É um artigo extenso da Raquel Varela.
Não gosto nem desgosto da Raquel, não li o suficiente sobre ela e sobretudo não li o suficiente do que ela escreveu para fazer um juízo de valor.
A Barca do Inferno, pois, a Barca não foi exemplo para ninguém, e não foi o exemplo de ninguém, aliás, foi ao fundo e no fundo foi uma grande nódoa na vida de todas elas.
Quero com isto dizer que não há aqui partidarices de espécie nenhuma.
Ontem mandaram-me isto.
Eu li para o V. - que cozinhava muito feliz - em voz alta, sentada na mesa da cozinha (costumo ler-lhe em voz alta para ele não deixar as suas obrigações de marido para trás ou atrasar o jantar) e gostei muito do que li.
Não vou linkar o texto todo, vou copiá-lo e indicar a fonte que é esta.
Vale muito a pena.
Os Deprimidos do Individualismo
Posted on September 20, 2015
Uma grande amiga mudou-se para uma cidade que detesta e disse-me com humor que a sua “relação com as pessoas na cidade era exclusivamente pela via da mercadoria” – o massagista, o médico, o cabeleireiro, e por aí fora. Pagava. A maioria das pessoas tem muita dificuldade em pensar como vive, em pensar os seus sentimentos e relações, não reflectem sobre como vivem, são raros os que fazem sobre si um veredicto tão duro como a minha amiga – exige muito saber, e segurança, ou, enfrentar o medo das conclusões sobre o rumo da nossa vida. Hoje estamos rodeados de pessoas deprimidas, cansativamente deprimidas, com ou sem diagnóstico médico, arrastam-se, as razões são muitas e complexas, deixo aqui uma ideia para reflectir convosco, apenas uma entre muitas – as pessoas são (estão, para sermos mais claros, porque todo cambia) esmagadas por si próprias e há uma legitimação moral social desta falta de sentido colectivo da vida disfarçada de liberdade e/ou patologia. Um tipo é mais bem visto pelo conjunto da sociedade se for visto a fazer jogging na praia ou a passear o cão, do que se for militante de uma organização social ou política para o qual entrega parte do seu tempo (e tempo é trabalho). O individualismo não é não querermos saber dos outros. É não fazermos pelos outros.
A depressão – segundo Coimbra de Matos – só se “cura com revolta”, entendida por ele não só como revolta social, mas resistência às próprias condições de vida, ao hábito. A surpresa, a construção, projectos – que dão trabalho – são o único contraponto ao estado depressivo. Engana-se quem pensa que são só as relações laborais e os salários que determinam o essencial dos estados depressivos, o que se passa é mais profundo e mais subjectivo – a vontade humana constrói-se de facto, para lá das condições objectivas se forem criadas outras condições objectivas. Num quadro em que o trabalho deixa de fazer sentido criador para a maioria das pessoas elas não conseguem inventar e criar outros projectos de vida a que dêem sentido, que lhes “encham a vida”, etc. Trabalho alienado sempre existiu mas existia também fora dele um quadro de relações sociais, cooperativas, partidos políticos, associações, mutualidades, bailes etc. que eram construídos – e não adquiridos – pelas próprias pessoas num projecto que elas consideravam seu – isso dava-lhes um sentido. As pessoas não concebiam, educadas em meios rurais ou sob influência de grandes partidos ou associações, não contribuir com tarefas concretas para a qual havia balanços e falta de reconhecimento da comunidade caso não realizassem para a comunidade o que se propuseram fazer. Hoje vende-se a ideia de que só o que se compra tem valor; que falhar no que damos aos outros, como é gratuito, não tem impacto moral; a mercantilização está aí, em todos os poros. As pessoas jamais deixam de pagar o ginásio a horas mas acham moralmente aceitável não pagar a quota da associação política a que pertencem. Até porque criam uma hierarquia de prioridades e estão realmente convencidas de que o seu bem estar mental vem sobretudo daquilo que adquirem com dinheiro – ginásio, teatro, cinema, jantar – do que daquilo que erguem colectivamente com trabalho. O raciocínio é fatal – mais depressa as pessoas dão sentido à vida se fizerem um grupo de teatro do que se forem ver uma peça. Eis num exemplo o que insistem tantos estudiosos do bem estar e do mal estar mental – nem todas as coisas constitutivas do nosso bem estar estão à venda, por preço algum. O que dá sentido à vida é o que nós somos capazes de construir, idealizar, executar, ver crescer, corrigir e refazer, são os desafios dos erros que emendamos, os falhanços de que saímos vivos, e por isso, saímos mais fortes.
13 de outubro de 2015
Mas ainda tendes dúvidas?
Quem é que é a alminha que ainda acredita que o António Costa irá deixar passar a única oportunidade da vida de ser Primeiro Ministro já, porque irá ter em conta (coisa que os anteriores não tiveram e por isso foi o que foi) que quem 'ganhou' as eleições foi o PSD e que TUDO deverá ser feito em nome da estabilidade e da honestidade política?
Ainda há gente muito ingénua neste país, caramba.
Então um homem que tem as pernas todas abertas à esquerda para formar governo de maioria, iria alguma vez, senhores! ficar-se por aquela noção peregrina de que o que interessa é efetivamente a escolha do povo nas urnas?
Então não se vê logo que aqueles olhos alegres do homem demonstram já o que desde o dia 4 está à vista de todos??
Ai não, cruzes canhoto, claro que não vou ser Primeiro-Ministro. Por quem sóis! Então o PSD ficou à frente do PS e isso é o único e inequívoco sinal que devo seguir em nome de mais 4 anos desta merda, nestes termos, e com estes personagens sinistros, que passei meses e meses a contrariar e a contradizer, sempre, por que fui obrigado a isso.
DJIZUS!
Ainda há gente muito ingénua neste país, caramba.
Então um homem que tem as pernas todas abertas à esquerda para formar governo de maioria, iria alguma vez, senhores! ficar-se por aquela noção peregrina de que o que interessa é efetivamente a escolha do povo nas urnas?
Então não se vê logo que aqueles olhos alegres do homem demonstram já o que desde o dia 4 está à vista de todos??
Ai não, cruzes canhoto, claro que não vou ser Primeiro-Ministro. Por quem sóis! Então o PSD ficou à frente do PS e isso é o único e inequívoco sinal que devo seguir em nome de mais 4 anos desta merda, nestes termos, e com estes personagens sinistros, que passei meses e meses a contrariar e a contradizer, sempre, por que fui obrigado a isso.
DJIZUS!
'Preciso urgentemente de uns óculos para ver o trabalho ao longe' - Factos de Treino
A melhor frase que li de um blogger foi a que vos deixo hoje como título.
E porque muito boa, foi o mote para o post de hoje.
O artista que hoje vos apresento é o nairobiano Cyrus Kabiru, que ironicamente fez exatamente o contrário.
Fez uns óculos enormes para vermos o trabalho dele de perto.
Tudo com coisas apanhadas do lixo, numa extraordinária manifestação de criatividade.
Vejam isto e digam-me se não é super.
E porque muito boa, foi o mote para o post de hoje.
O artista que hoje vos apresento é o nairobiano Cyrus Kabiru, que ironicamente fez exatamente o contrário.
Fez uns óculos enormes para vermos o trabalho dele de perto.
Tudo com coisas apanhadas do lixo, numa extraordinária manifestação de criatividade.
Vejam isto e digam-me se não é super.
Brutal!
12 de outubro de 2015
Da Solidão
Ainda a manhã se demorava nas serranias quando se achegou à venda, no seu andar claudicante de velho, o último suicida da terra.
Um tio meu.
Escutem - disse ele sentando-se trôpego na cadeira - amanhã vou-me matar. Se estiver um lencinho branco acolá na portada, já sabem, sou eu que estou morto lá dentro.
E depois das vozes fracas se levantarem em uníssono desacreditando o velhote, e mesmo à noite quando alguém relembrou a contenda desvalorizando o irremediável, a verdade é que no outro dia não apareceu na venda, e no alpendre da casa agitava-se já sem vida o lenço branco da morte.
Estava morto.
Venceu sozinho a solidão, apesar de morrer sozinho.
Custa-me muito pensar nisto assim a frio. É um desespero que nos cresce cá dentro. Uma impotência, um vagar de sentimentos maus que se demora e não passa. É como as mandíbulas de um cão que se enterram na carne e não largam.
Deixamos morrer as pessoas por sermos falhos em lhes fazer companhia.
Quão dificil é fazer companhia a um velho?
Se não me falha a memória mataram-se um ou outro vizir já no tempo da minha bisavó, e 5 ou 6 tios meus, uns mais próximos outros mais afastados, homens e mulheres, alguns enforcados em azinheiras, outros em casa, e dois dentro do mesmo poço.
Viviam todos no meu Alentejo, no mesmo concelho e freguesia, no mesmo local: Odemira, Corte-Brique.
Antes deles não tive conhecimento de outros casos por ali, e quando digo antes, digo, naturalmente, antes de chegar a desertificação do interior, o êxodo para as cidades, a destruição da agricultura.
A solidão.
Digo, não sei quando chegou a solidão às minhas gentes.
Tenho portanto inscrita, ainda que ao de leve, na minha genética familiar, pessoal e social, na minha genética absolutamente dependente de pessoas e do convívio com estas, a possibilidade dessa saída desesperada (mas não inesperada) de cena. Posso, mesmo sem querer - porque a genética é afinal um potente cavalo com asas e estatisticamente o gene que não suporta a solidão contamina os outros todos - vir a fazer o mesmo, se por algum motivo funesto e vil me encontrasse completamente sozinha e sem ninguém, fazendo apenas durar os dias, deixando que a invasão do silêncio ruidoso e galopante se transformasse em voz, e que esta, sem controlo e por sua vez, vomitasse a decisão: vou-me matar.
(Um assunto que talvez me interesse aprofundar um dia, e que tem a ver precisamente com este catolicismo pouco arreigado das minhas gentes, e que também me está nos genes já completamente esboroado, que pode muito bem justificar, em parte, esta 'facilidade' em pecar aos olhos de Deus.)
Há muito tempo, 4 décadas?, que todos nós, portugueses, sabemos que o maior concelho do país é também aquele em que se dão mais casos de suicídio. O ritmo é tão absurdo que supera largamente a média europeia e é a maior a nível mundial.
Hoje, ao ouvir atenta o Professor Júlio Machado Vaz, fico a saber que foi criado pela primeira vez na história da região, uma consulta de psiquiatria para atender aquela gente e aquele problema específico.
Ainda é cedo para tecer considerações.
Ainda é cedo para perceber se os velhinhos dos montes da Corte-Brique e de outros lugarejos perdidos na solidão, beneficiarão dos anti-depressivos que vão passar a circular como outrora circulavam pessoas.
Não sei.
Mas estou tremendamente céptica.
Um tio meu.
Escutem - disse ele sentando-se trôpego na cadeira - amanhã vou-me matar. Se estiver um lencinho branco acolá na portada, já sabem, sou eu que estou morto lá dentro.
E depois das vozes fracas se levantarem em uníssono desacreditando o velhote, e mesmo à noite quando alguém relembrou a contenda desvalorizando o irremediável, a verdade é que no outro dia não apareceu na venda, e no alpendre da casa agitava-se já sem vida o lenço branco da morte.
Estava morto.
Venceu sozinho a solidão, apesar de morrer sozinho.
Custa-me muito pensar nisto assim a frio. É um desespero que nos cresce cá dentro. Uma impotência, um vagar de sentimentos maus que se demora e não passa. É como as mandíbulas de um cão que se enterram na carne e não largam.
Deixamos morrer as pessoas por sermos falhos em lhes fazer companhia.
Quão dificil é fazer companhia a um velho?
Se não me falha a memória mataram-se um ou outro vizir já no tempo da minha bisavó, e 5 ou 6 tios meus, uns mais próximos outros mais afastados, homens e mulheres, alguns enforcados em azinheiras, outros em casa, e dois dentro do mesmo poço.
Viviam todos no meu Alentejo, no mesmo concelho e freguesia, no mesmo local: Odemira, Corte-Brique.
Antes deles não tive conhecimento de outros casos por ali, e quando digo antes, digo, naturalmente, antes de chegar a desertificação do interior, o êxodo para as cidades, a destruição da agricultura.
A solidão.
Digo, não sei quando chegou a solidão às minhas gentes.
Tenho portanto inscrita, ainda que ao de leve, na minha genética familiar, pessoal e social, na minha genética absolutamente dependente de pessoas e do convívio com estas, a possibilidade dessa saída desesperada (mas não inesperada) de cena. Posso, mesmo sem querer - porque a genética é afinal um potente cavalo com asas e estatisticamente o gene que não suporta a solidão contamina os outros todos - vir a fazer o mesmo, se por algum motivo funesto e vil me encontrasse completamente sozinha e sem ninguém, fazendo apenas durar os dias, deixando que a invasão do silêncio ruidoso e galopante se transformasse em voz, e que esta, sem controlo e por sua vez, vomitasse a decisão: vou-me matar.
(Um assunto que talvez me interesse aprofundar um dia, e que tem a ver precisamente com este catolicismo pouco arreigado das minhas gentes, e que também me está nos genes já completamente esboroado, que pode muito bem justificar, em parte, esta 'facilidade' em pecar aos olhos de Deus.)
Há muito tempo, 4 décadas?, que todos nós, portugueses, sabemos que o maior concelho do país é também aquele em que se dão mais casos de suicídio. O ritmo é tão absurdo que supera largamente a média europeia e é a maior a nível mundial.
Hoje, ao ouvir atenta o Professor Júlio Machado Vaz, fico a saber que foi criado pela primeira vez na história da região, uma consulta de psiquiatria para atender aquela gente e aquele problema específico.
Ainda é cedo para tecer considerações.
Ainda é cedo para perceber se os velhinhos dos montes da Corte-Brique e de outros lugarejos perdidos na solidão, beneficiarão dos anti-depressivos que vão passar a circular como outrora circulavam pessoas.
Não sei.
Mas estou tremendamente céptica.
O todo é maior que a soma das partes - Aristóteles
E esta é de todas a melhor metáfora da (minha) vida.
Assim me sinta eu com os cacos suficientes para construir tudo de novo.
Michael Mapes talvez tenha coisas para nos ensinar sobre isso.
Assim me sinta eu com os cacos suficientes para construir tudo de novo.
Michael Mapes talvez tenha coisas para nos ensinar sobre isso.
11 de outubro de 2015
As coisas que a Uva descobre inusitadamente
Corria algures lá atrás, num tempo quase esquecido, o ano de 1997.
Os anos 90 tiveram em mim o mesmo efeito nefasto que a erosão tem na crosta terrestre. Arrastou muita da minha energia para lugares inóspitos, como se fosse um rolo de arbustos magros que rebola pelo deserto ventoso do Atacama.
Tivesse eu resguardado melhor os ossos e talvez [agora] não sentisse tanto o frio.
Eu era uma espiga dourada e magra que balançava ao som do House e do Tecno em cima das minhas plataformas, de braços sempre no ar e de cabeça um pouco mais acima.
Que eu saiba ninguém se atreveu a comprar umas plataformas como as minhas, encomendadas e compradas na reconhecida Gardénia do Chiado, à época (e se não me falha a memória) por quase trinta contos.
Lembro-me perfeitamente de as usar com umas calças de napa vermelho-vivo, que terminavam à boca-de-sino que badalava horas seguidas na pista de colunas do Kremlin.
Grandes naitádas!
À porta estacionava um Fiat Punto 6 speed (e perguntem-me sobre a perícia de acelerar com estes tamancos), no bolso um maço de cigarros LM lights todo escafiado, a trupe ruidosa e igualmente ataviada com as roupas fosforescentes da moda, e aí estava ela, a maluquinha das plataformas Silver, vivendo os seus tempos de Christiane F. do subúrbio, arrastando o esqueleto enrolado nas roupas justas, vendo passar nos bólides de vidros fumados as meninas Modernas, muito betas, também elas enroladas nas suas saias axadrezadas, mas infinitamente menos divertidas.
Os anos 90 tiveram em mim o mesmo efeito nefasto que a erosão tem no crosta terrestre.
Se nefasta for a erosão da juventude.
Se arrancar a crosta trouxer afinal mais pus, ao invés da pele nova.
Encontrei-as no sótão, envoltas na neblina, guardadas sabe-se lá quando ou sabe-se lá por quem, com a ternura e o intuito próprio de quem guarda o passado... para se poder rir dele.
Bons tempos.
Os anos 90 tiveram em mim o mesmo efeito nefasto que a erosão tem na crosta terrestre. Arrastou muita da minha energia para lugares inóspitos, como se fosse um rolo de arbustos magros que rebola pelo deserto ventoso do Atacama.
Tivesse eu resguardado melhor os ossos e talvez [agora] não sentisse tanto o frio.
Eu era uma espiga dourada e magra que balançava ao som do House e do Tecno em cima das minhas plataformas, de braços sempre no ar e de cabeça um pouco mais acima.
Que eu saiba ninguém se atreveu a comprar umas plataformas como as minhas, encomendadas e compradas na reconhecida Gardénia do Chiado, à época (e se não me falha a memória) por quase trinta contos.
Lembro-me perfeitamente de as usar com umas calças de napa vermelho-vivo, que terminavam à boca-de-sino que badalava horas seguidas na pista de colunas do Kremlin.
Grandes naitádas!
À porta estacionava um Fiat Punto 6 speed (e perguntem-me sobre a perícia de acelerar com estes tamancos), no bolso um maço de cigarros LM lights todo escafiado, a trupe ruidosa e igualmente ataviada com as roupas fosforescentes da moda, e aí estava ela, a maluquinha das plataformas Silver, vivendo os seus tempos de Christiane F. do subúrbio, arrastando o esqueleto enrolado nas roupas justas, vendo passar nos bólides de vidros fumados as meninas Modernas, muito betas, também elas enroladas nas suas saias axadrezadas, mas infinitamente menos divertidas.
Os anos 90 tiveram em mim o mesmo efeito nefasto que a erosão tem no crosta terrestre.
Se nefasta for a erosão da juventude.
Se arrancar a crosta trouxer afinal mais pus, ao invés da pele nova.
Encontrei-as no sótão, envoltas na neblina, guardadas sabe-se lá quando ou sabe-se lá por quem, com a ternura e o intuito próprio de quem guarda o passado... para se poder rir dele.
Bons tempos.
10 de outubro de 2015
E o que se faz num dia de chuva?
Nada.
Ficamos a deambular pela casa, a tomar consciência uns dos outros, a ver as coisas que cada um de nós desarrumou, tirou do sítio e não limpou, a ver hoje, e apenas hoje, que a casa tem humidade no inverno, que as janelas já não vedam porra nenhuma, que os sofás estão tapados por alguma razão, que a sala precisa de pintura urgente, que o escritório está a balburdia total, que ter 3 bicicletas estacionadas na casa suburbana não é grande espingarda para a circulação, que no sótão não cabe nem mais uma agulha, que o gato partiu coisas que agora até te fazem falta, que tens os mesmos cortinados há 9 anos, que te sentes triste porque hoje que era para ser um dia feliz é afinal só mais um crash na bolsa das expetativas interiores, que a tua vida não deu a volta e o que na realidade aconteceu naquela sala foi que te deram a volta a ti, e que escreves mais um post no teu blog esconso e sem luz, com a certeza absoluta que devias era dedicar todos os minutos livres que tens na vida a uma espetacular e infalível estratégia de marketing para te venderes como produto de ultima geração a uma empresa qualquer, mesmo sabendo que és só mais um aquecedor a óleo que se mantém na casa cheia de ares condicionados porque podes fazer falta para secar algumas cuecas.
É no fundo aquilo que dizia uma pessoa qualquer dessas que eu conheço, que há alturas na vida, normalmente aquela em que vemos a linha do gráfico a despenhar-se cá em baixo, que por mais que te digam que tens de seguir em frente, que és capaz, que tens méritos a cobrar, que podes sempre seguir por outro caminho, que podes sempre ignorar e fazer o teu trabalhinho, fazer um ano sabático, tirar um curso de inglês, inscreveres-te na viola, ter um filho, emigrar para a Europa ou para o Brasil, e que tal o bluff?, tu sabes muito bem que se tivesses uma chaleira na mão, ela era a única coisa que farias seguir em frente.
Cabum!
E partia esta merda toda.
9 de outubro de 2015
Aviso para quem NÃO tem caixa de correio
Um amigo alertou via Facebook:
Acabo de receber uma chamada por parte da EDP dando-me conhecimento que tenho uma factura por pagar e que irá originar corte no próximo dia 13. A dita factura foi emitida dia 25 de agosto.
Realmente, já há uns dias que me interrogava por não estar a receber correspondência nenhuma.
Fiquei agora a saber (através da EDP) que os CTT deixaram de depositar correspondência por baixo da porta.
Uma vez que não tenho caixa do correio no exterior, a empresa de serviço público recentemente privatizada, simplesmente deixou de me entregar correio sem qualquer tipo de aviso.
Isto está a acontecer em toda a cidade.
Alguém mais com o mesmo problema?
De acordo com as normas dos CTT é obrigatório ter recetáculo de correio.
O recetáculo pode ser uma ranhura na porta desde que devidamente identificada.
Para quem não tem, deve dirigir-se à Câmara Municipal e pedir autorização para pendurar o receptáculo de correspondência, e depois deve dirigir-se aos correios e registar-se como habitante.
Acabo de receber uma chamada por parte da EDP dando-me conhecimento que tenho uma factura por pagar e que irá originar corte no próximo dia 13. A dita factura foi emitida dia 25 de agosto.
Realmente, já há uns dias que me interrogava por não estar a receber correspondência nenhuma.
Fiquei agora a saber (através da EDP) que os CTT deixaram de depositar correspondência por baixo da porta.
Uma vez que não tenho caixa do correio no exterior, a empresa de serviço público recentemente privatizada, simplesmente deixou de me entregar correio sem qualquer tipo de aviso.
Isto está a acontecer em toda a cidade.
Alguém mais com o mesmo problema?
De acordo com as normas dos CTT é obrigatório ter recetáculo de correio.
O recetáculo pode ser uma ranhura na porta desde que devidamente identificada.
Para quem não tem, deve dirigir-se à Câmara Municipal e pedir autorização para pendurar o receptáculo de correspondência, e depois deve dirigir-se aos correios e registar-se como habitante.
Uma espécie de mantra
Tenho de me convencer, tenho de me consciencializar, tenho de me empenhar, tenho de me superiorizar, tenho de me elevar, tenho de me merecer, tenho de acreditar, tenho de constatar, tenho de me esforçar, tenho de meter as ideias no lugar, tenho de apanhar os cacos do chão e dizer exatamente isto:
Eu valho muito a pena. O bico. A pata. O cu.
Não posso continuar a contentar-me com pedaços, coisinhas, miúdos.
Se para os outros não há insubstituíveis, eu se ficar sem mim, fico sem nada.
25% é muita gente
Deixei-vos hoje uma muito pequenina mensagem no DESblogue.
Espero que pelo menos 25 % das pessoas que a leiam, fiquem mais motivadas.
Eu vou tentar.
Mas não prometo nada.
Espero que pelo menos 25 % das pessoas que a leiam, fiquem mais motivadas.
Eu vou tentar.
Mas não prometo nada.
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