São tudo mentiras.
Não há praticamente nenhuma notícia que seja veiculada pela comunicação social, em jornais ou na televisão, que seja totalmente verdadeira e assente em factos!
Nada.
Uma pessoa abre um jornal qualquer, de grande ou média tiragem, de nome ou renome, uma chafarica, um pasquim ou uma trampa com letras, e não consegue absorver a atualidade tal e qual como ela é. Não consigo ler uma única palavra que escreva o Expresso, uma notícia que passe no Público, que não fique imediatamente de orelha fita, desconfiada porque nem dois minutos depois já está a mesma envolta em controvérsia, ou alvo de notícia na página (espetacular, diga-se) dos Truques da Imprensa Portuguesa.
Ler notícias tornou-se um tédio e dá o triplo do trabalho que me dava há 10 anos. Primeiro lemos a notícia, e depois temos de ir perceber se é verdadeira ou falsa. Se for falsa temos de ler novamente a mesma notícia, esperar que seja finalmente a verdadeira.
É uma aprendizagem tripartida, troikana, tricéfala.
É o horror da matemática aplicado às letras, é fazer uma conta e ter obrigatoriamente de fazer a prova do nove, porque meus amigos, às vezes lemos 9 vezes a mesma notícia e em nenhuma podemos confiar.
Há dias entrou-me pelos olhos uma deplorável imagem do Tejo, que mostrava milhares de peixes mortos.
Foi uma carnificina imensa que se seguiu à publicação daquelas imagens. Que as fábricas da celulose matavam a vida no rio (quais? todas? algumas? uma? who cares!), que o rio estava podre, que isto e aquilo, uma desgraça franciscana.
Vai-se a ver e afinal os peixes são alburnos. Ora alburnos são uma espécie invasora, uma praga, e que compete com as espécies instaladas, saindo normalmente vencedora devido ao seu insaciável apetite. É um adversário sem escrúpulos e sem coração. A recomendação é que não se proceda à sua introdução em mais nenhuma massa de água, uma vez que contribui de forma activa para a diminuição drástica de muitas das espécies autóctones.
Ahh, mas isto não tem nada a ver com o facto dos peixes aparecerem mortos, diz o leitor incauto.
Claro que não, mas atentai às características do referido ciprinídeo, que além do mais não é originário do rio Tejo, logo não está preparado biologicamente para algumas partidas mais agrestes do rio ou da natureza: como o rio está superlotado (há de tudo um pouco desde achigãs à ameijoa japónica) e tem atualmente pouca água devido à seca mortífera que se faz sentir, há pouco oxigénio para todos. Ora aqui está a/uma explicação.
Mas não, que a culpa é das celuloses, essas sacanas que matam tudo.
Mas não, que a culpa é das celuloses, mesmo que não se veja nas imagens outros peixes mortos que não sejam os alburnos.
Mas não, que a culpa é das celuloses, mesmo que não se veja nas imagens a água leitosa e nem qualquer outra espécie.
Mas não, que as celuloses matam seletivamente algumas espécies....
Mentira, as celuloses investem milhões na purificação das águas. Têm dinheiro para isso e para muito mais, e investem. Ao contrário do que se pensa, ou do que se veicula para que se pense, nunca as águas estiveram tão limpas, e podemos agradecer ao trabalho das celuloses.
O que mata os peixes, além destas situações ambientais intransponíveis pela ação humana, são afinal as descargas dos pobrezinhos das suiniculturas, vacarias e outras produções animais, que trabalham no limite, esganadas e esmagadas pelos preços de mercado, sem conseguir investir em mais nada a não ser no pratinho que põe na mesa lá em casa, e nos imposto que pagam aos magotes ao Estado que tudo come.
Mas as falsas notícias vão saindo e vão também esmagando e esganando a minha paciência.
Será mesmo que todos os jornalista que se prestam a dar notícias verdadeiras estão sendo direcionados para a extinção tal como os peixes autóctones do rio Tejo?
Who Cares?
10 de novembro de 2017
9 de novembro de 2017
DA SEMELHANÇA
Não somos diferentes dos outros.
Somos todos humanidade.
Pode haver quem por força das condições de vida, ou condições intelectuais, se torne menos humanizado, ou um humano de qualidades superlativas, mas no fundo somos todos um punhado de soldados feitos de uma peça só.
Acontece que não é para este modelo de heterogeneidade que caminhamos, aliás, a maior parte de nós faz de tudo um pouco para ser diferente, muda de penteado, deixa crescer a barba, escreve posts inteiros sem usar uma única letra maiúscula.
Artistas, dizem.
São explosões de personalidade desencaixada, que não gosta do sistema, que parte serviços de loiça inteiros, desses que percorrem várias gerações na família, só para se distanciar daquela que não é mais do a Natureza dos homens, a natureza que nos impele a sentar à mesa ... e comer em pratos.
Eu também já quis ser diferente.
A diferença é uma coisa boa quando corre bem, quando conseguimos ser diferentes por um período de tempo que nos permita um mínimo de felicidade - e um mínimo de adaptação à nova funcionalidade que passamos a ter no mesmo sistema de sempre. Acontece que a normalidade da diferença avança desenfreada e logo depois, pouco depois, se nos atentarmos à velocidade que todos imprimimos à nossa vida, logo depois, dizia eu, a diferença é clonada e passa a moda.
Interessa depois correr para fora da moda. O vulgar da moda, que é estar na moda, é isso mesmo, vulgar. E a vulgaridade rompe os estigmas, e torna-se algo diferente o ser igual.
Acontece que depois, e porque todos nós somos humanidade a querer fugir do vulgar, acabamos todos exatamente no mesmo sítio.
Na extrema vulgaridade de sermos todos diferentes.
Lutando por sermos aceites pelos que nos são iguais.
@Photographer Stefan Draschan visits museums around Europe to see not just the artwork but the people observing the artwork.
Somos todos humanidade.
Pode haver quem por força das condições de vida, ou condições intelectuais, se torne menos humanizado, ou um humano de qualidades superlativas, mas no fundo somos todos um punhado de soldados feitos de uma peça só.
Acontece que não é para este modelo de heterogeneidade que caminhamos, aliás, a maior parte de nós faz de tudo um pouco para ser diferente, muda de penteado, deixa crescer a barba, escreve posts inteiros sem usar uma única letra maiúscula.
Artistas, dizem.
São explosões de personalidade desencaixada, que não gosta do sistema, que parte serviços de loiça inteiros, desses que percorrem várias gerações na família, só para se distanciar daquela que não é mais do a Natureza dos homens, a natureza que nos impele a sentar à mesa ... e comer em pratos.
Eu também já quis ser diferente.
A diferença é uma coisa boa quando corre bem, quando conseguimos ser diferentes por um período de tempo que nos permita um mínimo de felicidade - e um mínimo de adaptação à nova funcionalidade que passamos a ter no mesmo sistema de sempre. Acontece que a normalidade da diferença avança desenfreada e logo depois, pouco depois, se nos atentarmos à velocidade que todos imprimimos à nossa vida, logo depois, dizia eu, a diferença é clonada e passa a moda.
Interessa depois correr para fora da moda. O vulgar da moda, que é estar na moda, é isso mesmo, vulgar. E a vulgaridade rompe os estigmas, e torna-se algo diferente o ser igual.
Acontece que depois, e porque todos nós somos humanidade a querer fugir do vulgar, acabamos todos exatamente no mesmo sítio.
Na extrema vulgaridade de sermos todos diferentes.
Lutando por sermos aceites pelos que nos são iguais.
@Photographer Stefan Draschan visits museums around Europe to see not just the artwork but the people observing the artwork.
ONDE HÁ FURNAS HÁ CALOR!
Há cerca de vinte anos, numa altura em que ainda vivia em casa dos meus pais, naquela vidinha mole que me dava tempo para tudo - incluindo estar sozinha em casa a ver programas escolhidos por mim - via alguns talk shows.
Lembro-me perfeitamente de estar a ver um desses programas, no caso a Oprah, e aparecer um senhor muito engraçado, com uma forma de comunicar muito escorreita: o Dr. Oz.
Este Dr. Oz falava sobre o envelhecimento da pele, sobretudo o envelhecimento da pele da cara e pescoço, e durante cerca de 1 hora falou acerca desta temática, mostrando vídeos, exemplos, e imenso material, que detonava qualquer teoria sobre a utilização de produtos para manter a pele jovem. A partir daquele dia e intermitentemente, este assunto tem-me vindo à cabeça, sobretudo pelo facto irrefutável de que estou a ficar com a pele num lindo estado.
Na altura, com 20 anos e uma pele de meter inveja a qualquer moça de 40, não estava muito virada para as preocupações da idade; era imortal, e imortal era igualmente a minha pele.
Só que não.
O médico, que veio a tornar-se muito conhecido precisamente porque era bom e dizia coisas boas, transmitiu ao vastíssimo público que o seguia na Oprah, que o grande erro das mulheres (falava sobretudo para as mulheres) era essencialmente um único: lavar a cabeça em primeiro lugar.
Essa agora!
Toda a vida lavei a cabeça primeiro. Tenho aliás essa premissa impregnada, porque se não fico ali um bocado com a máscara no cabelo (enquanto esfrego as vergonhas), no final do duche em vez da minha farta cabeleira, tenho um ninho impossível de pentear.
Dizia o médico que os produtos tóxicos do shampoo se entranham na pele, primeiro através do coro cabeludo, descendo depois para a cara e pescoço, impercetivelmente e impertinentemente, provocando danos irreparáveis e envelhecimento precoce, sobretudo porque os elementos tóxicos provocam distúrbios no metabolismo da pele e aceleram a perda de colágenio, favorecendo a flacidez.
E isto tudo mesmo depois do cabelo seco!
Dizia ele que se lavássemos a cabeça em último lugar (vejam bem a elevação desta técnica com 20 anos e tão atual!) além de demorarmos menos tempo a fazê-lo (porque já gastámos o tempo mais descontraído a lavar o corpo e ficamos com a sensação que o [tempo] que nos resta é muito menor), o shampoo fica menos tempo na cabeça (só o tempo de esfregar e retirar o produto), e como já estamos lavados e enxaguados no corpo não vamos querer que o produto escorra novamente para o corpo e naturalmente inclinamos muito mais a cabeça para trás.
E foi isto esta excecional informação que eu retive durante 20 anos na minha cabeça, além claro, de 20 anos de produtos tóxicos, quiçá já bisnetos e trinetos desta malta merdosa que nos leva a juventude!
Obviamente que todos nós lavamos a cara no banho, a maior parte das vezes com outro produto tóxico, mas ainda assim, seria necessária uma limpeza profunda da pele depois do banho para nos livrarmos totalmente desses componentes que ficam alojadas dias e dias, semanas, meses, anos sem fim, na cara e no pescoço.
Onde há Furnas há calor... será?
(Agora vem aqui uma batelada de gente dizer que lava a cabeça no fim do duche, limpa a cara depois, e que tem rugas na mesma, e lá vai o Dr. Oz para as calendas pregar, e eu poderei finalmente!! libertar este espaço na minha cabeça e ocupá-lo com coisas mais sadias.)
Lembro-me perfeitamente de estar a ver um desses programas, no caso a Oprah, e aparecer um senhor muito engraçado, com uma forma de comunicar muito escorreita: o Dr. Oz.
Este Dr. Oz falava sobre o envelhecimento da pele, sobretudo o envelhecimento da pele da cara e pescoço, e durante cerca de 1 hora falou acerca desta temática, mostrando vídeos, exemplos, e imenso material, que detonava qualquer teoria sobre a utilização de produtos para manter a pele jovem. A partir daquele dia e intermitentemente, este assunto tem-me vindo à cabeça, sobretudo pelo facto irrefutável de que estou a ficar com a pele num lindo estado.
Na altura, com 20 anos e uma pele de meter inveja a qualquer moça de 40, não estava muito virada para as preocupações da idade; era imortal, e imortal era igualmente a minha pele.
Só que não.
O médico, que veio a tornar-se muito conhecido precisamente porque era bom e dizia coisas boas, transmitiu ao vastíssimo público que o seguia na Oprah, que o grande erro das mulheres (falava sobretudo para as mulheres) era essencialmente um único: lavar a cabeça em primeiro lugar.
Essa agora!
Toda a vida lavei a cabeça primeiro. Tenho aliás essa premissa impregnada, porque se não fico ali um bocado com a máscara no cabelo (enquanto esfrego as vergonhas), no final do duche em vez da minha farta cabeleira, tenho um ninho impossível de pentear.
Dizia o médico que os produtos tóxicos do shampoo se entranham na pele, primeiro através do coro cabeludo, descendo depois para a cara e pescoço, impercetivelmente e impertinentemente, provocando danos irreparáveis e envelhecimento precoce, sobretudo porque os elementos tóxicos provocam distúrbios no metabolismo da pele e aceleram a perda de colágenio, favorecendo a flacidez.
E isto tudo mesmo depois do cabelo seco!
Dizia ele que se lavássemos a cabeça em último lugar (vejam bem a elevação desta técnica com 20 anos e tão atual!) além de demorarmos menos tempo a fazê-lo (porque já gastámos o tempo mais descontraído a lavar o corpo e ficamos com a sensação que o [tempo] que nos resta é muito menor), o shampoo fica menos tempo na cabeça (só o tempo de esfregar e retirar o produto), e como já estamos lavados e enxaguados no corpo não vamos querer que o produto escorra novamente para o corpo e naturalmente inclinamos muito mais a cabeça para trás.
E foi isto esta excecional informação que eu retive durante 20 anos na minha cabeça, além claro, de 20 anos de produtos tóxicos, quiçá já bisnetos e trinetos desta malta merdosa que nos leva a juventude!
Obviamente que todos nós lavamos a cara no banho, a maior parte das vezes com outro produto tóxico, mas ainda assim, seria necessária uma limpeza profunda da pele depois do banho para nos livrarmos totalmente desses componentes que ficam alojadas dias e dias, semanas, meses, anos sem fim, na cara e no pescoço.
Onde há Furnas há calor... será?
(Agora vem aqui uma batelada de gente dizer que lava a cabeça no fim do duche, limpa a cara depois, e que tem rugas na mesma, e lá vai o Dr. Oz para as calendas pregar, e eu poderei finalmente!! libertar este espaço na minha cabeça e ocupá-lo com coisas mais sadias.)
8 de novembro de 2017
TODA A VERDADE SOBRE A UVA PASSA
"Anos antes fora uma rapariga que se sentia perdida, isso sim. As esperanças da juventude pareciam já todas mortas, tinha a impressão de decair para trás, na direcção da minha mãe, da minha avó, na cadeia de mulheres sem voz ou irascíveis de quem descendia. Oportunidades perdidas. As ambições ainda eram ardentes e alimentadas pelo corpo jovem, por uma fantasia que somava um projecto a outro projecto, mas sentia que o meu frenesim criativo era cada vez mais isolado da realidade dos tráficos da universidade e pelos oportunismos de uma possível carreira. Parecia-me prisioneira dentro da minha própria cabeça, sem possibilidade de me por à prova, e estava exasperada."
Elena Ferrante in Crónicas de um mal de amor (A Filha Obscura), pág. 336
Elena Ferrante in Crónicas de um mal de amor (A Filha Obscura), pág. 336
7 de novembro de 2017
PENSO LOGO DISCORDO - Uma espécie de Carta Aberta contra a violência (das palavras)
Escrevo porque não me posso calar.
Escrevo, sobretudo, porque não deixei nunca de me posicionar quando me insurgi, tantas
vezes, contra os Governos, contra jornalistas medíocres, oportunistas,
fackers, click baiters, e outros escroques que nos rodeiam, ou porque
nunca deixei de dar a conhecer e elevar todos os que prestam ou prestaram serviços de interesse à
sociedade, quer através de blogs, da arte ou das letras, isoladamente ou em conjunto, profissionalmente ou não.
Escrevo, não para agredir, de braço no ar e boca escancarada.
Não me interessa falar sobre quem debita impropérios nas caixas de comentários. Já há muito que deixei para trás esse tipo de pessoas, que trocaram o psiquiatra e os diversos tratamentos de choque para se estirarem, dilatarem e espraiarem nas cadeiras do virtual, anonimamente, cobardemente, agredindo e sendo muito felizes assim. Interessa-me muito mais quem detém um certo poder e uma certa visibilidade, quem tem um público concreto, fiel, amantíssimo; que se expressa e trabalha através de blogs, que vive da sua escrita e do seu produto on-line, e que por isso tem uma responsabilidade social muito maior que eu, ou do que qualquer nauseabundo comentador de rede social.
As palavras têm peso. É só disso que se trata, e considerando alguns exemplos recentes, de posts em blogs, com opiniões tão contrárias à minha, e tão profundamente erradas, a primeira frase que me vem à cabeça é: "perdoa-Lhes que eles não sabem o que escrevem".
Percebo, à partida, uma certa posição irada, ferida, quando alguém se posiciona a favor de um agressor, mas não a posso prosseguir.
Tão pouco posso considerar que todas as pessoas que concordam em algum assunto, em massa, como por exemplo as pessoas que votam todas no mesmo partido, ou frequentam o mesmo curso de línguas, sejam carneiros, ou 'a carneirada'.
Escrevo, não para agredir, de braço no ar e boca escancarada.
Não me interessa falar sobre quem debita impropérios nas caixas de comentários. Já há muito que deixei para trás esse tipo de pessoas, que trocaram o psiquiatra e os diversos tratamentos de choque para se estirarem, dilatarem e espraiarem nas cadeiras do virtual, anonimamente, cobardemente, agredindo e sendo muito felizes assim. Interessa-me muito mais quem detém um certo poder e uma certa visibilidade, quem tem um público concreto, fiel, amantíssimo; que se expressa e trabalha através de blogs, que vive da sua escrita e do seu produto on-line, e que por isso tem uma responsabilidade social muito maior que eu, ou do que qualquer nauseabundo comentador de rede social.
As palavras têm peso. É só disso que se trata, e considerando alguns exemplos recentes, de posts em blogs, com opiniões tão contrárias à minha, e tão profundamente erradas, a primeira frase que me vem à cabeça é: "perdoa-Lhes que eles não sabem o que escrevem".
Percebo, à partida, uma certa posição irada, ferida, quando alguém se posiciona a favor de um agressor, mas não a posso prosseguir.
Tão pouco posso considerar que todas as pessoas que concordam em algum assunto, em massa, como por exemplo as pessoas que votam todas no mesmo partido, ou frequentam o mesmo curso de línguas, sejam carneiros, ou 'a carneirada'.
Carneiros são animais, pelo que as pessoas que não são como nós, que não fazem as coisas da mesma maneira que nós, que não caminham ao nosso lado, ou que pensam de maneira diversa e distinta de nós, não o são, naturalmente.
As pessoas são gregárias. Essa é talvez a palavra mais correta.
As pessoas são gregárias. Essa é talvez a palavra mais correta.
Animais são outra coisa. Comportamentos animais ainda outra.
[E uma vez que muitos são também os que caminham em sentido contrário, do outro lado - ao nosso lado - às vezes calados, mas muitas vezes em maior número, é difícil não ser também aquilo que se julga ser apanágio só de outros, e facilmente se decaí para outro rebanho, mesmo que seja um distinto rebanho de ostras.]
[E uma vez que muitos são também os que caminham em sentido contrário, do outro lado - ao nosso lado - às vezes calados, mas muitas vezes em maior número, é difícil não ser também aquilo que se julga ser apanágio só de outros, e facilmente se decaí para outro rebanho, mesmo que seja um distinto rebanho de ostras.]
Não há perdão para a violência.
Não há perdão para quem violenta, quem agride, quem ameaça, quem chantageia, quem persegue, e depois para quem, e também não pode haver perdão para quem, de alguma forma, através de exemplos mais ou menos válidos, verdades mais ou menos reais, defende essa violência.
Não considero que haja zonas cinzentas quando se trata de crime. Não é possível reprovar o crime e desculpar o criminoso, não é possível ter o bolo e comer o bolo.
Há sempre uma solução para a violência que não passa nunca por mais violência.
Não há perdão para quem violenta, quem agride, quem ameaça, quem chantageia, quem persegue, e depois para quem, e também não pode haver perdão para quem, de alguma forma, através de exemplos mais ou menos válidos, verdades mais ou menos reais, defende essa violência.
Não considero que haja zonas cinzentas quando se trata de crime. Não é possível reprovar o crime e desculpar o criminoso, não é possível ter o bolo e comer o bolo.
Há sempre uma solução para a violência que não passa nunca por mais violência.
Não andamos a gastar rios e rios de dinheiro na recuperação de toxicodependentes, alcoólicos, e agressores, para depois chegar ali um segurança de um espaço público e quase arrancar a vida de um homem à porrada, sadicamente, robotizado, alheado.
E dar-lhe razão porque afinal o agredido era também ele um agressor.
Não me alongo sobre o crime em si, visível perante milhões de pessoas, bárbaro, mas estou convicta que algumas pessoas possam estar equivocadas quando põe paninhos quentes em cima de grupos empresariais da noite e, - mais grave ainda -, paninhos quentes em cima de comportamentos agressivos que são nitidamente de grupo, de matilha, organizados, 38 vezes denunciado, fazendo decair todas as culpas para aquilo a que chamam de 'one man show', isto é, um homem louco, que decidiu sozinho acabar com a vida de um ser humano, aos pontapés.
E dar-lhe razão porque afinal o agredido era também ele um agressor.
Não me alongo sobre o crime em si, visível perante milhões de pessoas, bárbaro, mas estou convicta que algumas pessoas possam estar equivocadas quando põe paninhos quentes em cima de grupos empresariais da noite e, - mais grave ainda -, paninhos quentes em cima de comportamentos agressivos que são nitidamente de grupo, de matilha, organizados, 38 vezes denunciado, fazendo decair todas as culpas para aquilo a que chamam de 'one man show', isto é, um homem louco, que decidiu sozinho acabar com a vida de um ser humano, aos pontapés.
Não há perdão para a violência das palavras.
Haverá muita gente que enegrece e tisna o dom que as palavras têm de provocar a mudança nos outros.
Há quem use a sua (excecional) palavra para chegar aos outros e o faça de tal maneira que a mensagem chega, e dá uma ideia inquinada de si próprio.
Há quem se estatele ao comprido quando decide fazer juízos de valor sobre classes inferiores, pondo-lhes o pé em cima, de forma soberba.
Há quem tenha muitas razões para se insurgir contra o Estado, contra a falta de segurança, contra o Processo Penal, contra as penas suspensas, contra criminosos que são apanhados em flagrante e nada lhes acontece, contra andrajosos seres humanos que matam as mulheres, contra as mulheres que enganam os maridos, contra a sociedade dos amiguismos, clientelismos e outros crimes superlativos.
Sim.
Mas quando alguém se predispõem a defender pela força das palavras, que tão arduamente conquistou, a violência a um ser humano, seja ele qual for, o 'tem que ser porque tem de ser', então só me resta encolher os ombros.
Havia um senhor que dizia:
"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária, não merecem nem liberdade nem segurança".
O Senhor era Benjamin Franklin.
Deixo aqui o meu silêncio.
Nas minhas palavras.
6 de novembro de 2017
INSTRUÇÃO PRIMÁRIA
Faz hoje precisamente 245 anos que o Ex-Embaixador de Portugal em Londres (e depois Ministro do rei D. José I) a Sua Excelência O Marquês de Pombal, instituiu o ensino
primário oficial. O objectivo do Ministro, neste campo, era facultar a todos os estratos populacionais o acesso à instrução, o que, para a época, era considerado uma ideia utópica.
Depois desta ideia utópica, outras ideias utópicas se seguiram em Portugal, nomeadamente as ideias consagradas na Constituição da Republica Portuguesa, constituída por normas que dispõem que os Direitos Fundamentais se aplicam a todos os cidadãos, que os cidadãos têm todos a mesma dignidade social, e que são todos iguais perante a lei.
"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária, não merecem nem liberdade nem segurança". Palavras de Benjamin Franklin , que servem para elucidar os mais incautos.
Depois desta ideia utópica, outras ideias utópicas se seguiram em Portugal, nomeadamente as ideias consagradas na Constituição da Republica Portuguesa, constituída por normas que dispõem que os Direitos Fundamentais se aplicam a todos os cidadãos, que os cidadãos têm todos a mesma dignidade social, e que são todos iguais perante a lei.
"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária, não merecem nem liberdade nem segurança". Palavras de Benjamin Franklin , que servem para elucidar os mais incautos.
4 de novembro de 2017
E COMO ESTÁ ESSE FRANCÊS?
MARIAGE CATALAN
Dis, mon fils, il faut que je te parle !
Ce soir, après la noce, tu vas rentrer dans ta maison avec ta femme.
Il faut que je t'explique certaines choses:
- Oui, Papa
- Premièrement, tu vas prendre ta femme dans tes bras pour rentrer dans la maison, parce qu'un Catalan c'est fort !
- Bien, Papa.
- Ensuite, tu vas aller prendre une douche, parce qu'un Catalan, c'est propre !
- Oui, Papa.
- Puis, tu reviens dans la chambre tout nu, parce qu'un Catalan, c'est beau !
- C'est vrai, Papa.
Là, tu vas regarder ta femme dans les yeux, parce qu'un Catalan, c'est fier!
- Oh oui, Papa
- Enfin, tu t'occupes de ta femme toute la nuit, parce qu'un Catalan, c'est amoureux ! Tu m'as compris, mon fils?
- Oui, Oui, Papa.
Et la noce se passe joyeusement.
Le lendemain, le Père rencontre son fils dans le village:
- Alors, mon fils, comment s'est passée cette nuit ?
- Oh bien Papa. Tout d'abord j'ai pris ma femme dans mes bras pour rentrer dans la maison, parce qu'un Catalan c'est fort ! Ensuite, je suis allé prendre une douche, parce qu'un Catalan, c'est propre !
- Après, je suis revenu dans la chambre tout nu, parce qu'un Catalan, c’est beau, et j'ai regardé ma femme dans les yeux, parce qu'un Catalan, c'est fier!
- Après, j'ai embrassé ma femme partout, parce qu'un Catalan, c'est amoureux
- C'est très bien, mon fils, et après ?
- Après ....... je me suis masturbé parce qu'un Catalan, c'est autonome et indépendant!
Dis, mon fils, il faut que je te parle !
Ce soir, après la noce, tu vas rentrer dans ta maison avec ta femme.
Il faut que je t'explique certaines choses:
- Oui, Papa
- Premièrement, tu vas prendre ta femme dans tes bras pour rentrer dans la maison, parce qu'un Catalan c'est fort !
- Bien, Papa.
- Ensuite, tu vas aller prendre une douche, parce qu'un Catalan, c'est propre !
- Oui, Papa.
- Puis, tu reviens dans la chambre tout nu, parce qu'un Catalan, c'est beau !
- C'est vrai, Papa.
Là, tu vas regarder ta femme dans les yeux, parce qu'un Catalan, c'est fier!
- Oh oui, Papa
- Enfin, tu t'occupes de ta femme toute la nuit, parce qu'un Catalan, c'est amoureux ! Tu m'as compris, mon fils?
- Oui, Oui, Papa.
Et la noce se passe joyeusement.
Le lendemain, le Père rencontre son fils dans le village:
- Alors, mon fils, comment s'est passée cette nuit ?
- Oh bien Papa. Tout d'abord j'ai pris ma femme dans mes bras pour rentrer dans la maison, parce qu'un Catalan c'est fort ! Ensuite, je suis allé prendre une douche, parce qu'un Catalan, c'est propre !
- Après, je suis revenu dans la chambre tout nu, parce qu'un Catalan, c’est beau, et j'ai regardé ma femme dans les yeux, parce qu'un Catalan, c'est fier!
- Après, j'ai embrassé ma femme partout, parce qu'un Catalan, c'est amoureux
- C'est très bien, mon fils, et après ?
- Après ....... je me suis masturbé parce qu'un Catalan, c'est autonome et indépendant!
3 de novembro de 2017
URBAN VEM DE URBANIDADE?
Olá outra vez!
Desculpem maçar. Cheguei mais cedo, voltei a ler, pelo que a cabeça, assim que vê assomarem-se os livros, desata num pranto de palavras.
Alguém tem de limpar.
Vi ontem, com grande admiração, uma rapariga muito ahh-ohh-ahh a filmar um bruta-montes carregadinho de esteróides, a fazer uma entrada a pés juntos na cabeça de um ser humano (des)falecido no chão.
"- Filma, filma, estás a filmar? Eu vou processar este gajo!"
O Ruim, que é um 'comediante' do Facebook, fez notar no seu post de ontem, que, de tudo o que tinha visto no vídeo, e foi bastante - pelo menos para mim - aquilo que mais o afligiu foi que tudo se tinha passado já o sol raiava, e de todas as pessoas que por ali estavam, umas a mastigar bocados de carne picada com pão, outras a escorropichar o resto morto da cerveja, nenhuma delas estava a usar óculos escuros...
O que se passa com as pessoas?
As pessoas saberão o que se passa com elas?
As pessoas saberão que há vidas que acabam assim, com uma entrada a pés juntos?
Uma pessoa está a ser espancada por um marmanjo do tamanho de um vidrão, com os outros caixotes do lixo a ver, e ninguém faz nada a não ser filmar a cena como se estivéssemos todos num filme?
Aquilo a feder por todo o lado, a porcaria a escorrer da farda, a envergonhar a profissão, a deixar-nos a todos morrer por dentro, de raiva, de incompreensão, de humanidade, e urbanidade, e há uma miúda que disponibiliza o seu Iphone para filmar um gajo a morrer para depois processar o assassino?
Processar o assassino?
2 de novembro de 2017
MANDAR A ÉTICA PARA AS CALENDAS
Olá a todos!
É verdade, parece que finalmente recuperei a password do meu blog. Era afinal a mesma que usava todos os dias para chamar o meu falecido gato.
Ainda bem que os blogs não falecem.
Na posse de todas as minhas faculdades físicas e intelectuais, volto aqui hoje, como volto sempre, porque achei interessante transmitir-vos a minha opinião sobre certas coisas da vida, mormente as coisas da ciência e da medicina, especialmente as que se desenvolvem milimetricamente (e por isso infelizmente), porquanto a ética, essa filha de uma mulher extravagante e alegre, se mascara de mil maneiras para lhes atravancar o caminho, percorrido paralelamente por outros caminhos, muitas vezes tão difíceis de percorrer, como são por exemplo os caminhos daqueles que só podem viver, sobreviver ou ter paz se a ética for para 'escambau' - na nossa língua, para as calendas - e se vejam na posse da ciência, toda ela magnífica, toda ela esplêndida, a operar os seus corpos apagados, e trazê-los de novo à luz e a luz para o caminho.
Numa casa cada vez mais unifamiliar no que ao comando da TV diz respeito, fui ontem a feliz contemplada com o magnífico electrodoméstico.
Caiu-me nas mãos uma mão cheia de sumidades intelectuais, entra elas o grande Sobrinho Simões, num programa extraordinário que passou na RTP3, e cujo tema foi:
Queremos viver para sempre?
Manuel Sobrinho Simões, Maria do Céu Patrão Neves e António Bagão Félix
1 DE NOVEMBRO 2017
22H00
Extraordinário debate de ideias, que foi também uma exposição de factos, bem expressados, onde me foi possível ouvir muitas coisas notáveis, elevadas, e pouco habituais para os nossos ouvidos cheios de ruído-lixo.
E falou-se de tudo o que implica viver mais tempo, viver melhor, viver para sempre, e que o transplante de cabeças está aí, no virar do ano, com as hipóteses de sucesso a bater nos 90%.
Magnífico tema!
Claro que ao longo de muitos anos, todos os homens que tornaram possível este salto para o abismo que nos permitisse, a nós, Humanidade, cair de pé, suscitou muitas questões relacionadas com a ética, que na verdade esbarram com a necessidade de evoluir e apaziguar a dor, e com o tremendo avanço que isto significa para tantas e tantas pessoas que sofrem.
Transplantar cabeças!
Não entendo a total ignorância no que à ética diz respeito quando se trata de transplantar um coração, um fígado ou um rim. Parece-me que a ética, no caso do transplante de cabeça, nasce com os olhos, isto é, se conseguirmos ver com os nossos olhos um corpo desconhecido, o braço diferente, a mão diversa, logo a ética, cheia de considerações absurdas sobre como se vai sentir o homem cuja cabeça se desprendeu do corpo morto e se liga agora à vida, se levanta e põe o seu dedo no ar, acusarório; mas se os olhos não virem, porque os novos órgãos desconhecidos se escondem por baixo da pele conhecida, então a ética fica sentada no seu canto absurdo, aplaudindo com mão murcha e displicente, os avanços extraordinários da medicina.
A cabeça transplantada conseguirá viver com um corpo novo? perguntam os éticos.
E eu pergunto:
Até quando a cabeça nova deve permanecer agarrada ao corpo velho?
Mando a ética para as calendas e junto-me aos milhões de pessoas que anseiam por isso toda a vida.
Viver para sempre não é o mesmo que existir para sempre.
20 de outubro de 2017
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