certeza, muitas delas nem em novas as faziam.
Mas está tudo muito bem descrito nas diversas e modernas 'práticas interventivas para a 3ª idade'. O velhinho é agora uma criança que precisa muito de brincar.
Vamos então brincar aos calendários, porque 'a sensualidade não tem idade'.
E venham a nós as criancinhas.

2 de novembro de 2015

Upgrade

Os mirones que se colocam nos paredões junto ao mar para ver as ondas gigantes, são os novos desmiolados que antigamente se colocavam nas curvas para ver passar o Rally, não são?


Calhou-me o 69! Nada mau para uma virgem em provas.


Calhou-me o dorsal 69.
Não sei que raio de surpresas me reservou o Universo, mas a verdade é que o número 69 é simbolicamente (e sexualmente) 'dar a volta'.
O BTT deu uma grande volta na minha vida, e não pensem que agora ando completamente maluca a fazer exercício físico porque me chegou a crise dos 40, ou porque tenho alguma pretensão de me colocar em cima de um pódio.
Isso é tudo secundário e desinteressante.
É verdade que quanto mais tarde me agarrar ao andarilho melhor, e que quanto mais cedo me rodear de gente simpática, que se levanta da cama com o propósito de se divertir, que está, apesar das agruras da vida, dos problemas e dos desafios que todos temos de enfrentar, obstinada em aproveitar a vida de forma saudável, determinada em esquecer durante três pares de horas uma vida sedentária e rotineira, então sim, vou lá estar, e vou lá estar porque quanto mais cedo me agarrar às coisas positivas mais tempo poderei usufruir delas.
Acreditem que ter pessoas de todos os géneros, idades (ontem corri com um senhor de 80 anos que chegou primeiro do que eu), de todas as nacionalidades, que partilham à mesma hora, no mesmo local, o mesmo estado de espírito que tu, é das melhores coisas que podemos ter na vida.
É como se sentasses toda a tua família querida à roda da mesa de Natal e fosse a altura de distribuir os presentes.
E eu ontem recebi um grande presente.
Além de ter o V. sempre comigo, o meu melhor amigo (e o que nos temos divertido os dois com isto, senhores!!), tive o privilégio de conhecer uma miúda que insistiu em fazer a prova mais dura da minha vida, com um vento furioso e uma chuva inclemente e grossa a cair durante 3 horas (devem ter visto as notícias - caiu-nos toda em cima), ao meu lado, sem nunca me abandonar, sempre a puxar por mim, quando podia ter chegado entre as primeiras, ensinando-me as mudanças, a respiração, como se desce a 50km/hora a montanha asfaltada, como se sobe a montanha com o pensamento na próxima descida, e como é que sem nada em troca, só pelo companheirismo e uma qualquer magia que desconheço e não encontro na maioria das pessoas, me permitiu chegar à meta, sem desmontar uma única vez!
Sim, cheguei toda ensopada em água, cheia de frio, sem sentir as mãos, quase quase a desistir na última subida do Alegro, mas já nada pode apagar o que conquistei e tudo o que esta modalidade me tem dado.
Obrigada miúda, foste very very especial!
Obrigada a todos os que me acompanharam.
Para a semana há mais!
 
(Tenho o rabo feito num 8, o que parecendo que não também é daqueles números que dão a volta... até ao infinito.)

30 de outubro de 2015

Bom.. já que os Zportén(guistas) não se calam






Sim!!! Já sabemos que ganhaste ao Benfica, 3 batatas, muito bem pázinho, mas agora dá para te calares um bocadinho?? Não vale a pena gritar, espernear e babar para cima dos jornalistas e das televisões, armado em emplastro do Lumiar, porque isso é só ridículo e só te coloca numa posição de inferioridade relativamente ao Benfica.  Além disso, e não é pouco, só ganhas atenção para o teu lado, escusada, que não te favorece muito por imposições do teu passado lá nas claques e isso. Comporta-te rapaz, e vê lá se te fazes um homenzinho.

Artista: Selçuk Yılmaz

29 de outubro de 2015

Já chegou lá a casa o recadinho do fotógrafo da escola

Parece que há coisas que nunca mudam não é?
Parece que há certos negócios que se alojam como carrapatos a certas instituições e que dificilmente se conseguem de lá tirar.
Não sei mas parece(-me) que as escolas primárias são um alvo fácil deste tipo de negócios, talvez, quem sabe, por não haver quem meta freio naquilo. A diretora da escola que também dá aulas de substituição quando os professores faltam, que recebe os pais dos meninos problemáticos, que se ocupa dos colaboradores malcriados que gritam intervalos inteiros e que também verifica? se a comida que metem nos pratos das crianças é ou não comida, é exatamente a mesma que contrata os serviços de impressão, que toma conta do economato, dos detergentes, das lâmpadas, do buraco que se formou no meio do pátio, do aquecedor que se avariou há mais de 4 anos, e, acto contínuo, da contratação do fotógrafo dos meninos.
Talvez a diretora se preocupe com as coisas que são alvo de avaliação do Agrupamento - porque no final é ela que responde pelas despesas que ali se fazem - mas quando toca a despesas que são da total responsabilidade dos pais, parece que tudo serve, até um fotógrafo qualquer, que tira fotografias HORROROSAS vai para mais de 30 anos, mas que ninguém se preocupa em mudar.
Chegou-me mais uma vez o papelinho a casa.
12,50€ para a fotografia anual. 12,50€ que dão para uma foto de grupo, uma de busto, dois calendários e uma espécie de porta-chaves com a carinha da ML em miniatura, normalmente sem metade da testa.
Mas para que raio quero eu um porta-chaves com a fotografia da ML? É para quando perder as chaves dar indicações exatas de onde pertencem (e a quem pertencem) para lá irem a casa dar uma voltinha nas gavetas?
E o papelinho? Quem é que escreve o papelinho? É a diretora? É que se for, escusa de me dizer para eu mandar a minha filha 'bonitinha e limpinha' para a escola no dia do acontecimento fotográfico, que eu não lhe dei confiança nenhuma para essas generalizações.
Ainda para mais desde a 1ª classe que a fotografia calha invariavelmente à 4ª feira que é apenas e só, ai que raiva que isto me dá, o dia da aula de educação física de todos os meninos.

Cara diretora, vocência até pode pertencer ao grupo das que se passeiam muito bonitinhas em fato de treino pela superfície comercial, toda suada, com os cabelos todos desgrenhados, mas tenha dó e faça-me um favor: contrate um fotógrafo em condições, marque a fotografia anual para um dia escolar normal, e não seja paternalista.
Já bem basta o que basta. 

28 de outubro de 2015

DIVULGAÇÃO


Museu de Arte Antiga lança esta terça-feira uma campanha de angariação de fundos para comprar uma obra de arte. É a primeira que se faz em Portugal. A Adoração dos Magos, pintura de Domingos Sequeira, está há 170 anos na mesma família e pode ser agora comprada por 600 mil euros.

Custa apenas 6 cêntimos a cada português.
Vale muito a pena conhecer o projeto:AQUI!

Não acreditam em mim?


Então vejam bem a solução encontrada para um deputado paraplégico, Jorge Falcato do Bloco de Esquerda, para entrar e sair do parlamento.
Aquilo é para se lhe faltarem as forças nos braços, o homem voar até ao Marquês?
Mas está tudo doido?
A casa das Leis que criou uma ASAE absolutamente indignada com cafés sem WC para deficientes, que devora multas como uma debulhadora ensandecida para os prevaricadores, vai-se a ver e é a mesma que arranja um solução que é uma verdadeira BOSTA, a que chamam rampa provisória (hiper perigosa) para um deputado com problemas de locomoção?
Sem palavras para esta vergonha. É o desrespeito total pelo cidadão. É o falhanço do Estado Providência.
É muito triste ser-se doente e inválido neste país de merda!

Walking Dead


Estava eu tão entretida a ver as novas caras do Governo PáF, quando rotundo os meus olhos numa notícia que também me fez paf!
'Alteração do regime geral das pensões de velhice e invalidez'.
Claro, o ataque continua, por baixo do pano, com é apanágio da rataria apostada em acabar com o Estado Social.
Até agora, a idade de acesso à pensão de velhice era de 65 anos mais o número de meses necessários para compensar o efeito da aplicação do factor de sustentabilidade no valor da pensão: a partir de 2016 (o annus horribilis), a idade de acesso à pensão de velhice será de 66 anos mais o número de meses que, em cada ano, acrescem a esta idade em função da evolução da esperança média de vida aos 65 anos.
Mas não nos fiquemos por aqui.
A estupidez de certos grupos parlamentares não conhece limites à sua própria vida, e vai daí, semeia um vento que os vai atingir em cheio nas ventas.
Esta gente acha que vai viver jovem e saudável para sempre.
Vão haver alterações ao regime especial de proteção na invalidez.
É para fazer cagada que se faça à séria.
As doenças englobadas foram alargadas e fazem disto uma grande bandeira:
A Paramiloidose Familiar, Doença de Machado Joseph, Sida, Esclerose Múltipla, Doença de Foro Oncológico, Esclerose Lateral Amiotrófica, Doença de ParKinson e Alzheimer, entram no rol mas desde que se comprove que os doentes estão totalmente dependentes de terceiros ou com uma esperança média de vida de três anos.
Entretanto se o doente viver afinal seis anos ou mesmo 20 porque a doença se tornou crónica, temos o baile armado.
O Governo defende que o diploma é mais justo e vai abranger um maior número de beneficiários.
Mentem, porque há inúmeras doenças incapacitantes para o trabalho (por exemplo a depressão, a esquizofrenia e a demência), que não nos dão 3 anos de vida e não nos faz depender totalmente de terceiros.

O novo regulamento cria assim um novo grupo de trabalhadores: os Walking Dead.
Se tem pernas para andar mesmo que estejam meio mortos, ainda dá para fazer umas horas ao patrão.