Eu já não tenho nem idade, nem estatuto social para estas merdas.
É uma frase prepotente, e potente, para quem se assume humilde, e tem uma resiliência a tascas a cheirar a vinho podre que é qualquer coisa de surreal. Mas isto é demais.
Eu já vivi muitos anos na minha curta vida. Já naveguei em muitos barcos e já estive envolvida em diversas tormentas, mas uma coisa que eu nunca tinha feito, até ontem, foi ter reclamado de um serviço num restaurante. Assim, à cara podre.
Já comi azeitonas murchas e secas, pão de há três quinze dias, comida a saber a sabão, e cerveja moribunda, mas evitei sempre a reclamação, desculpando o serviço, tendo pena das pessoas, e sobretudo, por não querer ser mais um prego no caixão dos restaurantes que morrem por essa Lisboa fora aos magotes.
Mas ontem chegou-me a mostarda à narina esquerda, a que foi sempre mais fustigada, e teve mesmo de ser.
Os dias têm sido maus, estou cansadíssima, cheia de trabalho, e há dias em que simplesmente preciso mesmo de ir a qualquer lado beber uma imperial, deitar conversa fora, gastar uns tostões.
Ontem foi um desses dias e porque fomos à Worten, decidimos aproveitar para comer uma coisa diferente, um petisquinho.
A escolha recaiu sobre um restaurante novo, de seu nome Kitchen by Monte Mar.
Peço desculpa aos visados, mas foda-se, aprendam a servir pessoas.
O Kitchen by Monte Mar é uma pseudo-marisqueira armada em sonb-chic. À entrada uma miúda de pernas muito roliças mas muito simpática acolheu-nos bem, e convidou-nos a sentar.
Eu pedi sapateira recheada e salada de polvo. Não havia sapateira. Uau. Não há sapateira na marisqueira. Ok. Pode acontecer, é um grande gap mas passa-se à frente. Então traga-me umas 'gambas à Guilho' e um pica-pau do lombo. O V. achou caro o Pica-Pau (20.00€), mas eu pensei logo numa travessa daquelas que há no Florbela do Olival Basto, e achei que com batatinhas e mais os camarõzinhos, dava para matar o bicho.
20m. Nada. Nem a cerveja, nem as azeitonas, nem o pão torrado. Rien. Desculpe, não me leve a mal, mas estou faminta, traga-me por favor qualquer coisa que se coma, o pão, as manteigas, qualquer coisa. Ok. Trouxeram o que pedi.
Primeiro embate: 'gambas à Guilho'.
Atentem.
Não é dizer mal, mas em 40 anos (quase) de vida nunca me tinham vendido uma sopa de caldo knorr com gambas congeladas e super sensaboranas, a boiar, como 'gambas à Guilho'.
Tive de meter os olhos para dentro e engolir mais uma azeitona.
Fui ver e vói lá: a sopa do dia era creme de gambas. Foi o que nos serviram. Uma merda.
Reclamei.
Oiça, isto é tudo menos 'gambas à Guilho'. Pois, tem razão, são as gambas que são pequenas não é? Não, não é o tamanho, é a forma. 'Gambas à Guilho' são fritas ao alho. Desculpe, vou transmitir ao Chef. Sim, reporte, por favor. Isto não é maneira de servir ninguém, desculpe.
Bom, traga lá o pica-pauzinho do lombo, 20,00€, deve pelo menos lavar a honra da casa.
Qual quê.
O pica-pau vinha num pratinho de sobremesa minúsculo, com 4 pedaços de carne de aspeto duvidoso, e num prato maior (que já não está na fotografia porque foi para trás) umas batatas pala-pala frias, pá, geladas mesmo, a pingar gordura.
Desculpem, isto é inadmissível e eu não posso ser enganada desta maneira. Exijo um mínimo de decência. Não posso compactuar com restaurantes que me fazem passar por este tipo de experiência degustativa, quando as mortes de porco da minha avó, há 500 anos atrás, em que se assistia ao corte dos tomates do bicho, ao guinchar o bicho, ao morrer o bicho às mãos dum facalhão, eram muito mais decentes do que isto.
Bardamerda pá. Processem-me. Mas isto não se faz a ninguém.
Aldrabões.
31 de março de 2016
30 de março de 2016
Areia para gatos - help me!
Então vamos lá tirar teimas.
Não há areia de gato (para pobres) que preste pois não?
Logo vi.
Já experimentei várias e realmente são todas uma noja.
A melhor que encontrei (qualidade/preço) foi a absorvente aglomerante do Continente, mas caramba, custa quase 5 euros e não é nada de especial no cheiro, e tenho de andar sempre a mudar, ou a pescar cocós. Tem a vantagem de vir num pacote quadrado, com abertura fácil, e de se arrumar facilmente, mas pesa que se farta e a ordinária da pega é uma pêga.
Mudar de casa não é só mudar de cabeleireira, é também adaptar-me aos supermercados da zona. O Continente aqui dos burgueses não tem a maioria das coisas que costumava comprar. A zona dos animais é ridícula e infelizmente nunca apanho este produto na prateleira.
Azar. Fui obrigada a mudar de areia.
Apanhei uma promoção de 50% no Pingo Doce desta Activ Pet, e comprei logo dois pacotes. Se não fosse o preço promocional não tinha comprado, porque é super cara. A areia é branca, envolve bem, e porta-se mais ou menos com o cheiro, mas é tão malinosa com o xixi que se transforma em argamassa ultra resistente, tipo betão, e primeiro que eu a tire da caixa, tenho de comer um bife de vaca mal passado e fazer bastante força na pá. Para mim podem ir levar na pá.
Além disso, tenho constantemente a casa cheia de bolinhas brancas porque a gata vai lá para dentro e traz aquela porcaria agarrada às patas.
E não é bonito (nem os tintins a bater no .. bom) ver areia branca no meu persa bordeaux, da sala.
Esta aqui de baixo é tipo "socorro". Cheira a casa de banho patchóli. É barata, mas deita uma poeirada desgraçada e os cocós ficam a boiar. Comprei porque não encontrei mais nada, e porque queria perceber se a areia barata também fazia as mesmas vezes. Não vale a pena. É uma valente merda.
Já ouvi de tudo no que respeita a este tema.
Conheço pessoas que mudam a areia todos os dias, completamente, e outras que deixam a areia por dez ou doze dias.
Não faço ideia o que pensam as pessoas que deixam o seu gato conviver com os mesmos cocós por dez dias seguidos, a minha gata é uma especialidade e se não lhe limpo o areião lá quando ela acha que devo limpar, põe-se aos pinotes e traz os cocós para o meio da cozinha.
Eu só tenho uma gata.
E estou farta de merda até à testa.
Ajudas?
Não há areia de gato (para pobres) que preste pois não?
Logo vi.
Já experimentei várias e realmente são todas uma noja.
A melhor que encontrei (qualidade/preço) foi a absorvente aglomerante do Continente, mas caramba, custa quase 5 euros e não é nada de especial no cheiro, e tenho de andar sempre a mudar, ou a pescar cocós. Tem a vantagem de vir num pacote quadrado, com abertura fácil, e de se arrumar facilmente, mas pesa que se farta e a ordinária da pega é uma pêga.
Mudar de casa não é só mudar de cabeleireira, é também adaptar-me aos supermercados da zona. O Continente aqui dos burgueses não tem a maioria das coisas que costumava comprar. A zona dos animais é ridícula e infelizmente nunca apanho este produto na prateleira.
Azar. Fui obrigada a mudar de areia.
Além disso, tenho constantemente a casa cheia de bolinhas brancas porque a gata vai lá para dentro e traz aquela porcaria agarrada às patas.
E não é bonito (nem os tintins a bater no .. bom) ver areia branca no meu persa bordeaux, da sala.
Esta aqui de baixo é tipo "socorro". Cheira a casa de banho patchóli. É barata, mas deita uma poeirada desgraçada e os cocós ficam a boiar. Comprei porque não encontrei mais nada, e porque queria perceber se a areia barata também fazia as mesmas vezes. Não vale a pena. É uma valente merda.
Já ouvi de tudo no que respeita a este tema.
Conheço pessoas que mudam a areia todos os dias, completamente, e outras que deixam a areia por dez ou doze dias.
Não faço ideia o que pensam as pessoas que deixam o seu gato conviver com os mesmos cocós por dez dias seguidos, a minha gata é uma especialidade e se não lhe limpo o areião lá quando ela acha que devo limpar, põe-se aos pinotes e traz os cocós para o meio da cozinha.
Eu só tenho uma gata.
E estou farta de merda até à testa.
Ajudas?
29 de março de 2016
E o que vês no teu jardim? Pergunta o Senhor ao criado
São rosas Senhor, são rosas....
Mas quais rosas, homem???
Desculpe Senhor.... são rodas Senhor, são rodas.
Mas quais rosas, homem???
Desculpe Senhor.... são rodas Senhor, são rodas.
Luaty Beirão
Hoje, e depois de tantos dias ausente, porque cansada, porque farta, porque sem palavras, poderia falar de muitos temas. Haveria decerto muitos assuntos que gostaria de debater, temas urgentes, interessantes, mas porque também eu tenho direito à indignação, essa atitude tão corriqueira e maçadora, mas que no fundo é só mesmo o que nos resta, resolvi deixar um pequeníssimo apontamento sobre Direitos Fundamentais, talvez porque este tema, que mexe com tantas coisas mas essencialmente comigo, se descolou do emaranhado de lixo (e mortos) que uma apertada ligadura me prende à cabeça, e me pesa.
Não sei se alguma vez aqui abordei, especificamente, os direitos fundamentais da primeira geração. Para enquadrar melhor o tema, e porque os direitos, todos os direitos que hoje conhecemos (direito à liberdade de expressão, direito à igualdade, etecetera), dependem diretamente destes, são os filhos destes, resolvo enaltecê-los porque é também em torno destes [direitos] que tudo se organiza.
E tudo se organizou contra o 'Estado', contra o 'Governo', contra o 'Rei'.
Os direito fundamentais de primeira geração, os direitos que foram conquistados através de iniciativas contra o poder absoluto terreno (rei) e celeste (blasfémia), digamos assim, são essencialmente o direito à vida, o direito à liberdade, e, surpreendentemente para mim, e creio que para todos, o direito à propriedade.
Contou-me aquele que tudo sabe que no século XI, em 1066, Guilherme Conquistador, transportando o gene viking, invade a Inglaterra (batalha de Hastings), e vai conquistando tudo até se tornar rei de Inglaterra. Apesar de ser normando, estranho e estrangeiro, Guilherme é aceite como rei, mas não reinará um único dia sem aprender primeiro a respeitar o povo conquistado. E um povo respeitado é um povo que é livre e que não se submete e nem aceita que os direitos que já eram os direitos deles, passem todos para a esfera do rei, sendo este o único detentor do direito de matar, usurpar as terras, invadir a propriedade alheia, sem ser punido.
Estes direitos são os direitos de primeira geração, e que mais tarde foram lavrados num dos documentos mais famosos e importantes, sobretudo importantes, da nossa história: a Magna Carta (rei João 1215).
A Magna Carta, tantas vezes esquecida pelos senhores que reinam na atualidade, pelos senhores que fazem as leis, portuguesas e outras, evoca em mim a tristeza da sua inutilidade. Quando vejo pessoas serem presas sem acusação, como é o caso ainda por desvendar do Eng. José Sócrates, quando vejo pessoas a serem presas por concordarem com uma opinião que é considerada contra o 'Estado', contra o 'Governo', contra o 'Rei', fico muito preocupada porque a base de tudo, da Humanidade tal como a conhecemos, todas as conquistas, todas as batalhas, todas as vidas que se perderam pelo caminho da luz, a Magna Carta e tudo o que dela foi sendo feito depois disso, é como se se perdesse para sempre.
Voltamos a um tempo ignorante, onde o povo livre é utopia, e onde a soberania dispensa bem os 'achaques' do povo submisso, onde o poder absoluto reina sobre todas as coisas, como um Deus omnipotente e omnipresente.
São os Direitos Fundamentais de primeira geração que nos afirmam como seres livres.
O que é o direito à vida, se continuamente prendem inocentes, dispondo, eles sim livremente, da sua vida e da sua Liberdade?
Deveremos nós, tal como fizeram os povos outrora conquistados por um punhado de vikings exigir o respeito do rei?
Como?
Como poderei eu ajudar estas almas, estas pessoas, estes injustificados prisioneiros de guerra (pela LIBERDADE), se me pesa tanto a cabeça?
Não sei se alguma vez aqui abordei, especificamente, os direitos fundamentais da primeira geração. Para enquadrar melhor o tema, e porque os direitos, todos os direitos que hoje conhecemos (direito à liberdade de expressão, direito à igualdade, etecetera), dependem diretamente destes, são os filhos destes, resolvo enaltecê-los porque é também em torno destes [direitos] que tudo se organiza.
E tudo se organizou contra o 'Estado', contra o 'Governo', contra o 'Rei'.
Os direito fundamentais de primeira geração, os direitos que foram conquistados através de iniciativas contra o poder absoluto terreno (rei) e celeste (blasfémia), digamos assim, são essencialmente o direito à vida, o direito à liberdade, e, surpreendentemente para mim, e creio que para todos, o direito à propriedade.
Contou-me aquele que tudo sabe que no século XI, em 1066, Guilherme Conquistador, transportando o gene viking, invade a Inglaterra (batalha de Hastings), e vai conquistando tudo até se tornar rei de Inglaterra. Apesar de ser normando, estranho e estrangeiro, Guilherme é aceite como rei, mas não reinará um único dia sem aprender primeiro a respeitar o povo conquistado. E um povo respeitado é um povo que é livre e que não se submete e nem aceita que os direitos que já eram os direitos deles, passem todos para a esfera do rei, sendo este o único detentor do direito de matar, usurpar as terras, invadir a propriedade alheia, sem ser punido.
Estes direitos são os direitos de primeira geração, e que mais tarde foram lavrados num dos documentos mais famosos e importantes, sobretudo importantes, da nossa história: a Magna Carta (rei João 1215).
A Magna Carta, tantas vezes esquecida pelos senhores que reinam na atualidade, pelos senhores que fazem as leis, portuguesas e outras, evoca em mim a tristeza da sua inutilidade. Quando vejo pessoas serem presas sem acusação, como é o caso ainda por desvendar do Eng. José Sócrates, quando vejo pessoas a serem presas por concordarem com uma opinião que é considerada contra o 'Estado', contra o 'Governo', contra o 'Rei', fico muito preocupada porque a base de tudo, da Humanidade tal como a conhecemos, todas as conquistas, todas as batalhas, todas as vidas que se perderam pelo caminho da luz, a Magna Carta e tudo o que dela foi sendo feito depois disso, é como se se perdesse para sempre.
Voltamos a um tempo ignorante, onde o povo livre é utopia, e onde a soberania dispensa bem os 'achaques' do povo submisso, onde o poder absoluto reina sobre todas as coisas, como um Deus omnipotente e omnipresente.
São os Direitos Fundamentais de primeira geração que nos afirmam como seres livres.
O que é o direito à vida, se continuamente prendem inocentes, dispondo, eles sim livremente, da sua vida e da sua Liberdade?
Deveremos nós, tal como fizeram os povos outrora conquistados por um punhado de vikings exigir o respeito do rei?
Como?
Como poderei eu ajudar estas almas, estas pessoas, estes injustificados prisioneiros de guerra (pela LIBERDADE), se me pesa tanto a cabeça?
19 de março de 2016
Pê de Pai
18 de março de 2016
Não tenho absolutamente nada para vos dizer
Mas que querem? É um bichinho que tenho nos dedos, alojado por baixo das unhas.
Hoje sentei-me para almoçar às 16.30h. Agarrei na minha marmita e sentei-me sozinha na copa, desolada de fome, cheia de pena de mim própria.
Não sei a que propósito inflijo estes danos ao meu corpo, não aprendi nada dos mais velhos, pese embora a minha avó velhinha me dizer vezes sem conta que quando mais nos agachamos mais mostramos o rabo.
O que me valeu, e aqueceu, é que o almoço era caril de gambas, a delicia da mãe Uva, que mesmo à hora do lanche me soube pela vida.
Pela vida vão-me saber as férias.
Férias? Sim férias.
É que não tenho nada para vos dizer, mas fiquem já sabendo que: para a semana o que se passa no Uva não vai passar no Samouco.
É Casa dos Pinheiros com ela, bicicleta às costas, filha à tiracolo, e o V. cá fica, a trabalhar (ahhhh coitado!), porque alguém tem que ganhar dinheiro, para esta gente que descansa.
Vemo-nos nos trilhos?
Hoje sentei-me para almoçar às 16.30h. Agarrei na minha marmita e sentei-me sozinha na copa, desolada de fome, cheia de pena de mim própria.
Não sei a que propósito inflijo estes danos ao meu corpo, não aprendi nada dos mais velhos, pese embora a minha avó velhinha me dizer vezes sem conta que quando mais nos agachamos mais mostramos o rabo.
O que me valeu, e aqueceu, é que o almoço era caril de gambas, a delicia da mãe Uva, que mesmo à hora do lanche me soube pela vida.
Pela vida vão-me saber as férias.
Férias? Sim férias.
É que não tenho nada para vos dizer, mas fiquem já sabendo que: para a semana o que se passa no Uva não vai passar no Samouco.
É Casa dos Pinheiros com ela, bicicleta às costas, filha à tiracolo, e o V. cá fica, a trabalhar (ahhhh coitado!), porque alguém tem que ganhar dinheiro, para esta gente que descansa.
Vemo-nos nos trilhos?
17 de março de 2016
Underground
Eu agora ando de Metro. Demoro menos de 10 minutos a chegar ao Rule of Law.
Mas o engraçado disto não é o básico da coisa, o ganho absurdo de tempo que tenho em relação ao passado, não, o engraçado disto é que passei de uma análise sociológica unipessoal, isto é, da observação de apenas uma pessoa, do V. (que me levava e trazia todos os dias, coitado) para uma análise sociológica gigante, uma mole imensa de pessoas diferentes que comigo viajam diariamente no transporte coletivo mais esdrúxulo do país.
Vou falar-vos da análise de hoje.
Faço 2 estações: Saldanha - Marquês. Em Picoas a voz off do Metro, uma rapariga monocórdica provavelmente aparentada do Bruno de Carvalho, informa os passageiros de que há perturbações na linha amarela e que o tempo de espera pode ser superior ao normal. Tudo legal. Deixei-me estar exatamente onde estava - agarrada ao varão, espreitando de quando em vez a minha imagem refletida no vidro. Serena e calma.
O que se passou a seguir é no mínimo, estúpido.
A voz of dá novamente a intempestiva informação.
Ouve-se um burburinho, um vento na palha que trespassa o comboio e se fina nos meus ouvidos.
De repente, um brasileiro danado levanta-se bruscamente do banco e sai furioso da composição. Manda um braço ao ar, faz o sinal um a tomar banho e dois a apanhar o sabonete, em direção ao altifalante, e segue estugando o passo com a mochila soldada às costas. Desaparece.
Em menos de nada saem apressadas cerca de 15 pessoas, na minha opinião precipitadamente. Mas quem sou eu.
Ainda só passou um minuto desde a informação da voz off.
À minha frente um grupo de três adolescente parece divertido com a situação. Há pessoas que desconhecendo o que ali se passa, e acabadas de chegar aos cais, entram a correr na composição com medo que se fechem as portas. Os adolescentes riem a bandeiras despregadas com esta cómica situação. Quem tem a informação tem o poder. São o elo mais fraco. Correm, cansam-se, para ficar à espera. Também acho graça mas como não sou adolescente contenho a gargalhada. É pena. Dizem que rir faz as pessoas mais novas.
Passam 3 minutos desde que a voz off interveio na rotina matinal dos passageiros. Ao meu lado, inquietos, dois alemães altíssimos olham para o mapa do Metro e encolhem diversas vezes os ombros. Viram-se para mim só porque temos o cabelo da mesma cor.
- Escusemi.
- Diga lá.
- Whatss apenants??
- Troubles. 10 minutes, tuenti, e seguimos - digo eu muito sorridente. Somos muito hospitaleiros.
- Ok. Tanques.
Gringos. Não entendo o que fazem em Portugal em Março, com um frio do caraças. Também abandonam a carruagem - claro, são muito evoluídos - sempre com a cabeça no ar à espera que lhes caia alguma explicação em alemão em cima da cabeça sobre os troubles.
Passam 4 minutos desde que o Metro estancou em Picoas. Quando olho em volta já só me restam uns 4 ou 5 vizinhos numa carruagem de 6 composições.
A debandada foi total.
Subitamente a composição fecha as portas e segue caminho. No cais diversas pessoas vociferam contra o que parece ser a normalidade: o metro seguir o seu caminho depois de uma pequena paragem de 5 minutos. Apanhadas de surpresa, muitas lançam-se para a linha.
É um suicídio coletivo.
Fulminante.
Mas o engraçado disto não é o básico da coisa, o ganho absurdo de tempo que tenho em relação ao passado, não, o engraçado disto é que passei de uma análise sociológica unipessoal, isto é, da observação de apenas uma pessoa, do V. (que me levava e trazia todos os dias, coitado) para uma análise sociológica gigante, uma mole imensa de pessoas diferentes que comigo viajam diariamente no transporte coletivo mais esdrúxulo do país.
Vou falar-vos da análise de hoje.
Faço 2 estações: Saldanha - Marquês. Em Picoas a voz off do Metro, uma rapariga monocórdica provavelmente aparentada do Bruno de Carvalho, informa os passageiros de que há perturbações na linha amarela e que o tempo de espera pode ser superior ao normal. Tudo legal. Deixei-me estar exatamente onde estava - agarrada ao varão, espreitando de quando em vez a minha imagem refletida no vidro. Serena e calma.
O que se passou a seguir é no mínimo, estúpido.
A voz of dá novamente a intempestiva informação.
Ouve-se um burburinho, um vento na palha que trespassa o comboio e se fina nos meus ouvidos.
De repente, um brasileiro danado levanta-se bruscamente do banco e sai furioso da composição. Manda um braço ao ar, faz o sinal um a tomar banho e dois a apanhar o sabonete, em direção ao altifalante, e segue estugando o passo com a mochila soldada às costas. Desaparece.
Em menos de nada saem apressadas cerca de 15 pessoas, na minha opinião precipitadamente. Mas quem sou eu.
Ainda só passou um minuto desde a informação da voz off.
À minha frente um grupo de três adolescente parece divertido com a situação. Há pessoas que desconhecendo o que ali se passa, e acabadas de chegar aos cais, entram a correr na composição com medo que se fechem as portas. Os adolescentes riem a bandeiras despregadas com esta cómica situação. Quem tem a informação tem o poder. São o elo mais fraco. Correm, cansam-se, para ficar à espera. Também acho graça mas como não sou adolescente contenho a gargalhada. É pena. Dizem que rir faz as pessoas mais novas.
Passam 3 minutos desde que a voz off interveio na rotina matinal dos passageiros. Ao meu lado, inquietos, dois alemães altíssimos olham para o mapa do Metro e encolhem diversas vezes os ombros. Viram-se para mim só porque temos o cabelo da mesma cor.
- Escusemi.
- Diga lá.
- Whatss apenants??
- Troubles. 10 minutes, tuenti, e seguimos - digo eu muito sorridente. Somos muito hospitaleiros.
- Ok. Tanques.
Gringos. Não entendo o que fazem em Portugal em Março, com um frio do caraças. Também abandonam a carruagem - claro, são muito evoluídos - sempre com a cabeça no ar à espera que lhes caia alguma explicação em alemão em cima da cabeça sobre os troubles.
Passam 4 minutos desde que o Metro estancou em Picoas. Quando olho em volta já só me restam uns 4 ou 5 vizinhos numa carruagem de 6 composições.
A debandada foi total.
Subitamente a composição fecha as portas e segue caminho. No cais diversas pessoas vociferam contra o que parece ser a normalidade: o metro seguir o seu caminho depois de uma pequena paragem de 5 minutos. Apanhadas de surpresa, muitas lançam-se para a linha.
É um suicídio coletivo.
Fulminante.
16 de março de 2016
Tenho de vos contar isto
Ontem, com a cabeça cheia de raízes, pior que a imagem mais desoladora de E Tudo O Vento Levou, depois da guerra, com um autêntico buraco negro no cocuruto da cabeça, decidi-me a ir ao cabeleireiro e acabar com este drama.
Pois que estou numa zona hiper privilegiada para frequentar cabeleireiros, e se vos contasse a quantidade de salões hippie-chic-gourmet que tenho por metro quadrado na zona da minha vivência, não acreditavam como é que as coisas descambaram desta maneira. Julgo mesmo que é esta fartura que me enjoa. O mesmo acontece quando me deparo com um prato cheio de favas. Estou morta de fome, mas não toco naquilo.
Bom, ia eu dizendo que para acabar com a imagem decrépita que vinha apresentando desde o início do ano, meti um apelo no Facebook, ai ajudem-me, ai ajudem-me, e lá dos fundilhos daquela que é hoje a mais linda rede social do mundo, veio a salvação.
Eram umas 19.05h e lá estava a super-secretária enfiada num Mercedes maior que o seu gabinete, para se deslocar ao coiffeur, claro está, nunca menos que isto, localizado no Altis Grand Hotel Lisboa.
O motorista, o colega mais bacano do Rule of Law, o único que me acompanha à tasta mais tascosa de Lisboa para o belo do janquinzinho e copo de três, fez a fineza de me levar, de estacionar à porta do hotel, e a Uva Boneca muito gingona, a cabrona, com uma camisa branco-sujo com 14 anos, umas calças de elástico H&M coçadas nos joelhos, e o seu sobretudo vermelho-tijolo de corte a direito tipo... tijolo, viu a porta do bólide abrir-se e assomar-se-lhe um senhor muito simpático, com uma careca muito luzidia, que lhe estendeu a mãozinha enluvada e lhe indicou muito alegre uma porta rodopiante.
Ui, experimentem só entrar no Altis de motorista à tira-colo, caramba. Só faltava uma cadeirinha de rodas para não me cansarem as perninhas.
Desfizeram-se em amabilidades, saíram para fora da receção, e eu a dizer que não, que não, e a meter as unhas nuas e roídas em cima do balcão, e a explicar que subia sozinha no elevador.
Mas minha senhora, deixe-me ficar com o seu casaco. Nãããããããõoooooooooooooooo!!!!! Que a camisa fica-me curta nas mangas e o casaquinho vem cheio de borboto.
Perguntam vocências onde fui eu arranjar um cabeleireiro no Altis.
Ahh se vos contasse tudo não tinha piadinha nenhuma.
Sabem aquela história muito batida de que Lisboa não é mais do que um amontoado de gente que vive nos subúrbios?
Pois é, é exactamente esta gente, estes grandes profissionais, estes amigos maravilhosos que vamos cultivando e regando como raízes no cocuruto, que quase sempre nos salvam das maiores humilhações.
Obrigada S. és mesmo muito querido.
Por falar nisso, quanto é que te devo?
Pois que estou numa zona hiper privilegiada para frequentar cabeleireiros, e se vos contasse a quantidade de salões hippie-chic-gourmet que tenho por metro quadrado na zona da minha vivência, não acreditavam como é que as coisas descambaram desta maneira. Julgo mesmo que é esta fartura que me enjoa. O mesmo acontece quando me deparo com um prato cheio de favas. Estou morta de fome, mas não toco naquilo.
Bom, ia eu dizendo que para acabar com a imagem decrépita que vinha apresentando desde o início do ano, meti um apelo no Facebook, ai ajudem-me, ai ajudem-me, e lá dos fundilhos daquela que é hoje a mais linda rede social do mundo, veio a salvação.
Eram umas 19.05h e lá estava a super-secretária enfiada num Mercedes maior que o seu gabinete, para se deslocar ao coiffeur, claro está, nunca menos que isto, localizado no Altis Grand Hotel Lisboa.
O motorista, o colega mais bacano do Rule of Law, o único que me acompanha à tasta mais tascosa de Lisboa para o belo do janquinzinho e copo de três, fez a fineza de me levar, de estacionar à porta do hotel, e a Uva Boneca muito gingona, a cabrona, com uma camisa branco-sujo com 14 anos, umas calças de elástico H&M coçadas nos joelhos, e o seu sobretudo vermelho-tijolo de corte a direito tipo... tijolo, viu a porta do bólide abrir-se e assomar-se-lhe um senhor muito simpático, com uma careca muito luzidia, que lhe estendeu a mãozinha enluvada e lhe indicou muito alegre uma porta rodopiante.
Ui, experimentem só entrar no Altis de motorista à tira-colo, caramba. Só faltava uma cadeirinha de rodas para não me cansarem as perninhas.
Desfizeram-se em amabilidades, saíram para fora da receção, e eu a dizer que não, que não, e a meter as unhas nuas e roídas em cima do balcão, e a explicar que subia sozinha no elevador.
Mas minha senhora, deixe-me ficar com o seu casaco. Nãããããããõoooooooooooooooo!!!!! Que a camisa fica-me curta nas mangas e o casaquinho vem cheio de borboto.
Perguntam vocências onde fui eu arranjar um cabeleireiro no Altis.
Ahh se vos contasse tudo não tinha piadinha nenhuma.
Sabem aquela história muito batida de que Lisboa não é mais do que um amontoado de gente que vive nos subúrbios?
Pois é, é exactamente esta gente, estes grandes profissionais, estes amigos maravilhosos que vamos cultivando e regando como raízes no cocuruto, que quase sempre nos salvam das maiores humilhações.
Obrigada S. és mesmo muito querido.
Por falar nisso, quanto é que te devo?
15 de março de 2016
Cada cavadela uma minhoca #2
O fim das aulas da ML é no dia 18 de março, sexta feira.
Acabaram-se por agora os testes, os reis, as tareias que certos filhos deram nas mães, o sistema solar e a chata da rotação sempre a rodar, o ciclo da água, os dia, as estações, os ângulos vivos e mortos, as palavras complexas e as tristezas compostas, as frações, a dividir por dois, os verbos de tirar, chatear, gritar e desesperar, todos no pretérito, imperfeito, a cabeça gorda, o rabo quadrado, o rectângulo e o circulo de feras, que são as minhas esperas, e desesperas.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhgggggggggggggggg!!!!!
Finalmente um fim de semana completo. Finalmente um passeio à beira mar, boas notas para acalmar, 30 km de pedalada, toda suada, a arfar, ou simplesmente um peixe grelhado, uma febra grelhada, qualquer porcaria grelhada, que não venha nos livros, com sabor a tabuada.
Derreada.
Faltam 3 dias...
Para começar a chover.
Acabaram-se por agora os testes, os reis, as tareias que certos filhos deram nas mães, o sistema solar e a chata da rotação sempre a rodar, o ciclo da água, os dia, as estações, os ângulos vivos e mortos, as palavras complexas e as tristezas compostas, as frações, a dividir por dois, os verbos de tirar, chatear, gritar e desesperar, todos no pretérito, imperfeito, a cabeça gorda, o rabo quadrado, o rectângulo e o circulo de feras, que são as minhas esperas, e desesperas.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhgggggggggggggggg!!!!!
Finalmente um fim de semana completo. Finalmente um passeio à beira mar, boas notas para acalmar, 30 km de pedalada, toda suada, a arfar, ou simplesmente um peixe grelhado, uma febra grelhada, qualquer porcaria grelhada, que não venha nos livros, com sabor a tabuada.
Derreada.
Faltam 3 dias...
Para começar a chover.
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